Calor, areia e vento na cara
O céu azul, o mar me acalma
Sento no chão e me sinto brilhar
Tristeza, raiva, dor e insegurança
Quero deixar pra lá
Hoje fez sol
A felicidade invade o meu corpo
Quando eu entro na água
Me lava da pela à alma
Me sinto vivo de novo
Avisto amigos andando e aceno
Eles me vêem e compartilham do sentimento
Logo somos nós todos fofocando
Brilhando, rindo e, por que não, se amando
A areia chega a lugares desprazerosos
A água salgada destrói meu cabelo
E pessoas seminuas me julgam por inteiro
Não tenho mais nenhum medo
Sou aqui este mesmo
E, quando o sol se põe
E o dia começa a acabar
Um grandioso espetáculo
Eu fecho os olhos, cansado
Pensando
No que o futuro pode nos reservar
Autor: Ícaro do submundo
Criador de universos / Lágrimas nos olhos
Eu escrevi esse texto a princípio para liberar um pouco do sentimento de vazio que eu estou sentindo, mas o que aconteceu mesmo foi que eu chorei muito. Eu não revisei ele. Eu não reli e nem quero. Estou postando porque eu quero ele salvo para o futuro. Definitivamente não foi fácil escrever isso. E definitivamente foi emocionante.
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Eu me sinto destruindo um universo
Apagando estrelas,
Destroçando planetas
Galáxias que eu conhecia de perto
Extinguidas em segundos…
Estou contemplando a destruição de mundos
Sistemas simples e complexos de vida
Os segredos, as fantasias, todas perdidas
A curiosidade não mais significa
Entendimento não mais qualifica
Leis da física que seu professor não mais aplica
Sinto o frio do espaço sideral
O silêncio, o escuro e a dor visceral
Implodindo para fora
Explodindo para dentro
Um evento que acontece agora
Mas que dura mais tempo
Como um buraco negro
Eu nunca vou ser mais o mesmo
Me emociono com todo o desespero
Tento puxar para mim o último lampejo
De vida, de esperança
Do fim dessa grande mudança
Mas eu não tenho controle
E assisto o extermínio de toda beleza começar
E terminar
Eu tento chorar, mas não consigo
As lágrimas são seguradas pela sensação estranha
De alívio
Tão tacanha como o primeiro ser vivo
Com medo de tudo que nunca tinha visto
O silêncio dá lugar para a voz
E o nada já é algo
Algo tão estranho como “Nós”
Palavras vazias de um universo desgastado
Negligenciado e destroçado
Surge agora um novo espaço
Eu me sinto construindo um universo
Um ser poderoso, inteligente e velho
Cujo coração não bate com o mesmo critério
E nem nunca mais vai bater
Sinto criando tudo do zero
Os planetas, as estrelas, os mistérios
Pensando assim, já não parece tão diverso
Sinto falta do antigo universo
Pode deus criar infinitos desses universos
E replicar cada acontecimento histórico e adverso
Há momentos que existem só uma vez
Como aprender a andar de bicicleta
Ou receber um elogio por algo que você fez
Nenhuma experiência é completa
Por isso que são únicas
Eu valorizo os erros,
Os acertos
Os defeitos e os consertos
Mas o universo é algo tão complexo
Como medir distância entre estrelas?
Como medir o prazer no sexo?
Eu posso criar vários desses
Mas sei que não conseguiria reproduzir seu cheiro
Seu toque, seu abraço, seu desejo calado
Reproduzir seu empenho
Sua vontade de estar ao meu lado
As fofocas, as dicas e os bons resultados
Não há poder no mundo que me faria deixar isso de lado
Eu amo estar ao seu lado
Os momentos bons eram divinos
E até quando não fazíamos nada
Era um máximo
Eu queria estar errado
Eu queria muito estar errado
Queria não achar que não há solução esse caso
Queria encontrá-la contigo
Passo a Passo
A cada briga
A cada fracasso
Mas eu me sinto muito machucado
Há muito estou ignorando meus percalços
Tentando comunicá-los
E eu não quero mais me sentir culpado
Por tudo que há de errado
Pelos maus tratos
Pelas conversas que eu nunca me senti confortável
Ou já senti, mas hoje não é mais o caso
Pelos espaços confinados
Pela dor física que eu sentia na bacia e na perna
Pelos momentos calados pensando
“O que estou fazendo aqui nessa merda?”
“qual é o meu valor nisso tudo?”
“se existe amor, por que só me sinto confuso?”
Estamos em fases diferentes
Cabeças, vivências, desejos e visões
Eu sinto que estamos separados por ilusões
Das minhas projeções de futuro
E das suas regras que moldam seu mundo
Eu construí um universo antes de você
Que foi tão expandido
Que não fazia mais sentido
Eu tinha minhas leis antes de você
Que eram tão absurdas
Não newtonianas
Que eu abri mão para te ter comigo
Criei dívidas, maltratei pessoas
Às vezes até conhecidos
Desisti do respeito que tinha
Desfiz de minha honra
E, em momentos,
Fui menos do que eu já fui um dia
Tudo isso para viver contigo
Achando que estava fazendo o que deveria…
Mas nem você respeitava essa postura de cadelinha
Preciso do espaço
Preciso criar meus mundos
Preciso viver bilhões de vidas
Preciso sentir bilhões de supernovas nos pulsos
Preciso do escuro
Preciso do frio absoluto
Preciso das vísceras a mostra
Preciso da solidão
Porque é meu elemento de autorregulação
E me desculpe por acabar com o nosso universo
Eu nunca vou me perdoar por isso
Meu amor por você é eterno
Mas, a cada palavra que digito,
Com as lágrimas nos olhos,
Eu sei que estou certo.
O mar 🌊
Te amo tanto que dói
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Eu acreditava que pessoas são ilhas
Pedaços de terra prontos para serem desbravados…
Mas eu estava muito enganado
Pessoas são oceanos
São mares revoltos
São criaturas desconhecidas
São insuportáveis calmarias
Quando o barco precisa de um sopro
E quando o barco precisa de um sopro
São o clima tempestuoso
Oceanos profundos
Que afogam o marinheiro mais competente
Que guardam riquezas e saberes inúmeros
Um novo mundo secreto e absurdo
Escondido às vistas dentro da gente
Eu olho para o horizonte
O oceano não tem fim
Estou prestes a cair de minha ilha
Mas eu sei que preciso
O oceano chama meu nome e eu não resisto
Vejo a luz do sol tremular na água
De perto, vejo os peixes brincarem sem parar
Sento na areia e espero o tempo passar
De noite, vejo a lua pintar as águas escuras do mar
O vento e seu brilho como pincéis
A empurrar
E puxar
A água do mar me atrai
Ouço meu nome sendo chamado
A ilha já me parece pequena e voraz demais
Não que o mar me reserve paz
Mas seus segredos geram dúvidas insaciáveis…
E a virtude de todo tolo é a curiosidade
Construo uma jangada
Um bote, uma canoa furada
Remo para longe das ondas pequenas,
Das médias e das altas
Mas elas me empurram de volta para praia
Como se dissessem para tomar mais cuidado com a jornada
Eu as ouço como ouço um ditado antigo
Construo um barco mais forte
Separo reservas
E em um mapa eu traço o norte
Parto nessa missão sozinho,
sem companhia ou amigo
A busca não é pelo meu destino
E sim por um chamado distinto
Doce, arredio, místico
Algo que há décadas não sinto
Um arrepio invade meu corpo
Coloco o barco no mar
Sinto o cheiro de sal invadir o ar
O sol a brilhar em meu rosto
Os ventos me ajudam a navegar
E, quando eu menos espero
O horizonte se abre para mim de novo
O azul infinito se estende perante a mim
Tão grande, tão lindo que me faz seguir
O azul do céu é sensível e prestativo
Como um pai, o céu assopra ao meu ouvido
Palavras de força, palavras de incentivo
Não me perde de vista
Faz me sentir aconchegado, querido
Seja no calor do sol, ou no chuvisco frio
Do azul celeste ao azul anil
E de noite, apesar do suposto vazio
Ainda faço do céu, meu abrigo
E do brilho das estrelas, amigos
O azul do mar é impulsivo
É violento, é agressivo e hostil
Eu puxo as velas, controlo o leme e o timo
Mas lutar contra o mar eu não consigo
Pode ser calmo, mas nunca gentil
A paciência do anil sumiu
Esse azul faz parte do oceano
É profundo, intenso e sombrio
E eu me sinto… Vivo?
Adrenalina pulsando em meus ouvidos
Sinto o arrepio, a onda vindo
Seguro no mastro com toda força possível
Eu sobrevivo
Solto meu nome em um grito
É tudo que eu tenho
É tudo que eu preciso
Me desfaço das roupas molhadas
Olho para o mar com as vistas embaçadas
Não há nada além disso
Confronto tudo aquilo que me cerca
O peito nu, suor pingando
O cabelo colado na testa
Pergunto para a água
“O quer quer de mim?”
Pergunto por que me chamou até aqui
Sem respostas além do vento forte
Eu caio do barco em direção ao perigo
Sem boia, sem traje, sem ar, sem motivo
Mergulho dentro do profundo líquido
Provo um pouco do sal desse mar
Que me engoliu sem pensar
Palavras ao vento
Minhas palavras são molhadas
Elas derretem na minha boca
Raramente são dosadas
Geralmente são loucas
Minhas palavras são doces
Mel dos mais saborosos
Escorrendo pelos lábios dengosos
Direto para a boca de amores
Minhas palavras são dores
Que sangram o piedoso coração
Que matam a fugídia ilusão
São óculos no meio da escuridão
Localizando temores
Minhas palavras curam feridas
Assim como a de qualquer um
Vibram com a felicidade em comum
Oferecem ideias e saídas
Confortam pessoas perdidas
Pessoas com sentido nenhum
Minhas palavras são vazias
Entopem os ouvidos
Distorcem as finas linhas
Não cumprem o que é dito
A língua e os lábios tão perdidos
Comprimem sintonias
Compreendem os bandidos
Minhas palavras são ouvidas
Posso expressar ao máximo
Mas não forço serem entendidas
Uns me chamam de ácido
Outros falam com palavras comedidas
Bem, eu não acho…
Minhas palavras são perdidas
Se perdem em meio à gritaria
Palavras raras, palavras de sabedoria
Me pergunto “o que o sábio faria?”
E recolho cada palavra já proferida
Uma por uma
Discretas e não solícitas
Minhas palavras são raras
Observo atentamente o desafio
Eu muto as situações rasas
E concentro em ser gentil
Tenho medo de escancara-las
Isso não é de meu feitio
Palavras quase sempre são ditas
Palavras quase sempre gesticuladas
Palavras podem ser ampliadas
Palavras podem ser partida
Significação personalizada
Eu não me responsabilizo por como chega a você
Mas ditas as palavras vão ser
Eu não me responsabilizo pelo que você vai entender
Mas se for ouvir…
Terá algo para dizer…
Invencível
Você merece o melhor dos mundos
Merece o amor de muitos
Merece o passado e o futuro
Merece quebrar todos os muros
Merece mais que momentos fortuitos
Capaz de feitos que nem mesmo ele sabe
Constrói e destrói a própria realidade
Com suas mãos
Desfaz ciclos intermináveis
Ergue pontes e passagens
Faz os próximos se sentirem sãos
E eu assisto admirado suas potencialidades
Achava que era como um Deus em ação
Mais como uma força da natureza
Um poder avassalador
Que não pode evitar a dor
Mas também tem sua beleza
Eu me enganei no passado
Falava sobre o inanimado, mas estava errado
Nunca fomos forças da natureza
Imagina, nem da vida temos certeza
Mas ver o impossível sendo realizado causa estranheza
E você faz o impossível ser tão fácil…
Acontece que deuses são onipotentes
E a natureza não possui sentimentos
E o impossível é uma projeção da mente
E a paixão torna tudo isso crível
Você não é invencível
Você sente
Tristeza, dor, cansaço, doente…
Você é gente
Você sangra, machuca e erra
Você tem seus pesos na mente
Suas âncoras sobre a terra
Você só quer ser feliz
A paz
Como a primeira pessoa que existiu também quis
Aquela que só quem procura, faz
E eu?
Bom, eu te quero
Como o calor no inverno
Como as mãos frias querem cobertor
Se for o tempo, eu espero
Se for alergia, eu desligo o ventilador
Se for gripe, compro o remédio
Eu te quero como nenhum outro amor
Eu sou confuso
Estou confuso com tudo isso
Eu me nego ao feitiço
Eu me jogo no escuro
Sou obtuso quando chega o assunto
E sou ferido
Eu sou machucado pelo passado
Por sentir como um otário
Por confiar e receber nada de volta
Eu me sinto solitário em certas trocas
Às vezes me convenço do contrário
Às vezes eu me pego sendo amado
E amo sem limite ou trajetória
Amo você e sua história
E respeito o contrato
Talvez eu seja um folgado
Pense mais em mim do que em nós
O fato é que eu penso demais
Pensamentos que me negam a voz
Dizem que não sou capaz
E eu me torno meu algoz
Mas não é justo contigo
Que eu exija algo que eu não consigo
Que eu te culpe pelos meus desequilíbrios
Que eu te veja como invencível
Eu deveria estar perguntando:
“Como posso te dar abrigo?”
Ser mais que amor, ser amigo
Não reagir por mando
Ou necessidade
Reagir porque eu te sinto
Você é sensível
É delicado e é flexível
Não há essência de Ílson
Tem de tudo um pouco
Como um grande baú de tesouro
Mas ao invés de ouro
Eu encontro um pouco de você perdido
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Essa conversa foi errada
Sou eu que estou segurando a navalha
E você esperando a barba
Sem cortes, sem falhas
E eu erro toda navalhada
Você já tinha me falado sobre confiança
Sobre irresponsabilidade e sobre infantilidade
Você tinha me falado sobre sua insegurança
E eu não te mostrei estabilidade
A verdade é que eu estou tentando
Mas ao mesmo tempo fico nervoso
Para outros o futuro é misterioso
Para mim, ele é um estranho
Com a faca no meu pescoço
Um mentiroso de rua, famoso
Infelizmente, parente meu
Eu possuo expectativas que não podem ser empurradas para você
Nem para o futuro
Da mesma forma que construímos o agora juntos
Eu devo construir meu ser
Independente,
ser alguém pra mim
E para a gente
Mergulho
Mergulho
Caio de vez na água
Não sei se é fundo
Afundo pensando em nada
Não nado
Imóvel fico estirado
Enquanto a água me devora
Me engole e digere minha forma
E quem sou eu?
A luz parece distante
As formas, embaçadas
As vistas, marejadas
E o mar, confiante
Os pensamentos cessam
E, por um instante
Essa pergunta deixa de ser necessária
A água me sufoca
Mas eu não procuro por ar
As bolhas saem e eu pareço não ligar
Meu rosto desbota
Minha visão desfoca
E eu me entrego ao mar
Afundo, vendo os outros em seus lugares
Afundo, pois não luto contra os mares
Afundo, afinal não há mais saída
Afundo, e aceito a minha partida
E então o desespero
O irracional desejo por viver
Engulo logo a água
Ela vai para o peito
Lavando tudo que foi feito
Todos os desejos
Defeitos
Trejeitos
Apagando o mundo inteiro
…
Eu me joguei na água primeiro
Eu quis não saber o futuro
Eu quis tocar o fundo
Sentir a água lavando o peito
Os meus olhos se fecham
E então o sol queima minha pele
Uma lembrança que nunca se perde
Abro os olhos e vejo pessoas
Pessoas que já foram, que são e serão
Todas boas
Elas preocupam comigo
Perguntam e gesticulam
Mas não oferecem abrigo
Eu suplico por ajuda
De novo ou de velho
Mas ninguém sequer escuta
Ouço uma voz conhecida
Cantando “Doubt”
Com uma caneca de malte
E uma expressão única e amiga
Acordo de sobressalto
Na casa?
Num quarto?
Pensei em besteira
Nunca seria derradeira….
Ela não deixaria
O otário
Desacreditado
Descreditado
Deixado no fundo do poço
Largado como uma pilha de osso
Frustrado como seus pais
A própria pomba preta da paz
O desvio de olho de qualquer rapaz
Para o outro lado
Tô acostumado
Palavras de ódio escapam aos montes
De fora, pelos meus amados
De dentro, pela influência de vários
Mas o abstrato se esconde
Ao contrário eu já teria me livrado
Não, o abstrato se desmancha
Os sentidos podem ser trocados
Esquecidos
Alterados
Vencidos
Ajeitados para que soem fracos
Diminuídos quando trazidos
Enganados quando conversados…
O concreto sou eu que faço
Transformo o silêncio em assunto
A brincadeira em significado
Não-dito em falado
E o contrato, firmado
Às vezes não parece muito
Mas dentro do mundo adulto
É o que me deixa saciado
Às vezes eu me sinto um sapato
Daquela música do Roupa Nova
Não sou ultrapassado ou velho
Mas talvez eu seja muito sério
Ou talvez muito idiota…
Tolo demais para não resolver o mistério
Ou só quero levá-lo para a cova
Às vezes eu não quero resposta
O sentimento mais puro de carinho
Beijar na boca, dormir agarradinho
Acordar sem pensar na discussão
Construir no mundo uma ilusão
De uma fugídia perfeição…
O problema é quando estou sozinho
E a ilusão de desfaz no caminho
Os pensamentos me engolem todinho
E eu fico calado.
E eu me sinto…
…
…
Otário?
Sobrecarga
Quando Lorde escreveu Liability, a princípio eu me senti triste. Não porque eu me via na música, na verdade eu nem entendia sobre o que a música significava. Mas a melodia e o refrão são muito fortes e me fazem pensar sobre o que eu sou para os outros.
Depois de crescer, eu comecei a achar essa música meio besta. Claro que você não é um peso. Realmente é um álbum dramático. Meio exagerado e ridículo se sentir assim.
Hoje em dia eu me sinto assim.
Eu sinto demais.
Sou inocente demais.
Eu esqueço as coisas.
Eu sou desatento.
E nervoso.
Eu sempre erro.
Eu tenho muitos defeitos.
E às vezes eles me definem.
Eu me sinto pesado para as pessoas à minha volta.
E elas me olham como um inútil, um coitado, um desistente, um fracassado por escolha própria.
E o pior é que às vezes estão certos.
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Eu entro em uma sala abafada
Mil palavras sendo ditadas por segundo
Gritaria que incomoda como um apito agudo
E eu procuro uma cadeira vazia na sala
Sentado, vejo as milhares de loucuras acontecendo
Demônios e diabos voando,
Os anjos esperneando
Adolescentes bebendo veneno
Um grupo de animais fedorentos
Adultos discutindo o suor americano
E eu assistindo tudo. Pleno.
Levanto a mão pedindo silêncio
Como se fosse acalmar a multidão
Eu falo,
mas a voz é perdida dentro de um milhão
Eu me calo
E sigo para alguma direção
Para longe daquela assombrosa visão
Um caminho que me foi dado
Uma solução pro problema enfrentado
Não sei muito não…
Mas sem ação não tem resultado
Vejo um embrulho ao meu lado
Ele reclama de não saber ser amado
Seu corpo é deformado,
seu rosto é um embaraço de fios
Digo-lhe para confiar nos próprios passos
Mesmo sem saber quais são os fatos
Ela saberá os desvios
Sentei-me novamente porque me perdi
A direção foi mais rápida
Talvez eu me virei e não vi
Preciso tomar uma atitude ou verei partir
Mas a gritaria continua aqui onde restou
E esses ecos, vozes, rostos e cores
Transbordam para fora de quem eu sou
Eu choro de nervoso pelo momento perdido
Eu choro de raiva por ter me traído
Eu choro de lamento por não entender o caminho
Eu choro sentado
E, pelas sombras barulhentas,
Acabo sendo devorado
Deuses da encruzilhada
De amores muitos, de amores mútuos
Quem diria que eu estaria no seu caminho?
Ainda não sabem como as Parcas tecem seus fios
Mas sabemos que eles precisam ficar juntos
Não procuro resposta no acaso,
Assim como não procuro um espelho no escuro
Ao contrário: eu aceito esse laço fortuito
E derrubo minhas barreiras e muros
Por uma possibilidade de futuro
Mas como saber o futuro certo?
Volto à alegoria de Hécate e Janos
Entre o futuro incerto e o passado quieto
Há uma encruzilhada de planos
De destinos, de caminhos abertos
Como saber aonde vamos?
A resposta é: não sabemos
Janos é o deus das possibilidades
Do fim ao começo, das passagens
Não há inércia, não há impasse
A escolha é uma necessidade
Hécate é a protetora da encruzilhada
Ela oferece a luz, a mochila e a navalha
Mas ela não aponta a direção de nada
Estende a mão de ajuda, calada
A alegoria nos faz pensar sobre decisões
Para Janos, o fim é um novo começo
É uma trilha que se constrói consigo mesmo
Com Força, coragem dignos de canções
Não precisa ser um acerto, mas sim
Ações.
Feitos.
Para Hécate, o caminho precisa ser trilhado
Mas com o devido preparo
A devida inteligência
Andamos na trilha com consciência
É a prudência que proporciona o valor
Conquistado
Estivemos por muito tempo encruzilhados
Tempo o suficiente para não saber o que é futuro
E o que é passado
Os caminhos sempre cruzados
Tomados por susto, pelo acaso
Eu gosto dele,
Mas prefiro o caminho planejado
Demos o passo de sermos namorados
Amo você com o que posso
E sei que posso contar contigo ao meu lado
Não estamos caminhando no espaço
A confiança é a solidez debaixo de nossos passos
Olhando em seus olhos
Andamos juntos cada passo dado
Talvez carnaval seja o acaso,
Mas um ano é escolha
Talvez a paixão saia do ato,
Mas o amor se escreve numa nova folha
E se não soubermos como amar?
A gente inventa
E se houver algum problema?
A gente enfrenta
Fui bobo
Achei que o começo do namoro encerraria a encruzilhada
Mas o amor é muito mais do que uma escolha certa
Comedida
Encorajada
Ou intelectualizada
É um caminho contínuo
É uma escolha continuada
E eu te escolho todos os dias, amor
Nessa jornada
Pedra por pedra,
Camada por camada
Um trabalho duro que nunca acaba
Muito mais gratificante do que transar (o que já é divino)
É saber que independente de onde eu vá
A nossa estrada é o meu lar, lugar para onde voltar
E eu não a trocaria por nada.
Como se
Quase como se o tempo parasse
Quase como se meu coração caísse
Quase como se meus olhos inundassem
Quase como se meu peito murchasse
Quase como se meus ouvidos sumissem
Quase como se meus músculos derretessem
Quase como se minha garganta um nó dasse
Quase como se meus dentes amolecessem
Quase como se meus ossos quebrassem
Quase como se a dor nunca passasse
Mas nunca será como se eu me esquecesse
Eu nunca vou esquecer