Às palavras, os soluços. Elas saem, mas não encontram quem as ouçam. Desesperadas por um ombro amigo, por algum ouvido que escolha parar de ouvir outros milhares de sons por elas.
Às palavras, os carinhos. Pois elas precisam de conforto depois de se sentirem tão sozinhas. Tão expostas e vazias. O frio da rua não faz bem às palavras, que preferem o calor do contato imediato de outras…
Às palavras, o silêncio. Pois elas também precisam ser escondidas. Elas precisam ser reservadas, educadas, comedidas. Palavras não devem mudar de tamanho, palavras não devem se mostrar para qualquer um. Palavras devem ser usadas na hora certa, de forma assertiva.
Às palavras, meus sinceros lamentos. Pois eu não as respeito desta forma. Elas gritam de minha boca para fora, quando não as seguro na hora. E as sussurro, quando o ambiente não parece seguro. Às vezes eu as ofereço à solidão, jogando pelas ruas durante a caminhada à noite. Às vezes, elas criam confusões e colocam para resolver – a culpa não foi minha, mas das palavras….
De que forma elas sabem a hora certa de aparecer? Como saber que dia plantar uma árvore em um terreno arenoso? Como fazer crescer maçãs em uma amendoeira?
Como as palavras podem transformar você e o que você pensa? Quem é você pelas palavras que diz e deixa de dizer?
Flutuo com a certeza de que o mundo ao meu redor é de pedra, não de ar e não haverá palavra que faça ele desmoronar. Eu me levanto do sonho com a certeza de que os humanos são feitos de palavras e promessas… E o chão parece se desmanchar como fumaça.