Minhas palavras são molhadas
Elas derretem na minha boca
Raramente são dosadas
Geralmente são loucas
Minhas palavras são doces
Mel dos mais saborosos
Escorrendo pelos lábios dengosos
Direto para a boca de amores
Minhas palavras são dores
Que sangram o piedoso coração
Que matam a fugídia ilusão
São óculos no meio da escuridão
Localizando temores
Minhas palavras curam feridas
Assim como a de qualquer um
Vibram com a felicidade em comum
Oferecem ideias e saídas
Confortam pessoas perdidas
Pessoas com sentido nenhum
Minhas palavras são vazias
Entopem os ouvidos
Distorcem as finas linhas
Não comprem o que é dito
A língua e os lábios tão perdidos
Comprimem sintonias
Compreendem os bandidos
Minhas palavras são ouvidas
Posso expressar ao máximo
Mas não forço serem entendidas
Uns me chamam de ácido
Outros falam com palavras comedidas
Bem, eu não acho…
Minhas palavras são perdidas
Se perdem em meio à gritaria
Palavras raras, palavras de sabedoria
Me pergunto “o que o sábio faria?”
E recolho cada palavra já proferida
Uma por uma
Discretas e não solícitas
Minhas palavras são raras
Observo atentamente o desafio
Eu muto as situações rasas
E concentro em ser gentil
Tenho medo de escancara-las
Isso não é de meu feitio
Palavras quase sempre são ditas
Palavras quase sempre gesticuladas
Palavras podem ser ampliadas
Palavras podem ser partida
Significação personalizada
Eu não me responsabilizo por como chega a você
Mas ditas as palavras vão ser
Eu não me responsabilizo pelo que você vai entender
Mas se for ouvir…
Terá algo para dizer…