Quando você se foi,
eu achei absurdo o mundo continuar girando,
As pessoas andando
E o trabalho chamando
E a vida acontecendo
Encontros, amigos…
Antropoceno
Eu, que vivo me esquecendo,
Não esqueço
Bolsonaro ainda eleito
O céu azul, o sol aceso
E eu, escrevendo meu texto
O conto que você me ajudava a escrever
Depois desse dia não fui o mesmo
Hoje faz três anos que você se foi
E o mundo realmente não parou
As pessoas continuam andando
O trabalho continua chamando
A vida continua acontecendo
Namoro, amigos…
Antropoceno
Já não vivo tão esquecido
Tenho alguém pra levar sempre comigo
Sinto sua falta quase sempre
Sinto falta da minha fiel confidente
Saudade dos momentos só a gente
E daqueles de galera reunida
Saudade ter você como melhor amiga
De brigar, chorar, me desculpar
E de rir profusamente
Igual a você não há
Nunca haverá
Não posso voltar no tempo
Não posso sequer frear
O mundo vai continuar a girar
E as pessoas vão andar
E as memórias se deteriorar…
Como a pedra e o vento…
Às vezes me pego pensando no presente
Você adoraria conhecer Ílson
E Ana Mary B
E o novo álbum da Lorde
E da Florence
Planejaríamos viajar juntos
Mas iríamos de verdade
Talvez nós nos aposentassemos
Com a mesma idade
Criei mil histórias em minha cabeça sobre nossa amizade
Mas nenhuma delas tinha sua morte prematura
Sinto muito, muito mesmo
Saudade sua.
Tag: Amigo
É pena
É pena que eu não consegui mais ver esse teu olhado
Rindo ao seu lado
Momentos de brilhantismo e história
Que foram e são muitos
E os guardo agora como memória
É pena não mais ouvir de sua vida
Eu fiquei impactado de saber sobre sua ida
Essa cidade traz dificuldade pelas esquinas
Imagino que tenha saudade de São Paulo
Mas não deixa fácil sua partida
É pena não mais contar minhas coisas
Passar as noites explicando bobagens
Ou conhecendo novas pessoas
Descobrindo diferentes expressões de arte
Tendo a sorte de estar com sua pessoa
É pena estar distante
Estar indisponível pelo trabalho
Ocupado em cada instante
Mas é que eu ando meio atrapalhado
Ando realmente dividido
Esse ano foi difícil achar tempo para mim
Comigo
Essa distância foi amigável
É pena que esteja distante
Queria conversar contigo
Falar uns pontos que são relevantes
Queria ainda ser um amigo
É pena não curtir mais a presença
As noites de dança na sala
O carteado e a provocação intensa
A recompensa no suor de madrugada
Como disse,
A memória tem vida própria
Ela lembra, ela mostra
Agora eu sinto pena dela
Porque eu sei que não volta
É pena de mim naquele são João
Noite que ela sempre evoca
Da dança tímida
e do licor de paçoca
Última vez que toquei sua mão
Eu não imaginava a proporção
Não, eu não tinha nenhuma noção
E depois o amargo na boca
Subindo aos poucos
Como conta-gota
Eu vejo os erros e assumo os caminhos
Mas assumo também a confusão
E sei que conversa justa teria resolvido
Não uma forte discussão e um sermão
A história e a memória andam me perseguindo…
Pedindo uma solução
pra esse dilema infinito
Mas o tempo, maior que elas
Não se rende ao póstumo perdão
E nem ao sermão duplamente compelido
Eu ou você certos ou perdidos…
Cansado e traído,
O tempo absoluto regra nosso destino
É pena não ter mais tempo
Fico feliz que o mundo girou a seu favor
Vejo as peças, sei de seu primor
Um dia eu apareço, juro!
Quero saber de tudo tudo tudo
É pena.
Não é fim
Não é ódio
Não é temor.
Não é o romântico amor.
Também não é um pódio
Ou promoção.
Só dizer que apertaria novamente sua mão
Foi você que fez isso
Você tocou minha campainha
Você abriu minha porta
Sentou no meu sofá
E comeu de minha farofa
E você me esnoba
Reclama que de farofa não gosta
Que o sofá é muito macio
Que a cor da parede não é de seu feitio
Você me rouba a paciência
Deixando de refém minha bondade
Para poder voltar à vontade
Ora, eu nunca te disse não
Você que veio para a minha canção
Foi você
Que veio para a minha casa
Você que comeu de minha farofa
E deu risada
Foi você
Que escolheu sua própria desgraça
Fingindo uma amizade,
Mas não entregando nada
Pois agora eu estou com raiva
Espero que quebre seu dedo
Que tocou a campainha
Espero não ter mais sua
Companhia
Espero que não consiga abrir a porta
Espero
Que engasgue com a farofa
Você não é mais bem-vindo em minha casa
Se espera um amor fraternal
Receberá minha ira e mais nada
Guardo minha graça para os que merecem
Não sou mais o ícaro que aguenta estresse
Não é um favor, mas um comando
Saia da minha vida
E não me deixe esperando
Dia 7: Imperfeição
E os pássaros voam no céu
Uns maís rápidos e ferozes
Outros espertos e fugazes
Não meço quem melhor voa
Mas posso ver daqueles pássaros
Quem vive numa boa
E sobrevive em seus próprios
Passos
E você que vive de etapas
Emprego? Check
Carro? Check
Agora é a namorada
E aquele que se mede por outros
E ignora o próprio esforço
Coitado do pobre tolo
Se não morre de estafa,
Vai ser de desgosto
Tem também o desistente
Aquele que nem sequer mente
Já toma para si a derrota
eminente
Mesmo que sua história
Indique diferente
Quase esqueço do perfeito
Que se foca em algo
Se cobra de todo o jeito
Seu ego depende do trabalho
Autoestima atrelada ao esforço
No entanto o vazio preenche
O seu rosto…
Vazio de viver o lado de fora
Vazio de vontade do chamado de agora
Vazio, pois a perfeição não é natural
Assim como pássaros voando em teu
Quintal
Falta sede do desconhecido
Sede do que foge ao seu poder
De não ter aquilo na mão e a mão naquilo
E “aquilo” seria seu próprio viver
E falta o impulsivo
O doido e repulsivo
Aquele que vai onde ninguém iria
Para experimentar uma liberdade
Fugidia
Há muito para se falar sobre o impulsivo
Sobre o desistente ou até o comparativo
Mas nunca falam do perfeito
Porque todos têm medo
De viver em seu direito
Se prendem a regras particulares
Vivem vidas vividas por milhares
Não procuram saber de se entender
Querem viver só por viver
Quando na adolescência
O professor de filosofia fala:
“Cada um é diferente de cada”
Ele não tava brincando com nossa
Inocência…
Porque aí cresce…
Olha para trás de si mesmo
E não vê nada além de um espelho
Refletindo todas as falhas e acertos
Que não necessariamente o fazem inteiro
Perfeição não nos merece
Ela é tão momentânea como a paixão
Deixa-nos obcecados, nos adoece
Só para alguém dizer “sim”,
Enquanto outros diriam “não”
Façam-me rir intelectuais,
Lideres religiosos ou municipais
Quem vos dá poder sou eu
Quando descumpro compromisso meu
Quando mando para a puta que pariu
E, o segundo seguinte, jamais sequer existiu
Não somos burros
Ou sentimentais
Não se chame de fraco
Ou incapaz
Eu sou a nota oito de dez
Me esforço pelo que corro atrás
Eu sei que tenho meus limites
Mas só viver por viver não me satisfaz
É preciso correr o risco
E até ser imprevisível
A vida joga caminhos,
não limões para um suco bater
Cabe a gente segui-los
e não nos espremer
Eu te deixo ir
Não sou bom com despedidas
Adoro fazer minhas malas
Mas odeio as partidas
Eu chego como quem não quer nada
Inesperada chegada
Me esforço para estar próximo
Povoo meu coração inóspito
Que há tanto tempo está sozinho
Se sente em casa no coração
Vizinho
Eu vacilo na adaptação
Uma hora eu estou aqui para ti
E muitas outras… Não
Perdoe a distância que impus
Tão descuidada assim
Sem sequer oferecer uma luz
Mas eu sou mesmo de viagem
Posso estar no infinito pela paisagem
Mas sempre volto para meu par
Digo lar
E vos amo até com a menor bobagem
Acredite em minhas palavras quando digo
Que não trocaria o meu abrigo
Por nada que não seja contigo
Eu sempre volto
De quem eu já amei eu não solto
Isso eu falo para meus amigos
Para os amores
E quem mais se interessar em escritores
Como eu, infelizes vadios
Procurando razão para compôr versos vazios
É por isso que dói tanto
O abandono que quebra o encanto
A distância que quebra a balança
O equilíbrio não mais me alcança
E se eu voltar e você não estiver mais lá?
O que vou fazer para novamente amar?
Para onde levarei desabrigado coração?
O que escreverei em minha canção?
No caso da ida
Eu te acompanho na despedida
Eu te abraço forte e choro como nunca
E te deixo ir, na esperança de seja feliz
Melhor longe fora daqui
Eu ainda te amarei, sim
Você nunca vai sair de dentro de mim
Balanço ao escutar nossas histórias
Imaginar ou relembrar usando drogas
Mas eu também não pararei
Farei novamente as malas
Aventurar-me-ei
De dia, sangrando a palpitar
De noite, ao fechar os olhos
Morando dentro de seu olhar
Encurralado
Me tirem o prazer
Tirem o amor e a simpatia
Tirem a simplicidade do lazer
Tirem tudo o que eu precisaria
Tirem, mas deixem a covardia
E retirem o orgulho
Levem para longe meu ego
Tornem-no absurdo
Mergulhem-o no mais profundo inferno
Até a timidez tomar conta de tudo
Até não existir mais um lado certo
E continue tirando
Tirem minha inteligência
Subjuguem-na e tomem comando
Defendam a doce inocência
E aos poucos vou atrofiando
E me acostumando à leniência
Pois agora que levem de mim
Levem a confiança para longe daqui
A honra, o poder, a vontade
Podem arrancar com toda liberdade
Deitado depois de meses a fio
Comendo o mesmo prato [literalmente]
Me sentindo vazio [figurado]
Reflito o que ficou comigo
Depois desse amargurado Ícaro
Desistiu dele e do que acreditava
Para não sofrer mais represália
Não sobrou nada
Não sobrou nada
Sempre odiaram que eu fosse livre
O sexo que eu fazia tinha que ter limite
E o que eu falava era burrice
E quando eu opinava, sandice
Estudar é liberdade para quem?
Porque não tira as cordas do refém
Amarrado nas próprias palavras
Refém preso por quem eu amava
E não tô falando de namorada
Por isso eu quero muito fugir
Conhecer outros lugares
Sair daqui
Vivenciar novos milagres
Acreditar que posso ser eu
Completo
Totalmente novo
Sem medo de ser insano
Sem medo dos outros
É engano
Por quantas terras intransitáveis
Eu já passei
E por quantos mares tempestuosos
Eu já nadei
Para ter o gosto de você de novo
Na minha boca
Derretendo feito manteiga
Firme como a carne mais suculenta
Quente como o jantar sobre a mesa
Ah, que desejo eu tenho
Viver no mundo onde posso desejar
Infelizmente o real deixa impossível
Alcançar
Besteira minha
Melhor deixar como está
Deixar o desejo em meio ao mar
Não mais andar o caminho até lá
Devo esquecer que te amo
Te ganhar e te ter é engano…
Preciso esquecer que te amo
Tanto…
Como estou me sentindo?
Eu me sinto humilhado
Ultrajado por todos aqueles
que estiveram do me lado
Eu me sinto cansado
O passado reflete mais em mim
Do que o presente fato
Já não estou vendo um fim
“Deixai cair os prantos”
Deixo tudo cair
A minha dignidade não está aqui
Eu permaneço ao chão
Pronto para encarar a tempestade
Lâminas e raios por toda parte
Sei qual é a minha função
A batalha acabou de começar
Eu continuo ali sem sair
Recebo os cortes sem reclamar
A dor jamais acabará
Minha função é justamente aguenta-la
Não existe armas para lutar
Não faz sentido machucar amigos
Eu estou preso dentro da agonia
Apenas suportando o impossível
Trocando machucados por simpatia
Entre ser o que não posso ser,
Viver todas as mentiras sobre mim,
Lutar pelo meu próprio viver
Ou ser enganado por amigos chinfrins…
Eu prefiro o isolamento
Prefiro fugir
Não confio em apaziguamento
Não acredito em ninguém aqui
Quero a solitude de meu amor
Meu amor somente comigo
Porque quando eu me machuco só
Eu sei como consertar meu coração
Partido
Sim, eu me sinto só,
Mas não perdido
Há, na solidão
Um ombro amigo
A noite
A música em ritmo viciado
Em meu lado, o casal quase formado
O outro a galera falando do mundo
E não salva uma bendita alma
Que aos olhos de Deus seriam salvas
Aqui as línguas acham o absurdo
Por favor que os deixem no mudo
O mundo quieto merece seu prestígio
Talvez só eu que seja meio vazio
A noite permanece longa e hostil
Cambaleio pela rua entre bebidas,
Entre os meninos encantadores
Entre as mulheres tão bonitas
No bar está tocando “Flores”
Entre os goles, aos montes
Esvazio a garrafa de plástico
Antes continha vinho ácido
Agora ele desce minha garganta
Ainda tenho sede de dança
Entro em um frenesi louco
Ponho meus passos pra jogo
O mundo se enche de alegria
Por mais que eu esteja triste
Nunca fui uma pessoa sozinha
Também não sou um desistente
Eu sigo em frente, eu passo a linha
Eu convido para dançar um rapaz
Atraente
E ele dá um passo para trás
Olha para o lado, vê mais dois
Iguais
Riem de mim por terem pena
Pena por dançar, lindinho?
Volto para a pista e disfarço a cena
Às vezes é melhor estar sozinho
E a noite serve para isso apenas
Acalantar-me com um vinho
Esquecer-me de ontem e amanhã
Enlouquecermo-nos até de manhã
E quando chega o sol
Mostrando as vergonhas para nós
Recomeçamos rindo sós
Na cabeça só memórias boas
Limpeza que só a noite faz
O tempo e a falta
Um vidro que quebra ao toque
Revelando um mundo frágil
O tempo avançando fácil
Mas eu ando meio torpe
Sentimentos pedem perdão
E me rasgam sem piedade
Me rasgam com a saudade
As armas mais vis do mundo são
Memórias da antiguidade
Tempos que nunca voltarão
Agora esse mundo é invisível
É inodoro, silencioso, Intangível
Tudo que tenho do mundo agora
É imaginar pela memória
O que fomos outrora
Ah, mas que tolice a minha
Não posso considerar os sentimentos
Que eu tinha
Pior ainda é o amor de verdade
Que dura mesmo com a pior tempestade
Mas esse texto não é sobre amor
E sim sobre o sentimento de falta
Amar me transforma em sonhador
Perde-los… Minha cabeça desaba
Há uma necessidade de estancar
O sentimentalismo que existe aqui
Porque, quanto mais jorro emoção
Mais esvazio meu coração
Sem resposta, sento no banco em um gramado
Olhando a esmo, uma chuva de meteoros
A Cada cometa, um grande querido amado
Olho para os lados, um bando de espólios
Mas a solitude me deixou há muito como coitado
E, quando a chuva acabar, e eu abrir meu olhos
Estarei velhaco, rabugento e mal-educado
Estarei velhaco, olhando para as estrelas
Pensando nas luzes delas bem distantes
Vivendo as luzes como se estivesse entre elas
Vivendo o passado sem seguir adiante