Quando você se foi,
eu achei absurdo o mundo continuar girando,
As pessoas andando
E o trabalho chamando
E a vida acontecendo
Encontros, amigos…
Antropoceno
Eu, que vivo me esquecendo,
Não esqueço
Bolsonaro ainda eleito
O céu azul, o sol aceso
E eu, escrevendo meu texto
O conto que você me ajudava a escrever
Depois desse dia não fui o mesmo
Hoje faz três anos que você se foi
E o mundo realmente não parou
As pessoas continuam andando
O trabalho continua chamando
A vida continua acontecendo
Namoro, amigos…
Antropoceno
Já não vivo tão esquecido
Tenho alguém pra levar sempre comigo
Sinto sua falta quase sempre
Sinto falta da minha fiel confidente
Saudade dos momentos só a gente
E daqueles de galera reunida
Saudade ter você como melhor amiga
De brigar, chorar, me desculpar
E de rir profusamente
Igual a você não há
Nunca haverá
Não posso voltar no tempo
Não posso sequer frear
O mundo vai continuar a girar
E as pessoas vão andar
E as memórias se deteriorar…
Como a pedra e o vento…
Às vezes me pego pensando no presente
Você adoraria conhecer Ílson
E Ana Mary B
E o novo álbum da Lorde
E da Florence
Planejaríamos viajar juntos
Mas iríamos de verdade
Talvez nós nos aposentassemos
Com a mesma idade
Criei mil histórias em minha cabeça sobre nossa amizade
Mas nenhuma delas tinha sua morte prematura
Sinto muito, muito mesmo
Saudade sua.
Tag: Clara
22 ou 25
Feliz aniversário, Clara.
De todos os leoninos que eu pude ter o prazer de conhecer, você foi a mais literal de todos eles. Sua confiança era inspiradora, assim como sua inteligência, seu esforço. Eu sempre acreditei que você poderia tudo, que você seria a pessoa a abalar o mundo. Não duvidei um segundo sequer disso. E ainda não duvido. Mas infelizmente não tenho como saber como seria. E não tem como mais ser.
Flávia, no aniversário dela, disse que agora ela está mais velha que você e isso me assustou muito porque a gente sempre teve a mesma idade (eu mais velho, claro). Você sempre ao meu lado. A gente sempre juntos. Entre aniversários e trabalhos. Matérias da faculdade e festas.
Hoje no seu aniversário de 25 anos, eu queria te dedicar o mundo. Queria te dedicar meu mestrado. Queria te dedicar uma leitura. Uma caminhada. Queria sair em uma festa. Ou queimar um baseado. Talvez eu o faça em um futuro próximo. Até lá, eu vou manter a promessa de lembrar de você. Eu vou cuidar de nossas lembranças juntos. Eu vou lembrar de sua voz. Das suas coisas que estão comigo e das minhas coisas que lembram você.
Eu sinto muita falta de fofocar contigo. Queria falar sobre como nossos amigos mudaram. Sobre o namorado de Mateus, sobre como Mário tá de tornando um artista foda, sobre o término de Pedro… Queria saber sua opinião sobre tudo. Passar horas ouvindo você falando de World Building, sobre alguém que você não gosta ou uma dificuldade da vida que você estivesse passando. Você estaria se formando em letras esse fim de ano.
Ah, saudade que não passa.

Hoje eu vou passar o dia com Pedro, porque eu acho que é o que você gostaria de fazer. Vamos estudar juntos. Estou em uma fase complicada de minha cabeça, Clara. E espero que você entenda.
Eu continuo te amando, viu?
Continuo muito agradecido por sua presença em minha vida.
Eu hoje me arrependo de como eu fui no seu enterro. Gostaria de ter me comportado melhor. Mas eu também não conseguia pensar. Nem falar direito. Eu estava em surto ali.
Enfim.
Eu sou ateu, o que implica que, para mim, seu cérebro desligou e você derreteu na terra. Mas você não era. Por mais agnóstica que fosse, você tinha uma herança cristã forte. Bom, eu espero muito que você esteja em um lugar bom e agradável, se esse lugar existir. Se não, ao menos que o descanso eterno faça sua existência ser mais agradável para você.
Hoje, eu tenho 25 anos. Pedro tem 25. Mário, Bibs… Flávia tem 23.
E você continua com 22 anos.
Por mais que faça 25.