Dia 2: Xenomorfo

Masculinidade traidora
Famosa pelo desconforto
Submete o mundo todo
Domina a contragosto

A princípio uma aposta
O tudo valendo o corpo
Ele faz o primeiro lance do jogo
E espera um romance amoroso…

Pois sua vida é autodestruição
A pobreza do dia a dia é dura
Até Deus o deixou na mão
Sempre andando a via escura

Amigos? Não me faça rir
Comparsas
Que vivem o mesmo que ti
Párias na guerra criada
Guerra imaginária
Guerra que estará por vir

Voltemos ao amor à dois
Tão doce quanto uma canção
Ela é a liberdade, pois se despôs
À ele, esperando um garanhão

Ele pomposo, todo brincalhão
A vida se encheu de cor e sentido
De repente foi do inferno ao paraíso
Ela sabia seu nome e falava com ele
A solidão subitamente esqueceu-lhe

Mas ele ainda estava em guerra
Homem que é homem, é homem! Porra.
E ele que é homem, também erra
Um pequeno erro, olhem só!!
Como, sei lá, o cérebro derretido por pornografia

Claro que tudo entrou numa fria
Não sabia que ela poderia escolher
E ela decidiu que não
Oh não! Que traição!
Que dor! Que invada a solidão

Não tem mais nada a perder
Sua vida, um eterno sofrimento
Não provou do calor e criou ressentimento
“A vingança virá, mas não contra você”

Porque a culpada não é ela
É a sociedade que me machuca
Ela me oprime, ela me expulsa
Ela é todo mal que me deixa frustrado
É o calo que piso em meus sapatos

Então a resposta está na autodestruição
Mas esta com a certa motivação
Comprarei uma arma, um rifle ou canhão
Detonarei todo e cada vilão que encontrar
Vocês não vão mais me maltratar

Homem não percebeu no momento
Que ele criou o próprio sofrimento
Sua cabeça fraca seguia
Fraca persistia
Em fraca recompensa
Em fraca força
E em fraca sabedoria

E seus sentimentos? Infantis
Um adolescente de 40 anos puto
Descobrindo o amor e o ódio juvenis
Sem saber as consequências de tudo

Homem que é homem, é homem, verdade
E ele vai pensar só nisto mesmo
De fuder, beber e em suas “amizades”
Ah, e também no seu próprio pinto

Esse poema é para os filmes de homem cis
Que criticam sua inocência fingida
De “homens” fudidos em suas vidas
Que são interpretados como heróis mirins

E assim volto a minha história
Que nome darei a este moço
Algo que lembre o Xenomorfo
A primeira ideia é a que fica
Que tal Sr. Cabeça de Pica?

__________________________________________________

Gente, eu fiz a tempo, mas esqueci de publicar

Dia 1: Coluna Vertebral

Eu paro no meio da rua
Olho para os lados
Vejo pouco além da lua
Algumas casas, e insetos
“É aqui que eu me acabo”

E um grito se vai
Esse muito muxoxo
Mas sofrido demais
Estremeço o osso

Então outro grito se solta
E agora não tem mais volta
Sinto uma criatura dentro de mim
Pronta para me explodir

Grito ainda mais alto
Agora eu sinto a dor
Sinto o amargor em cada segundo
E continuo, apto a cair no chão

E é isso que faço,
O som fica um pouco abafado
A voz trêmula entoa o chamado
O grito se tona um chamariz de otário

E é nessa hora que o show começa
O meu corpo não aguenta a pressão
Já no chão, começa a contorção
A água ali da rua é suor e lágrimas

Se tiver tempo, então que se despeça

Explodo em mil pedaços
Minha carne, meu sangue, minha pele
Por todos os lados
Não sinto mais o que me impede
O passado não faz mais sentido
Não tem mais futuro perdido

Eu me desgraço completamente
Eviscerado, verdadeira carnificina
O sangue no chão não mente
Ele corre, espesso, até a esquina

A carne está maravilhosa
E os insetos estão festejando
Ratos, pombos, algumas idosas…
E até a mosca moribunda
Jantando alegria absurda

Os vizinhos olham assustados
“Ô dó, não pude fazer nada”
Assistindo, fotografando a desgraça
Amanhã os outros serão informados
Fofoca correndo solta na língua de um
E no ouvido da outra

E o que sobrou na rua?
O sangue embaçado, o brilho da lua
A memória de um ato visceral
E a minha coluna vertebral

Criatura amável

Das sombras eu surjo
Alto, largo, profundo
Desafio o delirante surto
Imprimo meus versos
Afundando no mundo
Já não sei mais o certo
Estou muito confuso
Talvez tenha saído do curso

A verdade é que sinto muito
Sentimento verdadeiro
Incompatível tumulto
Borbulhando no meu peito

A verdade é que sinto muito
Por não poder me dar inteiro
Por me colocar em primeiro
Ter respeito pelo que sinto
Criar em mim um abrigo

E eu mais esmoreço
Quando eu não te vejo
E de tudo eu esqueço
Pois amor não está em varejo

Enlouqueço e me transformo
Perdido, confuso, tristonho
Torno-me algo disforme
Não me verás em teus sonhos

Inimaginável poder que corre
Cálido rosto assustado encara
Antes apenas algum tipo de tara
Roubo hoje o sangue que escorre
Omito os segredos que me envolvem

Golpes e pedras não me tocam
Instinto surge em meu âmago
Livro dele as amarras que aprisionam

E assim, eu me transformo

Sou eterna figura em comando
Das sombras à noite, sopro um véu como pano
Cubro os amores e os enobreço
Saberão que meu amor tem um preço

Louve-me, mas só se puder
Talvez seja bom e me impressione até
Desabroxe num sentimento repartido
Duvido que suporte o calor que tenho
Comigo

Transcendo numa explosão
Poder e emoção em constante expansão
Sobrepujo suas palavras com ação
Desafio os limites da ideia de paixão

Canção que só toca no verão
Hoje aqui jaz o inverno
O frio parece ser eterno
Ainda mantenho meu sermão

Reze por você mesmo para mim
Peça tudo que não vai conseguir
Implore clemência diante de seu tudo
E eu pensarei se proponho algum futuro

Pois eu sou o encanto das palavras certas
Sou o sexo suado da madrugada
Sou a mais pura alma aberta
Sou a carência encarnada

Não me toque jamais
E nem olhe nos meus olhos
Não beije meus lábios
Não me ame como pode

Minha loucura é visceral
Toma meu corpo inteiro
Eu sou completo literal
Não apenas um periódico
Companheiro

A plea for me

May God forgive me
For I have sinned
Though I tried to run and to omit
Nor my love neither I were capable of it

Oh Lord please forgive me
Purify and wash away all my sins
The temptation of the flesh was made
And my hunger can no longer hesitate

I surrender to thy mighty power
And leave my soul for thee to clean
There will be no place to be coward
Hopefully thy kindness will guard me

Again however must I upset thee

God, you know it all
Know how create life
How the triumphant falls
And the miserable can thrive
Thee should have known my flaws
So perhaps…
God made me right

I apologize for my arrogance
The plans of the mighty one
Are possible to escape by none…
They are not for us to comprehend…
To vanish I promise to have no intent

Suddenly I must kneel
Feeling the overwhelming desire
To prey over and over to my messiah
Looking for a shelter, looking for heal
Looking for other to share a meal

For thee, my Lord, is immortal
Unexplainable, inescapable
And perhaps… Immoral
thus ways justifies the sufferable
I, nevertheless, neglect the pain
Even my Love for thee is undeniable
Will it satisfy your disdain?

And what honor can someone get
In a place made of terror and desgrace?
Help me God to understand that
The feeling of complete emptiness

Eu te deixo ir

Não sou bom com despedidas
Adoro fazer minhas malas
Mas odeio as partidas

Eu chego como quem não quer nada
Inesperada chegada
Me esforço para estar próximo
Povoo meu coração inóspito
Que há tanto tempo está sozinho
Se sente em casa no coração
Vizinho

Eu vacilo na adaptação
Uma hora eu estou aqui para ti
E muitas outras… Não
Perdoe a distância que impus
Tão descuidada assim
Sem sequer oferecer uma luz

Mas eu sou mesmo de viagem
Posso estar no infinito pela paisagem
Mas sempre volto para meu par
Digo lar
E vos amo até com a menor bobagem

Acredite em minhas palavras quando digo
Que não trocaria o meu abrigo
Por nada que não seja contigo
Eu sempre volto
De quem eu já amei eu não solto

Isso eu falo para meus amigos
Para os amores
E quem mais se interessar em escritores
Como eu, infelizes vadios
Procurando razão para compôr versos vazios

É por isso que dói tanto
O abandono que quebra o encanto
A distância que quebra a balança
O equilíbrio não mais me alcança

E se eu voltar e você não estiver mais lá?
O que vou fazer para novamente amar?
Para onde levarei desabrigado coração?
O que escreverei em minha canção?

No caso da ida
Eu te acompanho na despedida
Eu te abraço forte e choro como nunca
E te deixo ir, na esperança de seja feliz
Melhor longe fora daqui

Eu ainda te amarei, sim
Você nunca vai sair de dentro de mim
Balanço ao escutar nossas histórias
Imaginar ou relembrar usando drogas

Mas eu também não pararei
Farei novamente as malas
Aventurar-me-ei
De dia, sangrando a palpitar
De noite, ao fechar os olhos
Morando dentro de seu olhar

Fogo e Carne

Existe um fogo dentro de mim
E Ele mareja meus olhos
Eu não paro de tossir

É um fogo com propósito
Um fogo fácil de admitir
Ele queima por dentro
Por fora e tudo que vier
Por aí

Ele me entoxica
A garganta fecha na hora
Mas eu não paro de sorrir
Me devorar o calor adora

O fogo queima da garganta
À alma, que amansa, descansa e
Espanta qualquer um que apague
A chama que cresce por aqui

Por mais que o fogo tome tudo
Tome o fôlego,
tome conta de mim
Eu manejo o controle
E queimo sem me deixar ferir

Claro que exige prática
O cheiro de queimado não é tão…
Ruim…
Mas quando tudo é quente
O frio parece congelar todo o mundo
E o gelo parece não ter fim…

Pois eu me ponho disposto
E queimo a todo gosto
Queimo,
até as cinzas queimarem de novo
Queimo,
Para provar todo seu fogo

É doloroso
Mas não é imposto
Aceito a dor e faço dela arte
Seja fogo, serei sua carne

Inimigo inigualável

Acordo ou durmo
Já não tenho certeza
A dura realidade fatia minha cabeça
Comprometendo meus pensamentos
Fazendo com que eu enlouqueça

O tempo é uma piada de mau gosto
Levanto quando me é bem proposto
Escovo os dentes, lavo o rosto
Olho o espelho, vejo o desgosto
Vejo a agonia abafada na garganta
Vejo as nuvens que obstruem a mudança

Silencio as vozes do medo
Não tenho mais forças para vence-las
Deito em meu leito
Eterno desfecho
E evito ao máximo percebe-las

A janela anuncia a claridade
A janela anuncia a escuridão
Elas mudam à plena vontade
E não me dizem muito não…

Eu continuo na roda da tortura
Seguindo uma rotina de destruição
A minha maior aventura
É afastar quem me dá a mão

Levanto de novo e de novo estagnado
Uma hora ou um dia passaram
A fome se devora sem nem um prato
O vazio enche minha mente
Comidas nunca alimentaram o ego
Fragilizado

E há atividade para cuidar
Ler, escrever e me esforçar
Nah, vou deixar tudo pra lá
Já não tenho nada pra provar
E, se tenho, estão certos em duvidar

E para quê lutar??
Tudo não parece fazer sentido
As cores perderam o tom
Escrever sobre sentimentos é cansativo
É melhor (me) largar de mão

Deixa definhar na escuridão
do quarto
Não existe mais solução
pro meu caso
Acho que é algo psicológico
mas não me trato
Por que não fala logo o óbvio?
se faz de coitado
Prefere a piedade dos outros
e ser maltratado
Ao invés de apontar monstros,
tornou-se um

Inimigo inigualável

Como estou me sentindo?

Eu me sinto humilhado
Ultrajado por todos aqueles
que estiveram do me lado

Eu me sinto cansado
O passado reflete mais em mim
Do que o presente fato
Já não estou vendo um fim
“Deixai cair os prantos”
Deixo tudo cair

A minha dignidade não está aqui
Eu permaneço ao chão
Pronto para encarar a tempestade
Lâminas e raios por toda parte
Sei qual é a minha função

A batalha acabou de começar
Eu continuo ali sem sair
Recebo os cortes sem reclamar
A dor jamais acabará
Minha função é justamente aguenta-la

Não existe armas para lutar
Não faz sentido machucar amigos
Eu estou preso dentro da agonia
Apenas suportando o impossível
Trocando machucados por simpatia

Entre ser o que não posso ser,
Viver todas as mentiras sobre mim,
Lutar pelo meu próprio viver
Ou ser enganado por amigos chinfrins…

Eu prefiro o isolamento
Prefiro fugir
Não confio em apaziguamento
Não acredito em ninguém aqui

Quero a solitude de meu amor
Meu amor somente comigo
Porque quando eu me machuco só
Eu sei como consertar meu coração
Partido

Sim, eu me sinto só,
Mas não perdido
Há, na solidão
Um ombro amigo

Luto, dor e saudade

E os dias passam inclementes
Quem disse que o tempo cura
Ou só morreu com a dor imatura
Ou não sofreu o suficiente

A dor está no subconsciente
Vicejando em minha mente
Espreitando em meu ouvido
Mudo rapidamente de sentido

Se em uma hora feliz sorrio
Na outra hora lembro do vazio
Se esqueço da dor no momento
Aflora no meu peito desagradável
Sentimento

“Sinta tudo que puder, amigo
Não esconda o que sente.
É a melhor forma do presente
De criar para si um abrigo”
Mas eu não consigo

Talvez amanhã eu acorde bem
O mundo esteja girando de novo
E eu siga o fluxo também

Talvez amanhã eu acorde triste
E não consiga prosseguir
Por mais rápido que o mundo gire

A noite

A música em ritmo viciado
Em meu lado, o casal quase formado
O outro a galera falando do mundo
E não salva uma bendita alma
Que aos olhos de Deus seriam salvas
Aqui as línguas acham o absurdo
Por favor que os deixem no mudo
O mundo quieto merece seu prestígio
Talvez só eu que seja meio vazio
A noite permanece longa e hostil
Cambaleio pela rua entre bebidas,
Entre os meninos encantadores
Entre as mulheres tão bonitas
No bar está tocando “Flores”
Entre os goles, aos montes
Esvazio a garrafa de plástico
Antes continha vinho ácido
Agora ele desce minha garganta
Ainda tenho sede de dança
Entro em um frenesi louco
Ponho meus passos pra jogo
O mundo se enche de alegria
Por mais que eu esteja triste
Nunca fui uma pessoa sozinha
Também não sou um desistente
Eu sigo em frente, eu passo a linha
Eu convido para dançar um rapaz
Atraente
E ele dá um passo para trás
Olha para o lado, vê mais dois
Iguais
Riem de mim por terem pena
Pena por dançar, lindinho?
Volto para a pista e disfarço a cena
Às vezes é melhor estar sozinho
E a noite serve para isso apenas
Acalantar-me com um vinho
Esquecer-me de ontem e amanhã
Enlouquecermo-nos até de manhã
E quando chega o sol
Mostrando as vergonhas para nós
Recomeçamos rindo sós
Na cabeça só memórias boas
Limpeza que só a noite faz