Ninho de gatos
Ovos de cobra
Segredos revelados
O medo transborda
Sentimentos são ferozes
Mas as ações são sutis
Se pisar errado, eles te engole
Sigo em frente, porque se quis
Ações são sutis, mas poderosas
Libertam os sentimentos
Criam discórdia
E empurram a roda da vida
Dão movimento
Fazem voltas e voltas
Palavras são ações pensadas
Elas voam pela cidade
Caem em bocas erradas
Na busca pela liberdade
Em busca de ser ousada
Eu geralmente levo como piada
Palavras voam pela cidade
Existem poucas que me machucam
Não possuem essa necessidade
Geralmente nunca são
Mas não há sinceridade na maldade
Parte meu coração
Rui minha lealdade
Ouço nossa canção
Eu luto para que seja verdade
Ouço Insiste em mim
Ouço Veiúdo Cor Marrom
Ouço Todo Carinho
Remoo, mas lembro que te amo
E o mundo gira de novo
Sinto seu cheiro na cama
Despertador natural
O tempo que me chama
E eu volto para o mundo real
Tag: amor
Não tem mesmo
Os dias passaram como chuva
As águas descendo pelas estradas
O toque suave e doce como uvas
O carinho e amor nas palavras
Você me congelou, derreteu
Me fritou de noite na praia
Não tinha estado “meu” ou “seu”
A conexão foi braba
Dormimos juntos
Noite engraçada
Manhã de sexo e piadas
Saímos de tarde, de noite
Altas conversas de madrugada
Mesmo se não planejado fosse
Apesar de ser mais complicada
A aventura era mágica
A rotina se transformava
E sempre com espaço para nós dois
E se não tinha espaço,
Deixa pra depois
Fim de semana era mais hábil
Sua viagem para Feira de Santana
Minha viagem para Recife
Impediram as 27 semanas
De encontro contínuo
Olha esse perigo!
Um homem tão gentil e tão bonito
Que me faz me sentir querido
Não consigo lidar com tudo isso
Ainda de modo tão contínuo
Eu não sei quando me apaixonei
Talvez no beijo de carnaval
Ou quando te encontrei depois
Talvez naquela noite do Carmo
Ou das fotos suas que tirei
Quando o sol se pôs
Apaixonei quando andamos de bicicleta
Ouvindo sua playlist seleta
Apaixonei quando brigamos
Pela primeira vez
E ao invés de destruir tudo
Escolher ficar com o que já se fez
Eu me apaixonei quando te vi arrumado
Quando te vi bagunçado
Bêbado falando engraçado
Competitivo sem ter sequer ganhado
E todas as faces me agradaram
Temos nossos dilemas
Temos conversas sérias e profundas
Tocando nesses temas
Não remedio por muito
Não dou curvas
Sou confuso, eu admito
Mas vem de um lugar de escuta
São cinco meses de convívio
Passando por sufoco
Conhecendo amigos
E amigos de amigos
Pedindo socorro
Falando de nossos ex
Brigando como inimigos
Mas nesse momento agora
Eu acredito
Que não teria outra pessoa
Que eu queria ter vivido tudo isso
Primeiro encontro
Era um dia chuvoso
Eu tinha estudado um pouco
Estava atrasado como sempre
Poderia não ser ruim, de repente
Talvez achasse charmoso
Pego um Uber para agilizar
Você já me esperando no lugar
Era dia de jogo do Bahia
Da janela do carro, uma sintonia
Vejo o time fazer um gol
E considero um sinal de sorte
E quem diria que um dia cinza teria tanta cor?
Chego atrasado demais para o filme
Esperamos a próxima sessão
Você diz que horários indicam uma posição
E eu, atrasado profissional
Me sinto na contramão
E a timidez e vergonha se unem
Mas você quebra o clima
Conversamos sobre tudo
Eu rio das piadas desmedidas
Ele me deixa seguro
Me faz pensar se já me senti assim
Algum dia
Finalmente o filme chega
Era o documentário da Rita
Assistimos atentos
Comentamos na saída
Vendo suas belezas e fraquezas
Decidimos conversar mais um pouco
Ficarmos no telhado do Glauber
O céu pelas nuvens envolto
A fria garoa caindo no pescoço
E juntos, nos beijamos de novo
Voltei para casa
A cabeça em brasa
Não acreditava em tudo aquilo
Eu achei o que queria em um menino
Carmaval
Em pensar que foi só um beijo de carnaval…
Só uma olhada
Só um desejo
A vontade espelhada
Se transformando em beijo
A noite brilhante
A música pulsando
Felicidade contagiante
Te ouço chamando
E o mundo fica lento
A música para
As pessoas somem por um momento
E eu não me dou de cara
Me pergunto se ele está me vendo
Aponto pra mim
Confuso com o acontecimento
E ele sorri, e me chama de novo
E eu caminho bobo todo
E beijamos mais um pouco
E de novo,
um beijo depois do outro
Eu te abraço e me despeço
Do seu nome,
daquele beijo,
de todo o processo do carnaval
A cena revirando em minha mente
E eu revirando na cama
Chegando no fim do festival…
Não achei justo este final
5 – Azul
Sou eu e o azul
Sempre fomos
Unidos pelo cordão dominical
Separados pelo sonho de estranhos
Quando criança eu via como normal
O azul estava na minha cabeça
Mas ele não poderia ser real
Eu não me sentia diferente
Porque achava que pensavam igual
O azul comovendo em montes
Meu pecado ancestral
O azul cresceu como um câncer
Se multiplicando sem parar
Tomando conta da criança
Silenciosamente, sem manifestar
Mas os outros sabiam do azul
E era de se esperar
O azul não manifestava
Mas eu o fazia se apresentar
O azul respingava de mim para fora
Em gestos, falas e formas
Os homens e crianças fugiam na hora
Tinham medo do azul pegar
Guardei o azul comigo
Eu e ele por anos a fio
O silêncio era explicativo
E o azul ficava quietinho
Na adolescência, o azul voltou
Mas estava diferente,
Era um azul com bordô…
Um roxo que ferve a gente
Entorpece e escorre em amor
Fui roxo, fui vermelho
O azul olhando com medo
Esperando sua vez
Talvez ficasse por dias
Talvez só um mês
E, como nunca se fez
Eu libertei o azul
Um azul cortez
que tomou tudo
No começo, recuo
Depois, o culto
O azul preencheu o vazio
Era o normal verdadeiro
Aquilo que não se ouviu
Escondido dentro do mundo sombrio
Viciante
O azul é um perigo constante
Entorpece os sentidos
Me faz desaparecer por instantes
Tomando conta
Assumindo o volante…
Eu não tinha como fugir
Já estava entregue
Deixando o azul fluir em meu corpo inerte
Como explicar que a doença contagiante
Era o sabor da vida adiante?
Como eu poderia me sentir
Depois de guardar o azul tanto tempo dentro de mim?
O azul transbordou
Ele não era mais eu ou meu
O azul estava nos outros
Mesmo sendo azul, era calor
O azul foram vários outros
O azul me machucou
Eu fechei os olhos para ele
Porque, depois de sê-lo
Transborda-lo em meu corpo
Não queria ver o que se tornou
Azul cor do céu
Dos mares, dos olhos
Das mochilas e do meu fel
Eu chorei, e como chorei
Para o azul, era um eterno replay
Um castigo e uma emoção
E uma esperança e uma ilusão
O azul perdeu a noção
Preciso controlar essa pulsão
Administrar o azul do meu coração
Ele importa, mas não pode escurecer a visão
Borrando meus sentidos
Me escravizando
Me silenciando
Em sua mão
Como o fiz
Quando não tinha noção de como amar
Era bom
É pena
É pena que eu não consegui mais ver esse teu olhado
Rindo ao seu lado
Momentos de brilhantismo e história
Que foram e são muitos
E os guardo agora como memória
É pena não mais ouvir de sua vida
Eu fiquei impactado de saber sobre sua ida
Essa cidade traz dificuldade pelas esquinas
Imagino que tenha saudade de São Paulo
Mas não deixa fácil sua partida
É pena não mais contar minhas coisas
Passar as noites explicando bobagens
Ou conhecendo novas pessoas
Descobrindo diferentes expressões de arte
Tendo a sorte de estar com sua pessoa
É pena estar distante
Estar indisponível pelo trabalho
Ocupado em cada instante
Mas é que eu ando meio atrapalhado
Ando realmente dividido
Esse ano foi difícil achar tempo para mim
Comigo
Essa distância foi amigável
É pena que esteja distante
Queria conversar contigo
Falar uns pontos que são relevantes
Queria ainda ser um amigo
É pena não curtir mais a presença
As noites de dança na sala
O carteado e a provocação intensa
A recompensa no suor de madrugada
Como disse,
A memória tem vida própria
Ela lembra, ela mostra
Agora eu sinto pena dela
Porque eu sei que não volta
É pena de mim naquele são João
Noite que ela sempre evoca
Da dança tímida
e do licor de paçoca
Última vez que toquei sua mão
Eu não imaginava a proporção
Não, eu não tinha nenhuma noção
E depois o amargo na boca
Subindo aos poucos
Como conta-gota
Eu vejo os erros e assumo os caminhos
Mas assumo também a confusão
E sei que conversa justa teria resolvido
Não uma forte discussão e um sermão
A história e a memória andam me perseguindo…
Pedindo uma solução
pra esse dilema infinito
Mas o tempo, maior que elas
Não se rende ao póstumo perdão
E nem ao sermão duplamente compelido
Eu ou você certos ou perdidos…
Cansado e traído,
O tempo absoluto regra nosso destino
É pena não ter mais tempo
Fico feliz que o mundo girou a seu favor
Vejo as peças, sei de seu primor
Um dia eu apareço, juro!
Quero saber de tudo tudo tudo
É pena.
Não é fim
Não é ódio
Não é temor.
Não é o romântico amor.
Também não é um pódio
Ou promoção.
Só dizer que apertaria novamente sua mão
Eu e ele
Lhe passo o receio
Me passa o medo
Lhe passo o anseio
Bom moço
Te toco o espelho
Me toca ao beijo
Te toco a pele
O gosto
Percorro as ladeiras
Atravesso barreiras
As roupas são frouxas
Ao corpo
Te bagunço o cabelo
Vislumbra o desejo
Fecha os olhos e perde
O fôlego
Pede mais o gosto
Pede mais gostoso
O toque está saboroso
Estou numa caça e teu prazer
É o tesouro
O ar é pouco
Me vejo fatigado
Te vejo ainda aprumado
E mergulho no seu colo
De novo
Sou um grande nadador
Você, o mar do amor
Mergulho sempre que consigo
Quero seu perigo
Pelo esforço
Você brilha como a lua
E meio a escuridão
Sanando a sede de um milhão
Deus é misericordioso
Esse mar já afogou mil e um tolos
E eu sou o mil e dois
Caindo entre ilhas
Mil vezes morto
Se me pego
Pensando ao alto
Você me traz pra baixo
Olhando no olho
Eu lhe digo piadas
Tu as desfaz em risadas
E eu me dou de satisfeito
Ganhei o mundo
Tomemos banho primeiro
Você mela meu travesseiro
Eu troco as fronhas
“Tem graça nenhuma”
Fazemos graça no banheiro
Piada até com o chuveiro
Te abraço despido
Me estapeia a bunda
Mando vídeo de madrugada
Ele me manda mensagem de manhã
Respondo pela tarde
Uma bagunça
Mas,
Por mais que espere a mensagem,
Que pensei nele o dia inteiro
Que mande vídeo ou
Que lhe despenteie o cabelo
Nunca lhe disse
Que o amo
O sentimento é forte
Consistente
É um sentimento pertencente
E mútuo
Eu não falo
E ele não fala
E nós não falamos
Juntos
Sentimos e gostamos
Queremos a presença
Falamos e estamos
Sem grande problema
Nem miúdo
Comunique-se comigo
Fale
Fale algo
Fale muito
Fale alto
Grite!
Grite ao mundo!
Grite muito,
Muito alto
Grite o que pensa de fato
Conte
Conte tudo
Conte os absurdos
Conte aos vagabundos
Conte a mim
Conte comigo no seu futuro
E cante
Cante no palco
Cante só
Cante descalço
Cante nu
Encha o espaço
Cante até cansar
E então descanse
Deite-se
Se balance
Até o sono chegar
Embalando o coração
Entregando às mãos
de Morfeu
E quando acordar
Sinta
Sinta o sol
Sinta meu dedos enrolados aos seus
Se sinta em um nó
Sinta o calor do meu corpo
Sinta o sabor de meu gosto
Se sinta só, se preferir
Mas me fale
Para que eu possa ir
E, quando achar melhor,
Volte a falar.
Fale, mesmo com medo
Fale, mesmo irritado
Fale tudo que estiver entalado
Volte e fale o que tem receio
Fale de seus defeitos
Fale dos meus trejeitos
Fale do amor e do ódio a mim
Mas fale comigo, querubim
Nem que seja uma mensagem à toa
Fale mesmo estando rouco
Grite se quiser gritar
Bote pra fora sem nem me olhar
Conte sua versão da história
Julgarei os vilões ou heróis
A partir dessa construção nossa
Você precisa falar!
Precisa se expôr
Precisa acreditar em mim
Eu quero ser seu amor
As mentiras quebram pontes
E as omissões escurecem mapas
Eu corro para te achar
Uso meus poderes
Mas nada acha
Nada acha
Paro então de seguir
Fecho os olhos e concentro
Procuro por sua voz
Ecoando de fora pra dentro
Ecoando de volta pra mim
Eu a acho?
*sem nome*
Abraços
Amassos
Beijos e laços
Puxo pra perto
Eu te falo que quero
Cada vez sem espaço
Entre nós
Voz que cala o mundo
Profundo eu mergulho
Em nós
Minha cabeça é em turbo
100m/s
Você faz desacelerar
Me puxa no seu peito
Me aperta
Não me deixa escapar
Acerta em cada toque
Você bate
Eu peço “mais forte”
Eu derreto em aço
E você que me forge
Ou eu te forjo
Nas minas de minha cama
Com o calor de nosso amor
nunca espadas recém lustradas
Lutaram com tanto louvor
A luta de nossas vidas
Umas vindas, umas idas
Espadas libertas, divertidas
Aço contra aço
Suor escorre,
vidro embaçado
Lá fora frio
Aqui ainda está quente
E apertado
Sinto o furor subir do meu lado
Grito baixo,
Te beijo abaixado
Um beijo bem babado
Respiro fundo
E me sinto felizmente
derrotado
Após o beijo babado
Eu te olho
Você me olha
Ficamos abraçados
E eu peço a deus
Peço à deusa
Peço às forças da natureza
Que nunca me tirem desse laço
Que não me tirem de seus braços
Que não te tirem de meus braços
E, por aquele segundo
É infinito.
Confusão dos amores
Me molha o biscoito
Isso, apenas mais um pouco
Deixa o biscoito desmanchar
Me devora olhando no meu olhar
Preenche meu peito nervoso
Angustiado
Tremendo ante o prazer de te sentir tocar
Te sentir chegar perto e me pegar
Quero sentir você feliz
Quero sentir você
Eu já te vi em ação
Tive minutos, horas
Dias em suas mãos
Eu tento abrir uma competição
Disputo o poder
Espero sua reação
Quem olha de fora
Vê batalhando um lobo
E um leão
Claro que no fim eu me rendo
Essa não é uma questão…
A força de uma paixão
Tão simples e inevitável
Tão bonita e tão frágil
Tão doce como melaço
Derretendo na boca
Deixando a loucura mais louca
O impossível ser piada
As estrelas serem abaixadas
Só para que possamos tocar
Mas hoje eu não sinto nada
Eu não vejo as estrelas
E o melaço não parece doce
A loucura me subiu à cabeça
E o impossível?
Virou impossível e acabou-se
Tenho medo de estar negando o amar
De ter considerado a paixão máxima
Como a única forma de celebrar
Mas quando a paixão de doce
Vira ácida
E quando sua função parece secundária
Será que existe amor aí?
Eu odeio me sentir exposto
Vulnerável, aberto, bobo
Mas não me importo com isso
Se o preço de amar requerer certos sacrifícios
Tudo bem, eu consigo
Mas poxa, eu queria ser também preferido
O sexo não me enche com a atenção
Que eu preciso
E, mesmo quando há a ideia de sexo
me faz preterido…?
Que amor é esse em seu peito?
Em seu ouvido?
Que sentimento é esse?
Que eu estou sentindo?
Eu deveria estar recindindo?
Talvez uma distância dê sentido
É… Eu preciso estar sozinho