2 – Obscuro

Um sonho de inquietude
Acordo no escuro da noite
Não lembro do sonho direito
O coração bate a mil no meu peito
Olho para frente e o que vejo?
Um enorme circulo peludo
Sentando sorrindo, moribundo
A duas palmas do meu rosto
O reflexo me pede para afastar
Para correr, não estar no mesmo lugar
Oh, mas não dá para me mover
Paralisado pelo sono ou pelo seu olhar
Aquilo vê meu susto com prazer
O que mais eu posso fazer?
Naquele momento, eu aceito a morte
Inevitável por aquela criatura abominável
Amorfa, inerte, invisível e torpe
E, ao passo que eu relaxo com o pavor
Aceitando meu destino com honra
Percebo, para minha vergonha
Que era apenas o ventilador

1 – Entidade

Just as the stars, falling
The gravity of you was enough
Failing to move away from it
I’m not as strong as earth
Everything seems so simple
Living a life, being in love
You’re sweet as maple
I couldn’t see this coming from above
And you came again, and again
Always giving me what I wanted
But now I know it’s in vain
The compassion doesn’t mean it’s granted
And now it’s the harsh part of falling
The ground may stop me now
But, as I hit the ground
I’m not me anymore, and somehow
It means that love can find me other time
Goddamn you, lord of love
I hate you for this feelings of mine
Don’t want to live in this norm
The sake of finding broken hearts
It’s just like falling as stars

Responsabilidade

Há um cenário de desespero aqui
Pairando no ar, cheirando a ódio
Como protagonista, ao redor eu olho
Mas não há nenhum socorro para mim

Nas mãos palavras são brandidas
Nos olhos, crianças são bandidas
Na rua, até sua olhada discrimina
Meu poder me prende a minha sina

As bestas se dispõem ante minha força
Vila após vila, cidadão após cidadão
Luto com bestas, destrono charlatão
Seus agradecimentos me levam à forca

E repentinamente a vida não é lutar.
Se lutar não é viver, para que tenho poder?
No espelho vejo um outro, um tal de “você”
Quebro o espelho tentando puxá-lo
Para meu lugar.

Acontece de uma batalha perdida
As armas foram mal brandidas
E as feras agora estão preparadíssimas
Olhando para mim, violência garantida

Indefeso eu me protejo como posso
As armas dos outros sempre mais afiadas
Me corto mesmo com todos meus esforços
Mas eles sabem onde dói, pessoas desgraçadas

No outro dia eu acordo e nada estou
Não existe mais eu como no dia anterior
Ao meu redor, tudo cinza e sem cor
A não ser um brilho bem enganador

Corro para ver o brilho e encontro o inesperado
Vejo o meu olhar pelo espelho…
Desorientado… Cansado…
Tento, pelo contrário, animá-lo
“Você se segura nesse estado!”

Talvez a aparência não seja o suficiente
Seu olhar continua para baixo
Um outro dia está pela frente
Um dia em que eu não simplesmente
Não mais me basto.

Eu sou romântico

Eu brinco com meu próprio coração
A brincadeira engraçada que é o amor
E enquanto ele badala naquele calor
Meu cérebro me avisa sempre da dor
“A dor virá depois da emoção”
– avisa insistentemente para o coração

A encenação está preparada para acontecer
A noite caindo e eu bêbado, pensando em você
Quando cheguei, melhor recepção que já tive
Ali criamos nosso canto e queria que você me cative
Hoje isso só são memórias a desvanecer

Procurando você em todas as nuances
Jeitos, cores, espaços, becos, performances
Quero o ardor de ter você aqui e agora
Seu cheiro, seu gosto, seu corpo me aflora
Suas palavras deixam minha alma pra fora

O tempo sempre passa e uma hora termina
A brincadeira que antes tinha graça
Bem, ninguém falou que ela vicia, contamina
E eu procuro a você para brincar de amor
Você tira onda no insta em uma piscina
O cérebro avisa “perigo”, mas quero adrenalina

A brincadeira se tornou meu cativeiro
A todo tempo quero negar a mim
Mas eu quero sim te ter por inteiro
Uma pessoa tão incrível e bonita assim
Eu não consigo fugir dos feitiços certeiros

E eu sei que você não quer mais eu, não é?
As conversas vão e voltam como uma maré
Você não me quer e eu “aceito bem” isso
Tropeço no seu endereço, caio em seu feitiço
Você me deixa perdido
E de novo, e de novo e de novo.

Agora eu sei que a brincadeira de amar é eterna
Sei que meus amores vão comigo até o fim da terra
Sinto-me pressionado a pedir perdão pela situação…
Mas nessa caminhada, minhas memórias me deixam
São

Então não me desculpo, mas vivo os momentos
O cérebro, que antes avisou do perigo
Agora ele é o meu mais fiel amigo
Não sei se hoje conseguiria entrar num entendimento
Mas Três anos passaram e ainda estou contigo…

É, e nesses momentos finais eu o deixo só
Não estou mais aqui para você ter dó
Eu preciso seguir minha caminhada romântica
Gostar de outros, sentir novas dinâmicas

Sei que você é brilhante, te amo por isso
Mas estar aqui te vendo sem mim… não consigo.

Aceitação passo por passo

Enquanto as lágrimas secam, surge o vazio
Raramente lembram de falar sobre a aceitação
A aceitação de que tudo outrora construído, ruiu.
Ruínas que não cantam hoje a mesma canção

E agora eu que lute para seguir em frente
Sem mãos carinhosas ou algum abraço quente
A própria ideia de viver sem você já destrói a paz
Eu, que sou capricórnio, odeio mudar minha rotina
Sei que por você eu poderia fazer isso e muito mais…

E é onde mora o impiedoso sentimentos de nada
Nas palavras nunca mais ditas, nos jeitos e voz
Ouço seus áudios e sinto uma culpa danada
Poderia ter sido mais presente, ter um tempo para nós

Egoísta, eu sei.
Se tiver uma realidade depois dessa, desculpa
Estou prendendo você à sua existência antiga
Mas eu vou continuar com o sentimento de culpa
Pois egoísta que sou, ainda quero você na minha vida

Nunca tive a possibilidade de te agradecer por tudo
Você foi mais que uma amiga ou namorada, Clara
Era quem eu dividia meu secreto e silencioso mundo
Agora, já sem você, não existem mais pessoas raras
Os sabores e cheiros e sons ficam… Apenas no mudo.

Eu preciso parar de criar essa coisa à sua volta
Preciso voltar a amar você como apenas memória
Para aqueles sentimentos que me apego, solta!
Para aquelas memórias que eu tenho de você, história.

Digo História, pois é impossível de reescrevê-la
Transbordo sempre palavras, mas só vendo futuro
Não há muros que impeçam a quem nesse barco veleja
Sobre o mar desafiador de correntes fortes que rupturo
As águas feitas de realidades passadas, um suco puro

Deixar-te-ei para encontros em meus humildes textos
Preciso equilibrar o barco e setar logo um rumo
E nas tuas mãos não me parece mais seguro ou oportuno
Guardar-me da vida que ainda transforma meus eixos

Vou despertar em
3
2
1…
Amo-te, boba.

CSSCC

Ela era as minhas palavras
Quando escrita, ela era poesia
Ela era também contos, ficção
Era lindo o que ela fazia
A cada canto, sua mão
Em cada encanto, sua canção
Você estava em tudo das artes.

Na música você era a harmonia
Aquela sensação gostosa
Me provocava alegria
Podia também ser a vibração
Intensidade, o fervo, a fritação
Atravessava tudo, sem ser tediosa

Nas pinturas, a pincelada principal
Aquela que não dá pra voltar atrás
Aquela que sobressai das gerais
Gerando uma pintura colossal
Obras de arte não são você, não.
Você é o cerne da arte, meu coração.
A própria e antes encarnada inspiração.

Na dança, você era a expressão
O talento? Claro que não.
Algo tão frivolo, tão básico
Não seria seu traço.
A expressão não é algo clássico
É o fogo que queima o pulmão,
O que dá sentido ao movimento
Você é o sentimento, interpretação

E por falar em expressão
Nada seria das artes cênicas
Se você não fosse a apresentação
Você é minha década de 90
Encarnada num papel pastelão
O escritor escreve, inventa
O ator recebe a obra e a orienta
Vivendo mil vidas em cena
Você era única em todas elas.

E na ciência, você era humana
Complexa demais para um laboratório
Confusa demais para um iniciante
Criava modelos para o aleatório
Tentando entender o perfeito
Imperfeito.

Eu nunca entendi como apenas “Arte”
Pode significar diversas atividades.
Mas ao te conhecer eu percebi
Que a arte não está nas escritas
Ou nas pinturas, ou nas danças
A arte é um momento, é um sentimento
É alguém que nós amamos
Rimas também não vão ser suficientes
Erro nesse final porque a arte é imperfeita
E é por isso que é especial

Te amo, Clara. Sinto sua falta.

Você brincou comigo nesse dia, falando sobre a altura e sobre cair de lá. Eu fiquei preocupado o tempo inteiro contigo até esquecer da conversa. Eu hoje me arrependo tanto de esquecer de nossas conversas.

Do amor à solidão

Eu quero a solidão.

Eu quero me sentir novamente completo. O vento no rosto e a sensação de que o mundo existe para eu conquistar. A sensação de ser invencível, consciente de meu poder, como uma estrela prestes a explodir numa supernova. Essa é minha força e meu potencial. Eu sou um evento de máxima proporção.

Quando pequeno, odiava músicas sobre amor. Hoje eu as escuto em parte pelo ritmo contagiante e em parte como uma ideia ingênua da vida fácil. Eu não tenho a sorte de viver uma vida de depois do arco-íris. Pois se o arco-íris é uma ponte para o amor, eu moro debaixo dessa ponte. Minha morada não é somente solitária, eu aceito visitas, mas preciso de meu espaço.

Sim, eu quero a solidão. Apenas eu entendo o que eu penso, falo, vivo. Faz tanto tempo que estou só, não consigo mais me dividir. Talvez porque tenham levado o que eu deixei levar de mim, ou talvez eu nunca tenha sido essa pessoa de compartilhar eu mesmo.

Que responsabilidade tenho por amar o outro? Contanto que me faça feliz, é o que eu procuro, mas assim que intervém em mim, eu fujo para longe, deixando um pouco de mim para traz. Quantas vezes eu deixei esse pouco de mim? Amor a um já é difícil o suficiente.

Escolho a vida só. Não só para não me magoar, não me importaria de deixar mais um pouquinho com alguém que eu confie, mas especialmente para me sentir completo. A estabilidade de ser eu é muito mais querida e eu não a troco por nada. É uma escolha que também apresenta consequências, mas é a melhor para mim.

Se eu amo ou amei, continuo amando até quando puder.

Se eu quero perto ou já quis, continuo querendo, mas agora com a consciência de que eu não posso e não vou ter.

Se eu estou só, então consigo trilhar meu caminho em paz.

Peça de Baralho

Eu me sinto otário
De novo uma peça no baralho
Não combino nessa mesa
Desamparado, é a tristeza.
Essa sabe o quanto me beija…

Afogado nos sentimentos
Emergi mais uma vez sufocado
Ergui-me sobre meus cacos
Rolo os dados, destino traçado
Todos ali me vendo
Desnudo, desdentado.
Envergonhado de mim mesmo.

Ando molhado por aí
Não confio em amantes
Ou em pessoas ruins.
Só tenho meu coração
Pulsante
E um caminho a seguir.

Meu rosto é desfigurado
Beleza se torna o meu pesadelo
Luto ainda contra os medos passados
Não sei mais se consigo vence-los

Eu ao fim descanso
Numa extenuante dor,
Insignificante.
Não interessa mais aonde me lanço
Logo me vejo como peça
Num baralho gigante.

Dia 31: Playful

É um desafio
É um jogo antiquado
num mundo e em tempos bem distantes
com nobres e monstros para lutar
(nada pode te deter além do mestre!)
Role playing game!
Faça seu personagem
você tem que ser alerta!
Cada movimento crucial
Te separa da morte certa!
A batalha é decisiva,
Você tem que pensar bem.
Você precisa fazer isso pra não morrer!
RPG! ROLE PLAYING GAME!
A chance para ganhar está em suas mãos
Trabalhe com sua equipe para vencer!
Role playing game!
(Inspirada na Abertura de Diamante e Pérola – Pokemon)

Dia 30: Despair

E é assim.
É uma rígida e dedicada bailarina que,
num dia fatídico de domingo,
perdeu o movimento das pernas.
É uma inofensiva garotinha que,
com medo inexplicável de escuro,
é jogada contra o mais sombrio porão.
É o batman caindo no poço,
com a exceção de que não é o Batman
e esse poço não tem saída.
É o “adeus” que ficou em sua garganta
e, mesmo você ainda sentindo falta,
nunca mais terá a chance de dizê-lo.
É preparar toda a apresentação,
como sempre o fizera,
mas no palco simplesmente esquecer de tudo.
É a destruição do mundo aos poucos,
mesmo sabendo que é errado.
Mesmo contando os dias até a extinção.
É a perda de toda esperança.