Desesmorecendo

Eu preciso recomeçar
Preciso de um novo lar
Pensar em como prosseguir
O que vem depois daqui

O ar não entra nos pulmões
É a ansiedade, não secreções
Eu sei disso e não controlo
Fico inerte e depois eu choro

Muito fácil falar para ser melhor
Posso escrever milhares destas
Difícil é mudar/crescer por si só

Nunca será como eu quero
E quando for dessa forma
O marasmo será eterno.

Inimigo inigualável

Acordo ou durmo
Já não tenho certeza
A dura realidade fatia minha cabeça
Comprometendo meus pensamentos
Fazendo com que eu enlouqueça

O tempo é uma piada de mau gosto
Levanto quando me é bem proposto
Escovo os dentes, lavo o rosto
Olho o espelho, vejo o desgosto
Vejo a agonia abafada na garganta
Vejo as nuvens que obstruem a mudança

Silencio as vozes do medo
Não tenho mais forças para vence-las
Deito em meu leito
Eterno desfecho
E evito ao máximo percebe-las

A janela anuncia a claridade
A janela anuncia a escuridão
Elas mudam à plena vontade
E não me dizem muito não…

Eu continuo na roda da tortura
Seguindo uma rotina de destruição
A minha maior aventura
É afastar quem me dá a mão

Levanto de novo e de novo estagnado
Uma hora ou um dia passaram
A fome se devora sem nem um prato
O vazio enche minha mente
Comidas nunca alimentaram o ego
Fragilizado

E há atividade para cuidar
Ler, escrever e me esforçar
Nah, vou deixar tudo pra lá
Já não tenho nada pra provar
E, se tenho, estão certos em duvidar

E para quê lutar??
Tudo não parece fazer sentido
As cores perderam o tom
Escrever sobre sentimentos é cansativo
É melhor (me) largar de mão

Deixa definhar na escuridão
do quarto
Não existe mais solução
pro meu caso
Acho que é algo psicológico
mas não me trato
Por que não fala logo o óbvio?
se faz de coitado
Prefere a piedade dos outros
e ser maltratado
Ao invés de apontar monstros,
tornou-se um

Inimigo inigualável

Como estou me sentindo?

Eu me sinto humilhado
Ultrajado por todos aqueles
que estiveram do me lado

Eu me sinto cansado
O passado reflete mais em mim
Do que o presente fato
Já não estou vendo um fim
“Deixai cair os prantos”
Deixo tudo cair

A minha dignidade não está aqui
Eu permaneço ao chão
Pronto para encarar a tempestade
Lâminas e raios por toda parte
Sei qual é a minha função

A batalha acabou de começar
Eu continuo ali sem sair
Recebo os cortes sem reclamar
A dor jamais acabará
Minha função é justamente aguenta-la

Não existe armas para lutar
Não faz sentido machucar amigos
Eu estou preso dentro da agonia
Apenas suportando o impossível
Trocando machucados por simpatia

Entre ser o que não posso ser,
Viver todas as mentiras sobre mim,
Lutar pelo meu próprio viver
Ou ser enganado por amigos chinfrins…

Eu prefiro o isolamento
Prefiro fugir
Não confio em apaziguamento
Não acredito em ninguém aqui

Quero a solitude de meu amor
Meu amor somente comigo
Porque quando eu me machuco só
Eu sei como consertar meu coração
Partido

Sim, eu me sinto só,
Mas não perdido
Há, na solidão
Um ombro amigo

Quatro passos

Um passo a frente
Eu não acredito
Faço piada com tudo que digo
Já que (com) todos foi igual
Você não pode ser diferente

Mais um passo
E eu vacilo
Erros servem para ser cometidos
Mas eu gero cansaço
Estimulo o fracasso
Auto-saboto o meu caso

E um passo a mais
Já não mostrei que não sou capaz?
Ninguém deve amor a mim
Não terei companhia jamais
Proíbo que caminhe assim
Siga os sinais e proteja-te

Quando chega o quarto passo
O passo mais longo e demorado
O passo que é dado pelo amor de fato
Eu não resisto e me abro
Solto demônios, deuses, diabos
Todos livres e declarados
Ansiando estar ao teu lado

A barragem começa a rachar
Deixando meus sentimentos a jorrar
E nessa loucura viva na cabeça
Você me pede para que te esqueça

Remendo a barragem
E seco os sentimentos com a mão
Pedindo para você perdão
Rezando para encontrar solução
Mas não
Não é falta de coragem
É não ver vantagem

Não é sobre perdão ou gratidão
Sou uma perda de futuro
Não sou suficientemente maduro
Nunca houve construção
É só a foda que nos mantém
Juntos

Agora que de novo levanto os muros
E desfaço os passos dados
Penso sobre meus amados
E entendo que é melhor partir
Colando as partes que deixei por aí
Do meu coração
Que se fragmenta a ruir

Luto, dor e saudade

E os dias passam inclementes
Quem disse que o tempo cura
Ou só morreu com a dor imatura
Ou não sofreu o suficiente

A dor está no subconsciente
Vicejando em minha mente
Espreitando em meu ouvido
Mudo rapidamente de sentido

Se em uma hora feliz sorrio
Na outra hora lembro do vazio
Se esqueço da dor no momento
Aflora no meu peito desagradável
Sentimento

“Sinta tudo que puder, amigo
Não esconda o que sente.
É a melhor forma do presente
De criar para si um abrigo”
Mas eu não consigo

Talvez amanhã eu acorde bem
O mundo esteja girando de novo
E eu siga o fluxo também

Talvez amanhã eu acorde triste
E não consiga prosseguir
Por mais rápido que o mundo gire

A noite

A música em ritmo viciado
Em meu lado, o casal quase formado
O outro a galera falando do mundo
E não salva uma bendita alma
Que aos olhos de Deus seriam salvas
Aqui as línguas acham o absurdo
Por favor que os deixem no mudo
O mundo quieto merece seu prestígio
Talvez só eu que seja meio vazio
A noite permanece longa e hostil
Cambaleio pela rua entre bebidas,
Entre os meninos encantadores
Entre as mulheres tão bonitas
No bar está tocando “Flores”
Entre os goles, aos montes
Esvazio a garrafa de plástico
Antes continha vinho ácido
Agora ele desce minha garganta
Ainda tenho sede de dança
Entro em um frenesi louco
Ponho meus passos pra jogo
O mundo se enche de alegria
Por mais que eu esteja triste
Nunca fui uma pessoa sozinha
Também não sou um desistente
Eu sigo em frente, eu passo a linha
Eu convido para dançar um rapaz
Atraente
E ele dá um passo para trás
Olha para o lado, vê mais dois
Iguais
Riem de mim por terem pena
Pena por dançar, lindinho?
Volto para a pista e disfarço a cena
Às vezes é melhor estar sozinho
E a noite serve para isso apenas
Acalantar-me com um vinho
Esquecer-me de ontem e amanhã
Enlouquecermo-nos até de manhã
E quando chega o sol
Mostrando as vergonhas para nós
Recomeçamos rindo sós
Na cabeça só memórias boas
Limpeza que só a noite faz

Ainda amo os malditos…

Tolice a minha acreditar em algum homem
Que ve o mundo numa lente disforme
Entenderiam a complexidade multiforme
De sentir o que puder por outros homens…

Sinto-me encapsulado numa outra realidade
Corro atrás de meus sentimentos quanto posso
Sou aberto, claro, direto para não faltar vontade
Mas assusto aqueles que eu me esforço

Talvez eu esteja errado nisso tudo que faço
Eu não deveria me expor tanto como ajo
Ou penso ou falo
Mas eu sei que meu coração é puro e valoroso
E isso é o suficiente para eu tentar de novo
E de novo e de novo
Até eu esquecer o quão está sendo doloroso
Ah… Todo esse martírio por reciprocidade
Até que eu enxergue nesse mar de crítica e vaidade
Alguma forma de respeito pela minha verdade

Rindo, eu ainda amo os malditos

Lighting the fire

Oh, the darkness that follows a man
So dark I can barely see anything
Talking with a stranger, but nothing
That’s not the person I am

Empty words don’t fill the space
Talking just for talking ain’t right
Diving deep into your eyes
To swim all over your mind
To submerge into your point of view
To know you better that anyone knew

I am full of loving and creation
Imagination makes me go further
I’m not stopping ‘til I reach the gutter
Burning low the fire of lovers

But as my fire can’t light all the room
You can’t talk to me too
I guess I’ll stay here on my own
Burning quietly in the dark alone

Eu me perdi

O reflexo de meu tormento
Se esconde dentro de mim
Como uma erva daninha no jardim
Eu quero arranca-lo sem ressentimento

Vejo minha criança interior
Ela chora ao se ver no futuro
Eu com toda força do ardor
Negligencio, deixo ele mudo

Mas não esperava que ela pudesse
Projetar em mim os piores medos
De fato sua força ela conhece
Tão poderosa que me vejo cedendo

E eu falhei com meu Ícaro pequeno
Sei que falhei várias vezes com ele
Ele só queria viver bem e pleno
Mas eu queria o sofrimento na pele

E o que segue um auto sacrifício
Nem sempre é algum benefício
Eu me destruí por nada esses anos
Por isso a criança continua chorando

Eu achava que estava sendo forte lutando
Estratégia que gerou resultados esperados
Mas não vale a pena continuar desmoronando
Só para eu conseguir viver minha verdade isolado

Eu agora não tenho mais nada para dar
Porque tudo já foi trocado por felicidade
Eu só tenho memórias que viram saudade
E tristezas que eu visito na porta do bar

Quais incertezas giram na cabeça de um homem feito?

Que insegurança poderá penetrar na alma de uma pessoa bem sucedida?

E sinto a fraqueza de ser alguém bom
Como uma planta que definha no jardim
E sinto que tudo agora depende de mim
Pois no fundo de cada um há um som
Que nos guia em direção ao fim

Pois acabarei sendo a criança chorando
Batendo a cabeça no chão, esperneando
Tentando lembrar ao meu eu mais presente
O que precisa para se construir dignamente

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Reflexão pré-escrita:

Ando vendo o reflexo de meu eu criança correndo atrás de mim, chorando e brincando. Eu cresci rápido demais e eu nunca quis ser adulto, mas cá estou: homem formado com o mundo de responsabilidades em cima de mim, mais do que simplesmente brincar até cansar.
E eu adoro isso. Eu realmente precisava crescer e viver tudo isso… Mas valem as perdas? Ao olhar para trás e pensar em escolhas que tomei, fases que já passei e respostas para certas perguntas que me definem até hoje eu me sinto derrotado pelo tempo que concretou meus caminhos trilhados. Certamente todos esses caminhos me formaram e eu não poderia escolher outros. Sei que foi o melhor que eu podia escolher ou ao menos o que minha cabeça considerava o melhor para mim, mas eu ainda assim não consigo me perdoar por não ter sido uma pessoa melhor.
E eu sinto tanto sua falta…
Nesses momentos em que eu estou sóbrio e dentro de uma experiência profunda, eu me encaro e vejo a criança de novo brincando. O que essa criança espera de mim? Como eu posso ser amigo dela de novo?

Eu perdi minha felicidade interior. Eu perdi meu amor e meu brilho nos olhos. Eu perdi a vontade e a gana de conquistar meus objetivos. E isso tem a ver com a minha criança. E adolescente. E adulto. Todos vivendo dentro de mim.
Eu quebrei e ainda não consegui consertar.

Foda.

O tempo e a falta

Um vidro que quebra ao toque
Revelando um mundo frágil
O tempo avançando fácil
Mas eu ando meio torpe
Sentimentos pedem perdão
E me rasgam sem piedade
Me rasgam com a saudade
As armas mais vis do mundo são
Memórias da antiguidade
Tempos que nunca voltarão

Agora esse mundo é invisível
É inodoro, silencioso, Intangível
Tudo que tenho do mundo agora
É imaginar pela memória
O que fomos outrora
Ah, mas que tolice a minha
Não posso considerar os sentimentos
Que eu tinha
Pior ainda é o amor de verdade
Que dura mesmo com a pior tempestade

Mas esse texto não é sobre amor
E sim sobre o sentimento de falta
Amar me transforma em sonhador
Perde-los… Minha cabeça desaba

Há uma necessidade de estancar
O sentimentalismo que existe aqui
Porque, quanto mais jorro emoção
Mais esvazio meu coração

Sem resposta, sento no banco em um gramado
Olhando a esmo, uma chuva de meteoros
A Cada cometa, um grande querido amado
Olho para os lados, um bando de espólios
Mas a solitude me deixou há muito como coitado
E, quando a chuva acabar, e eu abrir meu olhos
Estarei velhaco, rabugento e mal-educado

Estarei velhaco, olhando para as estrelas
Pensando nas luzes delas bem distantes
Vivendo as luzes como se estivesse entre elas
Vivendo o passado sem seguir adiante