Cartas para queridos#5

Divina comédia
Mas grega tragédia
Nem a melhor estratégia
Poderia te preparar para mim

O sopro de calor do verão
Eu sou a alegria e amor
Sou a carne da decepção

Verão em mim um altar
Para depositar suas esperanças
Coitados, pobres crianças
Que choram ao desperdiçar
Promessas vazias…

A beleza possui consequência
Criança eu digo pois ingênua
Ingênua por não ver minha ausência
Como sinal de desinteresse

Mas deuses precisam de súditos…
E a carência precisa se respondida
Então eu continuarei minha vida
E você continuará nos júbilos

Meu nome ecoa de amor
Ou ecoa em decepção,
Mas tudo bem, essa é a razão
De ser divino o ardor

Cartas para queridos#4

Isso prova o que é amizade, amor
E a real Reciprocidade
Te adoro de graça, com toda vontade
Mal posso aguardar a próxima viagem

Vejo em tu um espírito de lebre
Leve andando por uma floresta escura
A cada pulo, as trevas perdem a mão
Seus passos iluminam a escuridão

Por isso suas vitórias possuem significado
Você é muito mais do que já foi trilhado
Um riso contagiante que enche uma conversa
Em meio a piadas bem sustentadas
Diversão a beça

Digo aqui o lado que mais gosto em tu
Sei que é determinada, seria e dura contigo
Mas para mim não é apenas o que faz
Mas como encontrar a sua paz
Acredito, embora você não ache isso
Que tens o que é preciso
Para chegar a felicidade e amor sem iguais

Cartas para queridos#3

Um coração de ouro é sim
Guardado às 7 chaves do medo
Coitado do meu bravo guerreiro
Não merece sofrer assim

Eu te quero tão bem, viado
Não consigo ver maldade de fato
As selvas de concreto e mato
Não contemplam o seu brado

Feroz como uma serpente
Você rasteja pela floresta de pedra
Olhos que não enganam inocente
Veneno que não mata, mas entrega

Entrega o shade da fofoca da tarde
Com um bolinho que ainda dá pra viagem
Que viado prendado cheio de arte…
Cozinheiro, designer, ator, modelo de tatuagem

Te quero bem, vida…

Cartas para queridos#2

O que está acontecendo aqui?
Peço-te uma amizade querida
E você já vai querer dar pra mim?
Calma, amor. Espera um segundinho aí
A vida de duas pessoas é unida
Pela compreensão do que acontece
E pelo que vem a seguir…

Eu gosto de ti o bastante
Te acho um passo adiante, não minto
Mas as coisas estão complicadas
E eu não sei se quero mais ficadas

Mas se for amizade que você quer
Eu me desprendo do passado agora
E te ponho de volta à vida na hora
Quero conhecer de novo quem tu é

Cartas para queridos#1

Pra um maluco tem outro pior
Cuidado com quem anda mexendo
Se vocês daí se acham o melhor
Vai acabar morrendo com o veneno

Soteropolitano mais fraco sente
O que um paulista tem em mente
Mas você engana trouxa, meu bem
Eu sei que eu vou muito além

Então desculpa por estragar seus planos
Não vou ao Monte Carlos se ele não virá
E também jamais ficarei a esperar
Vou me saindo pelos cantos
Até não mais sobrar
Até a viagem
Acabar

Lighting the fire

Oh, the darkness that follows a man
So dark I can barely see anything
Talking with a stranger, but nothing
That’s not the person I am

Empty words don’t fill the space
Talking just for talking ain’t right
Diving deep into your eyes
To swim all over your mind
To submerge into your point of view
To know you better that anyone knew

I am full of loving and creation
Imagination makes me go further
I’m not stopping ‘til I reach the gutter
Burning low the fire of lovers

But as my fire can’t light all the room
You can’t talk to me too
I guess I’ll stay here on my own
Burning quietly in the dark alone

Eu me perdi

O reflexo de meu tormento
Se esconde dentro de mim
Como uma erva daninha no jardim
Eu quero arranca-lo sem ressentimento

Vejo minha criança interior
Ela chora ao se ver no futuro
Eu com toda força do ardor
Negligencio, deixo ele mudo

Mas não esperava que ela pudesse
Projetar em mim os piores medos
De fato sua força ela conhece
Tão poderosa que me vejo cedendo

E eu falhei com meu Ícaro pequeno
Sei que falhei várias vezes com ele
Ele só queria viver bem e pleno
Mas eu queria o sofrimento na pele

E o que segue um auto sacrifício
Nem sempre é algum benefício
Eu me destruí por nada esses anos
Por isso a criança continua chorando

Eu achava que estava sendo forte lutando
Estratégia que gerou resultados esperados
Mas não vale a pena continuar desmoronando
Só para eu conseguir viver minha verdade isolado

Eu agora não tenho mais nada para dar
Porque tudo já foi trocado por felicidade
Eu só tenho memórias que viram saudade
E tristezas que eu visito na porta do bar

Quais incertezas giram na cabeça de um homem feito?

Que insegurança poderá penetrar na alma de uma pessoa bem sucedida?

E sinto a fraqueza de ser alguém bom
Como uma planta que definha no jardim
E sinto que tudo agora depende de mim
Pois no fundo de cada um há um som
Que nos guia em direção ao fim

Pois acabarei sendo a criança chorando
Batendo a cabeça no chão, esperneando
Tentando lembrar ao meu eu mais presente
O que precisa para se construir dignamente

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Reflexão pré-escrita:

Ando vendo o reflexo de meu eu criança correndo atrás de mim, chorando e brincando. Eu cresci rápido demais e eu nunca quis ser adulto, mas cá estou: homem formado com o mundo de responsabilidades em cima de mim, mais do que simplesmente brincar até cansar.
E eu adoro isso. Eu realmente precisava crescer e viver tudo isso… Mas valem as perdas? Ao olhar para trás e pensar em escolhas que tomei, fases que já passei e respostas para certas perguntas que me definem até hoje eu me sinto derrotado pelo tempo que concretou meus caminhos trilhados. Certamente todos esses caminhos me formaram e eu não poderia escolher outros. Sei que foi o melhor que eu podia escolher ou ao menos o que minha cabeça considerava o melhor para mim, mas eu ainda assim não consigo me perdoar por não ter sido uma pessoa melhor.
E eu sinto tanto sua falta…
Nesses momentos em que eu estou sóbrio e dentro de uma experiência profunda, eu me encaro e vejo a criança de novo brincando. O que essa criança espera de mim? Como eu posso ser amigo dela de novo?

Eu perdi minha felicidade interior. Eu perdi meu amor e meu brilho nos olhos. Eu perdi a vontade e a gana de conquistar meus objetivos. E isso tem a ver com a minha criança. E adolescente. E adulto. Todos vivendo dentro de mim.
Eu quebrei e ainda não consegui consertar.

Foda.

O tempo e a falta

Um vidro que quebra ao toque
Revelando um mundo frágil
O tempo avançando fácil
Mas eu ando meio torpe
Sentimentos pedem perdão
E me rasgam sem piedade
Me rasgam com a saudade
As armas mais vis do mundo são
Memórias da antiguidade
Tempos que nunca voltarão

Agora esse mundo é invisível
É inodoro, silencioso, Intangível
Tudo que tenho do mundo agora
É imaginar pela memória
O que fomos outrora
Ah, mas que tolice a minha
Não posso considerar os sentimentos
Que eu tinha
Pior ainda é o amor de verdade
Que dura mesmo com a pior tempestade

Mas esse texto não é sobre amor
E sim sobre o sentimento de falta
Amar me transforma em sonhador
Perde-los… Minha cabeça desaba

Há uma necessidade de estancar
O sentimentalismo que existe aqui
Porque, quanto mais jorro emoção
Mais esvazio meu coração

Sem resposta, sento no banco em um gramado
Olhando a esmo, uma chuva de meteoros
A Cada cometa, um grande querido amado
Olho para os lados, um bando de espólios
Mas a solitude me deixou há muito como coitado
E, quando a chuva acabar, e eu abrir meu olhos
Estarei velhaco, rabugento e mal-educado

Estarei velhaco, olhando para as estrelas
Pensando nas luzes delas bem distantes
Vivendo as luzes como se estivesse entre elas
Vivendo o passado sem seguir adiante

30 – Pancadaria

Nós pessoas com pênis e meninos
Somos criados pra luta
E quando eu digo luta, é pra agredirmos
Para ganharmos logo sem disputa

Eu sofria muito quando pequeno
Sempre fui um pouco ingênuo
Os meninos batiam em mim
Eu não conseguia fugir
Olhava para o espelho
Via um gordinho estranho e feio
Difícil foi a luta daí

O tempo passou
E acredito que a luta foi contra mim
Mudei muito de lá até aqui
Venci medos, e olha onde estou
Na estaca zero
Nunca fui bom de lutar