Barulho alto
Muito alto
Sinal da vida em brasa
Fogo se espalha
Chamas fortes
Chamas altas
Queimam a cabeça
Consomem a beleza
Distorcem, deixa fraca
Deixa instável
Mesmo a pessoa mais calma
Corro para cima
Corro para baixo
Abro minhas asas
E salto
Torcendo pela alçada
Não sabendo se voarei
Ou se farei a chegada
Eu não voo
Bato as asas
Sinto o vento no corpo
Mas não voo
O corpo treme perante o esforço
As asas fraquejam cansadas
E eu volto ao meu posto
Andando como um louco
Buscando algo que desfaça
Algo que acabe com a fumaça
Com o fogo, com a brasa
Que me queimam todo
Que me desgraça
até que acostuma
A dor é contínua
Ela acumula
Pinga de gota a gota
Ela inunda
E, de tão molhado
Meu corpo afunda…
Debaixo da água
O som é abafado
Se ouve chiados
Te ouço assustado
Não se assuste não
Nada mais normal
Do que afogar o fogo da aflição
Nos mares da apatia e frustração
Esses mares não são revoltos
Eles são pacientes
São lindos, são soltos…
São mais profundos que nenhum outro
Eles atenuam o fogo
Águas quentes
Mares que puxam aos poucos…
Pisca-se os olhos
E seja pelo mar
Seja pelo olho
Seja pela ira
Ou pelo que irá acontecer
De novo
Você afunda, morto
Sem respirar
Mergulhado em desgosto
Ou fica molhado
Ou pega fogo
Só pode um dos dois.
Tag: Portuguese
Sombra
Sombras só acompanham. Eu sou feito de carne e história. Eu tenho vida própria e, por maior que sejam meus medos, eu tenho sonhos. Não me cabe ser sombra.
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Um fantoche pisado
Andando pra todo lado
Repete os gestos
Mas a voz é muda
Não há chiado
Andar contra maré é errado
Já não sabe quantas regras
Tem quebrado…
“Ah, não se faça de coitado”
Disseram
“Você lembra do que fez verão passado…
Ou foi no inverno?”
Fantoche pisado
Brincando de amar
Sem ser amado
Movendo seus braços
Achando que escolhe o passo
Não passa de um otário
O tempo voa
E o fantoche cresce
Fica maior do que se pensava
E se assusta, esmorece
Ele não é o único assustado
Os outros vêem o tamanho
São pegos desarmados
Não esperavam um tão grande
Otário
O fantoche não é deixado
Continua com seu trabalho árduo
Tudo para seu amado
Tudo pelos seus amados
A noite chega
A escuridão limita seus passos
Eles deixam de pisar
Mas eles também não são encontrados
O fantoche procura cada brecha
Cada poste, vela, lanterna erguida
Ele precisa de regras, de sentido
Sem uma luz, sem tremular
Uma sombra não pode ser vista
Ele vira copo
Vira planta,
Vira presença querida
Vira comida, tv
Vira até uma moça bonita
E Quando as luzes se apagam
A sombra vira escuridão infinita
O prazer é a maldição
Sombra pode ser tudo
Dentro na escuridão
Acontece que o tudo é absurdo
E a sombra nunca teve muita sorte
De escolher o que fazer
De se dar um norte
Ela se espalha sobre a casa
Refletindo somente suas falhas
Esperando ser de novo
O Fantoche
A luz chega forte
Quando acorda, oh sombra
Você precisa que alguém te escolte
Calada na cama, imóvel
Até que alguém acorde
A rotina se repete
O fantoche se diverte
Ele ama apresentar imitações
De gato a inteligente,
Várias opções
Esperando o mestre
O mestre negligente
Ser clemente
Para dar ordens padrões
Um dia a vida esquece
A sombra existe
Mas não mais se repete
Como um borrão cinzento no chão
Seu mestre já decide
“Vá, sombra. Sua serventia passou
Do limite”
Sombra corre pelo chão
Vira poste, vira roupa
Mas ninguém a dá atenção
A sombra anda o dia inteiro
Sem direção, o Fantoche é só meio
Desesperada ela ajoelha
Olha para o céu
E vê saltar poucas estrelas
Naturalmente ela cresce
E, agora, vê o mundo da rua
Passou tanto tempo sendo sombra
De outros
Refletida por qualquer luz escura
Que esqueceu quem era
A sombra se levanta
E, com ela, a noite se espanta
Um apagão no meio da cidade
Para que a sombra refletisse sua imagem
O sol que antes era majestoso
Agora só restava a lembrança das cores
A Lua era gigante, brilhante
Vibrando mais do que os amores
Sombra nunca foi o nada
Nem mesmo um fantoche
Não era a vela, o copo
E nem o poste.
Sombra era a força da luz
Era a visão possibilitada
Sombra era tudo que reluz
Sombra não tinha corpo
Não tinha identidade
E muito menos desgosto
Sombra era maior que eles todos
Um mundo inteiro era menor que sombra
Que nesse momento refletia a vida
O sentimento de partida
A lei inevitável da morte
Aquilo que se move
E os imóveis
Sombra era eterna
Tal como a luz
Pois irmãs eram
Brilhando e escurecendo de onde vieram
Simplesmente flui
Entendia porque a viam como fantoche
Como copo, roupa ou mascote
Eles não sabiam o que é uma entidade
Que flui pelo universo
Que vive tantas eternidades
Que acaba parando sua vida
Vendo no lugar de bobo
A única saída
Ter algo
Eu não tenho chão. Não tenho casa. Não tenho emprego. Não tenho futuro. Não tenho investimentos ou amores. Não tenho ações. Não tenho bolsas ou valores. Eu não tenho amigos. Não tenho brinquedos e nem livros. Não tenho o ar que eu respiro. Não tenho a roupas que eu visto. Eu não tenho a comida que como e nem o cuspe que eu projeto. Eu não tenho meu cérebro.
Eu não tenho minha família.
Não tenho o sol que ilumina todos os dias. Eu não tenho a chuva, o calor ou o frio. Eu não tenho a expectativa, o medo ou o equilíbrio. Eu não tenho uma caneta sequer. Não tenho o papel. Não tenho o talento da escrita, do desenho ou do pincel. Eu não tenho o ímpeto. Não tenho a ação. Não tenho o “sim” e não tenho o perdão — nem o seu e nem o meu. E, muitas vezes, não tenho sequer o “não”.
Eu também não tenho o nada, pois por mais que eu não tenha tudo, ainda uso um ou outro ocasionalmente. Às vezes por tempos, outras vezes por sentimentos. Mas vão e passam, afinal eu realmente não tenho tempo e nem mais nada.
Houve um momento em que eu queria ter tudo, eu queria ser tudo. Eu precisava ter algo para ser alguém. Hoje eu sei que ter é mentira.
Esse é meu problema com a modernidade líquida e com a solidez que se desfaz como fumaça no ar. Por mais que realmente o capitalismo esteja muito dinâmico, numa velocidade que nem nós suportamos, isso não significa que estamos deteriorando. Não significa que somos piores que antes. Não significa que estamos doentes. Só significa que estamos diferentes, e o passado foi cruel e excludente. Foi insensível e imoral. O passado queria que todos tivessem o necessário, mas nós não temos nada.
Não temos.
Eu entendo isso.
Eu e ele
Lhe passo o receio
Me passa o medo
Lhe passo o anseio
Bom moço
Te toco o espelho
Me toca ao beijo
Te toco a pele
O gosto
Percorro as ladeiras
Atravesso barreiras
As roupas são frouxas
Ao corpo
Te bagunço o cabelo
Vislumbra o desejo
Fecha os olhos e perde
O fôlego
Pede mais o gosto
Pede mais gostoso
O toque está saboroso
Estou numa caça e teu prazer
É o tesouro
O ar é pouco
Me vejo fatigado
Te vejo ainda aprumado
E mergulho no seu colo
De novo
Sou um grande nadador
Você, o mar do amor
Mergulho sempre que consigo
Quero seu perigo
Pelo esforço
Você brilha como a lua
E meio a escuridão
Sanando a sede de um milhão
Deus é misericordioso
Esse mar já afogou mil e um tolos
E eu sou o mil e dois
Caindo entre ilhas
Mil vezes morto
Se me pego
Pensando ao alto
Você me traz pra baixo
Olhando no olho
Eu lhe digo piadas
Tu as desfaz em risadas
E eu me dou de satisfeito
Ganhei o mundo
Tomemos banho primeiro
Você mela meu travesseiro
Eu troco as fronhas
“Tem graça nenhuma”
Fazemos graça no banheiro
Piada até com o chuveiro
Te abraço despido
Me estapeia a bunda
Mando vídeo de madrugada
Ele me manda mensagem de manhã
Respondo pela tarde
Uma bagunça
Mas,
Por mais que espere a mensagem,
Que pensei nele o dia inteiro
Que mande vídeo ou
Que lhe despenteie o cabelo
Nunca lhe disse
Que o amo
O sentimento é forte
Consistente
É um sentimento pertencente
E mútuo
Eu não falo
E ele não fala
E nós não falamos
Juntos
Sentimos e gostamos
Queremos a presença
Falamos e estamos
Sem grande problema
Nem miúdo
Aqueles dois segundos
São os dois segundos
Antes de apertar o gatilho
Dois segundos de martírio
Ante uma alma sem futuro
Meus pés estão em cima do muro
Olho pra baixo e como é alto
Sigo passo a passo em cima de tudo
Ando pra sempre,
Não posso cair pros lados
É um vinho fechado
Em meio ao léu
Ou se quebra a garrafa
Quebrando a mágica do álcool
Ou a deixa intocada
Proibindo o mundo do sabor do fel
É o jogo rápido na rua
Pega celular, carteira, chave
Pega tudo em uma mão única
Olha ao redor, o medo na carne
Respira forte
Torce para não aparecer nenhum mal
Nenhuma alma impura
A porta abre
Você corre para dentro de casa
O conforto que quase te mata
Mesmo não existindo ameaça nenhuma
O túnel está se fechando
As paredes estão molhadas
Apesar de estarem me esmagando
Eu passo escorregando pelas beiradas
Eu estou perto da chegada
Mas nunca a alcanço
Eu ando, ando, ando e ando
E nunca chego na faixa
As cortinas estão se fechando
Venham aplaudir seu palhaço
O picadeiro não perdoa atraso
E não vai voltar próximo ano
O fim do espetáculo é certeiro
Meu amor, não me verás por inteiro
Se o mosaico sempre foi meu eu verdadeiro
Peço desculpas para minha mãe
Peço desculpas ao meu herdeiro
Essas palavras mostram o que urge
Surgindo das trevas
Me devora como um abutre
A sombra já era
E ainda há quem me importune
O fim é inevitável
Por que não assume?
Por que não assume?
Está na hora de se despedir
Beije seu amor no rosto
Deixe-o partir
para longe de seu corpo
Será grande o esforço
Mas ele precisa ir
Foi
Eu lembro das noites brilhantes
Do frio na barriga
Da música alta
E o carro pulsante
Eu lembro de toda risada
Lembro daqueles meliantes
Jovens de bem com a vida
Bebendo completamente delirantes
Eu lembro de mim nessa saída
Lembro de sentir aquele enxame
O dedos tremerem na primeira mentira
Lembro de me sentir altivo e importante
Lembro dos amigos comigo
Lembro deles sem objetivo ou destino
Perdidos como passarinhos ainda no ninho
Esperando o momento de voar
Eu lembro de amar
E de pessoas amadas de minha vida
O sofrimento ainda dói como uma ferida
O tempo fez o sangue estancar
E os desacertos lendários
Lembro de brigar com todos eles
Lembro que fui muito otário
Mas tudo esquecido quando as semanas passaram
Eu sinto falta desse fervor na pele
Da sinceridade desajeitada
Sinto falta do medo que não impede
E de uma coragem acovardada
Sinto falta de pensar o futuro distante
Em um mundo longe adiante
Que problemas eram besteiradas
E o tempo não era uma problemática
Mas tudo isso passou num instante
Me sinto parado na estante
Recordando de momentos
Que hoje não valem mais nada
Eu vivi muito com muitos
Andando no claro da madrugada
Garrafa de vodka e a cara deslavada
Lembro dos amores de calçada
De festa, de mato, no escuro
De estrada, becos e muros
Eu não sei lidar
Se minha natureza é o caos
Por que eu quero me consertar?
TDAH é pra jacu
Eu sou eu e mais nenhum
Mas eu quero um caminho comum
Queria que meu problema fosse interesse
Fosse esforço
Fosse uma prece
Fosse
Foi
E não volta
Pedra
Eu sou uma pedra
Eu sinto a força do vento passar
E com ele cheiros
Vejo-o bailar
E até sinto seu jeito me desmontar
Me desfazer
Sinto sua audácia
O caos constrói seu prazer
E para mim, uma pedra
Parece uma mágica
Não posso ser como era
Vejo a chuva cair pertin
Vejo a chuva cair de longe
Brilhando na noite mais quieta
Minando em poças
Minha parede descoberta
Cada gota de água se espatifa em mim
Eu sinto a chuva me molhar
E, por mais que eu ache fantástico
Ela passa e eu digo “por mim”
Não me deixo levar…
Logo vem o sol secar
Pode ser hoje ou pode demorar
Pode ser fraco e claro
Como uma luz a guiar a lucidez
Pode ser forte e miserável
Como o calor que quebra qualquer rigidez
O sol é inevitável
Imaculável
E Adorável
Limpa as nuvens
Limpa a mim
Queima a vida
Me faz crescer
E também diminuir
Eu não aguento tanta mudança
Começo a partir
Pedaços caem de cima
Pedaços rochosos de quem fui um dia
Agora desconexos,
sem sentido,
por aí
E quando eu perco uma parte
Continuo sendo eu
Ou só metade?
Se as maiores maravilhas me mudam
Me moldam à sua vontade
Que destino terei eu,
Uma pedra,
Em meio a tantas vaidades?
E se eu não sou aquelas pedras
Desgarradas,
Se eu sou este monólito
Forte e sem graça,
Quem será eu quando a força se esvair
E não sobrar nem a desgraça?
Seria fácil falar que não valho nada
Seria muito lógico dizer que não tem saída
Nessa estrada
Ah, seria muito bom acabar a vida com razão
Por ter votado e construído a própria
Tragédia suplicada
Silenciosa em meio à beleza geográfica
Eu continuo pedra.
Não é como se não tivesse sido sedimento
Não é como se não tivesse tido momentos
Sentimentos confusos e perdidos
Rolado sem rumo
Batido de pedras em pedras em pedras….
Sem caminho
O tempo vai me desgastar
Me transformar em algo novo
Seja a chuva, o vento, o sol
Ou um humano louco
Eu vou mudar o tempo todo
Por mais que eu não queira
Por mais que pedra eu seja
Enquanto eu existir
Preciso deixar meus pedaços caírem
Deixar a chuva minar minha máscara
Deixar o sol queimar minha capa
Deixar o vento levar o que antes foi
Minha alma
22 ou 25
Feliz aniversário, Clara.
De todos os leoninos que eu pude ter o prazer de conhecer, você foi a mais literal de todos eles. Sua confiança era inspiradora, assim como sua inteligência, seu esforço. Eu sempre acreditei que você poderia tudo, que você seria a pessoa a abalar o mundo. Não duvidei um segundo sequer disso. E ainda não duvido. Mas infelizmente não tenho como saber como seria. E não tem como mais ser.
Flávia, no aniversário dela, disse que agora ela está mais velha que você e isso me assustou muito porque a gente sempre teve a mesma idade (eu mais velho, claro). Você sempre ao meu lado. A gente sempre juntos. Entre aniversários e trabalhos. Matérias da faculdade e festas.
Hoje no seu aniversário de 25 anos, eu queria te dedicar o mundo. Queria te dedicar meu mestrado. Queria te dedicar uma leitura. Uma caminhada. Queria sair em uma festa. Ou queimar um baseado. Talvez eu o faça em um futuro próximo. Até lá, eu vou manter a promessa de lembrar de você. Eu vou cuidar de nossas lembranças juntos. Eu vou lembrar de sua voz. Das suas coisas que estão comigo e das minhas coisas que lembram você.
Eu sinto muita falta de fofocar contigo. Queria falar sobre como nossos amigos mudaram. Sobre o namorado de Mateus, sobre como Mário tá de tornando um artista foda, sobre o término de Pedro… Queria saber sua opinião sobre tudo. Passar horas ouvindo você falando de World Building, sobre alguém que você não gosta ou uma dificuldade da vida que você estivesse passando. Você estaria se formando em letras esse fim de ano.
Ah, saudade que não passa.

Hoje eu vou passar o dia com Pedro, porque eu acho que é o que você gostaria de fazer. Vamos estudar juntos. Estou em uma fase complicada de minha cabeça, Clara. E espero que você entenda.
Eu continuo te amando, viu?
Continuo muito agradecido por sua presença em minha vida.
Eu hoje me arrependo de como eu fui no seu enterro. Gostaria de ter me comportado melhor. Mas eu também não conseguia pensar. Nem falar direito. Eu estava em surto ali.
Enfim.
Eu sou ateu, o que implica que, para mim, seu cérebro desligou e você derreteu na terra. Mas você não era. Por mais agnóstica que fosse, você tinha uma herança cristã forte. Bom, eu espero muito que você esteja em um lugar bom e agradável, se esse lugar existir. Se não, ao menos que o descanso eterno faça sua existência ser mais agradável para você.
Hoje, eu tenho 25 anos. Pedro tem 25. Mário, Bibs… Flávia tem 23.
E você continua com 22 anos.
Por mais que faça 25.
Comunique-se comigo
Fale
Fale algo
Fale muito
Fale alto
Grite!
Grite ao mundo!
Grite muito,
Muito alto
Grite o que pensa de fato
Conte
Conte tudo
Conte os absurdos
Conte aos vagabundos
Conte a mim
Conte comigo no seu futuro
E cante
Cante no palco
Cante só
Cante descalço
Cante nu
Encha o espaço
Cante até cansar
E então descanse
Deite-se
Se balance
Até o sono chegar
Embalando o coração
Entregando às mãos
de Morfeu
E quando acordar
Sinta
Sinta o sol
Sinta meu dedos enrolados aos seus
Se sinta em um nó
Sinta o calor do meu corpo
Sinta o sabor de meu gosto
Se sinta só, se preferir
Mas me fale
Para que eu possa ir
E, quando achar melhor,
Volte a falar.
Fale, mesmo com medo
Fale, mesmo irritado
Fale tudo que estiver entalado
Volte e fale o que tem receio
Fale de seus defeitos
Fale dos meus trejeitos
Fale do amor e do ódio a mim
Mas fale comigo, querubim
Nem que seja uma mensagem à toa
Fale mesmo estando rouco
Grite se quiser gritar
Bote pra fora sem nem me olhar
Conte sua versão da história
Julgarei os vilões ou heróis
A partir dessa construção nossa
Você precisa falar!
Precisa se expôr
Precisa acreditar em mim
Eu quero ser seu amor
As mentiras quebram pontes
E as omissões escurecem mapas
Eu corro para te achar
Uso meus poderes
Mas nada acha
Nada acha
Paro então de seguir
Fecho os olhos e concentro
Procuro por sua voz
Ecoando de fora pra dentro
Ecoando de volta pra mim
Eu a acho?
*sem nome*
Abraços
Amassos
Beijos e laços
Puxo pra perto
Eu te falo que quero
Cada vez sem espaço
Entre nós
Voz que cala o mundo
Profundo eu mergulho
Em nós
Minha cabeça é em turbo
100m/s
Você faz desacelerar
Me puxa no seu peito
Me aperta
Não me deixa escapar
Acerta em cada toque
Você bate
Eu peço “mais forte”
Eu derreto em aço
E você que me forge
Ou eu te forjo
Nas minas de minha cama
Com o calor de nosso amor
nunca espadas recém lustradas
Lutaram com tanto louvor
A luta de nossas vidas
Umas vindas, umas idas
Espadas libertas, divertidas
Aço contra aço
Suor escorre,
vidro embaçado
Lá fora frio
Aqui ainda está quente
E apertado
Sinto o furor subir do meu lado
Grito baixo,
Te beijo abaixado
Um beijo bem babado
Respiro fundo
E me sinto felizmente
derrotado
Após o beijo babado
Eu te olho
Você me olha
Ficamos abraçados
E eu peço a deus
Peço à deusa
Peço às forças da natureza
Que nunca me tirem desse laço
Que não me tirem de seus braços
Que não te tirem de meus braços
E, por aquele segundo
É infinito.