Primeiro, me desculpem por tanto tempo sem mandar aqui os textos (eu continuei escrevendo). Passei por um tufão de acontecimentos nessas férias e inclusive acabei perdendo meu mais precioso veículo de trabalho para mandar aqui (meu celular). Eu tenho outro agora porque coloquei o antigo no seguro, mas não é a mesma coisa e eu ainda estou tentando me adaptar.
Segundo, eu não vou continuar a saga de crônicas sobre tempo que eu tinha dito antes porque minha irmã infelizmente apagou todos meus textos do celular quebrado que eu tinha dado a ela (o celular que eu usei durante meu ensino médio) e eu não tenho como recuperar nenhum texto e atualmente estou muito enfurnado em poesia para escrever crônica. Simplesmente está sendo muito difícil pensar em histórias diversas, mas está mais fácil, no entanto, pensar em poema. O que me leva ao terceiro tópico:
Eu, no mês de janeiro, me desafiei a escrever um poema por dia com os temas dados por um twitter chamado @Pitchcanker (espero que ele me deixe fazer isso). Por questão de respeito com a arte dele, não vou disponibilizar aqui a challenge que ele colocou no twitter e que eu segui para fazer os textos (se vocês quiserem ver os temas e as artes que ele fez, basta ir no twitter dele.
No mais, hoje eu vou postar o primeiro. Obrigado por quem tira minutos do seu dia para visitar essa desgraça bagunçada que é meu blog. Eu sou muito idoso com a tecnologia para fazer isso ficar melhor e não tenho muita vontade ou tempo para ver no youtube, mas pode ter certeza que eu sempre escreverei. Mesmo se eu demorar para postar aqui, eu estou com textos guardados.
Esse é um chaveiro que uma amiga de infância me deu. Amo-te, Alícia.
Eu aceito o mundo não girar ao meu redor. Eu aceito as coisas não saírem da forma como eu planejei. Eu aceito estar errado mais da metade das vezes e, mesmo se eu tiver explicações, eu prefiro só aceitar a culpa. Eu trabalho comigo mesmo meus defeitos e sei reconhecê-los. Ainda sim eu sinto um furo no meu peito, um vazio que quase eu sinto ser literal por conta da minha respiração que vacila às vezes. Não sei exatamente porque eu sinto isso, mas eu simplesmente sinto essa angústia que incomoda tanto o tempo inteiro.
Na verdade, eu sei o que é: sou uma pessoa carente. E eu assumi essa identidade, mesmo sem perceber e mesmo sem querer e é isso que as outras pessoas veem em mim – apenas carência. Por isso que eu sou chamado de fofo, por isso que eles me acham estúpido ou brincam tanto com meus sentimentos e por isso que eu também sou tão autodefensivo e inseguro. Se eu fosse menos carente e firmasse minha vida sob as bases do que realmente importa (minha vida profissional, meus estudos, meu futuro, pessoas que se importam comigo) eu estaria em um lugar diferente daquele que estou agora.
No entanto, eu não controlo esses sentimentos de insegurança, autodestruição e autodefesa. Eles simplesmente assumem quando eu abaixo a guarda, e faz tempo que eles não aparecem, justamente porque meio e fim do ano passado eu passei ocupado demais cuidando de mim e longe de pessoas que me faziam sentir como me sinto nesse exato momento. E agora que eu parei para pensar, esses sentimentos estão ficando fortes em mim e assumindo minha personalidade e eu, sinceramente, nem sei mais se me importo, mesmo eles me fazendo questionar toda a carreira que eu construí para mim durante 5 anos.
Esse é um rabisco antigo de um amigo meu chamado Fritas que eu adoro de paixão. Com ele eu quase nunca me senti desconfortável. Um dia vou para MG vê-lo. Amo-te, Fritas.
Cansei de meus problemas serem tratados com supérfluos quando só eu sei o que eu tô sentindo ou vivendo. Ser pensado como indivíduo característico de um grupo que não me identifico porque vocês se acham inteligentes o suficientes para me classificar e classificar minhas vivências. Quando chegamos ao ponto de pensar sobre o outro e entender a realidade como perspectivas ou de forma analítica, vocês nunca vão conseguir porque estão presos em discursos pessoais personalizantes que só falam sobre pessoas e não sobre uma realidade em comum.
Apolo é uma companhia muito boa para momentos de reflexão. Estou cansado do povo de minha faculdade.
Esta é uma carta para adiantar a despedida Eu amo você demais para pensar em te perder Então escreverei isso para me preparar logo Afinal, sei que não vou lidar bem com isso
Dói em mim pensar em deixar você ir Dói, porque você foi quem eu escolhi confiar Mas, enquanto com o tempo, nunca escolhi te amar A princípio, um estalo e eu pensei muito em paixão Pensei em mais um romance daqueles de verão
Mas não Você veio como um engavetamento de carros Inesperado, violento, barulhento e dolorido Exatamente como um acidente infeliz Irresponsável, inevitável, conflituoso e sem final feliz Eu penso sobre como nunca quis ser seu amante Penso sobre o amar como algo ainda mais facinante Queria muito continuar contigo como estamos agora Sua amizade é realmente o que me faz ter forças pra odiar o mundo Não sei o que vai ser da nossa dupla comigo sozinho
Já sinto sua falta mesmo antes de você ir embora Fofocar sobre os eventos não vai ser mais a mesma coisa Seu sorriso sarcástico pronto pra me perturbar Seu olhar de atenção quando eu tô triste tristonho Não quero perder mais um amigo, sabe? Mas eu sei que você vai conquistar sua vida por aí São Lázaro é muito pequena pra conter suas habilidades Sou sentimental e fresco, sei que você vai manter contato quando quiser
Eu não comprei o livro que você queria e me pediu Invés de comemorar ou sei lá, vou mandar essa carta Enfim, eu gosto de você, seu corno. Espero que isso não mude.
Ouvi a música “Bravado” de Lorde e fiquei pensando sobre meu Bravado. Meu grito de guerra. Minha vontade interior. Talvez o encontrar seja justamente sobre se entender, sobre ao mesmo tempo criar e explorar o que já existe dentro de você. Um baú de pólvora esperando a fagulha. Essa fagulha já existe.
Toda minha vida eu pensava Que um dia minha hora chegaria Mas eu estive mais ocupado Me preparando para a grande chegada Não construí sua estrada E agora não sabia mais se viria
Mas a maré finalmente virou Os ventos sopram ao meu favor Os fios do destino ganham entorno Não tenho entusiasmo pelo retorno Estranho demais pensar meu corpo Exposto, num palco pensando a dor Dolorido, expondo o pensador (colonizador) Eu não sei se quero para mim isso Uma vida inteira de professor
Os olhos ávidos por atenção As armas são apenas o piloto na mão A única coisa que me agarro Para manter minha sanidade É a minha determinação
A sala está cheia e barulhenta O respeito é de amigo, parceiro A reclamação é briga, esquenta Situação de discussão não é passageiro Eu não quero lidar com criança o dia inteiro
Meu grito está nas pequenas criações Gosto da independência de suas ações Vejo de bons olhos todas as questões E outros pontos que eles trazem consigo
Vejo no aluno um amigo perdido Aquele que você não fala faz anos Que faz sempre para você pedidos Mas que você sabe que para fazer acontecer São necessárias organizações, novos planos
Sei que é uma forma ruim de pensar indivíduos Mas é a única forma que me impulsiona a ir Talvez tudo que fale se torne meros resíduos Eu não me importo contanto que faça algo fluir
Eu posso tornar esse o meu chamado Transformar tudo ao meu redor que for tocado Se tivesse certeza, moveria todos meus recursos Viria com outros olhos! Traçaria logo o curso! No entanto, não sinto aquele arrepio O calafrio despertando na ponta do espinhaço Meu braço não vira o leme do barco E o mar revolto me impede de atracar nesse espaço
Então qual será o meu grande chamado? Por deus, eu não aguento mais a calmaria O caminhar a esmo sem algum guia A resposta para qualquer pergunta bastaria
Resposta cujo entendimento depende de mim Se não atingi-lo, eu estagnarei bem aqui O grande espectro da expectativa de me definir
Acho que essa foto minha tentando fazer uma pose e absolutamente tudo dando errado é a melhor representação desse texto.
É comum querer estar sozinho a maior parte do tempo? Aproveitar o silêncio no ar Não preciso facilitar o que falo Posso enlouquecer e reestruturar ao mesmo num segundo Ultrapassando as barreiras de minha própria vontade Sou eu, o avatar que conversa comigo mesmo.
Ser interessante não é necessário Fico despido enquanto anoto meu diário Todas essas breves notas passam ao lado Descarnado passo do meu cérebro almado
Os pés andam enquanto eu permaneço Um passo atrás do outro, esmureço O cérebro toma controle, eu o auxilio Na caminhada do poema de meu-e-seu Lírico
A disputa não existe de verdade Até porque quem disputa sou eu E minha cara metade Sou apaixonado nessa imbecilidade Desde primeira palavra minha mão escreveu
Talvez eu esteja me expressando mal Não romantizo a solidão como uma igual Faço da solidão uma ente querida Odeio-na quando eterna presente Mas sempre estará bem-vinda
Para meus devaneios fluírem E meus pensamentos correrem Para a solidão eu logo recorro E ela sempre com os braços abertos É onde eu me encontro
Novamente estou aqui encarando o abismo, e isso não é vontade minha. Engraçado que era mais fácil quando jovem encarar o abismo e ignorar, mas fica cada vez mais difícil quando os anos passam e você é esse indivíduo sem resposta. Apenas uma imagem sua crescendo e engolindo o seu outro eu, assustado com o crescimento repentino.
Eu queria realmente que eu não tivesse tanta coisa na cabeça, eu queria eu não precisasse reavaliar motivos para me manter vivo. Eu queria que o abismo realmente fosse uma rachadura na parede em que uma fita isolante poderia cuidar. Mas não. Esse abismo é o próprio riftvalley dividindo meu peito em dois e destruindo a minha essência no caminho. No final nem eu mesmo vou me reconhecer, mas não vai importar caso tudo esteja completo. Não vai importar se eu ressignificar meu eu. Se eu seguir em frente. Será se eu quero seguir em frente? A moral do capitalismo de viver por viver nunca foi tão contraditória para mim. Eu simplesmente não tenho propósito, velho. Não tenho. Como posso viver?
Ciências sociais não é para mim. Eu sou eloquente, mas eu não tenho real interesse em utilizar isso para falar sobre causas. Eu quero o controle, mas também quero a inquietação. Eu gostei da sala de aula, isso é verdade, mas não aguentaria a pressão e nem viver com a cabeça presa no que o diretor quer ou o que os pais de alunos esperam. Eu quero atravessar o mundo do raciocínio das pessoas. Eu quero flutuar entre o consciente e o subconsciente delas com ideias que subversivamente iriam destitui-las de certezas. Eu quero ser a dúvida. Quero explodir e ser entendido em minhas crises. Eu sei que sou um potencial, mas não sei exatamente do quê. Homicida? Suicida? Mártir? Artista? Eu só quero saber.
Enquanto eu não souber quem ou o que eu amo, continuarei nesse vórtex colapsando em mim e destruindo a minha existência e separando-a entre o que eu posso ser e o que querem que eu seja. Eu não sei o que eu sou. O que é esse terreno sendo dividido? O grito é de desespero porque a loucura às vezes toma posse de minha alma. Não consigo controlar os impulsos que transbordam em textos, em palavras ditas, em desaforos ou em gesticulações.
Destrua-me. Eu me destruo todos os dias. Devore-me. É a única coisa que vai me fazer sentir. Humilhe-me. Não há nada mais de dignidade que sobre em meu ser. No final eu sou ninguém nesse mundo de ninguém e tudo bem. Eu não me importo em ser ninguém, contanto que eu possa sumir e não sentir a singularidade de minha existência contrastando com a simplicidade do comum.
Queria ser mais um menino amante de futebol que traz a noiva para um almoço em casa e que anda tranquilo na rua. Que nasceu com a faculdade já escolhida e com a certeza de um emprego. Queria poder viajar mundos sozinho e falar fluente diversas línguas na adolescência. Queria poder guardar tudo que sinto em uma caixa e solidificar a ponto de poder não racionaliza-los ou sequer questiona-los. Queria ser normal.
Eu não quero mais amar Não vou mais me apaixonar Amores não me levam em nada Eu fico sozinho andando na estrada
Fodão-se os que amam Eu morro de pavor desse sentimento Isso não me faz “mais humano” Isso me tira o discernimento Cobre meu corpo com cimento Joga minha cabeça ao relento Não vou me apaixonar, mano Pode fazer outro plano aí
Sou muito esperto para o engano Todos começam na mesma dança Prometem amor, falam de mudança Sorriem para mim, soltam galanteios No final eu sou jogado para escanteio
Não confio em seus papos de desejo O encejo nunca foi um equilíbrio perfeito Quero sim o meu contra o seu peito Mas dessa vez no final eu que te deixo
E de novo E de novo
Não vou cansar de estar só Eu tenho muitos amores ao meu redor Você é um detalhe que pode chamar atenção Mas lembre que você é quem está em minha mão O controle é contínuo e jogado com a mente Não com o coração
Desculpa, eu tenho medo. Não conte para ninguém o meu segredo.
Sentimentos não morrem As batidas lembram de batidas outrora gostosas Agora fantasmagóricas
Não esqueça do amor que sentiu Naquela primeira vez em que o viu Não esqueça também agora do vazio que enche sue peito Por favor não ceda ao medo De ficar sozinho
Sentimentos não morrem porque você é vivo Você sente como ninguém e isso é um orgulho, Ivo Sei que não é a primeira dor que te inflama, e você sabe que não é a última Lembro disso para você não isolar-se no pranto Falo isso porque te amo, amigo
Sentimentos bons são bons e devem ser lembrados assim Os de agora também devem ser lembrados, não ignorados Você não é só uma flor, você é um mundo de jasmim Você é hortência, a rosa, você é o dia dos namorados Os sentimentos ruins merecem também serem respeitados.
Se ouça, amigo. Crie a calma em seu coração. Bater de asas de beija flor ou qualquer inseto polimerizador não contempla todo um jardim. Você merece muito mais pra si.
Fiz esse texto para um amigo gay preso em um ciclo de baixa autoestima e contínuos relacionamentos falidos. O amor é um jogo, mas para jogar você precisa ser maduro o suficiente.