Solte a corda

Sol forte
Calor miserável
Quero te ver
Te beijar
Te ter
Me dar pra você

Você muito longe
Distante demais para me sentir

As músicas tocam
Eu beijo
Eu danço só
Curto o show
Mas sentido não acho

Vejo o mar
Mergulho e agradeço
Agradeço a vida
Agradeço ao céu
Agradeço pelas pessoas
E sinto sua falta

Sento insalubre
Como uma pipoca
A mensagem chega de um amigo
Vou dar outra chance à festa

Olho o celular
“Solte a corda
Deixe partir”
Um sinal claro para mim
Vejo o sinal sumir

Curto o resto da festa
Me solto mais
Beijo mais
Mas ainda confuso
Calor e suor são comuns
Em meio ao caos absoluto

Quase me fazem esquecer.

Ando de volta para casa
Ando, com fone no ouvido
Ando, sem pensar no caminho
Ando, sem dinheiro
Ando, com receio…

Tomo um susto
Vejo seu amigo
Tomo um susto
Vejo o outro
Entro em desespero
Eu te vejo.

Corro o mais rápido possível
Corro ao som de Girl gone wild
A noite movimentada
As pessoas percebem meu estado
Eu canto adoidado
Canto, para livrar a cabeça
Para me tirar daquele lugar
Para que eu me esqueça

Solte a corda
Deixe partir

Se torna um mantra
De lá até aqui
Repito mil vezes
Repito até me ouvir
Repito na frente de amigos
Repito, até ser claro de ser sentido

Solte a corda
Deixe partir

Solte a corda
Deixe partir

Solte a corda
Deixe…

Partir?

Será que é isso que eu quero?
Será que é a resposta que procuro?
Por que eu não espero apenas um segundo?
Pensamentos incertos
Desejos profundos

O que é amor?

Eu falei que te amo
Porque é verdade e não abro
Mas acho que não interpretamos
Da forma como é esperado

E é esperado que amor seja diferente
Seja esquisito de ser provado
Nunca é o mesmo para o amado
Não pode ser cobrado
Mas pode sim ser decente

A decência depende do entender
Entendimento do que é amar pra mim
Do que é amar para vo-cê
Portando achei necessário escrever aqui

O que é Amar

Bom, primeiro uma analogia
Imagina amigos vivendo
Bebendo de bem com a vida
O conforto de um barco pequeno
O escuro do céu e o mar ao relento
Há muito deram partida
O motor do barco não mais liga
Eles estão longe da costa…
Mas dessa situação tem saída
Vai ser cansativa
A força de ambos vai ser exposta
Para remarem de volta para partida
Mas ao invés de criticarem o culpado
De apontarem o dedo para o mais chato
Eles bebem e choram juntos sobre o fato
E se ajudam juntos a sair daquele barco

Isso é amor

Agora palavras em associação
Por exemplo, amor é relação
Amor é conversa
Amor é experiência diversa
Amor é paciência
Amor é convivência
Amor é memória
Amor é história
Amor é carinho
Amor é fofinho
Amor é limites
Amor são convites
Amor é conhecer
Amor é dar prazer
Amor é liberdade
Amor é cumplicidade
Amor é empatia
Amor é muito, mas não é harmonia

Amor pode doer
Amor pode ser felicidade eterna
Amor pode esmorecer
Ou pode te deixar alerta
Amor deixa cansado
Amor está ao seu lado
Amor pode dizer que você está errado

E Amor pode ir quando for chamado
Pode ir quando quiser
Pode voltar, quando for o caso
Mas avise, se puder

Tem poucas coisas que o amor não é
Amor não é sofrimento
Não é enganação
Não é jogo de palavras
Não é manipulação
Amor não é divertimento de um apenas
Amor não pode ser um esquema
Amor não resiste a problema atrás de problema

Eu infelizmente tenho algo comigo
Quem eu amo, não é esquecido
Eu lembro do meu primeiro amor escolar
Eu lembro do primeiro presente que dei
Foi um colar

Essas pessoas que amei
Às vezes ainda as amo
Ficam dentro de mim
Me provocando, me lembrando
Eu sou uma montagem de quem amo
Dos momentos bons, ruins e medianos

O Rei pode viajar longas distâncias
Conhecer famílias reais
Traçar novos planos
Seu povo continuará em suas terras
E você ainda será meu amo(R)

22 ou 25

Feliz aniversário, Clara.

De todos os leoninos que eu pude ter o prazer de conhecer, você foi a mais literal de todos eles. Sua confiança era inspiradora, assim como sua inteligência, seu esforço. Eu sempre acreditei que você poderia tudo, que você seria a pessoa a abalar o mundo. Não duvidei um segundo sequer disso. E ainda não duvido. Mas infelizmente não tenho como saber como seria. E não tem como mais ser.

Flávia, no aniversário dela, disse que agora ela está mais velha que você e isso me assustou muito porque a gente sempre teve a mesma idade (eu mais velho, claro). Você sempre ao meu lado. A gente sempre juntos. Entre aniversários e trabalhos. Matérias da faculdade e festas.

Hoje no seu aniversário de 25 anos, eu queria te dedicar o mundo. Queria te dedicar meu mestrado. Queria te dedicar uma leitura. Uma caminhada. Queria sair em uma festa. Ou queimar um baseado. Talvez eu o faça em um futuro próximo. Até lá, eu vou manter a promessa de lembrar de você. Eu vou cuidar de nossas lembranças juntos. Eu vou lembrar de sua voz. Das suas coisas que estão comigo e das minhas coisas que lembram você.

Eu sinto muita falta de fofocar contigo. Queria falar sobre como nossos amigos mudaram. Sobre o namorado de Mateus, sobre como Mário tá de tornando um artista foda, sobre o término de Pedro… Queria saber sua opinião sobre tudo. Passar horas ouvindo você falando de World Building, sobre alguém que você não gosta ou uma dificuldade da vida que você estivesse passando. Você estaria se formando em letras esse fim de ano.

Ah, saudade que não passa.

Hoje eu vou passar o dia com Pedro, porque eu acho que é o que você gostaria de fazer. Vamos estudar juntos. Estou em uma fase complicada de minha cabeça, Clara. E espero que você entenda.

Eu continuo te amando, viu?

Continuo muito agradecido por sua presença em minha vida.

Eu hoje me arrependo de como eu fui no seu enterro. Gostaria de ter me comportado melhor. Mas eu também não conseguia pensar. Nem falar direito. Eu estava em surto ali.

Enfim.

Eu sou ateu, o que implica que, para mim, seu cérebro desligou e você derreteu na terra. Mas você não era. Por mais agnóstica que fosse, você tinha uma herança cristã forte. Bom, eu espero muito que você esteja em um lugar bom e agradável, se esse lugar existir. Se não, ao menos que o descanso eterno faça sua existência ser mais agradável para você.

Hoje, eu tenho 25 anos. Pedro tem 25. Mário, Bibs… Flávia tem 23.

E você continua com 22 anos.

Por mais que faça 25.

Qual é o oposto da vida?

Acho injusto que considerem que a gente nasce já sabendo que vamos morrer. Quando me perguntam “o que é a vida?”, eu penso em tudo, inclusive na morte, mas não as vejo como rivais ou opostas. Quando eu era menor, uma criança bem teimosa e criativa, eu não conseguia conceber a ideia de morte. Para mim, morte era algo absurdo demais para ser real.

Meu primeiro contato com morte foi de um amigo de infância meu, Paulo Henrique. Ele era filho de uma amiga da minha mãe, Marlúcia, que tinha adotado o garoto — não através de papéis, mas das ruas mesmo. Ele me ensinou muito do que eu precisava saber sobre as ruas, sobre brincadeiras, pular muro e empinar pipa. Ele morreu atropelado por um caminhão e eu lembro até hoje quando minha mãe me contou. O dia estava nublado e a gente estava indo para a casa de Lúcia. Ela me disse sobre a morte e eu ouvi ela falando os detalhes com outras pessoas. Eu entendia que eu nunca mais poderia falar com Paulo Henrique de novo, o que me deixava muito triste, afinal somente uma criança homem viado sabe o quão é raro outra criança homem te considerar amigo. Eu guardei esse sentimento no meu coração e até hoje eu tenho flashes de memória brincando com ele. A mãe dele passou anos sem se cuidar direito, sem pensar direito, até que conseguiu se erguer. Que tipo de dor é essa que te imobiliza? Que te tira toda vontade de continuar? Mesmo quando morre, a pessoa ainda assim tem um impacto na vida das pessoas. Ela existe enquanto lembrança, enquanto sentimento e afins.

Depois de Paulo Henrique, acompanhei a morte em muitos outros. Alguns que eu não lembro mais, como vizinhos, conhecidos e familiares distantes, outros que eu nunca vou esquecer, como Clara, Ana Tereza, tia Nice, Bizarro e Felipe Gama, mas definitivamente todas essas foram diferentes. Foram estranhas. Foram súbitas e agonizantes. E definitivamente não acabaram no dia de sua morte.

É algo conflitante em mim admitir que eu não vou ter mais lembranças com a pessoa, que eu não vou mais poder ouvir ela falar suas ideias. Não vou mais poder brincar com elas, perturbar, sair junto e enfim. Mas eu aceito isso. É realmente a partida para uma viagem sem volta. Mas quando eu olho a vida dessas pessoas, eu sei que para muitos não significa muito, mas para mim é um infinito. A história de cada uma dessas pessoas é tão interessante, tão intricada, tão bem ajeitada que um universo nela mesma. E é impossível saber das intenções, dos objetivos, aspirações, medos e vícios. O que torna para nós, que ficamos, um mistério insolúvel. Não é como uma casa abandonada, que cai aos pedaços pela falta de moradia, mas como uma foto antiga que sempre tem um detalhe novo que você não tinha visto. 

Claro que eu sinto falta de cada uma dessas pessoas e vou sentir falta das outras que se vão logo logo, esse não é o ponto. O ponto é que toda história tem começo e fim. Isso não faz o começo ser oposto do fim, só é a configuração da história. Se me perguntasse qual é o oposto do começo, seria o não-começar. Se só temos uma vida, se só podemos ter uma expectativa de como as coisas podem se desenvolver, por que escolheríamos não viver nossa vida com o máximo que pudermos, com a intensidade de mil sóis? Cada dia, cada respiro, cada passo mais próximo da morte é um novo dia para viver ainda mais, para ser feliz, para ser triste, para ter azar, para chegar no fundo do poço, para conhecer novas pessoas e fazer amizades. 

A vida não é a morte. A vida é viver até a morte. Como eu posso explicar… Por exemplo: a diferença entre qualquer conto de fada está no desenvolvimento da história. Todos os contos de fada começam, terminam feliz, o protagonista ou a protagonista recebem ajuda, sempre tem vilão ou vilões, enfim. O que difere os contos de fadas são as diferentes trajetórias que os personagens precisam traçar. Todos os começos e finais são parecidos, mas a história é que é importante.

É isto.

Ninguém vai ler mesmo 😎🥰

É tão legal escrever poesias que ninguém nunca vai ler. Eu me sinto um deus do meu próprio mundo. Claro que às vezes eu peço para uma ou outra pessoa que eu me importo leia uma ou outra poesia, mas eu tenho mais de 200 poesias escritas e eu tenho certeza de que ninguém vai ler todas elas.

O curioso é que em cada uma dessas tem meu coração. Tem meus sentimentos. Tem significados. Tem alguns estudos rápidos. Tem esforço e tempo gasto.

Quem, em 2025, lê e escreve poesia?

Eu, eu escrevo. E eu gosto de escrever. Eu descubro mais sobre mim quando eu escrevo. Eu me exponho e desvelo meus medos, minhas crises, meus desejos, minhas maluquices. Eu me sinto um imbecil falando com a parede algumas vezes, mas geralmente eu me sinto acolhido.

Recentemente eu criei o costume de ler minhas próprias poesias. Em parte para me criticar e em parte para entender mais sobre mim. Quando eu escrevo uma poesia, é um pedaço de mim ganhando forma, saindo de mim. Quando eu leio isso de volta, é como revisitar um Ícaro do passado.

Agora especialmente estou com vergonha de mim mesmo por ter tomado algumas escolhas bobas. Por ter levado a sério. Por ter escrito uma poesia tão longa…

Mas, se foi importante para mim escrever tudo aquilo…. Foda-se. E ninguém vai ler mesmo.

Amargurado

Deixei acontecer
Malditos!
Eu deixei acontecer!

Talvez tenha sido a bebida
Ou talvez a erva
Pode ter sido as amizades
Ou então as responsabilidades…

Não, fui eu
Eu deixei o mundo me engolir

Quando adolescente
Escrevi uma história
Que um mundo de monstros
Me seguia mundo afora
O mais estranho
É que eu fazia parte
Do mundo de monstros
Ao mesmo tempo que os monstros
Corriam de mim
Eu corria dele

Deixei o mundo me engolir

E aí o amor não deu certo
E daí que o amor não deu certo?
Então eu perdi o passo da pesquisa
Cadê então aquela força precisa?
A força que sempre tive
Que lutei durante o luto
Que me joguei sozinho contra o mundo

E venci milhares de vezes

Cadê meu Ícaro calejado?
Aquele que nunca precisou ser
Cuidado
O malandro,
Nunca o otário
Aquele que se permite ser desejado

Me sentindo rejeitado
Contrariei as minhas ordens
para ser amado

Criando limites para o outro
Novas diretrizes para mim
Eu me faço com esforço
Argila, carne e osso

Demora tempo
Tenho que ter paciência com isso
O Ícaro antigo não existe mais
E o novo não pode mais existir
Preciso de algo novo
De novo

Me sinto a ouroboros
Num ciclo infinito de meu rostos
Muitos outros Ícaros soltos
Já não tenho mais ideia
De quem sou eu

No entanto não serei mais assim
Amargurado, com medo de mim
Fugindo da sombra de quem fui
A vergonha e o medo não me constitui

Eu sou esperto como o malandro
Sou forte como um furacão
Sou destemido como o punk
Não abaixo a cabeça pra doido não
Sou cuidadoso como o professor
E destruidor como o demônio

Eu fui e sou tudo isso
E eu serei muito mais

Eu me sinto traído por mim mesmo

Parece até piada que o pior inimigo meu tenha sido eu mesmo durante todo esse tempo.

Eu estou me destruindo. Ativamente me destruindo. Em busca de uma felicidade que não existe mais. Respirando um ar desgastado do metal de minhas correntes e delirando liberdade em meio a tolos, ignorantes e homens vis. Fui todos eles.

Resignado a me reduzir em minha própria insignificância, eu pude ser muito mais do que eu imaginava que podia. E continuei imaginando que era menos do que realmente era. Do que sou. Continuamente me degradando por reconhecer apenas esse lugar (o de degradação) como meu,. O único que reconhecia, mas não aquele que realmente eu pertencia.

Se fui plebe, agora sou Príncipe. Se fui michê, ou se ainda sou, agora questiono com poder na minha mão se ainda devo ser.  Devo ser cuidadoso nesse momento. Tão fiel a mim quanto um cão, quanto minha mãe. Tão fiel a mim mesmo quanto a fé que qualquer um tem em mim… Menos eu, pois me traí inúmeras vezes e continuo traindo.

É óbvio que estou triste: eu estou em aceitação pelos piores momentos desses dois anos. Das violências que acometeram a mim e que eu acometi a mim. Das despersonalizações que procurei para deixar de ser eu em momentos difíceis. Dos amigos que me usaram em momentos de fragilidade. Dos homens que se forçaram em meu caminho. 

E é por isso que eu preciso mudar.

Não vai ser de uma hora para a outra. Mas é importante que exista um primeiro passo.

O que mais me incomoda é que eu achava que estava ganhando, e talvez eu tivesse. Eu achava que estava dominando. Eu estava acima daqueles que sexualmente me veneravam. Que falam sobre mim. Que me “enalteciam” ativamente. 

Lobo bobo, foi a ovelha o tempo todo.

Voltemos ao amor

O que é o amor para mim?

Eu tinha tanta dificuldade de pensar sobre amor. Quando pequeno, eu não achava isso importante porque em parte eu achava que era algo natural e que vem instantaneamente, então eu não precisava me preocupar com isso.
Quando eu cresci mais um pouco, percebi que amor é algo que se pode conquistar e brincar. Seria como um objeto que se joga, se rouba, se guarda e se doa.
Ao crescer mais, eu fui descobrindo que o amor está vivo. Ele é criado pelas pessoas. Ele respira, fala, anda e cresce. Ele precisa ser cuidado e precisa de atenção. Quanto maior o amor, maior o trabalho. E, nesse momento, eu me questionei se era bom amar. Se tamanha responsabilidade fazia sentido ter. Pois, por estar vivo, o amor também erra. Ele também machuca. E, quanto maior fica, também mais perigoso fica. Assustado, tranquei meu coração. Nunca sentiria amor de verdade. Essa parte da vida é muito perigosa, que demanda muita responsabilidade. Isso não é para mim

E eu vivi por mim. E vivi muito.
Cruzei mares e rios. Bebi como um louco.
Beijei diversas bocas. Trancei-me com diversos corpos.
Fudi gostoso demais.
Fudi horroroso também, e segui demonstrando ser capaz.
Capaz de viver, de me amar, de simplesmente não pensar na possibilidade de parar para amar.

Mas aí o amor me pegou. Eu percebi que viver é cansativo demais, e demanda uma rede de conforto. Demanda atenção. Demanda carência. Demanda vontade de escrever algo, de cuidar de alguém. De ser presente e lembrado, e de lembrar e presentear.

E então vivi o amor. Intenso como um raio e veloz como tal. O rombo que o raio faz no que toca, o amor deixou em mim. E o fogo que o raio causou… Queimando quase sem fim.

Até que um dia enfim se extinguiu.  E então eu pensei que deveria voltar a quem eu era antes: afinal o amor só se mostrou ser um desvirtuador de objetivos, amargador de bocas, destruidor de corações. É muito poder envolvido. Poder que eu não quero dar de graça. E Air Catcher de Twenty One Pilots que me perdoe, mas confiar não é possível.

Bom, eu pensei assim.
Hoje eu entendo que estou sendo bobo.
Eu amo músicas. Eu amo artistas.
Eu amo as cores do pôr do sol.
Eu amo minha comida. Eu amo comer besteira.
Eu amo passar tempo com amigos.
Eu amo também passar tempo sozinho.
Vendo o mar, escrevendo bobisses, bebendo vinho.
Adoro conhecer gente nova.
E adoro uma loucura.
Eu tenho muitos amores. Eu sou pra sempre meu.
Eu me amo mil e muitas vezes.
E, assim como eu me amo, eu consigo amar os outros. Eu consigo criar amor por arte e por meus amigos.
Por quem é próximo de mim e quer meu bem.
Eu sei que esse amor existe e eu posso confiar nele.

A partir disso, eu sei que também é possível que eu me apaixone. Que eu caia no conto de alguém. Que eu me permita criar algo por alguém que seja bonito e que me deixe feliz. Porque eu não mereço me limitar por conta de nada, nem de meus traumas e nem pelos outros. Porque antes de vos amar, eu me amo. E amo meus amigos. E minhas coisas favoritas.
Meu coração está recheado de amor e eu não posso ter medo ou vergonha disso porque, no final, eu não viverei de verdade.

Vou continuar sendo o Ícaro que não acha que “Amor vence tudo”, mas eu sou também o Ícaro que se permite a amar. Aos poucos.
Aos poucos.
Eu vou me soltando.
E aos poucos.
Aos poucos.
Eu posso amar de novo.

Como estou me sentindo?

Eu me sinto humilhado
Ultrajado por todos aqueles
que estiveram do me lado

Eu me sinto cansado
O passado reflete mais em mim
Do que o presente fato
Já não estou vendo um fim
“Deixai cair os prantos”
Deixo tudo cair

A minha dignidade não está aqui
Eu permaneço ao chão
Pronto para encarar a tempestade
Lâminas e raios por toda parte
Sei qual é a minha função

A batalha acabou de começar
Eu continuo ali sem sair
Recebo os cortes sem reclamar
A dor jamais acabará
Minha função é justamente aguenta-la

Não existe armas para lutar
Não faz sentido machucar amigos
Eu estou preso dentro da agonia
Apenas suportando o impossível
Trocando machucados por simpatia

Entre ser o que não posso ser,
Viver todas as mentiras sobre mim,
Lutar pelo meu próprio viver
Ou ser enganado por amigos chinfrins…

Eu prefiro o isolamento
Prefiro fugir
Não confio em apaziguamento
Não acredito em ninguém aqui

Quero a solitude de meu amor
Meu amor somente comigo
Porque quando eu me machuco só
Eu sei como consertar meu coração
Partido

Sim, eu me sinto só,
Mas não perdido
Há, na solidão
Um ombro amigo

Súplica de amor

Eu gosto da ideia de que meu coração é grande. E de que nós amamos até onde ou quando nosso coração pode chegar com o amor. Recebendo e dando.

Meu coração há muito tempo não absorve o amor que recebe. De fato, venho continuamente desistindo do amor batendo em minha porta. Dos mais belos aos mais toscos, dos mais profundos aos mais rasos, eu fugi de todos, temendo o sofrimento que é amar alguém. Entretanto, ao passo em que eu degustava esses amores, algo sempre ficava para trás, como um quarto vazio acumulando tranqueira, como um coração acumulando espinhos. Tolo, pensei que seria o suficiente para saciar a fome de amor, quando na verdade eu não sentia fome – eu sentia solidão.

Por que eu preciso sofrer ao amar?

Por que o amor tem que significar dor?

A cada mordida em um fruto da árvore do amor, meu coração afundava ainda mais num precipício sem fundo. Tudo, absolutamente tudo, pesava em meu coração, que afundava descompassadamente. As palavras que soavam absurdas eram ditas e as ações que me guiavam eram comedidas.

E, por mais que o tempo passasse, eu não conseguia me acostumar a viver dolorido. Sempre surgia uma fada da esperança em meus ombros me convencendo a confiar, me instigando a não hesitar. Logo mais eu a via voando para longe, rindo em escárnio enquanto eu chorava no banheiro. Afundando em mim mesmo…

Ao toque, espetava como espinhos.

Ao som, agonizava como metal contra metal.

Ao cheiro, embriagava como bêbados.

Ao gosto, azedava como umbu.

Ao olhar, ardia como pimenta.

Do menino que não gostava de usar a palavra “amor” em vão, tornei-me um escravo da paixão. A brincadeira de se envolver sem amar se tornou fácil e acabei desaprendendo a dar significado à palavra por conta de tanto tempo sem usar.

Interesse sem significado, vontades vazias, carne batendo na carne e o calor sem vida.

Sem identidade.

Sem pessoalidade.

Sem amor.

Dentre tantas outras bocas, onde foi que eu perdi meu beijo?

Dentre tantas histórias em que me humilhei, onde eu deixei meu orgulho?

Meu auto cuidado…

Não estava esperando me apaixonar de verdade.
Até você chegar.
E agora eu tenho medo de te perder.
E me afundar de novo.
Eu sei que me coração é grande e sei que ele não tem limites para amar, mas isso não significa muito e não responde as perguntas que fiz até agora. Se puder, eu quero sua paciência. Eu quero sua presença. E te peço por seu amor. Daqui, eu vou me esforçar para desvendar essa infinidade contigo. Para mergulhar no que é novo e, portanto, desafiador.

Isso é muito difícil para mim também, eu quero que entenda que meus sentimentos são de vidro e quebram muito fácil, mas eu vou deixar a guarda baixa e vou te dar as armas para dar xeque em meu coração.

Por favor, não me deixe.