Pedra

Eu sou uma pedra

Eu sinto a força do vento passar
E com ele cheiros
Vejo-o bailar
E até sinto seu jeito me desmontar
Me desfazer
Sinto sua audácia
O caos constrói seu prazer
E para mim, uma pedra
Parece uma mágica
Não posso ser como era

Vejo a chuva cair pertin
Vejo a chuva cair de longe
Brilhando na noite mais quieta
Minando em poças
Minha parede descoberta
Cada gota de água se espatifa em mim
Eu sinto a chuva me molhar
E, por mais que eu ache fantástico
Ela passa e eu digo “por mim”
Não me deixo levar…

Logo vem o sol secar
Pode ser hoje ou pode demorar
Pode ser fraco e claro
Como uma luz a guiar a lucidez
Pode ser forte e miserável
Como o calor que quebra qualquer rigidez
O sol é inevitável
Imaculável
E Adorável
Limpa as nuvens
Limpa a mim
Queima a vida
Me faz crescer
E também diminuir

Eu não aguento tanta mudança
Começo a partir
Pedaços caem de cima
Pedaços rochosos de quem fui um dia
Agora desconexos,
sem sentido,
por aí

E quando eu perco uma parte
Continuo sendo eu
Ou só metade?
Se as maiores maravilhas me mudam
Me moldam à sua vontade
Que destino terei eu,
Uma pedra,
Em meio a tantas vaidades?
E se eu não sou aquelas pedras
Desgarradas,
Se eu sou este monólito
Forte e sem graça,
Quem será eu quando a força se esvair
E não sobrar nem a desgraça?

Seria fácil falar que não valho nada
Seria muito lógico dizer que não tem saída
Nessa estrada
Ah, seria muito bom acabar a vida com razão
Por ter votado e construído a própria
Tragédia suplicada
Silenciosa em meio à beleza geográfica

Eu continuo pedra.
Não é como se não tivesse sido sedimento
Não é como se não tivesse tido momentos
Sentimentos confusos e perdidos
Rolado sem rumo
Batido de pedras em pedras em pedras….
Sem caminho

O tempo vai me desgastar
Me transformar em algo novo
Seja a chuva, o vento, o sol
Ou um humano louco
Eu vou mudar o tempo todo

Por mais que eu não queira
Por mais que pedra eu seja
Enquanto eu existir
Preciso deixar meus pedaços caírem

Deixar a chuva minar minha máscara
Deixar o sol queimar minha capa
Deixar o vento levar o que antes foi
Minha alma

22 ou 25

Feliz aniversário, Clara.

De todos os leoninos que eu pude ter o prazer de conhecer, você foi a mais literal de todos eles. Sua confiança era inspiradora, assim como sua inteligência, seu esforço. Eu sempre acreditei que você poderia tudo, que você seria a pessoa a abalar o mundo. Não duvidei um segundo sequer disso. E ainda não duvido. Mas infelizmente não tenho como saber como seria. E não tem como mais ser.

Flávia, no aniversário dela, disse que agora ela está mais velha que você e isso me assustou muito porque a gente sempre teve a mesma idade (eu mais velho, claro). Você sempre ao meu lado. A gente sempre juntos. Entre aniversários e trabalhos. Matérias da faculdade e festas.

Hoje no seu aniversário de 25 anos, eu queria te dedicar o mundo. Queria te dedicar meu mestrado. Queria te dedicar uma leitura. Uma caminhada. Queria sair em uma festa. Ou queimar um baseado. Talvez eu o faça em um futuro próximo. Até lá, eu vou manter a promessa de lembrar de você. Eu vou cuidar de nossas lembranças juntos. Eu vou lembrar de sua voz. Das suas coisas que estão comigo e das minhas coisas que lembram você.

Eu sinto muita falta de fofocar contigo. Queria falar sobre como nossos amigos mudaram. Sobre o namorado de Mateus, sobre como Mário tá de tornando um artista foda, sobre o término de Pedro… Queria saber sua opinião sobre tudo. Passar horas ouvindo você falando de World Building, sobre alguém que você não gosta ou uma dificuldade da vida que você estivesse passando. Você estaria se formando em letras esse fim de ano.

Ah, saudade que não passa.

Hoje eu vou passar o dia com Pedro, porque eu acho que é o que você gostaria de fazer. Vamos estudar juntos. Estou em uma fase complicada de minha cabeça, Clara. E espero que você entenda.

Eu continuo te amando, viu?

Continuo muito agradecido por sua presença em minha vida.

Eu hoje me arrependo de como eu fui no seu enterro. Gostaria de ter me comportado melhor. Mas eu também não conseguia pensar. Nem falar direito. Eu estava em surto ali.

Enfim.

Eu sou ateu, o que implica que, para mim, seu cérebro desligou e você derreteu na terra. Mas você não era. Por mais agnóstica que fosse, você tinha uma herança cristã forte. Bom, eu espero muito que você esteja em um lugar bom e agradável, se esse lugar existir. Se não, ao menos que o descanso eterno faça sua existência ser mais agradável para você.

Hoje, eu tenho 25 anos. Pedro tem 25. Mário, Bibs… Flávia tem 23.

E você continua com 22 anos.

Por mais que faça 25.

Comunique-se comigo

Fale
Fale algo
Fale muito
Fale alto

Grite!
Grite ao mundo!
Grite muito,
Muito alto
Grite o que pensa de fato

Conte
Conte tudo
Conte os absurdos
Conte aos vagabundos
Conte a mim
Conte comigo no seu futuro

E cante
Cante no palco
Cante só
Cante descalço
Cante nu
Encha o espaço
Cante até cansar

E então descanse
Deite-se
Se balance
Até o sono chegar
Embalando o coração
Entregando às mãos
de Morfeu

E quando acordar
Sinta
Sinta o sol
Sinta meu dedos enrolados aos seus
Se sinta em um nó
Sinta o calor do meu corpo
Sinta o sabor de meu gosto
Se sinta só, se preferir
Mas me fale
Para que eu possa ir

E, quando achar melhor,
Volte a falar.
Fale, mesmo com medo
Fale, mesmo irritado
Fale tudo que estiver entalado
Volte e fale o que tem receio
Fale de seus defeitos
Fale dos meus trejeitos
Fale do amor e do ódio a mim
Mas fale comigo, querubim

Nem que seja uma mensagem à toa
Fale mesmo estando rouco
Grite se quiser gritar
Bote pra fora sem nem me olhar
Conte sua versão da história
Julgarei os vilões ou heróis
A partir dessa construção nossa

Você precisa falar!
Precisa se expôr
Precisa acreditar em mim
Eu quero ser seu amor

As mentiras quebram pontes
E as omissões escurecem mapas
Eu corro para te achar
Uso meus poderes
Mas nada acha
Nada acha

Paro então de seguir
Fecho os olhos e concentro
Procuro por sua voz
Ecoando de fora pra dentro
Ecoando de volta pra mim

Eu a acho?

*sem nome*

Abraços
Amassos
Beijos e laços
Puxo pra perto
Eu te falo que quero
Cada vez sem espaço
Entre nós
Voz que cala o mundo
Profundo eu mergulho
Em nós
Minha cabeça é em turbo
100m/s
Você faz desacelerar
Me puxa no seu peito
Me aperta
Não me deixa escapar
Acerta em cada toque
Você bate
Eu peço “mais forte”
Eu derreto em aço
E você que me forge
Ou eu te forjo
Nas minas de minha cama
Com o calor de nosso amor
nunca espadas recém lustradas
Lutaram com tanto louvor
A luta de nossas vidas
Umas vindas, umas idas
Espadas libertas, divertidas
Aço contra aço
Suor escorre,
vidro embaçado
Lá fora frio
Aqui ainda está quente
E apertado
Sinto o furor subir do meu lado
Grito baixo,
Te beijo abaixado
Um beijo bem babado
Respiro fundo
E me sinto felizmente
derrotado

Após o beijo babado
Eu te olho
Você me olha
Ficamos abraçados
E eu peço a deus
Peço à deusa
Peço às forças da natureza
Que nunca me tirem desse laço
Que não me tirem de seus braços
Que não te tirem de meus braços
E, por aquele segundo
É infinito.

Faz tempo que isso não acontece

Me veio a mente uma besteira
Uma coragem desesperada
Disfarçada de brincadeira
Me deixando
Todo sem graça

Me veio a mente uma vontade-e
sanguinária
Um desejo que me cala
Que sufoca todos os outros
Me fazendo indisposto
Eternamente indisposto

Não tenho mais aonde ir
Ou o que mais a fazer
Eu não quero me iludir
Achando que posso vencer

Eu não tenho fogo,
A vontade
Perdi meu sol
Em outra viagem

E quando mais estreito
os olhos
Mais eu fico
Feliz de verdade

A minha vida é fácil
(E como é fácil)
É sim, eu sei
Eu não dependo de pai ou mãe
Não dependo
De amigo ou ex
Não vejo sorte nessa fortuna
Tudo isso fui eu que me dei

Mas se eu fosse bom assim
Saberia dizer se era minha vez…

O ar parece pesado-o-o-o
Não sinto a pressão
Meu coração bate alto-o-o-o
Mas nenhuma emoção

O pingo chega a marejar
Mas não me comovo

Ele escorre do meu olho
E molha a barba
Fico sem graça,
Mas não me comovo

Ouço por aí que sou tolo
Que sofro de bobo
Que a vida tem o melhor dos gostos

Mas eu não me comovo

A vontade de descansar é muita
Jogar a toalha
Desistir da labuta

Mas eu prometi que não o faria
Eu sei que vou ter meu dia

Fecho os olhos hoje
Imaginando como seria

Não acordar

———————————————————

Eu pensei no ritmo de “Eu tenho um nome a zelar”, de Seu Pereira e Coletivo 401. Eu não sinto esse ímpeto faz anos. Ontem ele comeu minha cabeça até eu dormir.

Não vou pra lugar algum até que eu consiga ver meu trabalho concluído aqui. Seja ele o que for.

Paródia de “Eu preciso dizer que te amo” de Cazuza com Bebel Gilberto

Quando a gente conversa
Falando cada besteira…
Tanta coisa incomum…
(Pouca coisa em comum)
Espalhando segredos

Certos medos escapam dos dedos
Mas me protejo,
Me protejo

É que eu preciso esquecer que te amo
Procurar por você não ha ganho
Eu preciso esquecer que te amo
Tanto…

E até o tempo passa acanhado
Só de estar ao seu lado
Choramos dores de amor
Mas também muitos sorrisos
E amigos…

Nos abrimos pro céu, descobrindo
O paraíso, e foi lindo…

Mas eu preciso esquecer que te amo
Te ganhar ou te ver é engano…
Eu preciso esquecer que te amo
Tanto…

Quando eu vejo falhando…
Ah, é uma estranheza…
Lembrando algumas falas tuas,
Uma canseira…
Abro a capa de meu livro,
Ninguém respeita…
E quando eu falo de você,
Só vejo estrela…
Mas você não as vê em mim
Nem quer vê-las…

Eu preciso esquecer que te amo
Não consigo te ver em meus planos…
Eu preciso esquecer que te amo
Tanto…

É que eu preciso esquecer que te amo
Não posso duvidar do que somos
Eu preciso esquecer que te amo
Tanto…

Qual é o oposto da vida?

Acho injusto que considerem que a gente nasce já sabendo que vamos morrer. Quando me perguntam “o que é a vida?”, eu penso em tudo, inclusive na morte, mas não as vejo como rivais ou opostas. Quando eu era menor, uma criança bem teimosa e criativa, eu não conseguia conceber a ideia de morte. Para mim, morte era algo absurdo demais para ser real.

Meu primeiro contato com morte foi de um amigo de infância meu, Paulo Henrique. Ele era filho de uma amiga da minha mãe, Marlúcia, que tinha adotado o garoto — não através de papéis, mas das ruas mesmo. Ele me ensinou muito do que eu precisava saber sobre as ruas, sobre brincadeiras, pular muro e empinar pipa. Ele morreu atropelado por um caminhão e eu lembro até hoje quando minha mãe me contou. O dia estava nublado e a gente estava indo para a casa de Lúcia. Ela me disse sobre a morte e eu ouvi ela falando os detalhes com outras pessoas. Eu entendia que eu nunca mais poderia falar com Paulo Henrique de novo, o que me deixava muito triste, afinal somente uma criança homem viado sabe o quão é raro outra criança homem te considerar amigo. Eu guardei esse sentimento no meu coração e até hoje eu tenho flashes de memória brincando com ele. A mãe dele passou anos sem se cuidar direito, sem pensar direito, até que conseguiu se erguer. Que tipo de dor é essa que te imobiliza? Que te tira toda vontade de continuar? Mesmo quando morre, a pessoa ainda assim tem um impacto na vida das pessoas. Ela existe enquanto lembrança, enquanto sentimento e afins.

Depois de Paulo Henrique, acompanhei a morte em muitos outros. Alguns que eu não lembro mais, como vizinhos, conhecidos e familiares distantes, outros que eu nunca vou esquecer, como Clara, Ana Tereza, tia Nice, Bizarro e Felipe Gama, mas definitivamente todas essas foram diferentes. Foram estranhas. Foram súbitas e agonizantes. E definitivamente não acabaram no dia de sua morte.

É algo conflitante em mim admitir que eu não vou ter mais lembranças com a pessoa, que eu não vou mais poder ouvir ela falar suas ideias. Não vou mais poder brincar com elas, perturbar, sair junto e enfim. Mas eu aceito isso. É realmente a partida para uma viagem sem volta. Mas quando eu olho a vida dessas pessoas, eu sei que para muitos não significa muito, mas para mim é um infinito. A história de cada uma dessas pessoas é tão interessante, tão intricada, tão bem ajeitada que um universo nela mesma. E é impossível saber das intenções, dos objetivos, aspirações, medos e vícios. O que torna para nós, que ficamos, um mistério insolúvel. Não é como uma casa abandonada, que cai aos pedaços pela falta de moradia, mas como uma foto antiga que sempre tem um detalhe novo que você não tinha visto. 

Claro que eu sinto falta de cada uma dessas pessoas e vou sentir falta das outras que se vão logo logo, esse não é o ponto. O ponto é que toda história tem começo e fim. Isso não faz o começo ser oposto do fim, só é a configuração da história. Se me perguntasse qual é o oposto do começo, seria o não-começar. Se só temos uma vida, se só podemos ter uma expectativa de como as coisas podem se desenvolver, por que escolheríamos não viver nossa vida com o máximo que pudermos, com a intensidade de mil sóis? Cada dia, cada respiro, cada passo mais próximo da morte é um novo dia para viver ainda mais, para ser feliz, para ser triste, para ter azar, para chegar no fundo do poço, para conhecer novas pessoas e fazer amizades. 

A vida não é a morte. A vida é viver até a morte. Como eu posso explicar… Por exemplo: a diferença entre qualquer conto de fada está no desenvolvimento da história. Todos os contos de fada começam, terminam feliz, o protagonista ou a protagonista recebem ajuda, sempre tem vilão ou vilões, enfim. O que difere os contos de fadas são as diferentes trajetórias que os personagens precisam traçar. Todos os começos e finais são parecidos, mas a história é que é importante.

É isto.

Força da natureza

Eu não preciso ser o diabo
Eles se destroem ante meu tato
Eu não preciso tornar a vida deles um inferno
Não me importo para o desespero eterno
Eu quero o sentimento do trabalho bem feito
Bem acabado

Eu não preciso lidar com machos
Servem para diversão, para esculachos…
Sou feito de aço inoxidável
Eu não racho
Por que estou com tanto medo desses viados???

Eu não preciso me odiar
Por não entender sentimentos
Eles florescem daqui de dentro
E transbordam à fora ao chorar

Sim, eu posso chorar
E choro mais mil vezes se preciso
Eu sinto dor, eu recebo o tiro
Eu me curo, eu me retiro
Eu crio meu próprio lar
Meu próprio abrigo

Não sou tampouco um morto
Eu respiro, eu vivo, eu morro
Todos os dias, de novo e de novo
Eu sou o algoz e eu sou o casulo
Estou dentro de um ovo procurando
Um início oportuno

Eu esqueci que sou poderoso
Eu sou mais forte que o Estado
Eu sou as ruas, eu ando por todo lado
Respiro a vida de cada coitado que vive jogado nos cantos
Sou cada canto de cada cansaço que sobreviveu a mais um dia

Sou artista, antifascista
Sou mais do que essa poesia
Porra, eu não sou magia.
Eu sou ato.

Sou minha desgraça
E de quem se colocar no meu caminho
Sou a miséria imediata
Daquele que me enfrenta sozinho

E, se trouxer mais gente,
Vai ficar perdido
Colocou vocês em transe
Fodo a mente e pego a primeira saída

Eu esqueci que eu sou meu guia
Das estradas que forja sou eu
Dos milhares de caminhos trilhados
Todos meus
Assegurando que ninguém me seguia
Com uma vela na mão
e na outra
minha companhia

Somente eu posso realizar minha pesquisa

E eu posso fazer isso fácil
Sou o trono da rainha
Se existe o poder, sou eu que faço
Se existe alguma simbologia
É porque eu existo
E dou sentido para tudo isso

I’m a wanderess
I’m a one-night stand
Don’t belong to no city
Don’t belong to no man
I’m a violence in the pouring rain

I’m a hurricane


Por que eu estou rodando em círculos? Feito urubu querendo carniça. Por que eu estou agindo como se homens definissem minha vida? Eu sou uma FORÇA DA NATUREZA! Eu sou um furacão. Eu sou um terremoto. Eu ando e eles elogiam. Eu nem preciso falar para eles saberem que estão errados. Eles babam para chegar perto de mim. Eu sou mais que divino, eu sou transcendental. Imparável, eu sou uma ideia sendo pensada. Eu sou imaterial, incomprável, inadquirível. Eu sou invencível.

Hurricane – Halsey me faz me sentir assim. Recentemente eu li a música inteira e percebi que ela não é tão boa assim, mas o refrão ainda me compra muito.

Confusão dos amores

Me molha o biscoito
Isso, apenas mais um pouco
Deixa o biscoito desmanchar
Me devora olhando no meu olhar
Preenche meu peito nervoso
Angustiado
Tremendo ante o prazer de te sentir tocar
Te sentir chegar perto e me pegar
Quero sentir você feliz
Quero sentir você

Eu já te vi em ação
Tive minutos, horas
Dias em suas mãos
Eu tento abrir uma competição
Disputo o poder
Espero sua reação
Quem olha de fora
Vê batalhando um lobo
E um leão
Claro que no fim eu me rendo
Essa não é uma questão…

A força de uma paixão
Tão simples e inevitável
Tão bonita e tão frágil
Tão doce como melaço
Derretendo na boca
Deixando a loucura mais louca
O impossível ser piada
As estrelas serem abaixadas
Só para que possamos tocar

Mas hoje eu não sinto nada
Eu não vejo as estrelas
E o melaço não parece doce
A loucura me subiu à cabeça
E o impossível?
Virou impossível e acabou-se

Tenho medo de estar negando o amar
De ter considerado a paixão máxima
Como a única forma de celebrar
Mas quando a paixão de doce
Vira ácida
E quando sua função parece secundária

Será que existe amor aí?

Eu odeio me sentir exposto
Vulnerável, aberto, bobo
Mas não me importo com isso
Se o preço de amar requerer certos sacrifícios

Tudo bem, eu consigo
Mas poxa, eu queria ser também preferido
O sexo não me enche com a atenção
Que eu preciso
E, mesmo quando há a ideia de sexo
me faz preterido…?

Que amor é esse em seu peito?
Em seu ouvido?
Que sentimento é esse?
Que eu estou sentindo?

Eu deveria estar recindindo?
Talvez uma distância dê sentido

É… Eu preciso estar sozinho

Ninguém vai ler mesmo 😎🥰

É tão legal escrever poesias que ninguém nunca vai ler. Eu me sinto um deus do meu próprio mundo. Claro que às vezes eu peço para uma ou outra pessoa que eu me importo leia uma ou outra poesia, mas eu tenho mais de 200 poesias escritas e eu tenho certeza de que ninguém vai ler todas elas.

O curioso é que em cada uma dessas tem meu coração. Tem meus sentimentos. Tem significados. Tem alguns estudos rápidos. Tem esforço e tempo gasto.

Quem, em 2025, lê e escreve poesia?

Eu, eu escrevo. E eu gosto de escrever. Eu descubro mais sobre mim quando eu escrevo. Eu me exponho e desvelo meus medos, minhas crises, meus desejos, minhas maluquices. Eu me sinto um imbecil falando com a parede algumas vezes, mas geralmente eu me sinto acolhido.

Recentemente eu criei o costume de ler minhas próprias poesias. Em parte para me criticar e em parte para entender mais sobre mim. Quando eu escrevo uma poesia, é um pedaço de mim ganhando forma, saindo de mim. Quando eu leio isso de volta, é como revisitar um Ícaro do passado.

Agora especialmente estou com vergonha de mim mesmo por ter tomado algumas escolhas bobas. Por ter levado a sério. Por ter escrito uma poesia tão longa…

Mas, se foi importante para mim escrever tudo aquilo…. Foda-se. E ninguém vai ler mesmo.