Por quantas terras intransitáveis
Eu já passei
E por quantos mares tempestuosos
Eu já nadei
Para ter o gosto de você de novo
Na minha boca
Derretendo feito manteiga
Firme como a carne mais suculenta
Quente como o jantar sobre a mesa
Ah, que desejo eu tenho
Viver no mundo onde posso desejar
Infelizmente o real deixa impossível
Alcançar
Besteira minha
Melhor deixar como está
Deixar o desejo em meio ao mar
Não mais andar o caminho até lá
Devo esquecer que te amo
Te ganhar e te ter é engano…
Preciso esquecer que te amo
Tanto…
Tag: Portuguese
Fogo e Carne
Existe um fogo dentro de mim
E Ele mareja meus olhos
Eu não paro de tossir
É um fogo com propósito
Um fogo fácil de admitir
Ele queima por dentro
Por fora e tudo que vier
Por aí
Ele me entoxica
A garganta fecha na hora
Mas eu não paro de sorrir
Me devorar o calor adora
O fogo queima da garganta
À alma, que amansa, descansa e
Espanta qualquer um que apague
A chama que cresce por aqui
Por mais que o fogo tome tudo
Tome o fôlego,
tome conta de mim
Eu manejo o controle
E queimo sem me deixar ferir
Claro que exige prática
O cheiro de queimado não é tão…
Ruim…
Mas quando tudo é quente
O frio parece congelar todo o mundo
E o gelo parece não ter fim…
Pois eu me ponho disposto
E queimo a todo gosto
Queimo,
até as cinzas queimarem de novo
Queimo,
Para provar todo seu fogo
É doloroso
Mas não é imposto
Aceito a dor e faço dela arte
Seja fogo, serei sua carne
Desesmorecendo
Eu preciso recomeçar
Preciso de um novo lar
Pensar em como prosseguir
O que vem depois daqui
O ar não entra nos pulmões
É a ansiedade, não secreções
Eu sei disso e não controlo
Fico inerte e depois eu choro
Muito fácil falar para ser melhor
Posso escrever milhares destas
Difícil é mudar/crescer por si só
Nunca será como eu quero
E quando for dessa forma
O marasmo será eterno.
Inimigo inigualável
Acordo ou durmo
Já não tenho certeza
A dura realidade fatia minha cabeça
Comprometendo meus pensamentos
Fazendo com que eu enlouqueça
O tempo é uma piada de mau gosto
Levanto quando me é bem proposto
Escovo os dentes, lavo o rosto
Olho o espelho, vejo o desgosto
Vejo a agonia abafada na garganta
Vejo as nuvens que obstruem a mudança
Silencio as vozes do medo
Não tenho mais forças para vence-las
Deito em meu leito
Eterno desfecho
E evito ao máximo percebe-las
A janela anuncia a claridade
A janela anuncia a escuridão
Elas mudam à plena vontade
E não me dizem muito não…
Eu continuo na roda da tortura
Seguindo uma rotina de destruição
A minha maior aventura
É afastar quem me dá a mão
Levanto de novo e de novo estagnado
Uma hora ou um dia passaram
A fome se devora sem nem um prato
O vazio enche minha mente
Comidas nunca alimentaram o ego
Fragilizado
E há atividade para cuidar
Ler, escrever e me esforçar
Nah, vou deixar tudo pra lá
Já não tenho nada pra provar
E, se tenho, estão certos em duvidar
E para quê lutar??
Tudo não parece fazer sentido
As cores perderam o tom
Escrever sobre sentimentos é cansativo
É melhor (me) largar de mão
Deixa definhar na escuridão
do quarto
Não existe mais solução
pro meu caso
Acho que é algo psicológico
mas não me trato
Por que não fala logo o óbvio?
se faz de coitado
Prefere a piedade dos outros
e ser maltratado
Ao invés de apontar monstros,
tornou-se um
Inimigo inigualável
Como estou me sentindo?
Eu me sinto humilhado
Ultrajado por todos aqueles
que estiveram do me lado
Eu me sinto cansado
O passado reflete mais em mim
Do que o presente fato
Já não estou vendo um fim
“Deixai cair os prantos”
Deixo tudo cair
A minha dignidade não está aqui
Eu permaneço ao chão
Pronto para encarar a tempestade
Lâminas e raios por toda parte
Sei qual é a minha função
A batalha acabou de começar
Eu continuo ali sem sair
Recebo os cortes sem reclamar
A dor jamais acabará
Minha função é justamente aguenta-la
Não existe armas para lutar
Não faz sentido machucar amigos
Eu estou preso dentro da agonia
Apenas suportando o impossível
Trocando machucados por simpatia
Entre ser o que não posso ser,
Viver todas as mentiras sobre mim,
Lutar pelo meu próprio viver
Ou ser enganado por amigos chinfrins…
Eu prefiro o isolamento
Prefiro fugir
Não confio em apaziguamento
Não acredito em ninguém aqui
Quero a solitude de meu amor
Meu amor somente comigo
Porque quando eu me machuco só
Eu sei como consertar meu coração
Partido
Sim, eu me sinto só,
Mas não perdido
Há, na solidão
Um ombro amigo
Quatro passos
Um passo a frente
Eu não acredito
Faço piada com tudo que digo
Já que (com) todos foi igual
Você não pode ser diferente
Mais um passo
E eu vacilo
Erros servem para ser cometidos
Mas eu gero cansaço
Estimulo o fracasso
Auto-saboto o meu caso
E um passo a mais
Já não mostrei que não sou capaz?
Ninguém deve amor a mim
Não terei companhia jamais
Proíbo que caminhe assim
Siga os sinais e proteja-te
Quando chega o quarto passo
O passo mais longo e demorado
O passo que é dado pelo amor de fato
Eu não resisto e me abro
Solto demônios, deuses, diabos
Todos livres e declarados
Ansiando estar ao teu lado
A barragem começa a rachar
Deixando meus sentimentos a jorrar
E nessa loucura viva na cabeça
Você me pede para que te esqueça
Remendo a barragem
E seco os sentimentos com a mão
Pedindo para você perdão
Rezando para encontrar solução
Mas não
Não é falta de coragem
É não ver vantagem
Não é sobre perdão ou gratidão
Sou uma perda de futuro
Não sou suficientemente maduro
Nunca houve construção
É só a foda que nos mantém
Juntos
Agora que de novo levanto os muros
E desfaço os passos dados
Penso sobre meus amados
E entendo que é melhor partir
Colando as partes que deixei por aí
Do meu coração
Que se fragmenta a ruir
Súplica de amor
Eu gosto da ideia de que meu coração é grande. E de que nós amamos até onde ou quando nosso coração pode chegar com o amor. Recebendo e dando.
Meu coração há muito tempo não absorve o amor que recebe. De fato, venho continuamente desistindo do amor batendo em minha porta. Dos mais belos aos mais toscos, dos mais profundos aos mais rasos, eu fugi de todos, temendo o sofrimento que é amar alguém. Entretanto, ao passo em que eu degustava esses amores, algo sempre ficava para trás, como um quarto vazio acumulando tranqueira, como um coração acumulando espinhos. Tolo, pensei que seria o suficiente para saciar a fome de amor, quando na verdade eu não sentia fome – eu sentia solidão.
Por que eu preciso sofrer ao amar?
Por que o amor tem que significar dor?
A cada mordida em um fruto da árvore do amor, meu coração afundava ainda mais num precipício sem fundo. Tudo, absolutamente tudo, pesava em meu coração, que afundava descompassadamente. As palavras que soavam absurdas eram ditas e as ações que me guiavam eram comedidas.
E, por mais que o tempo passasse, eu não conseguia me acostumar a viver dolorido. Sempre surgia uma fada da esperança em meus ombros me convencendo a confiar, me instigando a não hesitar. Logo mais eu a via voando para longe, rindo em escárnio enquanto eu chorava no banheiro. Afundando em mim mesmo…
Ao toque, espetava como espinhos.
Ao som, agonizava como metal contra metal.
Ao cheiro, embriagava como bêbados.
Ao gosto, azedava como umbu.
Ao olhar, ardia como pimenta.
Do menino que não gostava de usar a palavra “amor” em vão, tornei-me um escravo da paixão. A brincadeira de se envolver sem amar se tornou fácil e acabei desaprendendo a dar significado à palavra por conta de tanto tempo sem usar.
Interesse sem significado, vontades vazias, carne batendo na carne e o calor sem vida.
Sem identidade.
Sem pessoalidade.
Sem amor.
Dentre tantas outras bocas, onde foi que eu perdi meu beijo?
Dentre tantas histórias em que me humilhei, onde eu deixei meu orgulho?
Meu auto cuidado…
Não estava esperando me apaixonar de verdade.
Até você chegar.
E agora eu tenho medo de te perder.
E me afundar de novo.
Eu sei que me coração é grande e sei que ele não tem limites para amar, mas isso não significa muito e não responde as perguntas que fiz até agora. Se puder, eu quero sua paciência. Eu quero sua presença. E te peço por seu amor. Daqui, eu vou me esforçar para desvendar essa infinidade contigo. Para mergulhar no que é novo e, portanto, desafiador.
Isso é muito difícil para mim também, eu quero que entenda que meus sentimentos são de vidro e quebram muito fácil, mas eu vou deixar a guarda baixa e vou te dar as armas para dar xeque em meu coração.
Por favor, não me deixe.
Luto, dor e saudade
E os dias passam inclementes
Quem disse que o tempo cura
Ou só morreu com a dor imatura
Ou não sofreu o suficiente
A dor está no subconsciente
Vicejando em minha mente
Espreitando em meu ouvido
Mudo rapidamente de sentido
Se em uma hora feliz sorrio
Na outra hora lembro do vazio
Se esqueço da dor no momento
Aflora no meu peito desagradável
Sentimento
“Sinta tudo que puder, amigo
Não esconda o que sente.
É a melhor forma do presente
De criar para si um abrigo”
Mas eu não consigo
Talvez amanhã eu acorde bem
O mundo esteja girando de novo
E eu siga o fluxo também
Talvez amanhã eu acorde triste
E não consiga prosseguir
Por mais rápido que o mundo gire
A noite
A música em ritmo viciado
Em meu lado, o casal quase formado
O outro a galera falando do mundo
E não salva uma bendita alma
Que aos olhos de Deus seriam salvas
Aqui as línguas acham o absurdo
Por favor que os deixem no mudo
O mundo quieto merece seu prestígio
Talvez só eu que seja meio vazio
A noite permanece longa e hostil
Cambaleio pela rua entre bebidas,
Entre os meninos encantadores
Entre as mulheres tão bonitas
No bar está tocando “Flores”
Entre os goles, aos montes
Esvazio a garrafa de plástico
Antes continha vinho ácido
Agora ele desce minha garganta
Ainda tenho sede de dança
Entro em um frenesi louco
Ponho meus passos pra jogo
O mundo se enche de alegria
Por mais que eu esteja triste
Nunca fui uma pessoa sozinha
Também não sou um desistente
Eu sigo em frente, eu passo a linha
Eu convido para dançar um rapaz
Atraente
E ele dá um passo para trás
Olha para o lado, vê mais dois
Iguais
Riem de mim por terem pena
Pena por dançar, lindinho?
Volto para a pista e disfarço a cena
Às vezes é melhor estar sozinho
E a noite serve para isso apenas
Acalantar-me com um vinho
Esquecer-me de ontem e amanhã
Enlouquecermo-nos até de manhã
E quando chega o sol
Mostrando as vergonhas para nós
Recomeçamos rindo sós
Na cabeça só memórias boas
Limpeza que só a noite faz
Ainda amo os malditos…
Tolice a minha acreditar em algum homem
Que ve o mundo numa lente disforme
Entenderiam a complexidade multiforme
De sentir o que puder por outros homens…
Sinto-me encapsulado numa outra realidade
Corro atrás de meus sentimentos quanto posso
Sou aberto, claro, direto para não faltar vontade
Mas assusto aqueles que eu me esforço
Talvez eu esteja errado nisso tudo que faço
Eu não deveria me expor tanto como ajo
Ou penso ou falo
Mas eu sei que meu coração é puro e valoroso
E isso é o suficiente para eu tentar de novo
E de novo e de novo
Até eu esquecer o quão está sendo doloroso
Ah… Todo esse martírio por reciprocidade
Até que eu enxergue nesse mar de crítica e vaidade
Alguma forma de respeito pela minha verdade
Rindo, eu ainda amo os malditos