Eu me sinto humilhado
Ultrajado por todos aqueles
que estiveram do me lado
Eu me sinto cansado
O passado reflete mais em mim
Do que o presente fato
Já não estou vendo um fim
“Deixai cair os prantos”
Deixo tudo cair
A minha dignidade não está aqui
Eu permaneço ao chão
Pronto para encarar a tempestade
Lâminas e raios por toda parte
Sei qual é a minha função
A batalha acabou de começar
Eu continuo ali sem sair
Recebo os cortes sem reclamar
A dor jamais acabará
Minha função é justamente aguenta-la
Não existe armas para lutar
Não faz sentido machucar amigos
Eu estou preso dentro da agonia
Apenas suportando o impossível
Trocando machucados por simpatia
Entre ser o que não posso ser,
Viver todas as mentiras sobre mim,
Lutar pelo meu próprio viver
Ou ser enganado por amigos chinfrins…
Eu prefiro o isolamento
Prefiro fugir
Não confio em apaziguamento
Não acredito em ninguém aqui
Quero a solitude de meu amor
Meu amor somente comigo
Porque quando eu me machuco só
Eu sei como consertar meu coração
Partido
Sim, eu me sinto só,
Mas não perdido
Há, na solidão
Um ombro amigo
Tag: poem
Luto, dor e saudade
E os dias passam inclementes
Quem disse que o tempo cura
Ou só morreu com a dor imatura
Ou não sofreu o suficiente
A dor está no subconsciente
Vicejando em minha mente
Espreitando em meu ouvido
Mudo rapidamente de sentido
Se em uma hora feliz sorrio
Na outra hora lembro do vazio
Se esqueço da dor no momento
Aflora no meu peito desagradável
Sentimento
“Sinta tudo que puder, amigo
Não esconda o que sente.
É a melhor forma do presente
De criar para si um abrigo”
Mas eu não consigo
Talvez amanhã eu acorde bem
O mundo esteja girando de novo
E eu siga o fluxo também
Talvez amanhã eu acorde triste
E não consiga prosseguir
Por mais rápido que o mundo gire
A noite
A música em ritmo viciado
Em meu lado, o casal quase formado
O outro a galera falando do mundo
E não salva uma bendita alma
Que aos olhos de Deus seriam salvas
Aqui as línguas acham o absurdo
Por favor que os deixem no mudo
O mundo quieto merece seu prestígio
Talvez só eu que seja meio vazio
A noite permanece longa e hostil
Cambaleio pela rua entre bebidas,
Entre os meninos encantadores
Entre as mulheres tão bonitas
No bar está tocando “Flores”
Entre os goles, aos montes
Esvazio a garrafa de plástico
Antes continha vinho ácido
Agora ele desce minha garganta
Ainda tenho sede de dança
Entro em um frenesi louco
Ponho meus passos pra jogo
O mundo se enche de alegria
Por mais que eu esteja triste
Nunca fui uma pessoa sozinha
Também não sou um desistente
Eu sigo em frente, eu passo a linha
Eu convido para dançar um rapaz
Atraente
E ele dá um passo para trás
Olha para o lado, vê mais dois
Iguais
Riem de mim por terem pena
Pena por dançar, lindinho?
Volto para a pista e disfarço a cena
Às vezes é melhor estar sozinho
E a noite serve para isso apenas
Acalantar-me com um vinho
Esquecer-me de ontem e amanhã
Enlouquecermo-nos até de manhã
E quando chega o sol
Mostrando as vergonhas para nós
Recomeçamos rindo sós
Na cabeça só memórias boas
Limpeza que só a noite faz
Ainda amo os malditos…
Tolice a minha acreditar em algum homem
Que ve o mundo numa lente disforme
Entenderiam a complexidade multiforme
De sentir o que puder por outros homens…
Sinto-me encapsulado numa outra realidade
Corro atrás de meus sentimentos quanto posso
Sou aberto, claro, direto para não faltar vontade
Mas assusto aqueles que eu me esforço
Talvez eu esteja errado nisso tudo que faço
Eu não deveria me expor tanto como ajo
Ou penso ou falo
Mas eu sei que meu coração é puro e valoroso
E isso é o suficiente para eu tentar de novo
E de novo e de novo
Até eu esquecer o quão está sendo doloroso
Ah… Todo esse martírio por reciprocidade
Até que eu enxergue nesse mar de crítica e vaidade
Alguma forma de respeito pela minha verdade
Rindo, eu ainda amo os malditos
Lighting the fire
Oh, the darkness that follows a man
So dark I can barely see anything
Talking with a stranger, but nothing
That’s not the person I am
Empty words don’t fill the space
Talking just for talking ain’t right
Diving deep into your eyes
To swim all over your mind
To submerge into your point of view
To know you better that anyone knew
I am full of loving and creation
Imagination makes me go further
I’m not stopping ‘til I reach the gutter
Burning low the fire of lovers
But as my fire can’t light all the room
You can’t talk to me too
I guess I’ll stay here on my own
Burning quietly in the dark alone
Eu me perdi
O reflexo de meu tormento
Se esconde dentro de mim
Como uma erva daninha no jardim
Eu quero arranca-lo sem ressentimento
Vejo minha criança interior
Ela chora ao se ver no futuro
Eu com toda força do ardor
Negligencio, deixo ele mudo
Mas não esperava que ela pudesse
Projetar em mim os piores medos
De fato sua força ela conhece
Tão poderosa que me vejo cedendo
E eu falhei com meu Ícaro pequeno
Sei que falhei várias vezes com ele
Ele só queria viver bem e pleno
Mas eu queria o sofrimento na pele
E o que segue um auto sacrifício
Nem sempre é algum benefício
Eu me destruí por nada esses anos
Por isso a criança continua chorando
Eu achava que estava sendo forte lutando
Estratégia que gerou resultados esperados
Mas não vale a pena continuar desmoronando
Só para eu conseguir viver minha verdade isolado
Eu agora não tenho mais nada para dar
Porque tudo já foi trocado por felicidade
Eu só tenho memórias que viram saudade
E tristezas que eu visito na porta do bar
Quais incertezas giram na cabeça de um homem feito?
Que insegurança poderá penetrar na alma de uma pessoa bem sucedida?
E sinto a fraqueza de ser alguém bom
Como uma planta que definha no jardim
E sinto que tudo agora depende de mim
Pois no fundo de cada um há um som
Que nos guia em direção ao fim
Pois acabarei sendo a criança chorando
Batendo a cabeça no chão, esperneando
Tentando lembrar ao meu eu mais presente
O que precisa para se construir dignamente
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Reflexão pré-escrita:
Ando vendo o reflexo de meu eu criança correndo atrás de mim, chorando e brincando. Eu cresci rápido demais e eu nunca quis ser adulto, mas cá estou: homem formado com o mundo de responsabilidades em cima de mim, mais do que simplesmente brincar até cansar.
E eu adoro isso. Eu realmente precisava crescer e viver tudo isso… Mas valem as perdas? Ao olhar para trás e pensar em escolhas que tomei, fases que já passei e respostas para certas perguntas que me definem até hoje eu me sinto derrotado pelo tempo que concretou meus caminhos trilhados. Certamente todos esses caminhos me formaram e eu não poderia escolher outros. Sei que foi o melhor que eu podia escolher ou ao menos o que minha cabeça considerava o melhor para mim, mas eu ainda assim não consigo me perdoar por não ter sido uma pessoa melhor.
E eu sinto tanto sua falta…
Nesses momentos em que eu estou sóbrio e dentro de uma experiência profunda, eu me encaro e vejo a criança de novo brincando. O que essa criança espera de mim? Como eu posso ser amigo dela de novo?
Eu perdi minha felicidade interior. Eu perdi meu amor e meu brilho nos olhos. Eu perdi a vontade e a gana de conquistar meus objetivos. E isso tem a ver com a minha criança. E adolescente. E adulto. Todos vivendo dentro de mim.
Eu quebrei e ainda não consegui consertar.
Foda.
O tempo e a falta
Um vidro que quebra ao toque
Revelando um mundo frágil
O tempo avançando fácil
Mas eu ando meio torpe
Sentimentos pedem perdão
E me rasgam sem piedade
Me rasgam com a saudade
As armas mais vis do mundo são
Memórias da antiguidade
Tempos que nunca voltarão
Agora esse mundo é invisível
É inodoro, silencioso, Intangível
Tudo que tenho do mundo agora
É imaginar pela memória
O que fomos outrora
Ah, mas que tolice a minha
Não posso considerar os sentimentos
Que eu tinha
Pior ainda é o amor de verdade
Que dura mesmo com a pior tempestade
Mas esse texto não é sobre amor
E sim sobre o sentimento de falta
Amar me transforma em sonhador
Perde-los… Minha cabeça desaba
Há uma necessidade de estancar
O sentimentalismo que existe aqui
Porque, quanto mais jorro emoção
Mais esvazio meu coração
Sem resposta, sento no banco em um gramado
Olhando a esmo, uma chuva de meteoros
A Cada cometa, um grande querido amado
Olho para os lados, um bando de espólios
Mas a solitude me deixou há muito como coitado
E, quando a chuva acabar, e eu abrir meu olhos
Estarei velhaco, rabugento e mal-educado
Estarei velhaco, olhando para as estrelas
Pensando nas luzes delas bem distantes
Vivendo as luzes como se estivesse entre elas
Vivendo o passado sem seguir adiante
30 – Pancadaria
Nós pessoas com pênis e meninos
Somos criados pra luta
E quando eu digo luta, é pra agredirmos
Para ganharmos logo sem disputa
Eu sofria muito quando pequeno
Sempre fui um pouco ingênuo
Os meninos batiam em mim
Eu não conseguia fugir
Olhava para o espelho
Via um gordinho estranho e feio
Difícil foi a luta daí
O tempo passou
E acredito que a luta foi contra mim
Mudei muito de lá até aqui
Venci medos, e olha onde estou
Na estaca zero
Nunca fui bom de lutar
29 – Amor
Odeio escrever sobre amor
Tudo no mundo é sobre isso
Parece que não há outro esplendor
Que só há esse feitiço
Pois eu quero quebrar essa ideia
Posso escrever sobre a vida
Não me permito viver nessa miséria
Não quero saber o que amar significa
Não preciso amar para sentir empatia
A vida já nos dá infinitas agonias
Precisamos juntos aprender a viver
Sem depender do amor, somente crescer
Crescer vendo o mundo girar
Aprendendo a ver os detalhes do dia
Aprendendo a gostar de odiar
Permitir-se destruir um lugar
Ou até mesmo gritar com a tia
Amor é uma idiotice sem tamanho
Que engana trouxa que não pensa
Faz a lógica dobrar seus panos
Algo irrelevante do nada pesa
Você não estava nos planos
E acabou.
Não se deve nada ao amor
Não vou falar mais sobre isso
Se você quer se dispôr
Boa sorte, seu estrupício
28 – Dilacerar
Quando eu te vi
Não acreditei na hora
Você tão lindo ali
Fui falar sem demora
Não sabia se você queria
E eu estava meio tonto
Mas o desejo foi meio guia
E você respondeu no ponto
Queria ficar mais um pouco
Eu me derreti todo contigo
Você falava coisas sem sentido
Me afastei me achando louco
Louco eu fui por não aproveitar
Só olhar pra você não consigo
Seu sorriso, você é tão comedido
Meu objetivo é quebrar seu juízo
Ver seu olhar ao se perder
Deslizando seu corpo no meu
Se divertindo sentindo prazer
Desejo provocar você agora
Como tu me provocas
Porque quando você está em volta
Uma fera de mim se apossa
Não consigo pensar em nada
Além de ver sua carne dilacerada
Não há mais corpos
Apenas linhas e conceitos
A consciência perde o foco
De Ícaro eu me esqueço
Os instintos imperam soberanos
Quero rasgar suas linhas
E mesmo te conhecendo faz dias
Quero você por anos
A vontade é a destruição completa
Você me arrebenta de me fuder
Eu explodo sua cabeça
Tudo que sobra sou eu e você
Babo vendo você andando
Cansado, mas me chamando
E eu vou, meu amor
Vou te dar meu calor