Faz tempo que isso não acontece

Me veio a mente uma besteira
Uma coragem desesperada
Disfarçada de brincadeira
Me deixando
Todo sem graça

Me veio a mente uma vontade-e
sanguinária
Um desejo que me cala
Que sufoca todos os outros
Me fazendo indisposto
Eternamente indisposto

Não tenho mais aonde ir
Ou o que mais a fazer
Eu não quero me iludir
Achando que posso vencer

Eu não tenho fogo,
A vontade
Perdi meu sol
Em outra viagem

E quando mais estreito
os olhos
Mais eu fico
Feliz de verdade

A minha vida é fácil
(E como é fácil)
É sim, eu sei
Eu não dependo de pai ou mãe
Não dependo
De amigo ou ex
Não vejo sorte nessa fortuna
Tudo isso fui eu que me dei

Mas se eu fosse bom assim
Saberia dizer se era minha vez…

O ar parece pesado-o-o-o
Não sinto a pressão
Meu coração bate alto-o-o-o
Mas nenhuma emoção

O pingo chega a marejar
Mas não me comovo

Ele escorre do meu olho
E molha a barba
Fico sem graça,
Mas não me comovo

Ouço por aí que sou tolo
Que sofro de bobo
Que a vida tem o melhor dos gostos

Mas eu não me comovo

A vontade de descansar é muita
Jogar a toalha
Desistir da labuta

Mas eu prometi que não o faria
Eu sei que vou ter meu dia

Fecho os olhos hoje
Imaginando como seria

Não acordar

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Eu pensei no ritmo de “Eu tenho um nome a zelar”, de Seu Pereira e Coletivo 401. Eu não sinto esse ímpeto faz anos. Ontem ele comeu minha cabeça até eu dormir.

Não vou pra lugar algum até que eu consiga ver meu trabalho concluído aqui. Seja ele o que for.

É difícil sentir isso

Tem algo de errado?
Não, não tem nada.
Nada, nada, nada
Fixo meus olhos na estrada
Tentando desviar meus pensamentos

Eu deixei minha mãe desolada
Chorando em casa
Enquanto voltava para meu lar
Os pensamentos voltam a embrulhar…

Nunca fui capaz de escrever sobre isso
Porque eu tinha medo de te fazer algum mal
Mas o mau está no não dito
Que corrompe a confiança
Que me deixa aflito

Eu a deixei chorando
E meus cachorros latindo
As plantas no jardim crescendo
E meu ventilador eu esqueci zunindo

Já nem sei o que sente por mim
Se é orgulho o frustração
Se sente culpa ou sente perdão
Eu me sinto confuso com tudo
Como se seu amor fosse ilusão

Sim, sinto que a senhora não me ama
Ama uma imagem que construiu de mim
E a reafirma sempre que pode
Sempre que está afim
Para as amigas sentirem inveja
E para que você possa sorrir

É um orgulho mesquinho
Dependente dos outros
Sem aproveitar com os filhos
É vazio de sentido
São muitos os rostos
Mas são poucos os amigos

Eu destruo essa lógica
O mau eu levo comigo
Guardo no bolso meus defeitos
E meus acertos eu deixo pelo caminho

Não sou o melhor do mundo
Mas sou bom em ser eu mesmo
As minhas conquistas eu mereço
E na boca dos outros sou assunto

Pois que falem

Retiro o poder de todos vocês
De escrever minha narrativa
Eu estarei escrevendo
linha por linha

Mas hoje eu não estou podendo
Pois deixei minha mãe chorando em casa
O chão estava em brasa
O calor me queimando por dentro

Eu deveria voltar
Não deveria sair de lá
Deveria abraçar ela enquanto dá
Mas não consigo

A decisão de me mudar faz tempo
Não foi nesse março e nem no outro dezembro
Peço por isso desde que me lembro
Quando pedi abrigo e recebi castigo

Nunca pude confiar em ninguém
Pessoas de uma moral densa
Um julgamento e um desdém
Sempre pode falar o que pensa
Se for com a intensão de tolher

Mas eu não pude ser vocês
Eu sou um campo de relva ao vento
Eu sou o cheiro de terra molhada de chuva
Eu sou meu próprio veneno
E eu sou minha própria ajuda

Das vezes que eu chorava no banheiro
Ou quando estávamos viajando
Das vezes que eu escondi o segredo
Ou das vezes que eu só estava amando

Eu estive sozinho

Estive só quando sofri preconceito
Pra voltar pra casa e ouvir mais do mesmo
Só era eu quando fui exposto à doenças
E escondi os remédios temendo desavenças

Das vezes que eu tive que me virar
Que aprendi nas ruas o que ninguém pôde me ensinar
Eu pude fazer muito sozinho
Tentando trilhar meu próprio caminho

Me frustra saber que eu tentei te amar
Confiar em vocês
Poxa, eu tentei muito conversar
Criar uma relação estável entre iguais
Mas o que você fez?

Você negou minha confiança
Fugiu da minha mão
Que a esperava desde criança
Nessa imagem de ícaro
A senhora não tolera o Ícaro verdadeiro
Que é sensível e é direito
Não, a senhora não suporta vê-lo

Não quero apontar dedos sem sentido
Enterro a culpa e queimo seus resquícios
Planto o amor em outro lugar
Para que floresça sem parar

Eu quero agradecer pela segurança
Por sempre me lembrar que eu posso
Ser a voz da minha esperança
Obrigado por me sustentar desde criança
Por cada refeição feita com amor
Por cada beijo e cada dor
Não há “obrigados” no mundo que possam transmitir
O que sinto pelo tempo que passou

Eu a vejo como inspiração
Uma mulher que não tinha nada na mão
Além de deveres, de irmãos
E de uma beleza que até hoje
Deixa marmanjo no chão
Podia na época não ter certeza
Mas a senhora conseguiu criar um império
Um reinado
Apenas com o que tinha nas mãos

A senhora é sem igual
Uma inteligência anormal
Uma certeza move montanhas
E uma dedicação sensacional

Só peço para que cuide de si
Porque não sei o que vai ser de mim
Se eu te perder um dia

Sim, sou blindado.
Sou independente, sou miserável
Mas a senhora é meu ponto fraco
E, quando a deixei chorando
Chorei também.

Por isso não me veja como fardo
Não quero ser seu objetivo
O que te faz viver
Ou o único a seu lado

A senhora vai viver muito muito mais
E eu espero que viva sempre
Pensando em seu bem
Seu, e de mais ninguém
E com a certeza
De que, mesmo dolorido
Estarei ao seu lado

Em cima da moto

Tem algo de errado?
Não, não tem nada.
Nada, nada, nada
Fixo meus olhos na estrada
Tentando desviar meus pensamentos

Eu só lamento
Que você precise ser assim
Alguém que me vê como animal
Que precisam mandar em mim
Pra se ver feliz
Sem pensar que está me fazendo mal

Seu hábito de se machucar
Para me machucar
Não é normal

Eu lamento a minha partida
A decisão foi tomada há anos
Ela foi fria e comedida
Foi calculada,
Como uma moto andando na pista

Eu não vou olhar para trás.

A decisão foi tomada lá atrás
Quando me fez chorar demais
Por eu ser quem eu sou
Me fez me esconder até hoje
De várias formas me desconsiderou
Ousou me tirar da família
Algo que eu nunca pediria

Agora é meu momento de despedida

Fazer parte de seu tribunal
Já não me satisfaz
Não sou o culpado ou o vilão
E muito menos seu capataz

Das suas mãos a minha história
Se desfaz
Eu a realinho e monto meus ideais
Vou me construir
Mesmo se você não me queira mais

Eu sou meu próprio abrigo
Sou capaz de tudo,
Sou amável e sou meu carinho
Eu sou bom, por mais que não acredite
Eu sou certo, esperto e gentil
Sensível até o último fio

E faz-me chorar

Não quer que eu me vá?
Oras, pois pensasse antes
Não vês que sofro a cada instante?

Eu tentei construir pontes
Mas você as derrubou
Eu confiei acordos de paz
Falei de mim até demais
Mas, sem aviso, você me atacou

Uma, duas, três, quatro, cinco, dez…
Não sei mais quantas vezes

Por isso eu estou indo
Mesmo chorando

Pois mesmo a decisão correta
Mesmo o planejamento certo
Mesmo a moto andando na reta
Ou o plano feito pelo mais esperto
Não estão preparados para isso

Não fui feito para machuca-la
Não quero incomodar com minha saída
Indesejada
Mas eu não quero morrer pra te fazer feliz
Não vou definhar contigo

Peço para que cuide de si
Rezo por isso
Para que viva sua vida sem mim

E no final eu te entendo nisso
Porque eu sei quantas vezes eu não tive forças para seguir
Eu sei quantas vezes eu não via caminho no futuro
Quanto tempo desperdiçado chorando no escuro
porque eu não sentia que podia nada no mundo

Mas eu precisei me reinventar
Não sei se foi a terapia
A morte de Clara
Ou só o tempo passar

Eu precisei de algo para me acordar
E agora eu não posso mais parar

Então eu para você eu peço cuidado
Que cuide da saúde
Que deixe o orgulho de lado
E caminhe com o amor guardado

Quanto para mim eu peço desculpa
Peço um sincero obrigado
E eu peço que me respeite
Que respeite todos meus amados

Eu não vou mais quebrar pra fazer você feliz

Como estou me sentindo?

Eu me sinto humilhado
Ultrajado por todos aqueles
que estiveram do me lado

Eu me sinto cansado
O passado reflete mais em mim
Do que o presente fato
Já não estou vendo um fim
“Deixai cair os prantos”
Deixo tudo cair

A minha dignidade não está aqui
Eu permaneço ao chão
Pronto para encarar a tempestade
Lâminas e raios por toda parte
Sei qual é a minha função

A batalha acabou de começar
Eu continuo ali sem sair
Recebo os cortes sem reclamar
A dor jamais acabará
Minha função é justamente aguenta-la

Não existe armas para lutar
Não faz sentido machucar amigos
Eu estou preso dentro da agonia
Apenas suportando o impossível
Trocando machucados por simpatia

Entre ser o que não posso ser,
Viver todas as mentiras sobre mim,
Lutar pelo meu próprio viver
Ou ser enganado por amigos chinfrins…

Eu prefiro o isolamento
Prefiro fugir
Não confio em apaziguamento
Não acredito em ninguém aqui

Quero a solitude de meu amor
Meu amor somente comigo
Porque quando eu me machuco só
Eu sei como consertar meu coração
Partido

Sim, eu me sinto só,
Mas não perdido
Há, na solidão
Um ombro amigo

Luto, dor e saudade

E os dias passam inclementes
Quem disse que o tempo cura
Ou só morreu com a dor imatura
Ou não sofreu o suficiente

A dor está no subconsciente
Vicejando em minha mente
Espreitando em meu ouvido
Mudo rapidamente de sentido

Se em uma hora feliz sorrio
Na outra hora lembro do vazio
Se esqueço da dor no momento
Aflora no meu peito desagradável
Sentimento

“Sinta tudo que puder, amigo
Não esconda o que sente.
É a melhor forma do presente
De criar para si um abrigo”
Mas eu não consigo

Talvez amanhã eu acorde bem
O mundo esteja girando de novo
E eu siga o fluxo também

Talvez amanhã eu acorde triste
E não consiga prosseguir
Por mais rápido que o mundo gire

Ainda amo os malditos…

Tolice a minha acreditar em algum homem
Que ve o mundo numa lente disforme
Entenderiam a complexidade multiforme
De sentir o que puder por outros homens…

Sinto-me encapsulado numa outra realidade
Corro atrás de meus sentimentos quanto posso
Sou aberto, claro, direto para não faltar vontade
Mas assusto aqueles que eu me esforço

Talvez eu esteja errado nisso tudo que faço
Eu não deveria me expor tanto como ajo
Ou penso ou falo
Mas eu sei que meu coração é puro e valoroso
E isso é o suficiente para eu tentar de novo
E de novo e de novo
Até eu esquecer o quão está sendo doloroso
Ah… Todo esse martírio por reciprocidade
Até que eu enxergue nesse mar de crítica e vaidade
Alguma forma de respeito pela minha verdade

Rindo, eu ainda amo os malditos