O que é mais adulto: desistir ou perseguir seus sonhos?

Um assunto que está se tornando comum nas rodas de amigos comigo é sobre essa grande dicotomia da atualidade: ou eu desfaço meus sonhos para perseguir uma perspectiva de vida mais economicamente estável ou eu sigo meus sonhos e vivo miseravelmente me alimentando apenas de meus sonhos. Cada uma com seus pontos positivos e negativos, essas escolhas para pessoas de minha idade definem completamente a vida delas. Considerando o sucesso de uns e a derrocada de outros, como saber que escolheu o caminho correto?

A resposta é que não tem como saber. Eu escolhi a realização pessoal e estou lidando com os problemas disso – e ISSO é ser adulto. Lidar com os problemas de nossas escolhas e persistir em sobreviver. Entender que determinadas escolhas não voltam atrás, que podemos ser tolos e podemos dar sorte, mas tudo depende de nós. E entender isso não significa nos punir pelas escolhas erradas, mas absorver como potencial futuro.

E eu escolhi o caminho da realização pessoal. Se cometi um erro ou um acerto só depende de mim e do que acontecerá com meu futuro. O que eu me importo é o agora e agora eu consigo me alimentar e me sentir feliz onde estou. Possuo planos para meu futuro porque eu quero continuar no meu sonho e traçar novos sonhos a partir dele porque eu descobri algo bem importante recentemente: se você não tem sonhos, você não consegue viver. Se você não tem um objetivo de vida, você não vai para frente. Seja seu objetivo sustentar sua família, sair do país, ser o melhor professor do Brasil ou até mesmo o maior intelectual que já existiu, tudo precisa começar em algum lugar.

Portanto eu sonho. Eu sonho que eu vou mudar Salvador ou alguma cidade. Eu quero fazer do planeta um lugar que consigamos viver. Eu quero que as pessoas tenham casa. E eu vou construí-las.
Não vou dizer que não me arrependo. Que não tenho momentos de fraqueza. Que em conversas com pessoas mais ricas eu não fique mais acanhado ou desestimulado. Mas esses momentos de fraqueza fazem parte do pacote que eu escolhi chamado “realização pessoal”. Cabe a minha procurar o meu lugar na minha vida e distanciar a minha vida do discurso de outras pessoas, apesar de viver na mesma cidade e estar nos mesmos lugares.

Esse texto não fala sobre pessoas que tiveram escolhas difíceis ou impossíveis de tomar e também não fala sobre pessoas que juntaram a realização pessoal com a vida economicamente ativa, ou pessoas em que não vêem a diferença entre esses dois porque para essas viver é ser rico e mimado. Esse texto é um desabafo sobre conversas em diversos ciclos de amizade que eu estou enfrentando faz um tempo sobre minha decisão de fazer ciências sociais.

Sou professor. Sou sociólogo. Posso ser muito mais a partir daqui. Basta eu procurar e bater de frente para correr atrás de meus sonhos. Fodam-se os “não” no meio do caminho, e muito mais as pessoas que jogam suas frustrações e seus sonhos perdidos em minhas costas. Eu sei quem eu sou. Posso mudar no futuro. Posso reajustar meu sonho. Mas continuarei sendo Ícaro.

Para aqueles que se perderam dentre a vida, que perderam o ritmo da mudança e começaram a afundar os pés no asfalto em um dia de sol quente: comecem do zero e tenham coragem para isso. Refaçam seu ritmo. Mudem o ritmo. Comecem com afazeres pequenos. Pensem o estilo de vida que queiram viver. E, por fim, desenvolvam seu sonho. Sua gana.

(Foda-se Sartre ou qualquer outro filósofo que possa ser interpretado quando eu escrever isso. Eu não queria criar essa ponte).

Aceitação passo por passo

Enquanto as lágrimas secam, surge o vazio
Raramente lembram de falar sobre a aceitação
A aceitação de que tudo outrora construído, ruiu.
Ruínas que não cantam hoje a mesma canção

E agora eu que lute para seguir em frente
Sem mãos carinhosas ou algum abraço quente
A própria ideia de viver sem você já destrói a paz
Eu, que sou capricórnio, odeio mudar minha rotina
Sei que por você eu poderia fazer isso e muito mais…

E é onde mora o impiedoso sentimentos de nada
Nas palavras nunca mais ditas, nos jeitos e voz
Ouço seus áudios e sinto uma culpa danada
Poderia ter sido mais presente, ter um tempo para nós

Egoísta, eu sei.
Se tiver uma realidade depois dessa, desculpa
Estou prendendo você à sua existência antiga
Mas eu vou continuar com o sentimento de culpa
Pois egoísta que sou, ainda quero você na minha vida

Nunca tive a possibilidade de te agradecer por tudo
Você foi mais que uma amiga ou namorada, Clara
Era quem eu dividia meu secreto e silencioso mundo
Agora, já sem você, não existem mais pessoas raras
Os sabores e cheiros e sons ficam… Apenas no mudo.

Eu preciso parar de criar essa coisa à sua volta
Preciso voltar a amar você como apenas memória
Para aqueles sentimentos que me apego, solta!
Para aquelas memórias que eu tenho de você, história.

Digo História, pois é impossível de reescrevê-la
Transbordo sempre palavras, mas só vendo futuro
Não há muros que impeçam a quem nesse barco veleja
Sobre o mar desafiador de correntes fortes que rupturo
As águas feitas de realidades passadas, um suco puro

Deixar-te-ei para encontros em meus humildes textos
Preciso equilibrar o barco e setar logo um rumo
E nas tuas mãos não me parece mais seguro ou oportuno
Guardar-me da vida que ainda transforma meus eixos

Vou despertar em
3
2
1…
Amo-te, boba.

CSSCC

Ela era as minhas palavras
Quando escrita, ela era poesia
Ela era também contos, ficção
Era lindo o que ela fazia
A cada canto, sua mão
Em cada encanto, sua canção
Você estava em tudo das artes.

Na música você era a harmonia
Aquela sensação gostosa
Me provocava alegria
Podia também ser a vibração
Intensidade, o fervo, a fritação
Atravessava tudo, sem ser tediosa

Nas pinturas, a pincelada principal
Aquela que não dá pra voltar atrás
Aquela que sobressai das gerais
Gerando uma pintura colossal
Obras de arte não são você, não.
Você é o cerne da arte, meu coração.
A própria e antes encarnada inspiração.

Na dança, você era a expressão
O talento? Claro que não.
Algo tão frivolo, tão básico
Não seria seu traço.
A expressão não é algo clássico
É o fogo que queima o pulmão,
O que dá sentido ao movimento
Você é o sentimento, interpretação

E por falar em expressão
Nada seria das artes cênicas
Se você não fosse a apresentação
Você é minha década de 90
Encarnada num papel pastelão
O escritor escreve, inventa
O ator recebe a obra e a orienta
Vivendo mil vidas em cena
Você era única em todas elas.

E na ciência, você era humana
Complexa demais para um laboratório
Confusa demais para um iniciante
Criava modelos para o aleatório
Tentando entender o perfeito
Imperfeito.

Eu nunca entendi como apenas “Arte”
Pode significar diversas atividades.
Mas ao te conhecer eu percebi
Que a arte não está nas escritas
Ou nas pinturas, ou nas danças
A arte é um momento, é um sentimento
É alguém que nós amamos
Rimas também não vão ser suficientes
Erro nesse final porque a arte é imperfeita
E é por isso que é especial

Te amo, Clara. Sinto sua falta.

Você brincou comigo nesse dia, falando sobre a altura e sobre cair de lá. Eu fiquei preocupado o tempo inteiro contigo até esquecer da conversa. Eu hoje me arrependo tanto de esquecer de nossas conversas.

Do amor à solidão

Eu quero a solidão.

Eu quero me sentir novamente completo. O vento no rosto e a sensação de que o mundo existe para eu conquistar. A sensação de ser invencível, consciente de meu poder, como uma estrela prestes a explodir numa supernova. Essa é minha força e meu potencial. Eu sou um evento de máxima proporção.

Quando pequeno, odiava músicas sobre amor. Hoje eu as escuto em parte pelo ritmo contagiante e em parte como uma ideia ingênua da vida fácil. Eu não tenho a sorte de viver uma vida de depois do arco-íris. Pois se o arco-íris é uma ponte para o amor, eu moro debaixo dessa ponte. Minha morada não é somente solitária, eu aceito visitas, mas preciso de meu espaço.

Sim, eu quero a solidão. Apenas eu entendo o que eu penso, falo, vivo. Faz tanto tempo que estou só, não consigo mais me dividir. Talvez porque tenham levado o que eu deixei levar de mim, ou talvez eu nunca tenha sido essa pessoa de compartilhar eu mesmo.

Que responsabilidade tenho por amar o outro? Contanto que me faça feliz, é o que eu procuro, mas assim que intervém em mim, eu fujo para longe, deixando um pouco de mim para traz. Quantas vezes eu deixei esse pouco de mim? Amor a um já é difícil o suficiente.

Escolho a vida só. Não só para não me magoar, não me importaria de deixar mais um pouquinho com alguém que eu confie, mas especialmente para me sentir completo. A estabilidade de ser eu é muito mais querida e eu não a troco por nada. É uma escolha que também apresenta consequências, mas é a melhor para mim.

Se eu amo ou amei, continuo amando até quando puder.

Se eu quero perto ou já quis, continuo querendo, mas agora com a consciência de que eu não posso e não vou ter.

Se eu estou só, então consigo trilhar meu caminho em paz.

Peça de Baralho

Eu me sinto otário
De novo uma peça no baralho
Não combino nessa mesa
Desamparado, é a tristeza.
Essa sabe o quanto me beija…

Afogado nos sentimentos
Emergi mais uma vez sufocado
Ergui-me sobre meus cacos
Rolo os dados, destino traçado
Todos ali me vendo
Desnudo, desdentado.
Envergonhado de mim mesmo.

Ando molhado por aí
Não confio em amantes
Ou em pessoas ruins.
Só tenho meu coração
Pulsante
E um caminho a seguir.

Meu rosto é desfigurado
Beleza se torna o meu pesadelo
Luto ainda contra os medos passados
Não sei mais se consigo vence-los

Eu ao fim descanso
Numa extenuante dor,
Insignificante.
Não interessa mais aonde me lanço
Logo me vejo como peça
Num baralho gigante.

Dia 7: Humiliated

Vá se fuder!
Suas palavras são sujas.
Não quero nada de você.
Recuso seu jeito de ser.
Eu já fui aquele ali
o que entretém,
o que os faz rir,
não sou mais o otário.
Você me iludiu, me fez fraco,
me inabilitou de ser só meu.
Tudo o que eu pensava
era para fugir ou para
melhorar essa caricatura.
Nunca era suficiente.
Então quando escuto falar
“Constrangimento é pedagógico”
Vá se fuder!

Dia 5: Distant

Por todos que já passaram,
por aqueles que foram e
por aqueles que ficaram,
vejo hoje a vida em trânsito.
Ele não vai estar aqui para sempre
e ela nunca mais quer te ver.
É engraçado como eu fui tolo.
A única pessoa que me acompanha
que vê meus passos
me aplaude e me edifica
sou somente eu.
Mesmo que eu sinta às vezes
distante até mesmo de mim
eu sou minha única companhia.
Eu confio em outros, todavia.
Eu consigo amar outros
abrigar outros em meu coração
por mais que no fim isso doa.
Por mais que eu saiba
que, para existir caminho
é necessário o deslocar
implicando distância.

Um intervalo

Eu aceito o mundo não girar ao meu redor. Eu aceito as coisas não saírem da forma como eu planejei. Eu aceito estar errado mais da metade das vezes e, mesmo se eu tiver explicações, eu prefiro só aceitar a culpa. Eu trabalho comigo mesmo meus defeitos e sei reconhecê-los. Ainda sim eu sinto um furo no meu peito, um vazio que quase eu sinto ser literal por conta da minha respiração que vacila às vezes. Não sei exatamente porque eu sinto isso, mas eu simplesmente sinto essa angústia que incomoda tanto o tempo inteiro. 

Na verdade, eu sei o que é: sou uma pessoa carente. E eu assumi essa identidade, mesmo sem perceber e mesmo sem querer e é isso que as outras pessoas veem em mim – apenas carência. Por isso que eu sou chamado de fofo, por isso que eles me acham estúpido ou brincam tanto com meus sentimentos e por isso que eu também sou tão autodefensivo e inseguro. Se eu fosse menos carente e firmasse minha vida sob as bases do que realmente importa (minha vida profissional, meus estudos, meu futuro, pessoas que se importam comigo) eu estaria em um lugar diferente daquele que estou agora.

No entanto, eu não controlo esses sentimentos de insegurança, autodestruição e autodefesa. Eles simplesmente assumem quando eu abaixo a guarda, e faz tempo que eles não aparecem, justamente porque meio e fim do ano passado eu passei ocupado demais cuidando de mim e longe de pessoas que me faziam sentir como me sinto nesse exato momento. E agora que eu parei para pensar, esses sentimentos estão ficando fortes em mim e assumindo minha personalidade e eu, sinceramente, nem sei mais se me importo, mesmo eles me fazendo questionar toda a carreira que eu construí para mim durante 5 anos.

Palavras-chaves: Insegurança; Amizade; Autopreservação; 

Esse é um rabisco antigo de um amigo meu chamado Fritas que eu adoro de paixão. Com ele eu quase nunca me senti desconfortável. Um dia vou para MG vê-lo. Amo-te, Fritas.

O que vale a palavra?

Cansei de meus problemas serem tratados com supérfluos quando só eu sei o que eu tô sentindo ou vivendo. Ser pensado como indivíduo característico de um grupo que não me identifico porque vocês se acham inteligentes o suficientes para me classificar e classificar minhas vivências. Quando chegamos ao ponto de pensar sobre o outro e entender a realidade como perspectivas ou de forma analítica, vocês nunca vão conseguir porque estão presos em discursos pessoais personalizantes que só falam sobre pessoas e não sobre uma realidade em comum.

Apolo é uma companhia muito boa para momentos de reflexão. Estou cansado do povo de minha faculdade.

Bravado ~

Ouvi a música “Bravado” de Lorde e fiquei pensando sobre meu Bravado. Meu grito de guerra. Minha vontade interior. Talvez o encontrar seja justamente sobre se entender, sobre ao mesmo tempo criar e explorar o que já existe dentro de você. Um baú de pólvora esperando a fagulha.
Essa fagulha já existe.

Toda minha vida eu pensava
Que um dia minha hora chegaria
Mas eu estive mais ocupado
Me preparando para a grande chegada
Não construí sua estrada
E agora não sabia mais se viria

Mas a maré finalmente virou
Os ventos sopram ao meu favor
Os fios do destino ganham entorno
Não tenho entusiasmo pelo retorno
Estranho demais pensar meu corpo
Exposto, num palco pensando a dor
Dolorido, expondo o pensador (colonizador)
Eu não sei se quero para mim isso
Uma vida inteira de professor

Os olhos ávidos por atenção
As armas são apenas o piloto na mão
A única coisa que me agarro
Para manter minha sanidade
É a minha determinação

A sala está cheia e barulhenta
O respeito é de amigo, parceiro
A reclamação é briga, esquenta
Situação de discussão não é passageiro
Eu não quero lidar com criança o dia inteiro

Meu grito está nas pequenas criações
Gosto da independência de suas ações
Vejo de bons olhos todas as questões
E outros pontos que eles trazem consigo

Vejo no aluno um amigo perdido
Aquele que você não fala faz anos
Que faz sempre para você pedidos
Mas que você sabe que para fazer acontecer
São necessárias organizações, novos planos

Sei que é uma forma ruim de pensar indivíduos
Mas é a única forma que me impulsiona a ir
Talvez tudo que fale se torne meros resíduos
Eu não me importo contanto que faça algo fluir

Eu posso tornar esse o meu chamado
Transformar tudo ao meu redor que for tocado
Se tivesse certeza, moveria todos meus recursos
Viria com outros olhos! Traçaria logo o curso!
No entanto, não sinto aquele arrepio
O calafrio despertando na ponta do espinhaço
Meu braço não vira o leme do barco
E o mar revolto me impede de atracar nesse espaço

Então qual será o meu grande chamado?
Por deus, eu não aguento mais a calmaria
O caminhar a esmo sem algum guia
A resposta para qualquer pergunta bastaria

Resposta cujo entendimento depende de mim
Se não atingi-lo, eu estagnarei bem aqui
O grande espectro da expectativa de me definir

Acho que essa foto minha tentando fazer uma pose e absolutamente tudo dando errado é a melhor representação desse texto.