7 – Sangue

Já nasci predestinado, pré-querido
Sem nem mesmo saber disso.
O que seria ter um destino?
Mas nunca foi sobre mim, né?
E quando estávamos como família…
Tempos de ouro, outra vida…
Ah, para. Termine com isso. Termina!
Agora eu sei que o que destino é
Preciosidade nunca vista antes
Que me engloba o mundo e o todo
Faz-me tomar decisões,
Escolher instantes.
Quiseram um dia roubar o futuro de mim
Grossos e irredutíveis, bem assim
Não com uma arma de fogo ou lanças
Mas com uma de argumentos fajutos
Armadurados com uma moral obsoleta
Quiseram falar o que ninguém rejeita…
Mas eu rejeitei esses nobres com escudos
Dizem que a família é só o que temos
Pois eu digo que só temos a nós mesmos
E não há motivos para temermos
O destino reserva apenas o que é nosso por direito!

6 – Arrancar

Tiro as pétalas da flor
Linda flor da amizade
A cada pétala, uma dor
A cada pétala, uma vaidade
Construo-a inocentemente
Tentando amar como posso
Mas pessoas não são um “negócio”
Não há acordos complacentes
Mas eu quero acreditar de novo
Quero um terreno para pisar
Mas eu não sei mais desse povo
Talvez só queriam me usar…
Ou talvez eu que não saiba mais
O que significa amar…
Ao outro…
E eu nem sei se sou capaz…
Bom, pode continuar nessa brincadeira
De Bem me quer, mal me quer
O bem não faria essa besteira
E o mal… Burro não é…
Talvez eu seja a própria flor
Desmanchando ao vento
Tentando arrancar de mim
O sofrimento temível
De tentar mais uma vez

Ser um bom amigo

5 – Mordida

É a quebra da nobre expectativa
É fazer um mousse delicioso
E comerem todo numa mordida
Mordida maldita essa que vós deste
Arrancou toda aquela mágica
E não importa mais do leste a oeste
Confiança não é mais simpática
Como se oferecesse um salgado
E tascaram-lhe a furiosa mordida
Aé, seu infeliz e miserável?
Vou sumir de sua vida

4 – Relâmpago

O poder de mil sóis na terra
Enclausurados na minha ira
Eu possuo a luz que alumia
O brilho na escuridão etérea
Se a beleza é estanque e rara
Eu broto como uma flor no asfalto
Se falto a unicidade tão cara
Foda-se, não te devo um caralho
Você não tem sequer água
Acha que pode ser uma tempestade
Eu, meu amor, tenho a mágua
Sou feito de tudo, sou feito de carne
Eu não sou tempestade apenas
Sou cada susto, cada clarão
Cada estrondo, cada dia explosão
Sou o relâmpago se conectando ao chão
Sou a lava de um vulcão em erupção

3 – Vírus

Uma sensação estranha na cabeça
Familiar e diferente de tudo de antes
Infecta profundo você e em instantes
Você quer que ela permaneça.
Por favor, que ela fique sempre!
A saudade eu deixo que entre
Todo dia pelo menos um pouquinho
Eu quero te ter no meu caminho…
A visita indesejada do sentimento
Seu sintoma é quebrar sua rotina no meio
Fazer você voltar a cabeça no tempo
Querer lembrar e viver aquele momento
Mas eu me sinto cansado também…
E o amor não é mais encantado
O tempo não traz mais nostalgia
E viver sem você não tem aquela magia
O vírus do luto é pior que o do amor.

2 – Obscuro

Um sonho de inquietude
Acordo no escuro da noite
Não lembro do sonho direito
O coração bate a mil no meu peito
Olho para frente e o que vejo?
Um enorme circulo peludo
Sentando sorrindo, moribundo
A duas palmas do meu rosto
O reflexo me pede para afastar
Para correr, não estar no mesmo lugar
Oh, mas não dá para me mover
Paralisado pelo sono ou pelo seu olhar
Aquilo vê meu susto com prazer
O que mais eu posso fazer?
Naquele momento, eu aceito a morte
Inevitável por aquela criatura abominável
Amorfa, inerte, invisível e torpe
E, ao passo que eu relaxo com o pavor
Aceitando meu destino com honra
Percebo, para minha vergonha
Que era apenas o ventilador

1 – Entidade

Just as the stars, falling
The gravity of you was enough
Failing to move away from it
I’m not as strong as earth
Everything seems so simple
Living a life, being in love
You’re sweet as maple
I couldn’t see this coming from above
And you came again, and again
Always giving me what I wanted
But now I know it’s in vain
The compassion doesn’t mean it’s granted
And now it’s the harsh part of falling
The ground may stop me now
But, as I hit the ground
I’m not me anymore, and somehow
It means that love can find me other time
Goddamn you, lord of love
I hate you for this feelings of mine
Don’t want to live in this norm
The sake of finding broken hearts
It’s just like falling as stars

Sinceridade, galera!#1

Saudações! Hoje eu volto a vocês para dizer que sim, eu farei um inktober!
Desculpa por estar distante, mas eu não estou conseguindo escrever como antes devido a um problema pessoal e porque também eu estou sem tempo — faculdade acabando, trabalhos e mais trabalhos. Mas esse mês é um poema por dia!
Não, eu não vou divulgar os temas aqui porque eu quero que seja surpresa, mas eu vou pegar emprestado de um amigo que está fazendo o dele também, que é de desenho. O Instagram e twitter dele são @Mariow.exe .
Ah, outra coisa: vou começar a numerar minhas interações com o pessoal do blog porque eu acho justo pra minha cabeça.

Agora sim, sem mais delongas. Até daqui a pouco.

Orla de Ondina – Salvador/BA. A água parece bonita, né?

Dia 31: Playful

É um desafio
É um jogo antiquado
num mundo e em tempos bem distantes
com nobres e monstros para lutar
(nada pode te deter além do mestre!)
Role playing game!
Faça seu personagem
você tem que ser alerta!
Cada movimento crucial
Te separa da morte certa!
A batalha é decisiva,
Você tem que pensar bem.
Você precisa fazer isso pra não morrer!
RPG! ROLE PLAYING GAME!
A chance para ganhar está em suas mãos
Trabalhe com sua equipe para vencer!
Role playing game!
(Inspirada na Abertura de Diamante e Pérola – Pokemon)

Dia 30: Despair

E é assim.
É uma rígida e dedicada bailarina que,
num dia fatídico de domingo,
perdeu o movimento das pernas.
É uma inofensiva garotinha que,
com medo inexplicável de escuro,
é jogada contra o mais sombrio porão.
É o batman caindo no poço,
com a exceção de que não é o Batman
e esse poço não tem saída.
É o “adeus” que ficou em sua garganta
e, mesmo você ainda sentindo falta,
nunca mais terá a chance de dizê-lo.
É preparar toda a apresentação,
como sempre o fizera,
mas no palco simplesmente esquecer de tudo.
É a destruição do mundo aos poucos,
mesmo sabendo que é errado.
Mesmo contando os dias até a extinção.
É a perda de toda esperança.