17 – Destruição

Desfaço meus planos
Disfarço meu interesse
Passam-se os anos
Fiz isso já muitas vezes

Destruo toda rotina
Os planos não dão certo
Ah, o erro é minha sina
Dessa vez foi tão perto

É sempre a mesma história
Como a qualquer um, simplória
Nada de novo sob o céu
As nuvens o escurecem como véu
Transformando a escória
Fazendo possível deles sonharem
Como um futuro mel
Ah, mas se eles soubessem…

A agência é uma mentira
Sei o caminho que cheguei aqui
Ele não foi descoberto por mim
Já havia uma trilha
E, no fim do dia, até eu me perdi

Eu não consigo fazer dar certo
Começo bem com romance ou estudo
Tudo é positivo em um segundo
No outro, completamente obscuro
Me vejo olhar um deserto

Um deserto por solidão
Um deserto de compreensão
Assim eu sigo, sozinho
Assim eu tenho, e definho

O engraçado é que sou eu
A culpa é toda minha
Eu que não fui um Romeu
Eu que não sabia a linha
Não sabia como me definia
Toda responsabilidade não tinha
Destruo-me todos os dias

16 – Café

Tomo um copo de café
E mais um
Eu quero você de volta
Você não é qualquer um

Recupero uma energia
Desabo a chorar
Não consigo mais agir
Ia tentar te contatar

Mais um copo pra dentro
E penso no nosso passado
Não entendo muito do errado
Espero não ter te machucado
Ali você era meu centro

Eu, amargo como o café
Não gosto de falar de amor
Nem sei mais o que é
Ainda assim, gasto meu vigor
Aqui nas páginas
Para falar de você mais uma vez

E eu tinha esperança, poxa
Que ingenuidade a minha
Não que você me faça de trouxa
Na real eu preferiria

Eu só não sei lidar…
Um sentimento nutrido
Por tanto tempo é doído
Quando há desencontro…

E eu sigo com mais um copo
Cerveja
Café
Água
Suco
Mas nada me enche mais
Como um dia você foi
Mas você não é mais capaz
De preencher esse vazio

15 – Metalinguagem

Penso, penso, penso
Sobre o que eu vou falar?
Talvez um amor imenso?
Não… Odeio essa temática
Talvez sobre as dificuldades
Essas a vida me dá de montão
Mas pra que mais de novo então?
Botar em outro lugar essa vulgaridade?
Eu sei que decerto eu mereço a autoridade
De falar sobre a minha vida
Posso ter a verdade garantida
Não interfere na minha integridade
Mas, ao transformar em texto
Perco no discurso
Na hora saio do eixo
Palavra atrás de palavra eu uso
Formando todo um contexto
E acabo caindo no buraco sem fundo

O consciente briga de volta
Ele quer o poder de não pensar
Mas a escrita sempre vence
Ela quer me representar
Marionete dos dois eu movo
Pauzinhos que batem sem parar
Os fios que se enroscam e de novo
Eu continuo a balançar
Eu não sei mais o que estou fazendo
Meus dedos batem na tela sem parar
Eu sei que estou escrevendo isso
E ela sabe que vai ter que parar
Antes que eu possa voltar
Antes que eu me sinta só
Ela ainda me deixa um último
Pensamento:

“Você é meu e eu nunca vou te deixar”

E eu respiro com alívio
Porque não sei mais viver sem ela
E ela some enquanto vivo
Mas quando desligo
Ela se apodera de minhas mãos

14 – Olhos demais

Existe um deus que me olha
Desde criança até por agora
Sabe meus gostos, viu minha
Melhora
Esse deus está me matando
Por dentro e por fora

Existem pessoas que me vêem
Olhos cheios de violência latente
Ansiosos por decidir quem é gente
Olhos que falam, olhos que mentem

Vejo também olhos de preocupação
Olhando o além ou até mesmo o filho
Olhar de carinho, de sonho ou proteção
Esses são os que fortalecem, os que brilham

Do amor ao sentimento deturpado
Aquele que busca uma objetificação
Olhos pedindo uma aprovação
Esses daí eu nem fico preocupado
Não vão andar do meu lado

Eu vejo olhos vendo olhos eu fico vendo olhos e olhos me vêem
Eu não quero mais nada de ninguém

A deus, ofereço meu escárnio de sua inexistência
Aos que odeiam, se cubram ante minha presença
Ao fraternal, que um dia eu possa retribuir
Aos que usam, vocês não passam daqui

Agora eu posso me ver
Possuo uma boca pra falar
Possuo olhos para enxergar
Um corpo para poder ser
Não preciso mais de outros olhos
E se secarem ao vento, pode deixar
Eu molho

Vocês são pontos de vista
São meros analistas
Eu posso viver longe disso
Vou aprender a lidar comigo

13 – Consciência

Sob o olhar do espírito redentor
Minha alma se orienta
Não há um caminho sem dor
A vitória virá, mas é lenta

Eu demonstro capacidade
Eu sei de assuntos e converso
Eu passeio fácil pela cidade
Mas há um detalhe disperso
Em meio a esse emaranhado
Controverso

Será que eu sou eu o tempo todo?
Quem será que controla meu corpo?
Eu realmente sou bom o suficiente?
Eu tenho controle de minha mente?

Há momentos em que eu desligo
Eu falho em manter “Ícaro” vivo
Os sistemas em pane, não consigo
Mantenho um olhar meio evasivo
Medo de não ser tudo aquilo…

Porque eu sei que possuo o saber
Eu li o assunto, soube escrever
Mas o pânico sobe na hora H
Eu não consigo mais comunicar

A luta é com o consciente
Constantemente, enervante
Não sei se é cansaço ou ansiedade
Nunca fui cuidadoso com essa parte

Mas o eu cobra de mim na hora
E eu, desesperado, desisto.
Saio fora.
O espírito redentor não me abençoou
Perdi a fala, perdi quem eu sou

12 – Inktober

Para mim o inktober está
ajudando-me a escrever
Está aí, você consegue ver
A palavra logo ali rimar

Dia após dia um texto novo
Todos lindos, recém criados
Refletindo o meu estado
Descrevendo o meu contexto

Agradeço mais aos leitores
Do fundo do peito peludo
A sua torcida não tem preço

Finalizando num soneto
Escrevo sem o amor aqui
Ele Não está em meu conceito

11 – 11 anos

Palavras soltas não formam frases
Pensamentos já têm uma estrutura
Não esperem consumir uns Stories
E achar que possuem a cabeça madura
Eu me sinto muito pressionado
E triste
Agora que o mundo mudou tanto
Nossa… com vocês eu era inspirado
Falávamos sobre política, vozes, lados
Éramos felizes com o tempo e encanto
E pensar que isso tem 11 anos…

Agora vocês são anarco-capitalistas
Política, direitos e estudos são piada
Cheios de raiva, ódio de um nada
Motivos trocados, pouco analistas…
Se sento para conversar é batata
Uma hora ou outra uma vibe errada
E eu, que sei uma coisa ou outra…
Pois bem, melhor é minha boca calada
Não quero mesmo cair nessa cilada

No final eu sinto muita tristeza
Pelos caminhos que se dividem
Não procuro uma certa grandeza
Não objetivo poder ou grande riqueza
Eu quero que justiça e igualdade prevaleça
Por isso acredito que somos diferentes
Vocês aceitaram a norma da injustiça
As músicas que ouvíamos são agora
Distorcidas
As piadas que riamos juntos peito a fora
São sérias medidas
E a política que tem o poder da melhora
É destruída

A ignorância faz a forca
A força está no discurso
Não sou O certo da história toda
Não estou aqui dando curso
Peço só pra não ser tolo ou tola
Youtuber, Blogger, influencer
Que base eles fazem uso?
Que teoria é de sua escolha?
Vejam bem esses caminhos
Porque eu quero o bem de vocês
Somos afinal grandes amigos
Amo vocês, seus bocós
Mas não me provoquem
E falem de assuntos que têm sentido

(atrasei uns dias. Desculpa. Tema dificil)

10 – Lambida

A primeira olhada é um engano
A segunda já é atiçando
Você se esforça pra eu ver você
Eu te encaro na vontade de fazer o quê?
E você se move como se me lesse
Disfarçando os planos em mente,
Andamos juntos separados entre eles
Zumbis uniformes andando a esmo
Mal sabem o segredo neles mesmos
Bom, Mas nós sabemos muito bem
Você passa primeiro e eu depois
Chego em você, agora só nós dois
Um lance gostoso, pra além do vai e vem
Eu olho em seus olhos desafiando os meus
E naquele momento não existe mais ninguém

O tempo de uma vida separados
Compensam nos momentos seguintes
Sinto a respiração forte, corpos atados
você segurando minha cintura firme
Nós nos conhecemos a cada pedaço
Orelha, boca, pescoço, peito, braço
Língua parece o instrumento apropriado
Um toque tão singelo e com significado
Que deus olhando ficaria envergonhado
A física me parece um empecilho
Sentimos a gravidade puxando a gente
Cada vez mais perto, o prazer na mente
Aperto mais
O suor na escuridão é o único brilho
Aperto mais
Quero transpassar seus sonhos
Aperto mais
As estrelas já parecem ter donos
Aperto mais
Sinto latejar seu coração perto do meu
Aperto mais
Dentro agora não existem mais dois “eus”
Seu corpo e prazer são nossos
Compartilho a voz e pensamentos
Meu limite não me importo, ultrapasso
Infrinjo o delito de amar só naquele momento
E por um segundo tudo faz sentido
A escuridão, nossos caminhos, o destino
Seus olhos no meu me abrem o paraíso
Pena que em um segundo se quebra o feitiço

A conexão era de internet discada
Talvez aquilo tudo… Não valha nada
Te alcanço com uma conversa furada
“Gostei muito de tudo ali, sabe?”
Você me diz: “É, uma foda boa danada”
Me esforço mais para andar
Quem sabe você se abre
Mas você tem outro lugar,
Uma outra fretada
Não me arrependo disso
Foi uma foda boa retada
Mas olho para o sonho e o feitiço
Deixo minha mente flutuar na mágica

9 – Maracutaia

E aí, cofoi meu parceiro?
A verdade é que eu tô na correria
Um lugarzinho pra fazer de puteiro
Só a gente contra o mundo inteiro
Você sabe de que eu tô dizendo
Assim, só vou precisar do dinheiro
Nem muito porque não sou trapaceiro
Nem pouco porque quero fazê-lo
A festa vai brotar da boa, cara
Só gente bonita enchendo a cara
Uns banquinhos, muita cachaça
E o dominó no centro da sala
Música da mais alta qualidade
O som da galera lá no talo,
muleque pensando maldade
Nada de briga de galo
Esses a gente junta pra bater
Imagina, nego: Eu e você
Uma festa dessas na nossa área
Só preciso do pix pra fazer
Ah, mas vai demorar um pouquinho
Quem sabe que valor vai tá o vinho
Vamo pensar em tudo CERTINHO
Não vai querer deixar o esquema
Se perder no caminho…
Falou?

8 – Glitch

Era uma tarde de sol forte
O céu azul assim como agora
A inspiração guiando o norte
Sem nem mesmo olhar pra fora
A imaginação guiando o caminho
Aí como é bom estar sozinho
Somente eu e a folha e minha mente
Celular toca, mas não é conveniente
Continuo a escrever, pois era o momento
Cada brilho do sol refletia o sentimento
Como é bom estar vivo e escrevendo
E o celular toca novamente
Eu só não sabia que essa fantasia
Acabaria tão de repente
O dia de sol já estava me avisando
Mas como pode uma notícia tão direta
Não condizer com a realidade?
O futuro que eu planejei tinha ela
Por que agora ela não está mais?
Algum erro de informação ou programação
E agora não existe mais futuro ou realização
Um problema do mundo ou da dimensão?
Não… Não… Não!

Não pode ser real isso tudo.
Não acredito no que está acontecendo
Não posso criar o meu mundo
Não quero sem você estar por dentro

A partir do “não” construo minha fantasia
Dimensão nova, a antiga não mais me continha
Sei que é sua escolha e não a minha
Refaço os passos, tento reentrar na linha
Mesmo nada mais fazendo sentido
Versos pobres, sem rimas ou caminhos
Isso é um sintoma do novo real aqui
Quando eu deixei você partir