Eu te deixo ir

Não sou bom com despedidas
Adoro fazer minhas malas
Mas odeio as partidas

Eu chego como quem não quer nada
Inesperada chegada
Me esforço para estar próximo
Povoo meu coração inóspito
Que há tanto tempo está sozinho
Se sente em casa no coração
Vizinho

Eu vacilo na adaptação
Uma hora eu estou aqui para ti
E muitas outras… Não
Perdoe a distância que impus
Tão descuidada assim
Sem sequer oferecer uma luz

Mas eu sou mesmo de viagem
Posso estar no infinito pela paisagem
Mas sempre volto para meu par
Digo lar
E vos amo até com a menor bobagem

Acredite em minhas palavras quando digo
Que não trocaria o meu abrigo
Por nada que não seja contigo
Eu sempre volto
De quem eu já amei eu não solto

Isso eu falo para meus amigos
Para os amores
E quem mais se interessar em escritores
Como eu, infelizes vadios
Procurando razão para compôr versos vazios

É por isso que dói tanto
O abandono que quebra o encanto
A distância que quebra a balança
O equilíbrio não mais me alcança

E se eu voltar e você não estiver mais lá?
O que vou fazer para novamente amar?
Para onde levarei desabrigado coração?
O que escreverei em minha canção?

No caso da ida
Eu te acompanho na despedida
Eu te abraço forte e choro como nunca
E te deixo ir, na esperança de seja feliz
Melhor longe fora daqui

Eu ainda te amarei, sim
Você nunca vai sair de dentro de mim
Balanço ao escutar nossas histórias
Imaginar ou relembrar usando drogas

Mas eu também não pararei
Farei novamente as malas
Aventurar-me-ei
De dia, sangrando a palpitar
De noite, ao fechar os olhos
Morando dentro de seu olhar

É engano

Por quantas terras intransitáveis
Eu já passei
E por quantos mares tempestuosos
Eu já nadei
Para ter o gosto de você de novo
Na minha boca
Derretendo feito manteiga
Firme como a carne mais suculenta
Quente como o jantar sobre a mesa
Ah, que desejo eu tenho
Viver no mundo onde posso desejar
Infelizmente o real deixa impossível
Alcançar
Besteira minha
Melhor deixar como está
Deixar o desejo em meio ao mar
Não mais andar o caminho até lá
Devo esquecer que te amo
Te ganhar e te ter é engano…
Preciso esquecer que te amo
Tanto…

Quatro passos

Um passo a frente
Eu não acredito
Faço piada com tudo que digo
Já que (com) todos foi igual
Você não pode ser diferente

Mais um passo
E eu vacilo
Erros servem para ser cometidos
Mas eu gero cansaço
Estimulo o fracasso
Auto-saboto o meu caso

E um passo a mais
Já não mostrei que não sou capaz?
Ninguém deve amor a mim
Não terei companhia jamais
Proíbo que caminhe assim
Siga os sinais e proteja-te

Quando chega o quarto passo
O passo mais longo e demorado
O passo que é dado pelo amor de fato
Eu não resisto e me abro
Solto demônios, deuses, diabos
Todos livres e declarados
Ansiando estar ao teu lado

A barragem começa a rachar
Deixando meus sentimentos a jorrar
E nessa loucura viva na cabeça
Você me pede para que te esqueça

Remendo a barragem
E seco os sentimentos com a mão
Pedindo para você perdão
Rezando para encontrar solução
Mas não
Não é falta de coragem
É não ver vantagem

Não é sobre perdão ou gratidão
Sou uma perda de futuro
Não sou suficientemente maduro
Nunca houve construção
É só a foda que nos mantém
Juntos

Agora que de novo levanto os muros
E desfaço os passos dados
Penso sobre meus amados
E entendo que é melhor partir
Colando as partes que deixei por aí
Do meu coração
Que se fragmenta a ruir

Súplica de amor

Eu gosto da ideia de que meu coração é grande. E de que nós amamos até onde ou quando nosso coração pode chegar com o amor. Recebendo e dando.

Meu coração há muito tempo não absorve o amor que recebe. De fato, venho continuamente desistindo do amor batendo em minha porta. Dos mais belos aos mais toscos, dos mais profundos aos mais rasos, eu fugi de todos, temendo o sofrimento que é amar alguém. Entretanto, ao passo em que eu degustava esses amores, algo sempre ficava para trás, como um quarto vazio acumulando tranqueira, como um coração acumulando espinhos. Tolo, pensei que seria o suficiente para saciar a fome de amor, quando na verdade eu não sentia fome – eu sentia solidão.

Por que eu preciso sofrer ao amar?

Por que o amor tem que significar dor?

A cada mordida em um fruto da árvore do amor, meu coração afundava ainda mais num precipício sem fundo. Tudo, absolutamente tudo, pesava em meu coração, que afundava descompassadamente. As palavras que soavam absurdas eram ditas e as ações que me guiavam eram comedidas.

E, por mais que o tempo passasse, eu não conseguia me acostumar a viver dolorido. Sempre surgia uma fada da esperança em meus ombros me convencendo a confiar, me instigando a não hesitar. Logo mais eu a via voando para longe, rindo em escárnio enquanto eu chorava no banheiro. Afundando em mim mesmo…

Ao toque, espetava como espinhos.

Ao som, agonizava como metal contra metal.

Ao cheiro, embriagava como bêbados.

Ao gosto, azedava como umbu.

Ao olhar, ardia como pimenta.

Do menino que não gostava de usar a palavra “amor” em vão, tornei-me um escravo da paixão. A brincadeira de se envolver sem amar se tornou fácil e acabei desaprendendo a dar significado à palavra por conta de tanto tempo sem usar.

Interesse sem significado, vontades vazias, carne batendo na carne e o calor sem vida.

Sem identidade.

Sem pessoalidade.

Sem amor.

Dentre tantas outras bocas, onde foi que eu perdi meu beijo?

Dentre tantas histórias em que me humilhei, onde eu deixei meu orgulho?

Meu auto cuidado…

Não estava esperando me apaixonar de verdade.
Até você chegar.
E agora eu tenho medo de te perder.
E me afundar de novo.
Eu sei que me coração é grande e sei que ele não tem limites para amar, mas isso não significa muito e não responde as perguntas que fiz até agora. Se puder, eu quero sua paciência. Eu quero sua presença. E te peço por seu amor. Daqui, eu vou me esforçar para desvendar essa infinidade contigo. Para mergulhar no que é novo e, portanto, desafiador.

Isso é muito difícil para mim também, eu quero que entenda que meus sentimentos são de vidro e quebram muito fácil, mas eu vou deixar a guarda baixa e vou te dar as armas para dar xeque em meu coração.

Por favor, não me deixe.

Ainda amo os malditos…

Tolice a minha acreditar em algum homem
Que ve o mundo numa lente disforme
Entenderiam a complexidade multiforme
De sentir o que puder por outros homens…

Sinto-me encapsulado numa outra realidade
Corro atrás de meus sentimentos quanto posso
Sou aberto, claro, direto para não faltar vontade
Mas assusto aqueles que eu me esforço

Talvez eu esteja errado nisso tudo que faço
Eu não deveria me expor tanto como ajo
Ou penso ou falo
Mas eu sei que meu coração é puro e valoroso
E isso é o suficiente para eu tentar de novo
E de novo e de novo
Até eu esquecer o quão está sendo doloroso
Ah… Todo esse martírio por reciprocidade
Até que eu enxergue nesse mar de crítica e vaidade
Alguma forma de respeito pela minha verdade

Rindo, eu ainda amo os malditos

Lighting the fire

Oh, the darkness that follows a man
So dark I can barely see anything
Talking with a stranger, but nothing
That’s not the person I am

Empty words don’t fill the space
Talking just for talking ain’t right
Diving deep into your eyes
To swim all over your mind
To submerge into your point of view
To know you better that anyone knew

I am full of loving and creation
Imagination makes me go further
I’m not stopping ‘til I reach the gutter
Burning low the fire of lovers

But as my fire can’t light all the room
You can’t talk to me too
I guess I’ll stay here on my own
Burning quietly in the dark alone

O tempo e a falta

Um vidro que quebra ao toque
Revelando um mundo frágil
O tempo avançando fácil
Mas eu ando meio torpe
Sentimentos pedem perdão
E me rasgam sem piedade
Me rasgam com a saudade
As armas mais vis do mundo são
Memórias da antiguidade
Tempos que nunca voltarão

Agora esse mundo é invisível
É inodoro, silencioso, Intangível
Tudo que tenho do mundo agora
É imaginar pela memória
O que fomos outrora
Ah, mas que tolice a minha
Não posso considerar os sentimentos
Que eu tinha
Pior ainda é o amor de verdade
Que dura mesmo com a pior tempestade

Mas esse texto não é sobre amor
E sim sobre o sentimento de falta
Amar me transforma em sonhador
Perde-los… Minha cabeça desaba

Há uma necessidade de estancar
O sentimentalismo que existe aqui
Porque, quanto mais jorro emoção
Mais esvazio meu coração

Sem resposta, sento no banco em um gramado
Olhando a esmo, uma chuva de meteoros
A Cada cometa, um grande querido amado
Olho para os lados, um bando de espólios
Mas a solitude me deixou há muito como coitado
E, quando a chuva acabar, e eu abrir meu olhos
Estarei velhaco, rabugento e mal-educado

Estarei velhaco, olhando para as estrelas
Pensando nas luzes delas bem distantes
Vivendo as luzes como se estivesse entre elas
Vivendo o passado sem seguir adiante

16 – Café

Tomo um copo de café
E mais um
Eu quero você de volta
Você não é qualquer um

Recupero uma energia
Desabo a chorar
Não consigo mais agir
Ia tentar te contatar

Mais um copo pra dentro
E penso no nosso passado
Não entendo muito do errado
Espero não ter te machucado
Ali você era meu centro

Eu, amargo como o café
Não gosto de falar de amor
Nem sei mais o que é
Ainda assim, gasto meu vigor
Aqui nas páginas
Para falar de você mais uma vez

E eu tinha esperança, poxa
Que ingenuidade a minha
Não que você me faça de trouxa
Na real eu preferiria

Eu só não sei lidar…
Um sentimento nutrido
Por tanto tempo é doído
Quando há desencontro…

E eu sigo com mais um copo
Cerveja
Café
Água
Suco
Mas nada me enche mais
Como um dia você foi
Mas você não é mais capaz
De preencher esse vazio

10 – Lambida

A primeira olhada é um engano
A segunda já é atiçando
Você se esforça pra eu ver você
Eu te encaro na vontade de fazer o quê?
E você se move como se me lesse
Disfarçando os planos em mente,
Andamos juntos separados entre eles
Zumbis uniformes andando a esmo
Mal sabem o segredo neles mesmos
Bom, Mas nós sabemos muito bem
Você passa primeiro e eu depois
Chego em você, agora só nós dois
Um lance gostoso, pra além do vai e vem
Eu olho em seus olhos desafiando os meus
E naquele momento não existe mais ninguém

O tempo de uma vida separados
Compensam nos momentos seguintes
Sinto a respiração forte, corpos atados
você segurando minha cintura firme
Nós nos conhecemos a cada pedaço
Orelha, boca, pescoço, peito, braço
Língua parece o instrumento apropriado
Um toque tão singelo e com significado
Que deus olhando ficaria envergonhado
A física me parece um empecilho
Sentimos a gravidade puxando a gente
Cada vez mais perto, o prazer na mente
Aperto mais
O suor na escuridão é o único brilho
Aperto mais
Quero transpassar seus sonhos
Aperto mais
As estrelas já parecem ter donos
Aperto mais
Sinto latejar seu coração perto do meu
Aperto mais
Dentro agora não existem mais dois “eus”
Seu corpo e prazer são nossos
Compartilho a voz e pensamentos
Meu limite não me importo, ultrapasso
Infrinjo o delito de amar só naquele momento
E por um segundo tudo faz sentido
A escuridão, nossos caminhos, o destino
Seus olhos no meu me abrem o paraíso
Pena que em um segundo se quebra o feitiço

A conexão era de internet discada
Talvez aquilo tudo… Não valha nada
Te alcanço com uma conversa furada
“Gostei muito de tudo ali, sabe?”
Você me diz: “É, uma foda boa danada”
Me esforço mais para andar
Quem sabe você se abre
Mas você tem outro lugar,
Uma outra fretada
Não me arrependo disso
Foi uma foda boa retada
Mas olho para o sonho e o feitiço
Deixo minha mente flutuar na mágica

8 – Glitch

Era uma tarde de sol forte
O céu azul assim como agora
A inspiração guiando o norte
Sem nem mesmo olhar pra fora
A imaginação guiando o caminho
Aí como é bom estar sozinho
Somente eu e a folha e minha mente
Celular toca, mas não é conveniente
Continuo a escrever, pois era o momento
Cada brilho do sol refletia o sentimento
Como é bom estar vivo e escrevendo
E o celular toca novamente
Eu só não sabia que essa fantasia
Acabaria tão de repente
O dia de sol já estava me avisando
Mas como pode uma notícia tão direta
Não condizer com a realidade?
O futuro que eu planejei tinha ela
Por que agora ela não está mais?
Algum erro de informação ou programação
E agora não existe mais futuro ou realização
Um problema do mundo ou da dimensão?
Não… Não… Não!

Não pode ser real isso tudo.
Não acredito no que está acontecendo
Não posso criar o meu mundo
Não quero sem você estar por dentro

A partir do “não” construo minha fantasia
Dimensão nova, a antiga não mais me continha
Sei que é sua escolha e não a minha
Refaço os passos, tento reentrar na linha
Mesmo nada mais fazendo sentido
Versos pobres, sem rimas ou caminhos
Isso é um sintoma do novo real aqui
Quando eu deixei você partir