16 – Café

Tomo um copo de café
E mais um
Eu quero você de volta
Você não é qualquer um

Recupero uma energia
Desabo a chorar
Não consigo mais agir
Ia tentar te contatar

Mais um copo pra dentro
E penso no nosso passado
Não entendo muito do errado
Espero não ter te machucado
Ali você era meu centro

Eu, amargo como o café
Não gosto de falar de amor
Nem sei mais o que é
Ainda assim, gasto meu vigor
Aqui nas páginas
Para falar de você mais uma vez

E eu tinha esperança, poxa
Que ingenuidade a minha
Não que você me faça de trouxa
Na real eu preferiria

Eu só não sei lidar…
Um sentimento nutrido
Por tanto tempo é doído
Quando há desencontro…

E eu sigo com mais um copo
Cerveja
Café
Água
Suco
Mas nada me enche mais
Como um dia você foi
Mas você não é mais capaz
De preencher esse vazio

10 – Lambida

A primeira olhada é um engano
A segunda já é atiçando
Você se esforça pra eu ver você
Eu te encaro na vontade de fazer o quê?
E você se move como se me lesse
Disfarçando os planos em mente,
Andamos juntos separados entre eles
Zumbis uniformes andando a esmo
Mal sabem o segredo neles mesmos
Bom, Mas nós sabemos muito bem
Você passa primeiro e eu depois
Chego em você, agora só nós dois
Um lance gostoso, pra além do vai e vem
Eu olho em seus olhos desafiando os meus
E naquele momento não existe mais ninguém

O tempo de uma vida separados
Compensam nos momentos seguintes
Sinto a respiração forte, corpos atados
você segurando minha cintura firme
Nós nos conhecemos a cada pedaço
Orelha, boca, pescoço, peito, braço
Língua parece o instrumento apropriado
Um toque tão singelo e com significado
Que deus olhando ficaria envergonhado
A física me parece um empecilho
Sentimos a gravidade puxando a gente
Cada vez mais perto, o prazer na mente
Aperto mais
O suor na escuridão é o único brilho
Aperto mais
Quero transpassar seus sonhos
Aperto mais
As estrelas já parecem ter donos
Aperto mais
Sinto latejar seu coração perto do meu
Aperto mais
Dentro agora não existem mais dois “eus”
Seu corpo e prazer são nossos
Compartilho a voz e pensamentos
Meu limite não me importo, ultrapasso
Infrinjo o delito de amar só naquele momento
E por um segundo tudo faz sentido
A escuridão, nossos caminhos, o destino
Seus olhos no meu me abrem o paraíso
Pena que em um segundo se quebra o feitiço

A conexão era de internet discada
Talvez aquilo tudo… Não valha nada
Te alcanço com uma conversa furada
“Gostei muito de tudo ali, sabe?”
Você me diz: “É, uma foda boa danada”
Me esforço mais para andar
Quem sabe você se abre
Mas você tem outro lugar,
Uma outra fretada
Não me arrependo disso
Foi uma foda boa retada
Mas olho para o sonho e o feitiço
Deixo minha mente flutuar na mágica

8 – Glitch

Era uma tarde de sol forte
O céu azul assim como agora
A inspiração guiando o norte
Sem nem mesmo olhar pra fora
A imaginação guiando o caminho
Aí como é bom estar sozinho
Somente eu e a folha e minha mente
Celular toca, mas não é conveniente
Continuo a escrever, pois era o momento
Cada brilho do sol refletia o sentimento
Como é bom estar vivo e escrevendo
E o celular toca novamente
Eu só não sabia que essa fantasia
Acabaria tão de repente
O dia de sol já estava me avisando
Mas como pode uma notícia tão direta
Não condizer com a realidade?
O futuro que eu planejei tinha ela
Por que agora ela não está mais?
Algum erro de informação ou programação
E agora não existe mais futuro ou realização
Um problema do mundo ou da dimensão?
Não… Não… Não!

Não pode ser real isso tudo.
Não acredito no que está acontecendo
Não posso criar o meu mundo
Não quero sem você estar por dentro

A partir do “não” construo minha fantasia
Dimensão nova, a antiga não mais me continha
Sei que é sua escolha e não a minha
Refaço os passos, tento reentrar na linha
Mesmo nada mais fazendo sentido
Versos pobres, sem rimas ou caminhos
Isso é um sintoma do novo real aqui
Quando eu deixei você partir

6 – Arrancar

Tiro as pétalas da flor
Linda flor da amizade
A cada pétala, uma dor
A cada pétala, uma vaidade
Construo-a inocentemente
Tentando amar como posso
Mas pessoas não são um “negócio”
Não há acordos complacentes
Mas eu quero acreditar de novo
Quero um terreno para pisar
Mas eu não sei mais desse povo
Talvez só queriam me usar…
Ou talvez eu que não saiba mais
O que significa amar…
Ao outro…
E eu nem sei se sou capaz…
Bom, pode continuar nessa brincadeira
De Bem me quer, mal me quer
O bem não faria essa besteira
E o mal… Burro não é…
Talvez eu seja a própria flor
Desmanchando ao vento
Tentando arrancar de mim
O sofrimento temível
De tentar mais uma vez

Ser um bom amigo

1 – Entidade

Just as the stars, falling
The gravity of you was enough
Failing to move away from it
I’m not as strong as earth
Everything seems so simple
Living a life, being in love
You’re sweet as maple
I couldn’t see this coming from above
And you came again, and again
Always giving me what I wanted
But now I know it’s in vain
The compassion doesn’t mean it’s granted
And now it’s the harsh part of falling
The ground may stop me now
But, as I hit the ground
I’m not me anymore, and somehow
It means that love can find me other time
Goddamn you, lord of love
I hate you for this feelings of mine
Don’t want to live in this norm
The sake of finding broken hearts
It’s just like falling as stars

Eu sou romântico

Eu brinco com meu próprio coração
A brincadeira engraçada que é o amor
E enquanto ele badala naquele calor
Meu cérebro me avisa sempre da dor
“A dor virá depois da emoção”
– avisa insistentemente para o coração

A encenação está preparada para acontecer
A noite caindo e eu bêbado, pensando em você
Quando cheguei, melhor recepção que já tive
Ali criamos nosso canto e queria que você me cative
Hoje isso só são memórias a desvanecer

Procurando você em todas as nuances
Jeitos, cores, espaços, becos, performances
Quero o ardor de ter você aqui e agora
Seu cheiro, seu gosto, seu corpo me aflora
Suas palavras deixam minha alma pra fora

O tempo sempre passa e uma hora termina
A brincadeira que antes tinha graça
Bem, ninguém falou que ela vicia, contamina
E eu procuro a você para brincar de amor
Você tira onda no insta em uma piscina
O cérebro avisa “perigo”, mas quero adrenalina

A brincadeira se tornou meu cativeiro
A todo tempo quero negar a mim
Mas eu quero sim te ter por inteiro
Uma pessoa tão incrível e bonita assim
Eu não consigo fugir dos feitiços certeiros

E eu sei que você não quer mais eu, não é?
As conversas vão e voltam como uma maré
Você não me quer e eu “aceito bem” isso
Tropeço no seu endereço, caio em seu feitiço
Você me deixa perdido
E de novo, e de novo e de novo.

Agora eu sei que a brincadeira de amar é eterna
Sei que meus amores vão comigo até o fim da terra
Sinto-me pressionado a pedir perdão pela situação…
Mas nessa caminhada, minhas memórias me deixam
São

Então não me desculpo, mas vivo os momentos
O cérebro, que antes avisou do perigo
Agora ele é o meu mais fiel amigo
Não sei se hoje conseguiria entrar num entendimento
Mas Três anos passaram e ainda estou contigo…

É, e nesses momentos finais eu o deixo só
Não estou mais aqui para você ter dó
Eu preciso seguir minha caminhada romântica
Gostar de outros, sentir novas dinâmicas

Sei que você é brilhante, te amo por isso
Mas estar aqui te vendo sem mim… não consigo.

CSSCC

Ela era as minhas palavras
Quando escrita, ela era poesia
Ela era também contos, ficção
Era lindo o que ela fazia
A cada canto, sua mão
Em cada encanto, sua canção
Você estava em tudo das artes.

Na música você era a harmonia
Aquela sensação gostosa
Me provocava alegria
Podia também ser a vibração
Intensidade, o fervo, a fritação
Atravessava tudo, sem ser tediosa

Nas pinturas, a pincelada principal
Aquela que não dá pra voltar atrás
Aquela que sobressai das gerais
Gerando uma pintura colossal
Obras de arte não são você, não.
Você é o cerne da arte, meu coração.
A própria e antes encarnada inspiração.

Na dança, você era a expressão
O talento? Claro que não.
Algo tão frivolo, tão básico
Não seria seu traço.
A expressão não é algo clássico
É o fogo que queima o pulmão,
O que dá sentido ao movimento
Você é o sentimento, interpretação

E por falar em expressão
Nada seria das artes cênicas
Se você não fosse a apresentação
Você é minha década de 90
Encarnada num papel pastelão
O escritor escreve, inventa
O ator recebe a obra e a orienta
Vivendo mil vidas em cena
Você era única em todas elas.

E na ciência, você era humana
Complexa demais para um laboratório
Confusa demais para um iniciante
Criava modelos para o aleatório
Tentando entender o perfeito
Imperfeito.

Eu nunca entendi como apenas “Arte”
Pode significar diversas atividades.
Mas ao te conhecer eu percebi
Que a arte não está nas escritas
Ou nas pinturas, ou nas danças
A arte é um momento, é um sentimento
É alguém que nós amamos
Rimas também não vão ser suficientes
Erro nesse final porque a arte é imperfeita
E é por isso que é especial

Te amo, Clara. Sinto sua falta.

Você brincou comigo nesse dia, falando sobre a altura e sobre cair de lá. Eu fiquei preocupado o tempo inteiro contigo até esquecer da conversa. Eu hoje me arrependo tanto de esquecer de nossas conversas.

Do amor à solidão

Eu quero a solidão.

Eu quero me sentir novamente completo. O vento no rosto e a sensação de que o mundo existe para eu conquistar. A sensação de ser invencível, consciente de meu poder, como uma estrela prestes a explodir numa supernova. Essa é minha força e meu potencial. Eu sou um evento de máxima proporção.

Quando pequeno, odiava músicas sobre amor. Hoje eu as escuto em parte pelo ritmo contagiante e em parte como uma ideia ingênua da vida fácil. Eu não tenho a sorte de viver uma vida de depois do arco-íris. Pois se o arco-íris é uma ponte para o amor, eu moro debaixo dessa ponte. Minha morada não é somente solitária, eu aceito visitas, mas preciso de meu espaço.

Sim, eu quero a solidão. Apenas eu entendo o que eu penso, falo, vivo. Faz tanto tempo que estou só, não consigo mais me dividir. Talvez porque tenham levado o que eu deixei levar de mim, ou talvez eu nunca tenha sido essa pessoa de compartilhar eu mesmo.

Que responsabilidade tenho por amar o outro? Contanto que me faça feliz, é o que eu procuro, mas assim que intervém em mim, eu fujo para longe, deixando um pouco de mim para traz. Quantas vezes eu deixei esse pouco de mim? Amor a um já é difícil o suficiente.

Escolho a vida só. Não só para não me magoar, não me importaria de deixar mais um pouquinho com alguém que eu confie, mas especialmente para me sentir completo. A estabilidade de ser eu é muito mais querida e eu não a troco por nada. É uma escolha que também apresenta consequências, mas é a melhor para mim.

Se eu amo ou amei, continuo amando até quando puder.

Se eu quero perto ou já quis, continuo querendo, mas agora com a consciência de que eu não posso e não vou ter.

Se eu estou só, então consigo trilhar meu caminho em paz.

Peça de Baralho

Eu me sinto otário
De novo uma peça no baralho
Não combino nessa mesa
Desamparado, é a tristeza.
Essa sabe o quanto me beija…

Afogado nos sentimentos
Emergi mais uma vez sufocado
Ergui-me sobre meus cacos
Rolo os dados, destino traçado
Todos ali me vendo
Desnudo, desdentado.
Envergonhado de mim mesmo.

Ando molhado por aí
Não confio em amantes
Ou em pessoas ruins.
Só tenho meu coração
Pulsante
E um caminho a seguir.

Meu rosto é desfigurado
Beleza se torna o meu pesadelo
Luto ainda contra os medos passados
Não sei mais se consigo vence-los

Eu ao fim descanso
Numa extenuante dor,
Insignificante.
Não interessa mais aonde me lanço
Logo me vejo como peça
Num baralho gigante.

Dia 26: Loving

Você sabe me desarmar como ninguém,
logo eu, alguém tão protegido,
tão calejado das guerras por amor.
Sou sim Helena de Tróia,
Confusa com o próprio destino trágico.
Sou também Jacinto,
morto por um amor invejável, impossível.
Nessas empreitadas nunca saí ganhando.
Sou o primeiro soldado a cair.
Sou o próprio campo de guerra,
há muito mudado pelas batalhas.
Sou só. E não me faz mal ser só.
Apenas amar a mim não me satisfaz
pois transpiro amor por inteiro
Como um copo numa fonte eterna,
que transborda sem parar
em que a água não para de jorrar.
Dói sentir as gotas caírem,
mas escrever me ajuda a suportar.