Eu sou romântico

Eu brinco com meu próprio coração
A brincadeira engraçada que é o amor
E enquanto ele badala naquele calor
Meu cérebro me avisa sempre da dor
“A dor virá depois da emoção”
– avisa insistentemente para o coração

A encenação está preparada para acontecer
A noite caindo e eu bêbado, pensando em você
Quando cheguei, melhor recepção que já tive
Ali criamos nosso canto e queria que você me cative
Hoje isso só são memórias a desvanecer

Procurando você em todas as nuances
Jeitos, cores, espaços, becos, performances
Quero o ardor de ter você aqui e agora
Seu cheiro, seu gosto, seu corpo me aflora
Suas palavras deixam minha alma pra fora

O tempo sempre passa e uma hora termina
A brincadeira que antes tinha graça
Bem, ninguém falou que ela vicia, contamina
E eu procuro a você para brincar de amor
Você tira onda no insta em uma piscina
O cérebro avisa “perigo”, mas quero adrenalina

A brincadeira se tornou meu cativeiro
A todo tempo quero negar a mim
Mas eu quero sim te ter por inteiro
Uma pessoa tão incrível e bonita assim
Eu não consigo fugir dos feitiços certeiros

E eu sei que você não quer mais eu, não é?
As conversas vão e voltam como uma maré
Você não me quer e eu “aceito bem” isso
Tropeço no seu endereço, caio em seu feitiço
Você me deixa perdido
E de novo, e de novo e de novo.

Agora eu sei que a brincadeira de amar é eterna
Sei que meus amores vão comigo até o fim da terra
Sinto-me pressionado a pedir perdão pela situação…
Mas nessa caminhada, minhas memórias me deixam
São

Então não me desculpo, mas vivo os momentos
O cérebro, que antes avisou do perigo
Agora ele é o meu mais fiel amigo
Não sei se hoje conseguiria entrar num entendimento
Mas Três anos passaram e ainda estou contigo…

É, e nesses momentos finais eu o deixo só
Não estou mais aqui para você ter dó
Eu preciso seguir minha caminhada romântica
Gostar de outros, sentir novas dinâmicas

Sei que você é brilhante, te amo por isso
Mas estar aqui te vendo sem mim… não consigo.

Aceitação passo por passo

Enquanto as lágrimas secam, surge o vazio
Raramente lembram de falar sobre a aceitação
A aceitação de que tudo outrora construído, ruiu.
Ruínas que não cantam hoje a mesma canção

E agora eu que lute para seguir em frente
Sem mãos carinhosas ou algum abraço quente
A própria ideia de viver sem você já destrói a paz
Eu, que sou capricórnio, odeio mudar minha rotina
Sei que por você eu poderia fazer isso e muito mais…

E é onde mora o impiedoso sentimentos de nada
Nas palavras nunca mais ditas, nos jeitos e voz
Ouço seus áudios e sinto uma culpa danada
Poderia ter sido mais presente, ter um tempo para nós

Egoísta, eu sei.
Se tiver uma realidade depois dessa, desculpa
Estou prendendo você à sua existência antiga
Mas eu vou continuar com o sentimento de culpa
Pois egoísta que sou, ainda quero você na minha vida

Nunca tive a possibilidade de te agradecer por tudo
Você foi mais que uma amiga ou namorada, Clara
Era quem eu dividia meu secreto e silencioso mundo
Agora, já sem você, não existem mais pessoas raras
Os sabores e cheiros e sons ficam… Apenas no mudo.

Eu preciso parar de criar essa coisa à sua volta
Preciso voltar a amar você como apenas memória
Para aqueles sentimentos que me apego, solta!
Para aquelas memórias que eu tenho de você, história.

Digo História, pois é impossível de reescrevê-la
Transbordo sempre palavras, mas só vendo futuro
Não há muros que impeçam a quem nesse barco veleja
Sobre o mar desafiador de correntes fortes que rupturo
As águas feitas de realidades passadas, um suco puro

Deixar-te-ei para encontros em meus humildes textos
Preciso equilibrar o barco e setar logo um rumo
E nas tuas mãos não me parece mais seguro ou oportuno
Guardar-me da vida que ainda transforma meus eixos

Vou despertar em
3
2
1…
Amo-te, boba.

CSSCC

Ela era as minhas palavras
Quando escrita, ela era poesia
Ela era também contos, ficção
Era lindo o que ela fazia
A cada canto, sua mão
Em cada encanto, sua canção
Você estava em tudo das artes.

Na música você era a harmonia
Aquela sensação gostosa
Me provocava alegria
Podia também ser a vibração
Intensidade, o fervo, a fritação
Atravessava tudo, sem ser tediosa

Nas pinturas, a pincelada principal
Aquela que não dá pra voltar atrás
Aquela que sobressai das gerais
Gerando uma pintura colossal
Obras de arte não são você, não.
Você é o cerne da arte, meu coração.
A própria e antes encarnada inspiração.

Na dança, você era a expressão
O talento? Claro que não.
Algo tão frivolo, tão básico
Não seria seu traço.
A expressão não é algo clássico
É o fogo que queima o pulmão,
O que dá sentido ao movimento
Você é o sentimento, interpretação

E por falar em expressão
Nada seria das artes cênicas
Se você não fosse a apresentação
Você é minha década de 90
Encarnada num papel pastelão
O escritor escreve, inventa
O ator recebe a obra e a orienta
Vivendo mil vidas em cena
Você era única em todas elas.

E na ciência, você era humana
Complexa demais para um laboratório
Confusa demais para um iniciante
Criava modelos para o aleatório
Tentando entender o perfeito
Imperfeito.

Eu nunca entendi como apenas “Arte”
Pode significar diversas atividades.
Mas ao te conhecer eu percebi
Que a arte não está nas escritas
Ou nas pinturas, ou nas danças
A arte é um momento, é um sentimento
É alguém que nós amamos
Rimas também não vão ser suficientes
Erro nesse final porque a arte é imperfeita
E é por isso que é especial

Te amo, Clara. Sinto sua falta.

Você brincou comigo nesse dia, falando sobre a altura e sobre cair de lá. Eu fiquei preocupado o tempo inteiro contigo até esquecer da conversa. Eu hoje me arrependo tanto de esquecer de nossas conversas.

Peça de Baralho

Eu me sinto otário
De novo uma peça no baralho
Não combino nessa mesa
Desamparado, é a tristeza.
Essa sabe o quanto me beija…

Afogado nos sentimentos
Emergi mais uma vez sufocado
Ergui-me sobre meus cacos
Rolo os dados, destino traçado
Todos ali me vendo
Desnudo, desdentado.
Envergonhado de mim mesmo.

Ando molhado por aí
Não confio em amantes
Ou em pessoas ruins.
Só tenho meu coração
Pulsante
E um caminho a seguir.

Meu rosto é desfigurado
Beleza se torna o meu pesadelo
Luto ainda contra os medos passados
Não sei mais se consigo vence-los

Eu ao fim descanso
Numa extenuante dor,
Insignificante.
Não interessa mais aonde me lanço
Logo me vejo como peça
Num baralho gigante.

Feliz aniversário, amigo

Esta é uma carta para adiantar a despedida
Eu amo você demais para pensar em te perder
Então escreverei isso para me preparar logo
Afinal, sei que não vou lidar bem com isso

Dói em mim pensar em deixar você ir
Dói, porque você foi quem eu escolhi confiar
Mas, enquanto com o tempo, nunca escolhi te amar
A princípio, um estalo e eu pensei muito em paixão
Pensei em mais um romance daqueles de verão

Mas não
Você veio como um engavetamento de carros
Inesperado, violento, barulhento e dolorido
Exatamente como um acidente infeliz
Irresponsável, inevitável, conflituoso e sem final feliz
Eu penso sobre como nunca quis ser seu amante
Penso sobre o amar como algo ainda mais facinante
Queria muito continuar contigo como estamos agora
Sua amizade é realmente o que me faz ter forças pra odiar o mundo
Não sei o que vai ser da nossa dupla comigo sozinho

Já sinto sua falta mesmo antes de você ir embora
Fofocar sobre os eventos não vai ser mais a mesma coisa
Seu sorriso sarcástico pronto pra me perturbar
Seu olhar de atenção quando eu tô triste tristonho
Não quero perder mais um amigo, sabe?
Mas eu sei que você vai conquistar sua vida por aí
São Lázaro é muito pequena pra conter suas habilidades
Sou sentimental e fresco, sei que você vai manter contato quando quiser

Eu não comprei o livro que você queria e me pediu
Invés de comemorar ou sei lá, vou mandar essa carta
Enfim, eu gosto de você, seu corno.
Espero que isso não mude.

Bravado ~

Ouvi a música “Bravado” de Lorde e fiquei pensando sobre meu Bravado. Meu grito de guerra. Minha vontade interior. Talvez o encontrar seja justamente sobre se entender, sobre ao mesmo tempo criar e explorar o que já existe dentro de você. Um baú de pólvora esperando a fagulha.
Essa fagulha já existe.

Toda minha vida eu pensava
Que um dia minha hora chegaria
Mas eu estive mais ocupado
Me preparando para a grande chegada
Não construí sua estrada
E agora não sabia mais se viria

Mas a maré finalmente virou
Os ventos sopram ao meu favor
Os fios do destino ganham entorno
Não tenho entusiasmo pelo retorno
Estranho demais pensar meu corpo
Exposto, num palco pensando a dor
Dolorido, expondo o pensador (colonizador)
Eu não sei se quero para mim isso
Uma vida inteira de professor

Os olhos ávidos por atenção
As armas são apenas o piloto na mão
A única coisa que me agarro
Para manter minha sanidade
É a minha determinação

A sala está cheia e barulhenta
O respeito é de amigo, parceiro
A reclamação é briga, esquenta
Situação de discussão não é passageiro
Eu não quero lidar com criança o dia inteiro

Meu grito está nas pequenas criações
Gosto da independência de suas ações
Vejo de bons olhos todas as questões
E outros pontos que eles trazem consigo

Vejo no aluno um amigo perdido
Aquele que você não fala faz anos
Que faz sempre para você pedidos
Mas que você sabe que para fazer acontecer
São necessárias organizações, novos planos

Sei que é uma forma ruim de pensar indivíduos
Mas é a única forma que me impulsiona a ir
Talvez tudo que fale se torne meros resíduos
Eu não me importo contanto que faça algo fluir

Eu posso tornar esse o meu chamado
Transformar tudo ao meu redor que for tocado
Se tivesse certeza, moveria todos meus recursos
Viria com outros olhos! Traçaria logo o curso!
No entanto, não sinto aquele arrepio
O calafrio despertando na ponta do espinhaço
Meu braço não vira o leme do barco
E o mar revolto me impede de atracar nesse espaço

Então qual será o meu grande chamado?
Por deus, eu não aguento mais a calmaria
O caminhar a esmo sem algum guia
A resposta para qualquer pergunta bastaria

Resposta cujo entendimento depende de mim
Se não atingi-lo, eu estagnarei bem aqui
O grande espectro da expectativa de me definir

Acho que essa foto minha tentando fazer uma pose e absolutamente tudo dando errado é a melhor representação desse texto.