Desabafos de um dezembro confuso

Todo dia eu peço aos céus para que as coisas que eu estou vivendo agora não signifiquem nada no futuro. Para que as pessoas, as experiências, os momentos passem. Para que eu possa respirar e viver uma vida digna de verdade, digna de mim. Viver do reflexo de meu passado é como viver uma vida que não é minha. É como renascer todos os dias com memória das vidas passadas.
Não me arrependo de nada e tampouco sinto vergonha ou medo. Eu só queria me permitir mudar, crescer, quebrar esse casulo que me prende ao passado e desabrochar numa linda borboleta ou numa feiosa mariposa. Só quero poder mudar e deixar para trás o ontem.
No entanto, a vida é cheia de truques e, quanto mais eu tento seguir um caminho a frente, mais eu percebo estar andando no caminho contrário. Quanto mais me mexo para sair, mais afundo na areia movediça. Quanto mais eu corro dos problemas para me sentir bem, mais eu volto aos mesmos problemas.

A maior armadilha de todas: afeto e proteção em troca a de controle, chantagem, manipulação, humilhação. Ela é eficiente porque combina o afeto com a humilhação, o que pode parecer confuso, mas um complementa o outro.

O que é mais adulto: desistir ou perseguir seus sonhos?

Um assunto que está se tornando comum nas rodas de amigos comigo é sobre essa grande dicotomia da atualidade: ou eu desfaço meus sonhos para perseguir uma perspectiva de vida mais economicamente estável ou eu sigo meus sonhos e vivo miseravelmente me alimentando apenas de meus sonhos. Cada uma com seus pontos positivos e negativos, essas escolhas para pessoas de minha idade definem completamente a vida delas. Considerando o sucesso de uns e a derrocada de outros, como saber que escolheu o caminho correto?

A resposta é que não tem como saber. Eu escolhi a realização pessoal e estou lidando com os problemas disso – e ISSO é ser adulto. Lidar com os problemas de nossas escolhas e persistir em sobreviver. Entender que determinadas escolhas não voltam atrás, que podemos ser tolos e podemos dar sorte, mas tudo depende de nós. E entender isso não significa nos punir pelas escolhas erradas, mas absorver como potencial futuro.

E eu escolhi o caminho da realização pessoal. Se cometi um erro ou um acerto só depende de mim e do que acontecerá com meu futuro. O que eu me importo é o agora e agora eu consigo me alimentar e me sentir feliz onde estou. Possuo planos para meu futuro porque eu quero continuar no meu sonho e traçar novos sonhos a partir dele porque eu descobri algo bem importante recentemente: se você não tem sonhos, você não consegue viver. Se você não tem um objetivo de vida, você não vai para frente. Seja seu objetivo sustentar sua família, sair do país, ser o melhor professor do Brasil ou até mesmo o maior intelectual que já existiu, tudo precisa começar em algum lugar.

Portanto eu sonho. Eu sonho que eu vou mudar Salvador ou alguma cidade. Eu quero fazer do planeta um lugar que consigamos viver. Eu quero que as pessoas tenham casa. E eu vou construí-las.
Não vou dizer que não me arrependo. Que não tenho momentos de fraqueza. Que em conversas com pessoas mais ricas eu não fique mais acanhado ou desestimulado. Mas esses momentos de fraqueza fazem parte do pacote que eu escolhi chamado “realização pessoal”. Cabe a minha procurar o meu lugar na minha vida e distanciar a minha vida do discurso de outras pessoas, apesar de viver na mesma cidade e estar nos mesmos lugares.

Esse texto não fala sobre pessoas que tiveram escolhas difíceis ou impossíveis de tomar e também não fala sobre pessoas que juntaram a realização pessoal com a vida economicamente ativa, ou pessoas em que não vêem a diferença entre esses dois porque para essas viver é ser rico e mimado. Esse texto é um desabafo sobre conversas em diversos ciclos de amizade que eu estou enfrentando faz um tempo sobre minha decisão de fazer ciências sociais.

Sou professor. Sou sociólogo. Posso ser muito mais a partir daqui. Basta eu procurar e bater de frente para correr atrás de meus sonhos. Fodam-se os “não” no meio do caminho, e muito mais as pessoas que jogam suas frustrações e seus sonhos perdidos em minhas costas. Eu sei quem eu sou. Posso mudar no futuro. Posso reajustar meu sonho. Mas continuarei sendo Ícaro.

Para aqueles que se perderam dentre a vida, que perderam o ritmo da mudança e começaram a afundar os pés no asfalto em um dia de sol quente: comecem do zero e tenham coragem para isso. Refaçam seu ritmo. Mudem o ritmo. Comecem com afazeres pequenos. Pensem o estilo de vida que queiram viver. E, por fim, desenvolvam seu sonho. Sua gana.

(Foda-se Sartre ou qualquer outro filósofo que possa ser interpretado quando eu escrever isso. Eu não queria criar essa ponte).

Eu sou romântico

Eu brinco com meu próprio coração
A brincadeira engraçada que é o amor
E enquanto ele badala naquele calor
Meu cérebro me avisa sempre da dor
“A dor virá depois da emoção”
– avisa insistentemente para o coração

A encenação está preparada para acontecer
A noite caindo e eu bêbado, pensando em você
Quando cheguei, melhor recepção que já tive
Ali criamos nosso canto e queria que você me cative
Hoje isso só são memórias a desvanecer

Procurando você em todas as nuances
Jeitos, cores, espaços, becos, performances
Quero o ardor de ter você aqui e agora
Seu cheiro, seu gosto, seu corpo me aflora
Suas palavras deixam minha alma pra fora

O tempo sempre passa e uma hora termina
A brincadeira que antes tinha graça
Bem, ninguém falou que ela vicia, contamina
E eu procuro a você para brincar de amor
Você tira onda no insta em uma piscina
O cérebro avisa “perigo”, mas quero adrenalina

A brincadeira se tornou meu cativeiro
A todo tempo quero negar a mim
Mas eu quero sim te ter por inteiro
Uma pessoa tão incrível e bonita assim
Eu não consigo fugir dos feitiços certeiros

E eu sei que você não quer mais eu, não é?
As conversas vão e voltam como uma maré
Você não me quer e eu “aceito bem” isso
Tropeço no seu endereço, caio em seu feitiço
Você me deixa perdido
E de novo, e de novo e de novo.

Agora eu sei que a brincadeira de amar é eterna
Sei que meus amores vão comigo até o fim da terra
Sinto-me pressionado a pedir perdão pela situação…
Mas nessa caminhada, minhas memórias me deixam
São

Então não me desculpo, mas vivo os momentos
O cérebro, que antes avisou do perigo
Agora ele é o meu mais fiel amigo
Não sei se hoje conseguiria entrar num entendimento
Mas Três anos passaram e ainda estou contigo…

É, e nesses momentos finais eu o deixo só
Não estou mais aqui para você ter dó
Eu preciso seguir minha caminhada romântica
Gostar de outros, sentir novas dinâmicas

Sei que você é brilhante, te amo por isso
Mas estar aqui te vendo sem mim… não consigo.

Aceitação passo por passo

Enquanto as lágrimas secam, surge o vazio
Raramente lembram de falar sobre a aceitação
A aceitação de que tudo outrora construído, ruiu.
Ruínas que não cantam hoje a mesma canção

E agora eu que lute para seguir em frente
Sem mãos carinhosas ou algum abraço quente
A própria ideia de viver sem você já destrói a paz
Eu, que sou capricórnio, odeio mudar minha rotina
Sei que por você eu poderia fazer isso e muito mais…

E é onde mora o impiedoso sentimentos de nada
Nas palavras nunca mais ditas, nos jeitos e voz
Ouço seus áudios e sinto uma culpa danada
Poderia ter sido mais presente, ter um tempo para nós

Egoísta, eu sei.
Se tiver uma realidade depois dessa, desculpa
Estou prendendo você à sua existência antiga
Mas eu vou continuar com o sentimento de culpa
Pois egoísta que sou, ainda quero você na minha vida

Nunca tive a possibilidade de te agradecer por tudo
Você foi mais que uma amiga ou namorada, Clara
Era quem eu dividia meu secreto e silencioso mundo
Agora, já sem você, não existem mais pessoas raras
Os sabores e cheiros e sons ficam… Apenas no mudo.

Eu preciso parar de criar essa coisa à sua volta
Preciso voltar a amar você como apenas memória
Para aqueles sentimentos que me apego, solta!
Para aquelas memórias que eu tenho de você, história.

Digo História, pois é impossível de reescrevê-la
Transbordo sempre palavras, mas só vendo futuro
Não há muros que impeçam a quem nesse barco veleja
Sobre o mar desafiador de correntes fortes que rupturo
As águas feitas de realidades passadas, um suco puro

Deixar-te-ei para encontros em meus humildes textos
Preciso equilibrar o barco e setar logo um rumo
E nas tuas mãos não me parece mais seguro ou oportuno
Guardar-me da vida que ainda transforma meus eixos

Vou despertar em
3
2
1…
Amo-te, boba.

Peça de Baralho

Eu me sinto otário
De novo uma peça no baralho
Não combino nessa mesa
Desamparado, é a tristeza.
Essa sabe o quanto me beija…

Afogado nos sentimentos
Emergi mais uma vez sufocado
Ergui-me sobre meus cacos
Rolo os dados, destino traçado
Todos ali me vendo
Desnudo, desdentado.
Envergonhado de mim mesmo.

Ando molhado por aí
Não confio em amantes
Ou em pessoas ruins.
Só tenho meu coração
Pulsante
E um caminho a seguir.

Meu rosto é desfigurado
Beleza se torna o meu pesadelo
Luto ainda contra os medos passados
Não sei mais se consigo vence-los

Eu ao fim descanso
Numa extenuante dor,
Insignificante.
Não interessa mais aonde me lanço
Logo me vejo como peça
Num baralho gigante.

Um intervalo

Eu aceito o mundo não girar ao meu redor. Eu aceito as coisas não saírem da forma como eu planejei. Eu aceito estar errado mais da metade das vezes e, mesmo se eu tiver explicações, eu prefiro só aceitar a culpa. Eu trabalho comigo mesmo meus defeitos e sei reconhecê-los. Ainda sim eu sinto um furo no meu peito, um vazio que quase eu sinto ser literal por conta da minha respiração que vacila às vezes. Não sei exatamente porque eu sinto isso, mas eu simplesmente sinto essa angústia que incomoda tanto o tempo inteiro. 

Na verdade, eu sei o que é: sou uma pessoa carente. E eu assumi essa identidade, mesmo sem perceber e mesmo sem querer e é isso que as outras pessoas veem em mim – apenas carência. Por isso que eu sou chamado de fofo, por isso que eles me acham estúpido ou brincam tanto com meus sentimentos e por isso que eu também sou tão autodefensivo e inseguro. Se eu fosse menos carente e firmasse minha vida sob as bases do que realmente importa (minha vida profissional, meus estudos, meu futuro, pessoas que se importam comigo) eu estaria em um lugar diferente daquele que estou agora.

No entanto, eu não controlo esses sentimentos de insegurança, autodestruição e autodefesa. Eles simplesmente assumem quando eu abaixo a guarda, e faz tempo que eles não aparecem, justamente porque meio e fim do ano passado eu passei ocupado demais cuidando de mim e longe de pessoas que me faziam sentir como me sinto nesse exato momento. E agora que eu parei para pensar, esses sentimentos estão ficando fortes em mim e assumindo minha personalidade e eu, sinceramente, nem sei mais se me importo, mesmo eles me fazendo questionar toda a carreira que eu construí para mim durante 5 anos.

Palavras-chaves: Insegurança; Amizade; Autopreservação; 

Esse é um rabisco antigo de um amigo meu chamado Fritas que eu adoro de paixão. Com ele eu quase nunca me senti desconfortável. Um dia vou para MG vê-lo. Amo-te, Fritas.

O que vale a palavra?

Cansei de meus problemas serem tratados com supérfluos quando só eu sei o que eu tô sentindo ou vivendo. Ser pensado como indivíduo característico de um grupo que não me identifico porque vocês se acham inteligentes o suficientes para me classificar e classificar minhas vivências. Quando chegamos ao ponto de pensar sobre o outro e entender a realidade como perspectivas ou de forma analítica, vocês nunca vão conseguir porque estão presos em discursos pessoais personalizantes que só falam sobre pessoas e não sobre uma realidade em comum.

Apolo é uma companhia muito boa para momentos de reflexão. Estou cansado do povo de minha faculdade.