Dia 10: Disappointed

No dia em que você o fizer
Fizer aquilo que prometes
Olhe para frente.
Siga seu caminho.
Entenda que é um ponto final.
Porque se você fraquejar,
se cansar, se duvidar ou até parar
por um segundo que seja
Você saberá que estou aqui.
Lembrará de minha existência.
E nesse momento
você vai desistir
chorar por mim, pedir desculpas
e eu?
Eu vou dizer o que tu disseste
“Você não é o suficiente para mim”.

Dia 9: Dismissive

Acordei hoje mais cedo
na verdade, não dormi.
Comi uma coisa mais light
para adoçar o dia…
Na verdade, não comi.
Olhei para cima, o céu.
Tão forte os raios de sol
Tão fresco faz o dia…
Mas claro que não vi o sol
afinal estava chovendo.
Meu guarda-chuva!
Quebrado.
Meu compromisso?
Estou atrasado.
Às vezes, para um azarado
a vida é sobre olhar naqueles
pequenos detalhes a felicidade.
Impossível.

Dia 7: Humiliated

Vá se fuder!
Suas palavras são sujas.
Não quero nada de você.
Recuso seu jeito de ser.
Eu já fui aquele ali
o que entretém,
o que os faz rir,
não sou mais o otário.
Você me iludiu, me fez fraco,
me inabilitou de ser só meu.
Tudo o que eu pensava
era para fugir ou para
melhorar essa caricatura.
Nunca era suficiente.
Então quando escuto falar
“Constrangimento é pedagógico”
Vá se fuder!

Dia 6: Horrified

Depois da porta
do lado de fora do quarto
está escuro e quieto.
Não há mais nada ali e
apesar de não morar só,
todos dormem nessa hora.
Então porque você,
ao se concentrar no trabalho,
tarde da noite, no silêncio,
Você se sente observado?
Como se um espírito brincasse
de esconde-esconde contigo
te chamando para sair
para que possa encontrá-lo
E libertá-lo desse plano.
Ou apenas um assassino mesmo
esperando você dormir
para cortá-lo o pescoço
assim como já fez com os outros
Vai, feche os olhos!
Durma! É melhor mesmo!

Dia 5: Distant

Por todos que já passaram,
por aqueles que foram e
por aqueles que ficaram,
vejo hoje a vida em trânsito.
Ele não vai estar aqui para sempre
e ela nunca mais quer te ver.
É engraçado como eu fui tolo.
A única pessoa que me acompanha
que vê meus passos
me aplaude e me edifica
sou somente eu.
Mesmo que eu sinta às vezes
distante até mesmo de mim
eu sou minha única companhia.
Eu confio em outros, todavia.
Eu consigo amar outros
abrigar outros em meu coração
por mais que no fim isso doa.
Por mais que eu saiba
que, para existir caminho
é necessário o deslocar
implicando distância.

Dia 4: Overwhelmed

Quero muito chorar.
Eu olho pra mim e vejo
sombras de um tormento.
Não almejo mais do que posso,
logo não consigo nada.
Impeço meus passos,
persisto no impossível
para me dar a completude –
mesmo que não saia do lugar.
Angústia que enche meus peitos,
tomando o lugar do ar,
sufocando-me, atordoando-me.
O trabalho é tão simples, não?
Escrever ou ler ou escrever ou…
Nem sei mais o que fazer.
Inevitável o caminho fácil:
procrastinação e desculpas.

Terceiro dia: Inspired

O poder está em minhas mãos
Literalmente, um espaço,
palavras e meus dedos.
O futuro de meus sentidos
está cravado nessas folhas.
Uma gota de tinta derramada,
um piscar de olhos
e a obra está formada.
Tanta demora e desespero.
Tanto fraquejo e disrupção.
Para no final, o sucesso.
A falha nunca foi uma opção.
Desenho palavras porque sim
e o sentimento desabrocha
dentro de mim,
assim como sangue corre
pelas veias e artérias,
minhas elucubrações discorrem
transbordando aqui mesmo.

Dia 2: Unfocused

A verdade é essa:
não sei como minha mente
roda em tantos assuntos…
Nunca intermitente.
Eu juro que, se pudesse,
separaria meu tempo,
leria o que quisesse,
organizaria minha vida
da forma como presumo
que eu penso que queria.
Mas a condição contínua
essa de eterno espasmo,
de simplesmente sair de mim,
desligar meu cérebro do nada,
não consigo ver quando acaba.
Não consigo também me dar
espaço.
O mundo é rápido demais
ou sou penso muito lento
para viver esse caos acelerado?

Dia 1: Disgust

O primeiro som assusta, e

passo a passo, acompanho.

Caminha meio estranho

feiosa e estranha criatura

Ah, mas se, e somente se

a beleza fosse o único desastre,

não teria problema de abraçar

acolher e confortar essa parte.

Lembre-se que o humano

e por conseguinte sua imaginação

não descola da realidade

e então toda sua crueldade

que seja imaginada

que seja realizada ou

mesmo que seja brincada

é real e agoniante.