Um instinto primal avisa
Minha boca seca
Meus olhos lacrimejam
Meus pêlos eriçam
Meu corpo estremece por inteiro
Calafrios em minha barriga
Tremedeira em minhas pernas
Impossível ficar quieto
Coço minha cabeça bastante
Faço-a sangrar um pouco
Arranco cabelos sem querer.
“Icaro, o que deu em tu?”
Olho para os lados, engraçado.
Nada relevante aqui.
Mesmo assim, não acalmo
Não tenho esse luxo todo.
Autor: Ícaro do submundo
Dia 21: Proud
Eu acho engraçado tudo isso.
As fotos, as notícias, as marcas
Todo esse colorido impreciso
Me deixa tão irritado
me tira todo o juízo.
Não queremos seu agrado,
nunca me importei pra você
ou o que acham de mim
ou o que querem para mim.
Eu sei o que eu quero para mim
E estou disposto a lutar por isso.
Meu orgulho não depende de você
nem de suas marcas ou roupas
nem de suas cores ou falas.
Meu orgulho depende de mim,
minhas atitudes, minha vontade
Minha vida.
Dia 20: Rejected
Você pode não acreditar em mim,
Talvez achar que sou louco,
Mas eu juro para você:
Existe um monstro no meu quarto.
Eu o vejo quase sempre,
mas, esperto, ele se esconde.
Quando amanhece, ele vai dormir.
Quando anoitece, ele sai da toca.
Toda noite aterrorizando a mim,
criando terrores e assombrações
minha imaginação não seria capaz.
Ele é esguio, como um espantalho.
Ao vestir as roupas, ele ganha poder.
Seu poder é o maior possível:
Enjaula-me dentro dele.
E, por mais que eu pense,
não acho saídas dali.
Talvez Ícaro esteja perto de mim
Talvez seja agora o monstro a digitar
Não duvidaria de nenhum assim,
Caso alguém fosse me perguntar.
De qualquer forma, sou dramático
O que seria viver sem intensidade?
Mas cá no fundo, não sou enigmático
Nem sempre tenho uma finalidade
Essa história eu criei bem assustado
Porque não consigo mais viver esse medo
Sem avisar quem está ao meu lado
Mas não quero ajuda ou palavras de conforto
Quero cuidar disso comigo mesmo
Quero ser meu próprio porto.
Dia 19: Hesitant
Sei exatamente o que dizer
Conheço meus sentimentos
Escrever é o de menos
As palavras fluem para o texto.
No enanto eu demoro tanto
Mas tanto para me libertar
Dessas dores acumuladas,
Desse desespero pessoal.
Sendo que é só eu escrever aqui
E tudo vira ilusão menor.
Se eu só escrever o que penso,
eu não preciso sofrer tanto.
Mas cruel é a lua da noite com poetas
Entendo, pela única vez, Göete
Que segurou tão forte
uma sensação tão fútil
Tal qual eu, com minha tristeza
E sentiu-a.
Sentiu até que não sobrasse nada.
Somos reféns dessa dor,
Agonizante e gostosa,
Porque precisamos sentir algo
Para viver, escrever.
Dia 18: Peaceful
Outra taça quebrada
E mais uma culpa bem aqui.
Mais uma vez o coração comido,
e mais ninguém comigo.
Sabe, o fundo do poço,
Temido e odioso,
é o caminho mais rápido de chegar
e às vezes, sinceramente
é melhor deixar pra lá.
Respirar e caminhar à toa.
Quem fia as linhas do destino
é quem sabe onde estaremos.
E que nós, meros mortais,
Entendamos nosso lugar
De contemplação e respeito
À nossa vida e ao mundo.
Desafios sempre existirão,
Cabe a nós viver bem.
Pés firmes para nos cuidar,Cabeça solta para imaginar.
Cabeça solta para imaginar.
Dia 17: Anxious
Se ao menos eu pudesse
dizer a vocês como me sinto.
Se pudesse ao menos fazer
com que esse turbilhão
fosse traduzido em palavras,
vocês entenderiam e me abraçariam.
Eu sei disso.
O céu e o inferno não existem
como futuro incerto dos pecadores…
Eles existem em minha cabeça
enquanto eu vivo agora.
Apenas me deixem só.
É muito mais fácil para mim isso:
Lidar comigo só do que os outros…
Expectativa é um dos motivos
Não vou dar esse poder à vocês
Porque me amo mais.
Dia 16: Nauseated
Éramos nós contra o mundo
e eles tentavam demais.
Eu, o covarde chorão.
Você, o corajoso inconsequente.
Nossas histórias transcendem
tanto as eras quanto as fofocas.
E eu te amava de verdade.
Os dias eram semanas,
e as semanas passavam
como horas em um relógio.
Poderiam existir uma infinidade
incalculável de músicas românticas,
mas nada vai me fazer
cansar de você.
Dia 15: Annoyed
Na primeira vez não escutaram
Eu podia espernear, soluçar
gritar até perder toda a voz
mas ninguém ia ouvir.
A segunda vez foi diferente:
riram de mim, simplesmente,
como se fosse óbvio aquilo tudo.
A terceira foi num tom cansado.
Ninguém mais tem paciência,
nem tempo e nem vontade.
Acabou de ser a quarta,
e eu quero que seja a última.
Meu erro foi buscar nos outros
o que tinha que existir em mim.
Só minha expectativa
conseguirá me frustrar assim.
Dia 14: Optimistic
Ao olhar para as ruas, caos.
Pessoas lutando contras as outras
até mesmo na luz do sol
por nacos de comida suja.
Procuremos por respostas
e estas estão na formação e na história!
Séculos de ignorância com o povo.
Séculos de arrogância contra nós.
Refletindo onde está a educação,
princípio formador dos brasileiros?
Não, uma grande piada (risos)
ao chegar às escolas,
adolescentes analfabetos
professores negligentes
organizações educacionais disruptivas
problemas que justamente existem
para contrapor nosso futuro brilhante
quase como de propósito.
Impossível ser otimista no Brasil.
Dia 13: Bitter
Agora vamos falar de romance
e romance com a minha vida,
pois já vivi tantos lindos
e ainda sigo com a alma ferida.
O primeiro foi engano, mas bonito.
O segundo foi bonito, mas engano.
O terceiro? Queria que eu me escondesse.
O quarto… O quinto…
Nenhum maior que dois meses.
Nem sei mais em que número estou.
Sinto-me só o tempo todo
Não por falta de um amigo que me deixou,
mas por querer que alguém me ame
reciprocamente.
Talvez eu viva sozinho, e tudo bem.
Assim como em minha música favorita,
eu não consigo aceitar o fim do amor em mim.
E o próximo número vai vir,
junto com a próxima decepção.