Encurralado

Me tirem o prazer
Tirem o amor e a simpatia
Tirem a simplicidade do lazer
Tirem tudo o que eu precisaria
Tirem, mas deixem a covardia

E retirem o orgulho
Levem para longe meu ego
Tornem-no absurdo
Mergulhem-o no mais profundo inferno
Até a timidez tomar conta de tudo
Até não existir mais um lado certo

E continue tirando
Tirem minha inteligência
Subjuguem-na e tomem comando
Defendam a doce inocência
E aos poucos vou atrofiando
E me acostumando à leniência

Pois agora que levem de mim
Levem a confiança para longe daqui
A honra, o poder, a vontade
Podem arrancar com toda liberdade

Deitado depois de meses a fio
Comendo o mesmo prato [literalmente]
Me sentindo vazio [figurado]
Reflito o que ficou comigo
Depois desse amargurado Ícaro
Desistiu dele e do que acreditava
Para não sofrer mais represália

Não sobrou nada
Não sobrou nada

Sempre odiaram que eu fosse livre
O sexo que eu fazia tinha que ter limite
E o que eu falava era burrice
E quando eu opinava, sandice

Estudar é liberdade para quem?
Porque não tira as cordas do refém
Amarrado nas próprias palavras
Refém preso por quem eu amava

E não tô falando de namorada

Por isso eu quero muito fugir
Conhecer outros lugares
Sair daqui
Vivenciar novos milagres

Acreditar que posso ser eu
Completo
Totalmente novo
Sem medo de ser insano
Sem medo dos outros

Backstory de Baldr, o anão mago

E por que você ia querer saber disso, ein? Isso é assunto meu! Vai tratar do que você tem que tratar e deixe isso comigo! Sofrimentos passados não devem ser lembrados de forma tão fácil ou tão tranquila, imbecil.
O que eu posso dizer é que eu sou de longe daqui. As marcas e metais no meu corpo não me marcaram como o passado em que eu vim. Nasci bem, não nego. Filho de nobres anões de uma corte humana que há muito haviam desertado, eu já teria um lugar no mundo mesmo antes de me perguntarem se eu queria, mesmo antes de saber o que era o mundo.

Bem, o começo da história não é muito bonito. Eu nasci em uma vila de anões ao norte muito feliz. E aí os magos vermelhos apareceram e mataram todo mundo. Meus pais tinham dinheiro suficiente para subornar o líder daquela esquadra a me deixar sobreviver. Apenas eu… Ainda lembro os gritos de meu pai…

Bom, eles me levaram para um lugar conhecido pelo domínio de magos vermelhos. Na época eu não sabia muito sobre magos vermelhos, só sabia que eram chatos, poderosos e temidos. Eu sempre gostei da parte de ser temido, mas dos outros ali… Nunca fui muito com a cara não. Não tive tempo para deixar o trauma me corroer e busquei estudar magia desde o momento em que eu cheguei ali, pois me disseram que quanto mais poderoso eu fosse, mais me respeitariam.

Posso dizer que construir meu caminho sozinho, e o que esperar de um anão como eu? Vi muita gente que seguiu o caminho errado morrer… Aqueles que me captaram, porém, me protegeram até eu ter idade para me proteger só e, como os humanos envelhecem rápido, eu acabei tendo que defender meu espaço sozinho.
Um anão não envelhece como humanos, eu lembro meus pais explicando para mim a inferioridade deles. Quando os humanos perceberam que eu era um anão jovem, assim como quando eu percebi que humanos são fracotes, eles me deram as primeiras missões.

Os generais de mais alta casta na magocracia nos dava missões e eu sempre as completava, mas do meu jeito. Eles me mandavam destruir um vilarejo? Eu destruía as casas, mas salvava as pessoas. Traidores? Alguns mortos em minhas mãos, outros feitos como aliados para matar meus inimigos de dentro da organização. E eu já matei pessoas que estavam em meu caminho só porque eu podia. Algumas eu me arrependo, e vejo o rosto na luz das tochas à noite. Outras eu fico feliz por ter tido a oportunidade de matar, e até mesmo esqueci seus nomes.

Ainda assim, mesmo desde pequeno lá, magia foi algo muito difícil de aprender, o que me tornou a ralé da ralé lá dentro. Fez com que eu treinasse só e ficasse forte e resistente (diferente daqueles magrelos), mas também fez com que eu aprendesse magia para me defender.
Se o mundo te joga uma pedra, você não joga a pedra de volta. Você pega a pedra, entalha uma ponta afiada e tenta esfaquear o mundo.

Eu sobrevivi a este mundo.

Quando houve a cisão entre os poderosos magos, eu saí da organização. Sumi da área, fui procurar trabalhos melhores e, quem sabe, a vila de onde eu vim.
Nunca consegui achar tal vida. Acabei parando em Baldur’s gate ganhando a vida ajudando um velho sábio que, em troca, me ensinava magia. A vida era terrivelmente calma.

Até que algo aconteceu…

E você já sabe o que foi.

Explosão da cidade, o velho ficou curioso de saber e me mandou vasculhar numa caravana com outras pessoas. Achou que teria dinheiro, itens mágicos ou sei lá o que. Infelizmente eu sou mandado e sobrevivo ali, então vou fazer o que ele quiser que eu faça.

Acabou aqui a história. Feliz por saber alguma coisa de mim? Agora cala a boca, imbecil. Não quero mais ouvir nada sobre isso. Vai fazer algo útil.

É engano

Por quantas terras intransitáveis
Eu já passei
E por quantos mares tempestuosos
Eu já nadei
Para ter o gosto de você de novo
Na minha boca
Derretendo feito manteiga
Firme como a carne mais suculenta
Quente como o jantar sobre a mesa
Ah, que desejo eu tenho
Viver no mundo onde posso desejar
Infelizmente o real deixa impossível
Alcançar
Besteira minha
Melhor deixar como está
Deixar o desejo em meio ao mar
Não mais andar o caminho até lá
Devo esquecer que te amo
Te ganhar e te ter é engano…
Preciso esquecer que te amo
Tanto…

Fogo e Carne

Existe um fogo dentro de mim
E Ele mareja meus olhos
Eu não paro de tossir

É um fogo com propósito
Um fogo fácil de admitir
Ele queima por dentro
Por fora e tudo que vier
Por aí

Ele me entoxica
A garganta fecha na hora
Mas eu não paro de sorrir
Me devorar o calor adora

O fogo queima da garganta
À alma, que amansa, descansa e
Espanta qualquer um que apague
A chama que cresce por aqui

Por mais que o fogo tome tudo
Tome o fôlego,
tome conta de mim
Eu manejo o controle
E queimo sem me deixar ferir

Claro que exige prática
O cheiro de queimado não é tão…
Ruim…
Mas quando tudo é quente
O frio parece congelar todo o mundo
E o gelo parece não ter fim…

Pois eu me ponho disposto
E queimo a todo gosto
Queimo,
até as cinzas queimarem de novo
Queimo,
Para provar todo seu fogo

É doloroso
Mas não é imposto
Aceito a dor e faço dela arte
Seja fogo, serei sua carne

E tudo bem

Ontem eu disse “não”
Disse não para você
Disse, por não conceber
Como explicar está situação
Por isso explico então
Como chegou o inesperado
Não

Sou sensível sem limites
Limito apenas o que me toca
Toco naquilo que me importa
Noto uma notícia em minha porta

Era aquilo que mudaria minha vida
Aquilo que eu evito falar hoje
Se você viveu isso, perdoe-me
Não sou muito bom em despedida

Mas ela se foi sem se despedir
Uma pétala de tulipa caindo
Uma onça de pelúcia empoeirada
Os olhos acreditam nos ouvidos
E molham a cama, a voz
Desesperada

Passei tempo sem saber como lidar
Notícia indesejada
Realidade errada
Temporalidade atrasada

Bifurcação na estrada
Um caminho sem volta
Outro caminho sem ida
Escolhi dar a partida
Tu escolheu parar
Caminho que me revolta

Mas tudo bem.

Passei o ano pensando em nós
Nossas memórias registradas
Foi longa nossa caminhada
Algo que somente guardo a sóis

Mas realmente estou ainda ferido
Magoado, sentido… por querer você
Em todos os momentos… comigo

Mas tudo bem.

Fui ao enterro
Cumprimentei a todos…
Todos choravam o tempo inteiro
Não conseguia acompanhar os outros

Vi seu corpo na fria madeira
Mas você não era mais aquilo
Era sua roupa, seu cabelo, sua cara
Mas nada remetia a você, Clara

Demorei muito para fazer essa diferença
Demorei muito, pois não queria ver
Não queria assumir que a perdi
Que já não te sentia mais aqui

A nossa dupla de anos
Virou um solo melancólico
E as histórias de outrora
Tiveram um fim épico

Eu preciso dizer que acabou
Preciso olhar para o que sobrou
Pensar sobre o que passou
E deixar ir
Terminar essa história
Por um fim

Porque você só existe pra mim
Agora somente em minha mente
Eu posso vê-la, rir contigo e afins
Mas não mais no presente
E nem no futuro

Eu te prometi nunca te esquecer
Se houver um além-vida,
Caminharei na escuridão contigo
E se reencarnamos, continuaremos amigos
Eu te amo infinitamente indefinidamente
Para sempre que eu puder dizer

Mas eu não posso mais segurar sua mão agora
Acreditar na continuação da história
Preciso concluir o que fomos
Para poder seguir o resto de minha vida

E tudo bem.

Eu aceito sua escolha
Eu te peço para você aceitar a minha.
E agora eu engato a marcha acima
Sem saber o que me aguarda
Apenas cantando meu solo

E está é a explicação
De porquê eu te deu um não
Espero que tenha sido proveitoso
Talvez eu faça isso de novo

Desesmorecendo

Eu preciso recomeçar
Preciso de um novo lar
Pensar em como prosseguir
O que vem depois daqui

O ar não entra nos pulmões
É a ansiedade, não secreções
Eu sei disso e não controlo
Fico inerte e depois eu choro

Muito fácil falar para ser melhor
Posso escrever milhares destas
Difícil é mudar/crescer por si só

Nunca será como eu quero
E quando for dessa forma
O marasmo será eterno.

Inimigo inigualável

Acordo ou durmo
Já não tenho certeza
A dura realidade fatia minha cabeça
Comprometendo meus pensamentos
Fazendo com que eu enlouqueça

O tempo é uma piada de mau gosto
Levanto quando me é bem proposto
Escovo os dentes, lavo o rosto
Olho o espelho, vejo o desgosto
Vejo a agonia abafada na garganta
Vejo as nuvens que obstruem a mudança

Silencio as vozes do medo
Não tenho mais forças para vence-las
Deito em meu leito
Eterno desfecho
E evito ao máximo percebe-las

A janela anuncia a claridade
A janela anuncia a escuridão
Elas mudam à plena vontade
E não me dizem muito não…

Eu continuo na roda da tortura
Seguindo uma rotina de destruição
A minha maior aventura
É afastar quem me dá a mão

Levanto de novo e de novo estagnado
Uma hora ou um dia passaram
A fome se devora sem nem um prato
O vazio enche minha mente
Comidas nunca alimentaram o ego
Fragilizado

E há atividade para cuidar
Ler, escrever e me esforçar
Nah, vou deixar tudo pra lá
Já não tenho nada pra provar
E, se tenho, estão certos em duvidar

E para quê lutar??
Tudo não parece fazer sentido
As cores perderam o tom
Escrever sobre sentimentos é cansativo
É melhor (me) largar de mão

Deixa definhar na escuridão
do quarto
Não existe mais solução
pro meu caso
Acho que é algo psicológico
mas não me trato
Por que não fala logo o óbvio?
se faz de coitado
Prefere a piedade dos outros
e ser maltratado
Ao invés de apontar monstros,
tornou-se um

Inimigo inigualável

Como estou me sentindo?

Eu me sinto humilhado
Ultrajado por todos aqueles
que estiveram do me lado

Eu me sinto cansado
O passado reflete mais em mim
Do que o presente fato
Já não estou vendo um fim
“Deixai cair os prantos”
Deixo tudo cair

A minha dignidade não está aqui
Eu permaneço ao chão
Pronto para encarar a tempestade
Lâminas e raios por toda parte
Sei qual é a minha função

A batalha acabou de começar
Eu continuo ali sem sair
Recebo os cortes sem reclamar
A dor jamais acabará
Minha função é justamente aguenta-la

Não existe armas para lutar
Não faz sentido machucar amigos
Eu estou preso dentro da agonia
Apenas suportando o impossível
Trocando machucados por simpatia

Entre ser o que não posso ser,
Viver todas as mentiras sobre mim,
Lutar pelo meu próprio viver
Ou ser enganado por amigos chinfrins…

Eu prefiro o isolamento
Prefiro fugir
Não confio em apaziguamento
Não acredito em ninguém aqui

Quero a solitude de meu amor
Meu amor somente comigo
Porque quando eu me machuco só
Eu sei como consertar meu coração
Partido

Sim, eu me sinto só,
Mas não perdido
Há, na solidão
Um ombro amigo

Quatro passos

Um passo a frente
Eu não acredito
Faço piada com tudo que digo
Já que (com) todos foi igual
Você não pode ser diferente

Mais um passo
E eu vacilo
Erros servem para ser cometidos
Mas eu gero cansaço
Estimulo o fracasso
Auto-saboto o meu caso

E um passo a mais
Já não mostrei que não sou capaz?
Ninguém deve amor a mim
Não terei companhia jamais
Proíbo que caminhe assim
Siga os sinais e proteja-te

Quando chega o quarto passo
O passo mais longo e demorado
O passo que é dado pelo amor de fato
Eu não resisto e me abro
Solto demônios, deuses, diabos
Todos livres e declarados
Ansiando estar ao teu lado

A barragem começa a rachar
Deixando meus sentimentos a jorrar
E nessa loucura viva na cabeça
Você me pede para que te esqueça

Remendo a barragem
E seco os sentimentos com a mão
Pedindo para você perdão
Rezando para encontrar solução
Mas não
Não é falta de coragem
É não ver vantagem

Não é sobre perdão ou gratidão
Sou uma perda de futuro
Não sou suficientemente maduro
Nunca houve construção
É só a foda que nos mantém
Juntos

Agora que de novo levanto os muros
E desfaço os passos dados
Penso sobre meus amados
E entendo que é melhor partir
Colando as partes que deixei por aí
Do meu coração
Que se fragmenta a ruir

Súplica de amor

Eu gosto da ideia de que meu coração é grande. E de que nós amamos até onde ou quando nosso coração pode chegar com o amor. Recebendo e dando.

Meu coração há muito tempo não absorve o amor que recebe. De fato, venho continuamente desistindo do amor batendo em minha porta. Dos mais belos aos mais toscos, dos mais profundos aos mais rasos, eu fugi de todos, temendo o sofrimento que é amar alguém. Entretanto, ao passo em que eu degustava esses amores, algo sempre ficava para trás, como um quarto vazio acumulando tranqueira, como um coração acumulando espinhos. Tolo, pensei que seria o suficiente para saciar a fome de amor, quando na verdade eu não sentia fome – eu sentia solidão.

Por que eu preciso sofrer ao amar?

Por que o amor tem que significar dor?

A cada mordida em um fruto da árvore do amor, meu coração afundava ainda mais num precipício sem fundo. Tudo, absolutamente tudo, pesava em meu coração, que afundava descompassadamente. As palavras que soavam absurdas eram ditas e as ações que me guiavam eram comedidas.

E, por mais que o tempo passasse, eu não conseguia me acostumar a viver dolorido. Sempre surgia uma fada da esperança em meus ombros me convencendo a confiar, me instigando a não hesitar. Logo mais eu a via voando para longe, rindo em escárnio enquanto eu chorava no banheiro. Afundando em mim mesmo…

Ao toque, espetava como espinhos.

Ao som, agonizava como metal contra metal.

Ao cheiro, embriagava como bêbados.

Ao gosto, azedava como umbu.

Ao olhar, ardia como pimenta.

Do menino que não gostava de usar a palavra “amor” em vão, tornei-me um escravo da paixão. A brincadeira de se envolver sem amar se tornou fácil e acabei desaprendendo a dar significado à palavra por conta de tanto tempo sem usar.

Interesse sem significado, vontades vazias, carne batendo na carne e o calor sem vida.

Sem identidade.

Sem pessoalidade.

Sem amor.

Dentre tantas outras bocas, onde foi que eu perdi meu beijo?

Dentre tantas histórias em que me humilhei, onde eu deixei meu orgulho?

Meu auto cuidado…

Não estava esperando me apaixonar de verdade.
Até você chegar.
E agora eu tenho medo de te perder.
E me afundar de novo.
Eu sei que me coração é grande e sei que ele não tem limites para amar, mas isso não significa muito e não responde as perguntas que fiz até agora. Se puder, eu quero sua paciência. Eu quero sua presença. E te peço por seu amor. Daqui, eu vou me esforçar para desvendar essa infinidade contigo. Para mergulhar no que é novo e, portanto, desafiador.

Isso é muito difícil para mim também, eu quero que entenda que meus sentimentos são de vidro e quebram muito fácil, mas eu vou deixar a guarda baixa e vou te dar as armas para dar xeque em meu coração.

Por favor, não me deixe.