Me tirem o prazer
Tirem o amor e a simpatia
Tirem a simplicidade do lazer
Tirem tudo o que eu precisaria
Tirem, mas deixem a covardia
E retirem o orgulho
Levem para longe meu ego
Tornem-no absurdo
Mergulhem-o no mais profundo inferno
Até a timidez tomar conta de tudo
Até não existir mais um lado certo
E continue tirando
Tirem minha inteligência
Subjuguem-na e tomem comando
Defendam a doce inocência
E aos poucos vou atrofiando
E me acostumando à leniência
Pois agora que levem de mim
Levem a confiança para longe daqui
A honra, o poder, a vontade
Podem arrancar com toda liberdade
Deitado depois de meses a fio
Comendo o mesmo prato [literalmente]
Me sentindo vazio [figurado]
Reflito o que ficou comigo
Depois desse amargurado Ícaro
Desistiu dele e do que acreditava
Para não sofrer mais represália
Não sobrou nada
Não sobrou nada
Sempre odiaram que eu fosse livre
O sexo que eu fazia tinha que ter limite
E o que eu falava era burrice
E quando eu opinava, sandice
Estudar é liberdade para quem?
Porque não tira as cordas do refém
Amarrado nas próprias palavras
Refém preso por quem eu amava
E não tô falando de namorada
Por isso eu quero muito fugir
Conhecer outros lugares
Sair daqui
Vivenciar novos milagres
Acreditar que posso ser eu
Completo
Totalmente novo
Sem medo de ser insano
Sem medo dos outros