Ela era as minhas palavras
Quando escrita, ela era poesia
Ela era também contos, ficção
Era lindo o que ela fazia
A cada canto, sua mão
Em cada encanto, sua canção
Você estava em tudo das artes.
Na música você era a harmonia
Aquela sensação gostosa
Me provocava alegria
Podia também ser a vibração
Intensidade, o fervo, a fritação
Atravessava tudo, sem ser tediosa
Nas pinturas, a pincelada principal
Aquela que não dá pra voltar atrás
Aquela que sobressai das gerais
Gerando uma pintura colossal
Obras de arte não são você, não.
Você é o cerne da arte, meu coração.
A própria e antes encarnada inspiração.
Na dança, você era a expressão
O talento? Claro que não.
Algo tão frivolo, tão básico
Não seria seu traço.
A expressão não é algo clássico
É o fogo que queima o pulmão,
O que dá sentido ao movimento
Você é o sentimento, interpretação
E por falar em expressão
Nada seria das artes cênicas
Se você não fosse a apresentação
Você é minha década de 90
Encarnada num papel pastelão
O escritor escreve, inventa
O ator recebe a obra e a orienta
Vivendo mil vidas em cena
Você era única em todas elas.
E na ciência, você era humana
Complexa demais para um laboratório
Confusa demais para um iniciante
Criava modelos para o aleatório
Tentando entender o perfeito
Imperfeito.
Eu nunca entendi como apenas “Arte”
Pode significar diversas atividades.
Mas ao te conhecer eu percebi
Que a arte não está nas escritas
Ou nas pinturas, ou nas danças
A arte é um momento, é um sentimento
É alguém que nós amamos
Rimas também não vão ser suficientes
Erro nesse final porque a arte é imperfeita
E é por isso que é especial
Te amo, Clara. Sinto sua falta.
