Me pergunto o que estou fazendo
Bebendo a cicuta
Provando o veneno
Me pergunto o que tô fazendo
Correndo como nunca
Sem escutar o vento
Sem senti-lo em minha nuca
Sem cansar, sem momento
De parar
Me pergunto o que tô fazendo
De cartas várias
Demonstrando sentimento
De vazios muitos
E poucos preenchimentos
Eu não sei mais o que tô fazendo
Me jogo a toda na lava fervendo
Que me engole como um todo
E depois devolve, à contragosto
Eu não sei o que tô fazendo
Continuo a beber o veneno
Mesmo sentindo seu gosto
Mesmo sabendo o destino doloroso
Por que eu estou fazendo?
Por que andar contra o vento?
Por que provar o veneno?
Pra quê derreter na lava
Noite a dentro?
Sinto não merecer o que estou fazendo
Eu me sinto ingênuo
Como em Platão, os habitantes da caverna
Vendo os desenhos
Eles tocam as sombras e não sentem tocar
Eles ouvem os barulhos e pensam imaginar
Eles sentem os cheiros…
Mas mesmo quando se viram e saem da caverna
Negam a realidade
Para sentir de novo o frescor da parede
Ante o seu toque
Eu já não sei o que estou fazendo
Se me quer
Por que não me conheces?
Se me tocas
Por que não me queres?
Se me diz amores
Por que me entristece?
Por que me deixa com medo?
por que me esquece?
Me pergunto o que estou fazendo
Se eu sou jovem demais para o agora
Ou se eu só não mereça o que sinto
E deva jogar fora.
Me sinto um idiota.
Subo bem alto
Aonde coloquei seu pedestal
Olho para baixo,
Com a pretenção de me jogar
Piso em falso
E derrubo você no lugar
Me jogo involuntário
Com a pretenção de te salvar
O que eu estou fazendo comigo?
Abro minhas asas e traço meu caminho
Plano para baixo, assisto o sol cair
Sozinho.