Lobo bobo, foi a ovelha o tempo todo.
Tentou brincar com outros lobos
Se fantasiou todo de lobo
Mas os outros lobos não foram tolos
E aproveitaram a ingenuidade da ovelha
Ovelha essa que se via como estrela
Ferocidade no rosto
Comia carne a contragosto
Tudo pelos lobos
Tudo pelos lobos
Não esperava, esse novo lobo
Que os outros lobos soubessem
Que era a ovelha o tempo todo
Tag: Poesia
Como eu tô me sentindo hoje?
E no fundo de meu coração afora
Eu estou triste
Me sinto num buraco escuro
Como um poço
Em que eu vejo a luz acima
Bem longe
As paredes
Escorregadias
E a água que devora meu corpo
Completamente imóvel
Me sinto como um deus do universo
Escondido no manto de escuridão
Indecifrável e resoluto
Sozinho
Em meio a infinitos que me cercam
O vazio marca o defeito
De todo o infinito
Conhecer pouco do poder que tenho
Comigo
Me sinto no labirinto
A cada curva, um desafio
Corro para longe
Volto para o início
Se peço ajuda, me oferecem
Dizem “direito ou esquerdo”
Mas nunca consigo sair
Desse inferno
Me sinto de olhos fechados
Tentando dormir
E minha mente
Maliciosa
Joga pensamentos que eu quero fugir
Passam meia hora
Passam uma
Passam uma hora e meia
Eu olho para o relógio
Já são duas da manhã
Eu me sinto triste
Me sinto profundo
Desistente
Poderoso
E infortuno
Eu me sinto cansado
De tentar ser alguém de fato
Assim como um lençol
Ou um saco plástico
A preguiça se envolta em mim
Tirando meu ar
Querendo me dar um fim
Mas mesmo sufocado
Persisto e acredito na vida
E vivo agoniado
Entre o sufoco
E o abraço
Entre me sentir coberto
Acariciado
Ou me sentir completamente silenciado
Abafado
Preso nesse espaço
Eu solto um grito de agonia
Quero mudar como eu vejo meu dia
Quero ser outra coisa sem ser eu
Para saber se o sentimento é meu
Ou é algo que já me venceu
Que já me venceu…
…
E eu nem sabia que estava lutando
Acabei aqui, morrendo em devaneios
Foi você que fez isso
Você tocou minha campainha
Você abriu minha porta
Sentou no meu sofá
E comeu de minha farofa
E você me esnoba
Reclama que de farofa não gosta
Que o sofá é muito macio
Que a cor da parede não é de seu feitio
Você me rouba a paciência
Deixando de refém minha bondade
Para poder voltar à vontade
Ora, eu nunca te disse não
Você que veio para a minha canção
Foi você
Que veio para a minha casa
Você que comeu de minha farofa
E deu risada
Foi você
Que escolheu sua própria desgraça
Fingindo uma amizade,
Mas não entregando nada
Pois agora eu estou com raiva
Espero que quebre seu dedo
Que tocou a campainha
Espero não ter mais sua
Companhia
Espero que não consiga abrir a porta
Espero
Que engasgue com a farofa
Você não é mais bem-vindo em minha casa
Se espera um amor fraternal
Receberá minha ira e mais nada
Guardo minha graça para os que merecem
Não sou mais o ícaro que aguenta estresse
Não é um favor, mas um comando
Saia da minha vida
E não me deixe esperando
A Fantasia de ser alguém quase me mata
Eu fico aqui
Escrevendo textos
Desenvolvendo assuntos
Tentando criar um pretexto
Um lugar pra mim nesse mundo
E o mundo gira, gira
Gira…
E o tempo passa, passa
Passa…
E eu vivo
Sim, eu vivo
Assumo responsabilidades
Crio a minha própria identidade
Desvendo novos andares
Caminhos trilhados por milhares
Mas de formas diferentes
E eu sinto
Que tem algo de errado
Algo que não faz mais sentido
Algo que eu deixei de lado
Eu me sinto errado
Como um brinquedo ficando quebrado
Como se eu mesmo não pudesse
Ser achado
Perdido no meio do mato de pedra
Eu reajo da forma que ninguém espera
Caminho torto
Aquele caminho trilhado por todos
Para ver minha imagem no reflexo
Completamente novo
Bagunçada
Melancólica
Desfigurada
Tortuoso
Sim, eu estou vivendo
Construindo-me de poesia
Mas se a poesia é uma vingança escrita
então A vida está alimentando o rancor
Rancor esse que advém de uma ira
Impulsiva e esquecida
Inalcançável
Inativa
Perdi meu Ícaro de mim
Valorizando os outros
Perdi o encanto pelo gosto
Mostro a todos como sou bondoso
Quanto mais pedem, mais me doo
Quanto mais doo, mais perco eu
E quantos me restaram?
Se eu sou eu por inteiro
Ou um trouxa de retalhos
Claro, sou parte de todos
Mas se todos já me levaram
Sou eu de todos
Ou sou eu meu único amado?
Ainda com o gosto amargo na boca
Queria poder viver vidas outras
Quebrar o limite de meu corpo
Rasgar pulmões e quebrar costelas
Abrindo espaço de dentro pra fora
Cortando meu peito
Sangrando por inteiro
Nascendo de novo
De mim mesmo
Refaço meus passos dados
Refaço meus passos dados
Caminho para longe de todo marasmo
De todo cansaço e esculacho
Que me enfiei em busca de mim
E o que vim fazer aqui?
Continuo caminhando sem resposta
Sem destino final ou chegada
E, quando eu paro, faço uma aposta
Com os dedos cruzados nas costas
Sem saber se para sorte ou para engana-la
Eu juro
Juro que não vou tentar mais mudar
Que esse finalmente será o meu lugar
Eu faço a minha morada
Construo minha vida ao redor
Planejo o melhor para minha casa,
Para minha vida e meu futuro
Ah, mas versatilidade precisa acompanhar
O crescimento de um adulto
Quanto mais eu firmo o chão em que piso
Eu vejo a casa cair com chão e tudo junto
Rostos borrados acompanham meu fracasso
Palavras que não mudam a minha realidade
É apenas o som do relógio me acorda
“Preciso tentar de novo”
Volto ao caminho trilhado
A cada gole de água, um passo
Caminho até o sol parar de brilhar
Até minhas pernas não poderem mais aguentar
E aí eu sei que estou na metade do caminho
E continuo andando
As vistas cansam
Os olhos ardem
Os bocejos são mais de costume do que sono
E o cansaço é a dor na cabeça intensa
É a coluna gritando por piedade
E a fome torcendo a barriga de maldade
Preciso parar mais uma vez
Por mais que eu não aguente mais mudar
Ter uma vida flutuante sem certeza de amor
Ou de amigo
Vivendo debaixo de um sol
Abrasivo
Dia após dia fazendo mais
Inimigos
Eu preciso ter alguns pontos de parada
Para respirar, beber uma água
Para me sentir vivo
E construir uma nova casa
Perceber minhas mudanças
Conhecer novas caras
E talvez ser alguém melhor
Claro, com muita lágrima e suor
Não por vangloriar a dor,
Mas por saber quem sou
Será necessário sofrer
Perder amigos
Mudar e me mover
Preciso conciliar a vida
Para então não sofrer
Com a partida
Tanto minha
Quanto dos outros
É que eu continuo os amando
A cada um, um pouco
Se antes meu coração ficava com eles
Agora eles me acompanham
E a cada parada
Novos amores vão chegando
Amores de amigos
Amores de irmãos
Amores de castigos divinos
Amores que me deixam são
De repente eu terei que ir
Arrumar minhas trouxas e tralhas
E me picar daqui
Mas nunca deixarei pra trás
Todo o amor que eu senti
Nessa vida dura que me espera
Nessa viagem que é eterna
Porque dura o quanto eu existir
E eu continuarei andando
Se aqui não restar mais vida para mim
O Diabo
quando estava pra ser concebido
logo fui abençoado
o próprio diabo me disse
que eu seria como ele, viado
minha vida seria amarga
em volta de anjos sagrados
meu pai me mostraria cedo
a dor de ser rejeitado
na escola, me xingariam
em casa eu apanharia
ninguém me daria ouvidos
pra completar a profecia
o diabo também me disse:
cuidado com quem se diz santo
pois a maldade do homem de bem
te causará espanto
aqueles mais próximos de ti
são os que mais te farão sofrer
fora de casa, sentirás dor
mas dentro dela irás morrer
o homem abençado
viverá em abundância
enquanto tu, viado
sofrerás desde a infância
mas a verdade é o que o diabo
estava um pouco equivocado
pois foi antes mesmo de ter nascido
que comecei a ser violado
será que meu pai pressentiu
a ameaça do feminino
quando eu era apenas um feto
no útero, inquilino?
o diabo me alertou
pois comigo se preocupa
sabe que a vida é injusta
e que deus só traz culpa
a profecia estava certa
tudo foi concretizado
a verdade pode ser vista
atrás dos meus olhos cansados
nunca quis ser concebido
pra ser tão injustiçado
ser gay num mundo machista
é como ser amaldiçoado
o meu corpo todo se treme
com a memória do masculino
pois foi o fálico narcisismo
que matou meu menino
já vivi coisa demais
pra ter alguma expectativa
homens bem intencionados
tem as ações mais destrutivas
a vida é boa pro homem
e seu falo imaculado
mas não há justiça no mundo
pra quem nasce viado
não vejo sentido na vida
não tenho fé na humanidade
não creio em justiça divina
e nem na eternidade
a morte, temida por tantos
já foi minha maior esperança
abrir mão da vida sofrida
é meu desejo desde criança
mas joguei fora toda culpa
de ser homem afeminado
sei que meu lugar é no inferno
com o diabo ao meu lado
apesar dessa injustiça
aceito bem o meu destino
se pro homem, ser bixa é pecado
então no inferno me torno divino
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Eu escrevi esse há muito tempo. Esses sentimentos ainda permanecem comigo, mas mais maduros. Eu gosto de como o diabo é algo que assusta os cristãos.
O problema
Saí correndo da caverna
O dia mais temido chegou
Eu olho para frente espantado
alguns até pensam “é teatro”
Não sabem como eu estou
Me tremo igual um idoso doente
vejo a linha no horizonte
Ali estava o perigo iminente
corro, digo “se esconde!”
para o besouro, o rato, uma lady
Mas todos eles… Inertes
Um desafio cada vez mais crescente
Ao passo que crescia, ficava quente
As cores simulavam o fim de tudo
Sei que não tem nada mais absurdo
Nascer na caverna tem suas vantagens
viver até agora isolado foi legal
mas nada dali me deu tal coragem
para peitar algo tão monumental
E a criatura sai de sua alcova
tão grande quanto o mundo
tão assustador quanto a escuridão
Mas era pior: num movimento surdo
a criatura toma sua posição
A luz tomava tudo que tocava
Ao ver, meus olhos deram uma lacrimejada
Procurei alguém, mas não restara
Andei a esmo na direção contrária
Calor aumentando visivelmente
suor na pele a gente logo sente
Acostumar com o Sol foi uma canseira retada.
31 – Desfecho
Sou o fim e o começo
Eu nunca desvaneço
Vários Ícaros foram escritos aqui
E todos eles continuarão a existir
Vivendo suas vidas dentro de mim
Eu sou a diaba do prazer encarnada
Eu sou a solidão conformada
Sou o fim do mundo em vão
Eu sou você, sou eu emais quantos virão
Sou a negação do amor ainda vivo
Sou eu sou a bala atravessando este maldito
Estou sendo o desnudar da alma
Em toda sua horriridade
Corporificada
Sou a completa pira sem noção
Sou a resposta para qualquer pergunta
Mas sem solução
Sou o mais genérico possível
Sou único, hereditário e invencível
Eu sou as merdas que falei dos outros
Sou o dia bonito
Natural para todos os gostos
E, quando não bonito, me animo
Pois sou o dia de ficar em casa
Escondido
Sou a preguiça que me domina
Sou a conspiração que você ouviu
Na esquina
Sou o mais inventivo o que posso ser
Eu sou eu, e você vai ser você
Você pode tentar, mas nunca vai ter
Sou o diabo e o demônio
Sugando a alma de seu ser
Sou o conhecimento profundo
Eu sou magnífico
E eu sou a poesia escrita cada dia
Sou eu, o final desse mês
Eu sou também a despedida
30 – Demônio
Eu acredito muito em histórias
Que nós nos tornamos o que vivemos
Todos nós, dos funkeiros aos emos
Hora após hora todas são nossas
São nossas escolhas
Mesmo sem chance de escolher outras
São nossos erros
Mesmo que não saibamos os defeitos
E são tantos…
Mas inúmeras são as vitórias
De conseguir um novo emprego
De comprar sua nova jóia
Também temos esse direito
De comemorar nossos acertos
Certos que nem tudo é um mar de rosas
Eu (particularmente) pego tudo para mim
As derrotas e vitórias
Dos erros mais escandalosos
Ou chinfrins
Às grandes vitórias com gosto de carmesim
Ao passar dos anos…
Você acaba ganhando saberes sobre algo
Te tornando quase inumano
Quase como se soubesse de segredos
Nunca revelados
Quase como se te concedessem poderes
Como se pudesse modelar o que acham
O que pensam
O que falam
O convencimento é uma ciência há eras
Mas talvez seja mais um dom inato
Que pode ser cultivado com determinada
Destreza
Se souber como fazer, é claro
A moral se dobra perante você
Ao passo em que a realidade te encontra
Terá que reconstruir as regras para viver
Suas regras não devem chegar prontas
Fará o que for preciso para sobreviver
Nada de julgamentos errôneos sobre o que fez
Os caminhos todos você que trilhou
Responsabilidade sua para aprender com eles
E saber o que de você restou
Comigo a história foi parecida
Conheci amores
Sofri e ganhei feridas
Aprendi que dores não são bonitas
E que flores não signicam
Que minha presença é querida
Aprendi então a usar meu dom
E encantar homens por diversão
E é muito divertido tê-los em minhas mãos
Dizê-los sim, mas muito mais o não
Homens são cachorros em busca do perdão
Eles dão a pata e latem para chamar atenção
Se você descobre isso é meio passo andado
E ao invés de sofrer por eles, consuma-os
E então largue-os de lado
Sinta o poder embriagado pelo tesão
Deixe-os te amar e, mas só de longe
Alimente a fera com paixão
Mas sempre a deixe com fome
Assim ela geme sempre seu nome
Ele sempre lembra quando sente fome
Cristianismo errou muito feio
Veem os demônios e têm tanto medo
Mal sabem que aquelas imagens estão erradas
E que o demônio vive em suas estradas diárias
E se alimenta de seus desejos
Eles não são uma figura imaginária
Coitados, rezando todos os dias por nada
Nós somos os demônios das histórias
Cada um de nós vivendo aventuras imortalizadas
Vivemos os dias como heróis em busca de glórias
Que outrora seriam inalcançáveis
Eles são os próprios demônios
Em busca de sentimentos egoístas
Clamam a deus, se fingem altruístas
Para julgar quem somos
Cagando regras que ninguém precisa
Abençoados por demônios?
Não me faça rir
Quem além de um Incubus
Faria você sorrir e se sentir assim
Sim, eu sou um destes
Um demônio que entende seus poderes
É que existem leis e normas ocultas
Que só são feitas para impossibilitar suas lutas
São regras sim, regras de merda
Regras que só servem para te prender
Em troca de uma vida eterna
Como escravo do celestial
Revestidas de “moral”
Eu sou o inferno na terra
Eu sou o fim
Você concorda que é certa a minha guerra
Então não questione meus métodos
Pois existem sempre fins
29 – Ciborgue
Eu me fodi demais esse ano
Prometi coisas que não cumpri
Saí e entrei de novo pelo cano
Se me ver por aí me abrace, mano
Que eu tô precisando
Eu tava pensando em desistir de sentir
Em só fazer o que apontarem pra mim
Pensei em fortalecer minha armadura
Substituir meu coração de carne
Por um coração com fechadura
Criarei um código de ética
Para revisar meu afazeres
Ouvir de forma cética
Certos dizeres
Classificando e ordenando
Todos os seres que vivo me encantando
Colocando-os fechados em outro plano
Estranho é ocupar todo meu ano
Quando poderia deixar de pensar nesses hunanos
Minha pele poderia ser de metal
Pararia de sentir o calor da pele dos outros
Não sentir mais febre de tesão
Ao provar diferentes gostos
Evitaria ser sentimental
Se alguém pegasse em minha mão
E fosse um “namorado” ideal
E eu poderia analisar as vozes deles
Sentir o que significam pela frequência
Saber se tudo é verdade ou só aparência
Saber mentiras, ocultações de seus dizeres
Queria ser eterno e indestrutível
Viver para sempre e fazer o impossível
Aprender tudo que puder no tempo infinito
Queria estar para sempre seguindo
Mas não posso correr de meu destino
Sou fiel apenas a mim e quem estiver comigo
Sofro porque sim e tenho sofrido
Não vai mudar nunca isso
E eu não quero que mude nada
Vou continuar nessa dura batalha
De sentir num mundo virtual
De não saber diferenciar a mensagem
E o real