Cala a boca, otário
Porra de falar de sentimento
Não quero saber disso
Não vou ter conhecimento
Olho sério ao meu oponente
Respiro forte para amedrontar
Já sinto o sangue pingar
Pelos meus dentes
Agora somos um par
Só tenho ele em minha mente
Vamos brigar
Boto a base
Grito com toda força
Preparo o ataque
Desfiro antes que ele corra
Mas ele não corre
Mais sangue pinga no chão
Vermelho, espesso, escorre
Um dente perdido na mão
Chegou minha vez
E eu não vou recuar
Ele vai me arrebentar
Pior do que antes já fez
E POW
AI!
DÓI PRA CARALHO!
Caio no chão estirado
O gosto forte metálico
Mas ainda não estou desacordado
Eu ainda tenho energia
Para mais um murro
Se eu conseguir levantar…
É ele que cai duro!
Ouço meu coração bater
O tempo para num segundo
Som alto, claro, eu escuto
Era o que eu precisava
Vou fazer BA-RU-LHO
Eu levanto!
Grito de volta para o mundo
Eles gritam de volta
Mesmo que eu os escute em mudo
Fico de cara-a-cara
Fito o vagabundo
Corpo suado, cara surrada
E um sorriso vermelho imundo
Eu respiro fundo
O silêncio toma conta de mim
Fecho os olhos
E não estou mais ali
“Ícaro! Ícaro!
Diga o que veio fazer a seguir!”
Abro meus olhos
Estava lutando contra a ansiedade
E eu perdi
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Dia 7: Imperfeição
E os pássaros voam no céu
Uns maís rápidos e ferozes
Outros espertos e fugazes
Não meço quem melhor voa
Mas posso ver daqueles pássaros
Quem vive numa boa
E sobrevive em seus próprios
Passos
E você que vive de etapas
Emprego? Check
Carro? Check
Agora é a namorada
E aquele que se mede por outros
E ignora o próprio esforço
Coitado do pobre tolo
Se não morre de estafa,
Vai ser de desgosto
Tem também o desistente
Aquele que nem sequer mente
Já toma para si a derrota
eminente
Mesmo que sua história
Indique diferente
Quase esqueço do perfeito
Que se foca em algo
Se cobra de todo o jeito
Seu ego depende do trabalho
Autoestima atrelada ao esforço
No entanto o vazio preenche
O seu rosto…
Vazio de viver o lado de fora
Vazio de vontade do chamado de agora
Vazio, pois a perfeição não é natural
Assim como pássaros voando em teu
Quintal
Falta sede do desconhecido
Sede do que foge ao seu poder
De não ter aquilo na mão e a mão naquilo
E “aquilo” seria seu próprio viver
E falta o impulsivo
O doido e repulsivo
Aquele que vai onde ninguém iria
Para experimentar uma liberdade
Fugidia
Há muito para se falar sobre o impulsivo
Sobre o desistente ou até o comparativo
Mas nunca falam do perfeito
Porque todos têm medo
De viver em seu direito
Se prendem a regras particulares
Vivem vidas vividas por milhares
Não procuram saber de se entender
Querem viver só por viver
Quando na adolescência
O professor de filosofia fala:
“Cada um é diferente de cada”
Ele não tava brincando com nossa
Inocência…
Porque aí cresce…
Olha para trás de si mesmo
E não vê nada além de um espelho
Refletindo todas as falhas e acertos
Que não necessariamente o fazem inteiro
Perfeição não nos merece
Ela é tão momentânea como a paixão
Deixa-nos obcecados, nos adoece
Só para alguém dizer “sim”,
Enquanto outros diriam “não”
Façam-me rir intelectuais,
Lideres religiosos ou municipais
Quem vos dá poder sou eu
Quando descumpro compromisso meu
Quando mando para a puta que pariu
E, o segundo seguinte, jamais sequer existiu
Não somos burros
Ou sentimentais
Não se chame de fraco
Ou incapaz
Eu sou a nota oito de dez
Me esforço pelo que corro atrás
Eu sei que tenho meus limites
Mas só viver por viver não me satisfaz
É preciso correr o risco
E até ser imprevisível
A vida joga caminhos,
não limões para um suco bater
Cabe a gente segui-los
e não nos espremer
Dia 6: Fantasmas Virtuais
Sandice minha pensar
Que algum dia poderia amar
Alguém de mediocridade o bastante
Para não reconhecer minha superioridade
Estávamos nós conversando
Conversa séria sobre alguns planos
Me abro pra ti
Confesso que eu te amo
Desisto de fugir do amor
Depois de tantos anos…
E vou para cima
Refaço minha rotina
Dia-a-dia comendo contigo
Cruzando as linhas
Quem diria que um dia
As Parcas cansariam de nossa
Parceria
Monotonia eu sei que não foi
Fomos agitados do começo ao fim
Festas, bares, encontros e afins
Mesmo quando estava só por mim
Ainda assim não parava de ver nossas fotos
Te amando sem propósito
Não vi a tragédia chegando
Coitado de mim, leviano
Ingênuo achando que estava tudo resolvido
Que o amor não estava só comigo
Ah, mas esse erro é antigo.
É pré-histórico!
Um bobo da corte sem maquiagem
Sem alarme de aviso
Só tenho uma plateia comigo
E, é claro, o seu riso
Eu não consigo acreditar em camaradagem
Não vejo nenhuma coragem
Na real eu sinto raiva disso
E pena do cansado menino
Enfim, de volta aos finalmentes
Vou-lhes contar o que aconteceu
Estávamos juntos quando o dia anoiteceu
E amanheci só de repente
Sozinho, amores.
Só.
Como um caminhoneiro na estrada
Toda irregular e esburacada
Sem volta do destino que escolheu
Mas até sem entender o que aconteceu
E sem poder reclamar de nada…
Eu tentei conversar com ele
Por mais de um dia seguido
Mas ele se escafedeu
Sumiu sem deixar vestígios
Eu insisti
Pois eu sou confiante
Eu sei que sou belo
Não mereço um tratante
Mereço o mais honesto
Bobajada minha…
Além de mal me responder
Ele mentia…
Eu devo ter sido o diabo
O inferno para ele
Ou só mais um otário
Não saberia dizer
Muito fácil dar ghost
Fugir dos problemas
Deixar pra depois
Deixar os outros presos
E criar novos esquemas
Longe do outro
Mas sempre tendo o otário na gaveta
E eu já fui muito otário
Cansei, velho… Cansei.
Dia 4: A morte
Espinhos por todo o corpo
Cabelo, braços, pescoço
O mundo era seu palco
Juntava multidões
Realizava espetáculos
E a todos, esperniava
Ah! Tudo Agonizava!
Não aguentava tamanha audácia!
Petulância inebriada.
O emprego era simples
Emprego de estração
Chegava com material em mãos
Retirava maldita maldição
E tamanha era minha frustração…
Ninguém queria receber ela
Mas chegava sempre na festa
Sozinha se sentia, deprê
Nunca sentiria prazer…
O toque era sempre leve
Como uma brisa à tarde de primavera
Ninguém nunca jamais espera
Ela se alimenta assim…
Surpreendentemente fiquei assim
Surpreendido com o espetáculo
De fato, também horrorizado
Maldita filosofia que não cura
O que guardo debaixo da armadura
Ingratidão à senhora querida
Peça “por favor”
antes de tua vinda
Sentirá o frio quando
seus dedos longos tocarem tua ferida
Não terá nenhum plano
Que impedirá seu avanço
Dessa maldita
De repente está
De repente existiu
De repente chorará
De repente, ninguém viu
Tudo foi muito rápido
Não saberia como reagir
E o mundo caiu
Não há mais volta
Faca, ideia ou pistola
Acabou o Brasil
Queria te ver de novo
Fumar maconha
Comer um biscoito
Amei-te pela infância
Lembrarei-te pela magnânia
De novo, de novo e de novo.
A morte me fala todo dia
Que ela não é maldosa
Ela só boa companhia
Ri quando conto piadas
Mesmo que sejam mais perigosas
Ela me protege de espadas
Nada poderia ferir a vossa
Senhora
Mas eu nunca teria
Um romance com a morte
Será que… Aconteceria?
O chamado da morte
Clamando entre as ruas
Minha boca encostando na tua…
Olha, por sua sorte
Jogo paciência como esporte
Sou homem de médio porte
Lido com meus problemas de frente
Sou cabra criado, sou gente
Desfaço chamado
Sou potente
Puxei-te a alma pro lugar
Martelei seus dedos
Nunca mais vão soltar!
Maravilha estar como está
MALDITO NECROMANTE
Não queria ser salvo
Queria voar bem distante
Cair e receber minha ferida
Necessária morte sagrada
Poupe-me
De tamanha labuta
Consagra-me
Com tua esperteza
E conduza-me para onde me cura
Oh peste que escuta!
Desata-me de tuas bagunças
Desfaço minhas apostas
Expulsa, expulsa
Livro-me de ocasiões impostas
Viverei minhas vida
Sem tempo de ida ou vinda
Serei eu para o mundo
E a morte pode vir me dar um susto
Dia 2: Xenomorfo
Masculinidade traidora
Famosa pelo desconforto
Submete o mundo todo
Domina a contragosto
A princípio uma aposta
O tudo valendo o corpo
Ele faz o primeiro lance do jogo
E espera um romance amoroso…
Pois sua vida é autodestruição
A pobreza do dia a dia é dura
Até Deus o deixou na mão
Sempre andando a via escura
Amigos? Não me faça rir
Comparsas
Que vivem o mesmo que ti
Párias na guerra criada
Guerra imaginária
Guerra que estará por vir
Voltemos ao amor à dois
Tão doce quanto uma canção
Ela é a liberdade, pois se despôs
À ele, esperando um garanhão
Ele pomposo, todo brincalhão
A vida se encheu de cor e sentido
De repente foi do inferno ao paraíso
Ela sabia seu nome e falava com ele
A solidão subitamente esqueceu-lhe
Mas ele ainda estava em guerra
Homem que é homem, é homem! Porra.
E ele que é homem, também erra
Um pequeno erro, olhem só!!
Como, sei lá, o cérebro derretido por pornografia
Claro que tudo entrou numa fria
Não sabia que ela poderia escolher
E ela decidiu que não
Oh não! Que traição!
Que dor! Que invada a solidão
Não tem mais nada a perder
Sua vida, um eterno sofrimento
Não provou do calor e criou ressentimento
“A vingança virá, mas não contra você”
Porque a culpada não é ela
É a sociedade que me machuca
Ela me oprime, ela me expulsa
Ela é todo mal que me deixa frustrado
É o calo que piso em meus sapatos
Então a resposta está na autodestruição
Mas esta com a certa motivação
Comprarei uma arma, um rifle ou canhão
Detonarei todo e cada vilão que encontrar
Vocês não vão mais me maltratar
Homem não percebeu no momento
Que ele criou o próprio sofrimento
Sua cabeça fraca seguia
Fraca persistia
Em fraca recompensa
Em fraca força
E em fraca sabedoria
E seus sentimentos? Infantis
Um adolescente de 40 anos puto
Descobrindo o amor e o ódio juvenis
Sem saber as consequências de tudo
Homem que é homem, é homem, verdade
E ele vai pensar só nisto mesmo
De fuder, beber e em suas “amizades”
Ah, e também no seu próprio pinto
Esse poema é para os filmes de homem cis
Que criticam sua inocência fingida
De “homens” fudidos em suas vidas
Que são interpretados como heróis mirins
E assim volto a minha história
Que nome darei a este moço
Algo que lembre o Xenomorfo
A primeira ideia é a que fica
Que tal Sr. Cabeça de Pica?
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Gente, eu fiz a tempo, mas esqueci de publicar
30 – Pancadaria
Nós pessoas com pênis e meninos
Somos criados pra luta
E quando eu digo luta, é pra agredirmos
Para ganharmos logo sem disputa
Eu sofria muito quando pequeno
Sempre fui um pouco ingênuo
Os meninos batiam em mim
Eu não conseguia fugir
Olhava para o espelho
Via um gordinho estranho e feio
Difícil foi a luta daí
O tempo passou
E acredito que a luta foi contra mim
Mudei muito de lá até aqui
Venci medos, e olha onde estou
Na estaca zero
Nunca fui bom de lutar
29 – Amor
Odeio escrever sobre amor
Tudo no mundo é sobre isso
Parece que não há outro esplendor
Que só há esse feitiço
Pois eu quero quebrar essa ideia
Posso escrever sobre a vida
Não me permito viver nessa miséria
Não quero saber o que amar significa
Não preciso amar para sentir empatia
A vida já nos dá infinitas agonias
Precisamos juntos aprender a viver
Sem depender do amor, somente crescer
Crescer vendo o mundo girar
Aprendendo a ver os detalhes do dia
Aprendendo a gostar de odiar
Permitir-se destruir um lugar
Ou até mesmo gritar com a tia
Amor é uma idiotice sem tamanho
Que engana trouxa que não pensa
Faz a lógica dobrar seus panos
Algo irrelevante do nada pesa
Você não estava nos planos
E acabou.
Não se deve nada ao amor
Não vou falar mais sobre isso
Se você quer se dispôr
Boa sorte, seu estrupício
28 – Dilacerar
Quando eu te vi
Não acreditei na hora
Você tão lindo ali
Fui falar sem demora
Não sabia se você queria
E eu estava meio tonto
Mas o desejo foi meio guia
E você respondeu no ponto
Queria ficar mais um pouco
Eu me derreti todo contigo
Você falava coisas sem sentido
Me afastei me achando louco
Louco eu fui por não aproveitar
Só olhar pra você não consigo
Seu sorriso, você é tão comedido
Meu objetivo é quebrar seu juízo
Ver seu olhar ao se perder
Deslizando seu corpo no meu
Se divertindo sentindo prazer
Desejo provocar você agora
Como tu me provocas
Porque quando você está em volta
Uma fera de mim se apossa
Não consigo pensar em nada
Além de ver sua carne dilacerada
Não há mais corpos
Apenas linhas e conceitos
A consciência perde o foco
De Ícaro eu me esqueço
Os instintos imperam soberanos
Quero rasgar suas linhas
E mesmo te conhecendo faz dias
Quero você por anos
A vontade é a destruição completa
Você me arrebenta de me fuder
Eu explodo sua cabeça
Tudo que sobra sou eu e você
Babo vendo você andando
Cansado, mas me chamando
E eu vou, meu amor
Vou te dar meu calor
27 – Gótico
As forças do inimigo
Oprimem a mente do fiel
Se te envolvem em fel
Então serão meu abrigo
Jesus morreu antes de nascer
Constantino lhe deu esse prazer
Agora o espírito santo é o guia
De mentes e almas já vazias
Pois eu persigo o sonho meu
Fugindo da estagnação passada
Voando e derretendo pelo céu
Mas ao cair não me arrependo de nada
Eu me importo com os outros
E também com a vida humana
Quero ter uma vida bacana
Ver meus amigos bem soltos
Mas a atual bondade ingênua
Afoga o bem de verdade
Num mar de pura insanidade
Deixando uma quietude plena
Pois eu rasgo essa fantasia do além
E procuro entidades humanistas
Há uma beleza no sacrifício, sei bem
E refaço meus estudos
Penso em meu lugar no mundo
Dedico a minha vida aquilo
Respiro o estilo artístico.
26 – Apocalipse
Talvez nos enganamos
E se fomos nós os deuses?
Nossos poderes criamos
E transformamos todas as vezes
Transformamos a terra e o céu
Transformamos as cores
Nós recriamos as flores em papel
Retiramos o mel e o transformamos
Em valores
Talvez sejamos deuses da destruição
Levando nosso mundo a extinção
Vidas inocentes, fauna e flora
Não são uma grande preocupação
Em comparação ao lucro que vira agora
Deuses que potencializam seu poder
Para poder se materem melhor
Consideram a morte vencer
O preço da vitória grava na terra o seu pior
E se somos deuses menores?
Cada um com sua função divina
Uns para lutar, outros para escrita
Artes que nós fizemos virar scores…
Podemos ser deuses, acredito.
Deuses de criação, eu ainda me permito.
Deuses que usam a imaginação
E transformação em realização
Deuses que lêem o mundo
Criam determinada opinião
Querem determinado estudo
Para transcender entre os seus
Dominar o poder como deus
Se o mundo acabar como falam
E os humanos derreterem no asfalto
Prevejo, apesar de ser contrário
Que alguém desejou todo esse estrago