Em cima da moto

Tem algo de errado?
Não, não tem nada.
Nada, nada, nada
Fixo meus olhos na estrada
Tentando desviar meus pensamentos

Eu só lamento
Que você precise ser assim
Alguém que me vê como animal
Que precisam mandar em mim
Pra se ver feliz
Sem pensar que está me fazendo mal

Seu hábito de se machucar
Para me machucar
Não é normal

Eu lamento a minha partida
A decisão foi tomada há anos
Ela foi fria e comedida
Foi calculada,
Como uma moto andando na pista

Eu não vou olhar para trás.

A decisão foi tomada lá atrás
Quando me fez chorar demais
Por eu ser quem eu sou
Me fez me esconder até hoje
De várias formas me desconsiderou
Ousou me tirar da família
Algo que eu nunca pediria

Agora é meu momento de despedida

Fazer parte de seu tribunal
Já não me satisfaz
Não sou o culpado ou o vilão
E muito menos seu capataz

Das suas mãos a minha história
Se desfaz
Eu a realinho e monto meus ideais
Vou me construir
Mesmo se você não me queira mais

Eu sou meu próprio abrigo
Sou capaz de tudo,
Sou amável e sou meu carinho
Eu sou bom, por mais que não acredite
Eu sou certo, esperto e gentil
Sensível até o último fio

E faz-me chorar

Não quer que eu me vá?
Oras, pois pensasse antes
Não vês que sofro a cada instante?

Eu tentei construir pontes
Mas você as derrubou
Eu confiei acordos de paz
Falei de mim até demais
Mas, sem aviso, você me atacou

Uma, duas, três, quatro, cinco, dez…
Não sei mais quantas vezes

Por isso eu estou indo
Mesmo chorando

Pois mesmo a decisão correta
Mesmo o planejamento certo
Mesmo a moto andando na reta
Ou o plano feito pelo mais esperto
Não estão preparados para isso

Não fui feito para machuca-la
Não quero incomodar com minha saída
Indesejada
Mas eu não quero morrer pra te fazer feliz
Não vou definhar contigo

Peço para que cuide de si
Rezo por isso
Para que viva sua vida sem mim

E no final eu te entendo nisso
Porque eu sei quantas vezes eu não tive forças para seguir
Eu sei quantas vezes eu não via caminho no futuro
Quanto tempo desperdiçado chorando no escuro
porque eu não sentia que podia nada no mundo

Mas eu precisei me reinventar
Não sei se foi a terapia
A morte de Clara
Ou só o tempo passar

Eu precisei de algo para me acordar
E agora eu não posso mais parar

Então eu para você eu peço cuidado
Que cuide da saúde
Que deixe o orgulho de lado
E caminhe com o amor guardado

Quanto para mim eu peço desculpa
Peço um sincero obrigado
E eu peço que me respeite
Que respeite todos meus amados

Eu não vou mais quebrar pra fazer você feliz

Lembrando para quem esqueceu

Eu não quero o bom dia
Boa tarde
Eu não quero a mensagem isolada
Não quero saber de você sem vontade
Não vale vindo de uma pessoa
se sentindo obrigada

Não quero.

Eu quero que venha
Mas que seja num lugar de cuidado
De carinho

De amado
Não quero voltar ao passado
Não quero ser deixado de lado
Jogado
Desencontrado
Sozinho…
Não posso ficar calado
Aceitar o fato
Não perguntar retado
Qual o problema da situação?
Apesar de rachado
Sinto que precisa ser falado
Não quero te perder em vão

Essa é a minha insegurança.
Esse é o meu fardo.
Eu gosto de me sentir especial
Eu gosto de ser lembrado.

Novamente:
Não vou força-lo
Não quero que seja obrigado
Quero que venha do convívio
Que o amor brote com isso
Comigo
Contigo

Que possamos fazer o impossível
Conquistando um dia de cada

Vendo os vossos sorrisos

Sentir-me querido

Me pergunto o que estou fazendo
Bebendo a cicuta
Provando o veneno

Me pergunto o que tô fazendo
Correndo como nunca
Sem escutar o vento
Sem senti-lo em minha nuca
Sem cansar, sem momento
De parar

Me pergunto o que tô fazendo
De cartas várias
Demonstrando sentimento
De vazios muitos
E poucos preenchimentos

Eu não sei mais o que tô fazendo
Me jogo a toda na lava fervendo
Que me engole como um todo
E depois devolve, à contragosto

Eu não sei o que tô fazendo
Continuo a beber o veneno
Mesmo sentindo seu gosto
Mesmo sabendo o destino doloroso

Por que eu estou fazendo?
Por que andar contra o vento?
Por que provar o veneno?
Pra quê derreter na lava
Noite a dentro?

Sinto não merecer o que estou fazendo
Eu me sinto ingênuo
Como em Platão, os habitantes da caverna
Vendo os desenhos
Eles tocam as sombras e não sentem tocar
Eles ouvem os barulhos e pensam imaginar
Eles sentem os cheiros…
Mas mesmo quando se viram e saem da caverna
Negam a realidade
Para sentir de novo o frescor da parede
Ante o seu toque

Eu já não sei o que estou fazendo
Se me quer
Por que não me conheces?
Se me tocas
Por que não me queres?
Se me diz amores
Por que me entristece?

Por que me deixa com medo?
por que me esquece?

Me pergunto o que estou fazendo
Se eu sou jovem demais para o agora
Ou se eu só não mereça o que sinto
E deva jogar fora.

Me sinto um idiota.

Subo bem alto
Aonde coloquei seu pedestal
Olho para baixo,
Com a pretenção de me jogar
Piso em falso
E derrubo você no lugar
Me jogo involuntário
Com a pretenção de te salvar

O que eu estou fazendo comigo?
Abro minhas asas e traço meu caminho
Plano para baixo, assisto o sol cair
Sozinho.

Mil e outros…

Mil e muitos outros gostos
Rostos
Soltos
Pegam e amassam
Esticam
Provocam
Os lábios
A pele
Uns amassos
Meus
Nossos

Que outra forma seria vos amar?
Que até a criança mais risonha
Nunca ousaria sonhar
Ou até o mais velho e rabugento
Nunca iria experimentar

Ai amor de ouro
Que nunca cai na mão do tolo
Caiu na minha
E eu, que não sou bobo
Estou já aproveitando de partida
De Mil e muitos outros
Rostos
Soltos
Uns vivos, outros nem tão pouco
Vocês dois são os meus tesouros

Forjados pelas mãos dos deuses
Trabalhados pelo mais minucioso artífice
Vocês são arte, vocês são aprendizes
Que vivem o dia e a noite na labuta
E amam como podem
Vêem um ao outro como parceiros de luta
Unidos em graça e ousadia
Dividindo a fruta
Saboreando a vitória do dia
Talvez de toda uma vida…

Vocês são a própria lava
Derretendo tudo por onde passa
Uma amálgama de puro calor
Ardor
Amor
Que força sua saída do vulcão
E explode dentro de meu coração

Que sorte tenho eu
Um mero homem ousado
Que tento descrever
Os sentimentos que vocês têm me causado
Então faço em poesia,
Pois não há outro jeito literário
Que possa transcrever algo físico
Tão bem imaginado…
Tão bem…
Fantasiado…

“O que é mais real mesmo?”
Quando vocês sorriem para mim
Eu sinto exatamente esse efeito
Tão diferentes, mas tão lindos
Amo-vos os dois
E nada mais que isso

Meus preferidos
Não se deixem enganar
Amo-vos, sim
Mas vós sóis diferentes
Então deixe-me melhor elaborar

Forjado por Atena
Esperto sempre que entra em cena
De pensamento rápido e ardil
De jeito mole e gentil
Um abraço que leva o mundo inteiro
Um humor, um sorriso, um beijo verdadeiro
Um calor que abraça meu corpo
Os olhos que me almejam
Eu nunca pude fugir de nossa química
Te amo inteiro
Te amo, vida

Forjado por Pan
O belo dom da natureza
E até mesmo quando esbraveja,
O homem é adorável
Amável
Como um guardião de mundo
Antes abraçado
Como aquele primeiro namorado
Que faz tudo certo de fato
O primeiro sexo folgado
E você pode parar um momento
E sonhar um futuro juntos
Eu acho que te amo também.
Quero fazer isso ser profundo.

E mil e muitos outros
Gostos
Rostos
Soltos
Pouco a pouco acham o meu
Mas vossos gostos
Rostos
Corpos
Nunca nunca

Deixam o peito meu

Voltemos ao amor

O que é o amor para mim?

Eu tinha tanta dificuldade de pensar sobre amor. Quando pequeno, eu não achava isso importante porque em parte eu achava que era algo natural e que vem instantaneamente, então eu não precisava me preocupar com isso.
Quando eu cresci mais um pouco, percebi que amor é algo que se pode conquistar e brincar. Seria como um objeto que se joga, se rouba, se guarda e se doa.
Ao crescer mais, eu fui descobrindo que o amor está vivo. Ele é criado pelas pessoas. Ele respira, fala, anda e cresce. Ele precisa ser cuidado e precisa de atenção. Quanto maior o amor, maior o trabalho. E, nesse momento, eu me questionei se era bom amar. Se tamanha responsabilidade fazia sentido ter. Pois, por estar vivo, o amor também erra. Ele também machuca. E, quanto maior fica, também mais perigoso fica. Assustado, tranquei meu coração. Nunca sentiria amor de verdade. Essa parte da vida é muito perigosa, que demanda muita responsabilidade. Isso não é para mim

E eu vivi por mim. E vivi muito.
Cruzei mares e rios. Bebi como um louco.
Beijei diversas bocas. Trancei-me com diversos corpos.
Fudi gostoso demais.
Fudi horroroso também, e segui demonstrando ser capaz.
Capaz de viver, de me amar, de simplesmente não pensar na possibilidade de parar para amar.

Mas aí o amor me pegou. Eu percebi que viver é cansativo demais, e demanda uma rede de conforto. Demanda atenção. Demanda carência. Demanda vontade de escrever algo, de cuidar de alguém. De ser presente e lembrado, e de lembrar e presentear.

E então vivi o amor. Intenso como um raio e veloz como tal. O rombo que o raio faz no que toca, o amor deixou em mim. E o fogo que o raio causou… Queimando quase sem fim.

Até que um dia enfim se extinguiu.  E então eu pensei que deveria voltar a quem eu era antes: afinal o amor só se mostrou ser um desvirtuador de objetivos, amargador de bocas, destruidor de corações. É muito poder envolvido. Poder que eu não quero dar de graça. E Air Catcher de Twenty One Pilots que me perdoe, mas confiar não é possível.

Bom, eu pensei assim.
Hoje eu entendo que estou sendo bobo.
Eu amo músicas. Eu amo artistas.
Eu amo as cores do pôr do sol.
Eu amo minha comida. Eu amo comer besteira.
Eu amo passar tempo com amigos.
Eu amo também passar tempo sozinho.
Vendo o mar, escrevendo bobisses, bebendo vinho.
Adoro conhecer gente nova.
E adoro uma loucura.
Eu tenho muitos amores. Eu sou pra sempre meu.
Eu me amo mil e muitas vezes.
E, assim como eu me amo, eu consigo amar os outros. Eu consigo criar amor por arte e por meus amigos.
Por quem é próximo de mim e quer meu bem.
Eu sei que esse amor existe e eu posso confiar nele.

A partir disso, eu sei que também é possível que eu me apaixone. Que eu caia no conto de alguém. Que eu me permita criar algo por alguém que seja bonito e que me deixe feliz. Porque eu não mereço me limitar por conta de nada, nem de meus traumas e nem pelos outros. Porque antes de vos amar, eu me amo. E amo meus amigos. E minhas coisas favoritas.
Meu coração está recheado de amor e eu não posso ter medo ou vergonha disso porque, no final, eu não viverei de verdade.

Vou continuar sendo o Ícaro que não acha que “Amor vence tudo”, mas eu sou também o Ícaro que se permite a amar. Aos poucos.
Aos poucos.
Eu vou me soltando.
E aos poucos.
Aos poucos.
Eu posso amar de novo.

Eu te deixo ir

Não sou bom com despedidas
Adoro fazer minhas malas
Mas odeio as partidas

Eu chego como quem não quer nada
Inesperada chegada
Me esforço para estar próximo
Povoo meu coração inóspito
Que há tanto tempo está sozinho
Se sente em casa no coração
Vizinho

Eu vacilo na adaptação
Uma hora eu estou aqui para ti
E muitas outras… Não
Perdoe a distância que impus
Tão descuidada assim
Sem sequer oferecer uma luz

Mas eu sou mesmo de viagem
Posso estar no infinito pela paisagem
Mas sempre volto para meu par
Digo lar
E vos amo até com a menor bobagem

Acredite em minhas palavras quando digo
Que não trocaria o meu abrigo
Por nada que não seja contigo
Eu sempre volto
De quem eu já amei eu não solto

Isso eu falo para meus amigos
Para os amores
E quem mais se interessar em escritores
Como eu, infelizes vadios
Procurando razão para compôr versos vazios

É por isso que dói tanto
O abandono que quebra o encanto
A distância que quebra a balança
O equilíbrio não mais me alcança

E se eu voltar e você não estiver mais lá?
O que vou fazer para novamente amar?
Para onde levarei desabrigado coração?
O que escreverei em minha canção?

No caso da ida
Eu te acompanho na despedida
Eu te abraço forte e choro como nunca
E te deixo ir, na esperança de seja feliz
Melhor longe fora daqui

Eu ainda te amarei, sim
Você nunca vai sair de dentro de mim
Balanço ao escutar nossas histórias
Imaginar ou relembrar usando drogas

Mas eu também não pararei
Farei novamente as malas
Aventurar-me-ei
De dia, sangrando a palpitar
De noite, ao fechar os olhos
Morando dentro de seu olhar

Quatro passos

Um passo a frente
Eu não acredito
Faço piada com tudo que digo
Já que (com) todos foi igual
Você não pode ser diferente

Mais um passo
E eu vacilo
Erros servem para ser cometidos
Mas eu gero cansaço
Estimulo o fracasso
Auto-saboto o meu caso

E um passo a mais
Já não mostrei que não sou capaz?
Ninguém deve amor a mim
Não terei companhia jamais
Proíbo que caminhe assim
Siga os sinais e proteja-te

Quando chega o quarto passo
O passo mais longo e demorado
O passo que é dado pelo amor de fato
Eu não resisto e me abro
Solto demônios, deuses, diabos
Todos livres e declarados
Ansiando estar ao teu lado

A barragem começa a rachar
Deixando meus sentimentos a jorrar
E nessa loucura viva na cabeça
Você me pede para que te esqueça

Remendo a barragem
E seco os sentimentos com a mão
Pedindo para você perdão
Rezando para encontrar solução
Mas não
Não é falta de coragem
É não ver vantagem

Não é sobre perdão ou gratidão
Sou uma perda de futuro
Não sou suficientemente maduro
Nunca houve construção
É só a foda que nos mantém
Juntos

Agora que de novo levanto os muros
E desfaço os passos dados
Penso sobre meus amados
E entendo que é melhor partir
Colando as partes que deixei por aí
Do meu coração
Que se fragmenta a ruir

Súplica de amor

Eu gosto da ideia de que meu coração é grande. E de que nós amamos até onde ou quando nosso coração pode chegar com o amor. Recebendo e dando.

Meu coração há muito tempo não absorve o amor que recebe. De fato, venho continuamente desistindo do amor batendo em minha porta. Dos mais belos aos mais toscos, dos mais profundos aos mais rasos, eu fugi de todos, temendo o sofrimento que é amar alguém. Entretanto, ao passo em que eu degustava esses amores, algo sempre ficava para trás, como um quarto vazio acumulando tranqueira, como um coração acumulando espinhos. Tolo, pensei que seria o suficiente para saciar a fome de amor, quando na verdade eu não sentia fome – eu sentia solidão.

Por que eu preciso sofrer ao amar?

Por que o amor tem que significar dor?

A cada mordida em um fruto da árvore do amor, meu coração afundava ainda mais num precipício sem fundo. Tudo, absolutamente tudo, pesava em meu coração, que afundava descompassadamente. As palavras que soavam absurdas eram ditas e as ações que me guiavam eram comedidas.

E, por mais que o tempo passasse, eu não conseguia me acostumar a viver dolorido. Sempre surgia uma fada da esperança em meus ombros me convencendo a confiar, me instigando a não hesitar. Logo mais eu a via voando para longe, rindo em escárnio enquanto eu chorava no banheiro. Afundando em mim mesmo…

Ao toque, espetava como espinhos.

Ao som, agonizava como metal contra metal.

Ao cheiro, embriagava como bêbados.

Ao gosto, azedava como umbu.

Ao olhar, ardia como pimenta.

Do menino que não gostava de usar a palavra “amor” em vão, tornei-me um escravo da paixão. A brincadeira de se envolver sem amar se tornou fácil e acabei desaprendendo a dar significado à palavra por conta de tanto tempo sem usar.

Interesse sem significado, vontades vazias, carne batendo na carne e o calor sem vida.

Sem identidade.

Sem pessoalidade.

Sem amor.

Dentre tantas outras bocas, onde foi que eu perdi meu beijo?

Dentre tantas histórias em que me humilhei, onde eu deixei meu orgulho?

Meu auto cuidado…

Não estava esperando me apaixonar de verdade.
Até você chegar.
E agora eu tenho medo de te perder.
E me afundar de novo.
Eu sei que me coração é grande e sei que ele não tem limites para amar, mas isso não significa muito e não responde as perguntas que fiz até agora. Se puder, eu quero sua paciência. Eu quero sua presença. E te peço por seu amor. Daqui, eu vou me esforçar para desvendar essa infinidade contigo. Para mergulhar no que é novo e, portanto, desafiador.

Isso é muito difícil para mim também, eu quero que entenda que meus sentimentos são de vidro e quebram muito fácil, mas eu vou deixar a guarda baixa e vou te dar as armas para dar xeque em meu coração.

Por favor, não me deixe.

Lighting the fire

Oh, the darkness that follows a man
So dark I can barely see anything
Talking with a stranger, but nothing
That’s not the person I am

Empty words don’t fill the space
Talking just for talking ain’t right
Diving deep into your eyes
To swim all over your mind
To submerge into your point of view
To know you better that anyone knew

I am full of loving and creation
Imagination makes me go further
I’m not stopping ‘til I reach the gutter
Burning low the fire of lovers

But as my fire can’t light all the room
You can’t talk to me too
I guess I’ll stay here on my own
Burning quietly in the dark alone

O tempo e a falta

Um vidro que quebra ao toque
Revelando um mundo frágil
O tempo avançando fácil
Mas eu ando meio torpe
Sentimentos pedem perdão
E me rasgam sem piedade
Me rasgam com a saudade
As armas mais vis do mundo são
Memórias da antiguidade
Tempos que nunca voltarão

Agora esse mundo é invisível
É inodoro, silencioso, Intangível
Tudo que tenho do mundo agora
É imaginar pela memória
O que fomos outrora
Ah, mas que tolice a minha
Não posso considerar os sentimentos
Que eu tinha
Pior ainda é o amor de verdade
Que dura mesmo com a pior tempestade

Mas esse texto não é sobre amor
E sim sobre o sentimento de falta
Amar me transforma em sonhador
Perde-los… Minha cabeça desaba

Há uma necessidade de estancar
O sentimentalismo que existe aqui
Porque, quanto mais jorro emoção
Mais esvazio meu coração

Sem resposta, sento no banco em um gramado
Olhando a esmo, uma chuva de meteoros
A Cada cometa, um grande querido amado
Olho para os lados, um bando de espólios
Mas a solitude me deixou há muito como coitado
E, quando a chuva acabar, e eu abrir meu olhos
Estarei velhaco, rabugento e mal-educado

Estarei velhaco, olhando para as estrelas
Pensando nas luzes delas bem distantes
Vivendo as luzes como se estivesse entre elas
Vivendo o passado sem seguir adiante