E no silêncio
Eu me faço ser ouvido
Sou a canção da multidão ecoando
Zunindo no ouvido daquele que não ouve
Que prefere que eu passe despercebido
E às vezes eu também prefiro
Se todos somos guerra, então cadê a batalha?
Não há rastros…
Não há fumaça…
Mas há vítimas.
Sim, e mais vítimas do que imaginava
Vitimas cansadas
Vitimas ousadas
Aquelas por muitos esquecidas
Invisíveis, morrendo pelas vistas
Pelas visitas de estrangeiros
Que são vítimas de verdade
Que choram de boa e má vontade
E coitado do povo
O suor do povo mascára
As presas do outro
Que nos eviscera sem pensar nem um pouco
Mais um e mais dois
Vão-se três jovens de uma vez
Da voz de todos, ouço um socorro
Ouço a voz da mãe
Da irmã
E do amigo
Ouço a minha voz tentando falar
Para confortar ou fazer abrigo
Ouço as palavras encherem a sala
Mas não vejo a batalha
Até que ponto tu lutas por todos?
Até quando lutas por mim?
E o que eu farei por mim?
Penso em pompeia
E eu achava absurdo
Como pode toda uma cidade morrer
Achando que nada estava rolando
Vendo tudo se acabar
Se agarrando ao último suspiro
Suspirando até que acabe