Dia 7: Humiliated

Vá se fuder!
Suas palavras são sujas.
Não quero nada de você.
Recuso seu jeito de ser.
Eu já fui aquele ali
o que entretém,
o que os faz rir,
não sou mais o otário.
Você me iludiu, me fez fraco,
me inabilitou de ser só meu.
Tudo o que eu pensava
era para fugir ou para
melhorar essa caricatura.
Nunca era suficiente.
Então quando escuto falar
“Constrangimento é pedagógico”
Vá se fuder!

Dia 6: Horrified

Depois da porta
do lado de fora do quarto
está escuro e quieto.
Não há mais nada ali e
apesar de não morar só,
todos dormem nessa hora.
Então porque você,
ao se concentrar no trabalho,
tarde da noite, no silêncio,
Você se sente observado?
Como se um espírito brincasse
de esconde-esconde contigo
te chamando para sair
para que possa encontrá-lo
E libertá-lo desse plano.
Ou apenas um assassino mesmo
esperando você dormir
para cortá-lo o pescoço
assim como já fez com os outros
Vai, feche os olhos!
Durma! É melhor mesmo!

Dia 5: Distant

Por todos que já passaram,
por aqueles que foram e
por aqueles que ficaram,
vejo hoje a vida em trânsito.
Ele não vai estar aqui para sempre
e ela nunca mais quer te ver.
É engraçado como eu fui tolo.
A única pessoa que me acompanha
que vê meus passos
me aplaude e me edifica
sou somente eu.
Mesmo que eu sinta às vezes
distante até mesmo de mim
eu sou minha única companhia.
Eu confio em outros, todavia.
Eu consigo amar outros
abrigar outros em meu coração
por mais que no fim isso doa.
Por mais que eu saiba
que, para existir caminho
é necessário o deslocar
implicando distância.

Dia 4: Overwhelmed

Quero muito chorar.
Eu olho pra mim e vejo
sombras de um tormento.
Não almejo mais do que posso,
logo não consigo nada.
Impeço meus passos,
persisto no impossível
para me dar a completude –
mesmo que não saia do lugar.
Angústia que enche meus peitos,
tomando o lugar do ar,
sufocando-me, atordoando-me.
O trabalho é tão simples, não?
Escrever ou ler ou escrever ou…
Nem sei mais o que fazer.
Inevitável o caminho fácil:
procrastinação e desculpas.

Terceiro dia: Inspired

O poder está em minhas mãos
Literalmente, um espaço,
palavras e meus dedos.
O futuro de meus sentidos
está cravado nessas folhas.
Uma gota de tinta derramada,
um piscar de olhos
e a obra está formada.
Tanta demora e desespero.
Tanto fraquejo e disrupção.
Para no final, o sucesso.
A falha nunca foi uma opção.
Desenho palavras porque sim
e o sentimento desabrocha
dentro de mim,
assim como sangue corre
pelas veias e artérias,
minhas elucubrações discorrem
transbordando aqui mesmo.

Dia 2: Unfocused

A verdade é essa:
não sei como minha mente
roda em tantos assuntos…
Nunca intermitente.
Eu juro que, se pudesse,
separaria meu tempo,
leria o que quisesse,
organizaria minha vida
da forma como presumo
que eu penso que queria.
Mas a condição contínua
essa de eterno espasmo,
de simplesmente sair de mim,
desligar meu cérebro do nada,
não consigo ver quando acaba.
Não consigo também me dar
espaço.
O mundo é rápido demais
ou sou penso muito lento
para viver esse caos acelerado?

Dia 1: Disgust

O primeiro som assusta, e

passo a passo, acompanho.

Caminha meio estranho

feiosa e estranha criatura

Ah, mas se, e somente se

a beleza fosse o único desastre,

não teria problema de abraçar

acolher e confortar essa parte.

Lembre-se que o humano

e por conseguinte sua imaginação

não descola da realidade

e então toda sua crueldade

que seja imaginada

que seja realizada ou

mesmo que seja brincada

é real e agoniante.

Feliz aniversário, amigo

Esta é uma carta para adiantar a despedida
Eu amo você demais para pensar em te perder
Então escreverei isso para me preparar logo
Afinal, sei que não vou lidar bem com isso

Dói em mim pensar em deixar você ir
Dói, porque você foi quem eu escolhi confiar
Mas, enquanto com o tempo, nunca escolhi te amar
A princípio, um estalo e eu pensei muito em paixão
Pensei em mais um romance daqueles de verão

Mas não
Você veio como um engavetamento de carros
Inesperado, violento, barulhento e dolorido
Exatamente como um acidente infeliz
Irresponsável, inevitável, conflituoso e sem final feliz
Eu penso sobre como nunca quis ser seu amante
Penso sobre o amar como algo ainda mais facinante
Queria muito continuar contigo como estamos agora
Sua amizade é realmente o que me faz ter forças pra odiar o mundo
Não sei o que vai ser da nossa dupla comigo sozinho

Já sinto sua falta mesmo antes de você ir embora
Fofocar sobre os eventos não vai ser mais a mesma coisa
Seu sorriso sarcástico pronto pra me perturbar
Seu olhar de atenção quando eu tô triste tristonho
Não quero perder mais um amigo, sabe?
Mas eu sei que você vai conquistar sua vida por aí
São Lázaro é muito pequena pra conter suas habilidades
Sou sentimental e fresco, sei que você vai manter contato quando quiser

Eu não comprei o livro que você queria e me pediu
Invés de comemorar ou sei lá, vou mandar essa carta
Enfim, eu gosto de você, seu corno.
Espero que isso não mude.

Bravado ~

Ouvi a música “Bravado” de Lorde e fiquei pensando sobre meu Bravado. Meu grito de guerra. Minha vontade interior. Talvez o encontrar seja justamente sobre se entender, sobre ao mesmo tempo criar e explorar o que já existe dentro de você. Um baú de pólvora esperando a fagulha.
Essa fagulha já existe.

Toda minha vida eu pensava
Que um dia minha hora chegaria
Mas eu estive mais ocupado
Me preparando para a grande chegada
Não construí sua estrada
E agora não sabia mais se viria

Mas a maré finalmente virou
Os ventos sopram ao meu favor
Os fios do destino ganham entorno
Não tenho entusiasmo pelo retorno
Estranho demais pensar meu corpo
Exposto, num palco pensando a dor
Dolorido, expondo o pensador (colonizador)
Eu não sei se quero para mim isso
Uma vida inteira de professor

Os olhos ávidos por atenção
As armas são apenas o piloto na mão
A única coisa que me agarro
Para manter minha sanidade
É a minha determinação

A sala está cheia e barulhenta
O respeito é de amigo, parceiro
A reclamação é briga, esquenta
Situação de discussão não é passageiro
Eu não quero lidar com criança o dia inteiro

Meu grito está nas pequenas criações
Gosto da independência de suas ações
Vejo de bons olhos todas as questões
E outros pontos que eles trazem consigo

Vejo no aluno um amigo perdido
Aquele que você não fala faz anos
Que faz sempre para você pedidos
Mas que você sabe que para fazer acontecer
São necessárias organizações, novos planos

Sei que é uma forma ruim de pensar indivíduos
Mas é a única forma que me impulsiona a ir
Talvez tudo que fale se torne meros resíduos
Eu não me importo contanto que faça algo fluir

Eu posso tornar esse o meu chamado
Transformar tudo ao meu redor que for tocado
Se tivesse certeza, moveria todos meus recursos
Viria com outros olhos! Traçaria logo o curso!
No entanto, não sinto aquele arrepio
O calafrio despertando na ponta do espinhaço
Meu braço não vira o leme do barco
E o mar revolto me impede de atracar nesse espaço

Então qual será o meu grande chamado?
Por deus, eu não aguento mais a calmaria
O caminhar a esmo sem algum guia
A resposta para qualquer pergunta bastaria

Resposta cujo entendimento depende de mim
Se não atingi-lo, eu estagnarei bem aqui
O grande espectro da expectativa de me definir

Acho que essa foto minha tentando fazer uma pose e absolutamente tudo dando errado é a melhor representação desse texto.