Lighting the fire

Oh, the darkness that follows a man
So dark I can barely see anything
Talking with a stranger, but nothing
That’s not the person I am

Empty words don’t fill the space
Talking just for talking ain’t right
Diving deep into your eyes
To swim all over your mind
To submerge into your point of view
To know you better that anyone knew

I am full of loving and creation
Imagination makes me go further
I’m not stopping ‘til I reach the gutter
Burning low the fire of lovers

But as my fire can’t light all the room
You can’t talk to me too
I guess I’ll stay here on my own
Burning quietly in the dark alone

Eu me perdi

O reflexo de meu tormento
Se esconde dentro de mim
Como uma erva daninha no jardim
Eu quero arranca-lo sem ressentimento

Vejo minha criança interior
Ela chora ao se ver no futuro
Eu com toda força do ardor
Negligencio, deixo ele mudo

Mas não esperava que ela pudesse
Projetar em mim os piores medos
De fato sua força ela conhece
Tão poderosa que me vejo cedendo

E eu falhei com meu Ícaro pequeno
Sei que falhei várias vezes com ele
Ele só queria viver bem e pleno
Mas eu queria o sofrimento na pele

E o que segue um auto sacrifício
Nem sempre é algum benefício
Eu me destruí por nada esses anos
Por isso a criança continua chorando

Eu achava que estava sendo forte lutando
Estratégia que gerou resultados esperados
Mas não vale a pena continuar desmoronando
Só para eu conseguir viver minha verdade isolado

Eu agora não tenho mais nada para dar
Porque tudo já foi trocado por felicidade
Eu só tenho memórias que viram saudade
E tristezas que eu visito na porta do bar

Quais incertezas giram na cabeça de um homem feito?

Que insegurança poderá penetrar na alma de uma pessoa bem sucedida?

E sinto a fraqueza de ser alguém bom
Como uma planta que definha no jardim
E sinto que tudo agora depende de mim
Pois no fundo de cada um há um som
Que nos guia em direção ao fim

Pois acabarei sendo a criança chorando
Batendo a cabeça no chão, esperneando
Tentando lembrar ao meu eu mais presente
O que precisa para se construir dignamente

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Reflexão pré-escrita:

Ando vendo o reflexo de meu eu criança correndo atrás de mim, chorando e brincando. Eu cresci rápido demais e eu nunca quis ser adulto, mas cá estou: homem formado com o mundo de responsabilidades em cima de mim, mais do que simplesmente brincar até cansar.
E eu adoro isso. Eu realmente precisava crescer e viver tudo isso… Mas valem as perdas? Ao olhar para trás e pensar em escolhas que tomei, fases que já passei e respostas para certas perguntas que me definem até hoje eu me sinto derrotado pelo tempo que concretou meus caminhos trilhados. Certamente todos esses caminhos me formaram e eu não poderia escolher outros. Sei que foi o melhor que eu podia escolher ou ao menos o que minha cabeça considerava o melhor para mim, mas eu ainda assim não consigo me perdoar por não ter sido uma pessoa melhor.
E eu sinto tanto sua falta…
Nesses momentos em que eu estou sóbrio e dentro de uma experiência profunda, eu me encaro e vejo a criança de novo brincando. O que essa criança espera de mim? Como eu posso ser amigo dela de novo?

Eu perdi minha felicidade interior. Eu perdi meu amor e meu brilho nos olhos. Eu perdi a vontade e a gana de conquistar meus objetivos. E isso tem a ver com a minha criança. E adolescente. E adulto. Todos vivendo dentro de mim.
Eu quebrei e ainda não consegui consertar.

Foda.

O tempo e a falta

Um vidro que quebra ao toque
Revelando um mundo frágil
O tempo avançando fácil
Mas eu ando meio torpe
Sentimentos pedem perdão
E me rasgam sem piedade
Me rasgam com a saudade
As armas mais vis do mundo são
Memórias da antiguidade
Tempos que nunca voltarão

Agora esse mundo é invisível
É inodoro, silencioso, Intangível
Tudo que tenho do mundo agora
É imaginar pela memória
O que fomos outrora
Ah, mas que tolice a minha
Não posso considerar os sentimentos
Que eu tinha
Pior ainda é o amor de verdade
Que dura mesmo com a pior tempestade

Mas esse texto não é sobre amor
E sim sobre o sentimento de falta
Amar me transforma em sonhador
Perde-los… Minha cabeça desaba

Há uma necessidade de estancar
O sentimentalismo que existe aqui
Porque, quanto mais jorro emoção
Mais esvazio meu coração

Sem resposta, sento no banco em um gramado
Olhando a esmo, uma chuva de meteoros
A Cada cometa, um grande querido amado
Olho para os lados, um bando de espólios
Mas a solitude me deixou há muito como coitado
E, quando a chuva acabar, e eu abrir meu olhos
Estarei velhaco, rabugento e mal-educado

Estarei velhaco, olhando para as estrelas
Pensando nas luzes delas bem distantes
Vivendo as luzes como se estivesse entre elas
Vivendo o passado sem seguir adiante

29 – Amor

Odeio escrever sobre amor
Tudo no mundo é sobre isso
Parece que não há outro esplendor
Que só há esse feitiço

Pois eu quero quebrar essa ideia
Posso escrever sobre a vida
Não me permito viver nessa miséria
Não quero saber o que amar significa

Não preciso amar para sentir empatia
A vida já nos dá infinitas agonias
Precisamos juntos aprender a viver
Sem depender do amor, somente crescer

Crescer vendo o mundo girar
Aprendendo a ver os detalhes do dia
Aprendendo a gostar de odiar
Permitir-se destruir um lugar
Ou até mesmo gritar com a tia

Amor é uma idiotice sem tamanho
Que engana trouxa que não pensa
Faz a lógica dobrar seus panos
Algo irrelevante do nada pesa
Você não estava nos planos
E acabou.

Não se deve nada ao amor
Não vou falar mais sobre isso
Se você quer se dispôr
Boa sorte, seu estrupício

28 – Dilacerar

Quando eu te vi
Não acreditei na hora
Você tão lindo ali
Fui falar sem demora

Não sabia se você queria
E eu estava meio tonto
Mas o desejo foi meio guia
E você respondeu no ponto

Queria ficar mais um pouco
Eu me derreti todo contigo
Você falava coisas sem sentido
Me afastei me achando louco

Louco eu fui por não aproveitar
Só olhar pra você não consigo
Seu sorriso, você é tão comedido
Meu objetivo é quebrar seu juízo

Ver seu olhar ao se perder
Deslizando seu corpo no meu
Se divertindo sentindo prazer

Desejo provocar você agora
Como tu me provocas
Porque quando você está em volta
Uma fera de mim se apossa
Não consigo pensar em nada
Além de ver sua carne dilacerada

Não há mais corpos
Apenas linhas e conceitos
A consciência perde o foco
De Ícaro eu me esqueço

Os instintos imperam soberanos
Quero rasgar suas linhas
E mesmo te conhecendo faz dias
Quero você por anos

A vontade é a destruição completa
Você me arrebenta de me fuder
Eu explodo sua cabeça
Tudo que sobra sou eu e você

Babo vendo você andando
Cansado, mas me chamando
E eu vou, meu amor
Vou te dar meu calor

27 – Gótico

As forças do inimigo
Oprimem a mente do fiel
Se te envolvem em fel
Então serão meu abrigo

Jesus morreu antes de nascer
Constantino lhe deu esse prazer
Agora o espírito santo é o guia
De mentes e almas já vazias

Pois eu persigo o sonho meu
Fugindo da estagnação passada
Voando e derretendo pelo céu
Mas ao cair não me arrependo de nada

Eu me importo com os outros
E também com a vida humana
Quero ter uma vida bacana
Ver meus amigos bem soltos

Mas a atual bondade ingênua
Afoga o bem de verdade
Num mar de pura insanidade
Deixando uma quietude plena

Pois eu rasgo essa fantasia do além
E procuro entidades humanistas
Há uma beleza no sacrifício, sei bem

E refaço meus estudos
Penso em meu lugar no mundo
Dedico a minha vida aquilo
Respiro o estilo artístico.

26 – Apocalipse

Talvez nos enganamos
E se fomos nós os deuses?
Nossos poderes criamos
E transformamos todas as vezes

Transformamos a terra e o céu
Transformamos as cores
Nós recriamos as flores em papel
Retiramos o mel e o transformamos
Em valores

Talvez sejamos deuses da destruição
Levando nosso mundo a extinção
Vidas inocentes, fauna e flora
Não são uma grande preocupação
Em comparação ao lucro que vira agora

Deuses que potencializam seu poder
Para poder se materem melhor
Consideram a morte vencer
O preço da vitória grava na terra o seu pior

E se somos deuses menores?
Cada um com sua função divina
Uns para lutar, outros para escrita
Artes que nós fizemos virar scores…

Podemos ser deuses, acredito.
Deuses de criação, eu ainda me permito.
Deuses que usam a imaginação
E transformação em realização
Deuses que lêem o mundo
Criam determinada opinião
Querem determinado estudo
Para transcender entre os seus
Dominar o poder como deus

Se o mundo acabar como falam
E os humanos derreterem no asfalto
Prevejo, apesar de ser contrário
Que alguém desejou todo esse estrago

25 – Paranormal

Há uma sombra vermelha
Pairando pelo mundo
Uma ameaça a tudo
Apagando a centelha
Corrompendo o futuro
O imundo virará rei
E o rei perderá prestígio
A violência eu herdei
Minha resposta é homicídio
Não prometo vida boa
A vagabundo pé rapado
Vai segurar teu fardo
Não importa o quão árduo
Eu sou sua patroa
Seu patrão, seu dono
Mando e desmando
E assim eu me imponho
Resposta não tô aceitando
Mas esses comunistas são demais
Que absurdo falarem sobre paz
A lei da vida já está dada por aqui
Alguns humanos só servem pra servir
Eu não sou como esses outros
Também vem de minha família
O apreço, a norma, os gostos
Somos como uma matilha
Correndo entre os nossos
Degolando cordeiros
Isso tudo é verdadeiro!
Nossa força depende de seus esforços
Então não morra, bobo.
Trabalhe que nem louco
E no final de tudo isso
O problema é o fantasma do comunismo

24 – Fantasia

Acordo de manhã
Mais um dia na rotina
Banho para aguentar a sabatina
Café, pão, carinho no cão
E partida

Um caminho longo e tortuoso
Perguntando “por que saí de casa?”
Saio cedo e para meu desgosto
O transporte ainda me atrasa

Chego no lugar e começo minha função
Calado sempre pra não chamar atenção
Falo com meu colega uma piada besta
Ele não entende e eu volto meu corpo à mesa

Passo o dia envolvido em problema
Meus, dos outros
E de quem mais me conheça
Fujo e caio em mais esquema
Desejo que todo mundo desapareça

O dia acabando e só humilhação
Vou tentar beijar um gatinho pançudo
Ele me encara com um terror absurdo
Eu me retiro rapidamente logo então

Voltando para casa e eu estou cansado
Mais um dia em que fui humilhado
No celular mil mensagens do meu lado
Finjo-me de abestalhado

A viagem de volta é pior que a ida
Pessoas perderam sua fé na humanidade
Já desistiram de suas vidas
Tratam aos outros com sincera maldade
Eu só quero chegar no meu local de saída

Chegando em casa e tudo apagado
Ligo as luzes e ponho comida no prato
O cão pede sempre um pedaço
Tomo um banho e subo para o quarto

O meu dia existiu e foi sem parar
Eu não quero viver o mesmo lugar
O mesmo minuto, o mesmo real
Eu quero um mundo mais igual
Um espaço que eu sinta paz para ficar
A depressão de viver o real me é fatal
Não consigo mais me suportar

E é quando os sonhos aparecem
A fantasia, os segredos, o mundo celeste
Um escapismo para um lugar bom
Em que eu possa criar conforme meu dom

E você sente que é capaz de suportar
E sente que o presente é uma dádiva
Que você pode e deve transformar
Para não se afogar em lástima

Por favor, mergulhe na fantasia
Destrua seus muros literários
Soma esse mundo ao mundo imaginário
Alguém precisa parar a hipocrisia
De que sonhos são para crianças
E o real não pode ter magia

23 – Gore

Uma agulha entrando na córnea
A respiração automática parando
Tem algo que tá incomodando
Logo embaixo de sua unha

Corpo queimado aos poucos
O sol não é suficiente para meu receio
Deixe-me pensar em um jeito novo
De roteirizar sofrimento alheio

Vísceras explodindo em sua frente
Geralmente garotas sendo fatiadas
Brincar com corpos graças a internet
Vamos ver qual morte será mais falada

Eu parei de ver graça no gore
Não acho muito interessante
Existe outras formas telling a story
Não precisa de agonia incessante