Barulho alto
Muito alto
Sinal da vida em brasa
Fogo se espalha
Chamas fortes
Chamas altas
Queimam a cabeça
Consomem a beleza
Distorcem, deixa fraca
Deixa instável
Mesmo a pessoa mais calma
Corro para cima
Corro para baixo
Abro minhas asas
E salto
Torcendo pela alçada
Não sabendo se voarei
Ou se farei a chegada
Eu não voo
Bato as asas
Sinto o vento no corpo
Mas não voo
O corpo treme perante o esforço
As asas fraquejam cansadas
E eu volto ao meu posto
Andando como um louco
Buscando algo que desfaça
Algo que acabe com a fumaça
Com o fogo, com a brasa
Que me queimam todo
Que me desgraça
até que acostuma
A dor é contínua
Ela acumula
Pinga de gota a gota
Ela inunda
E, de tão molhado
Meu corpo afunda…
Debaixo da água
O som é abafado
Se ouve chiados
Te ouço assustado
Não se assuste não
Nada mais normal
Do que afogar o fogo da aflição
Nos mares da apatia e frustração
Esses mares não são revoltos
Eles são pacientes
São lindos, são soltos…
São mais profundos que nenhum outro
Eles atenuam o fogo
Águas quentes
Mares que puxam aos poucos…
Pisca-se os olhos
E seja pelo mar
Seja pelo olho
Seja pela ira
Ou pelo que irá acontecer
De novo
Você afunda, morto
Sem respirar
Mergulhado em desgosto
Ou fica molhado
Ou pega fogo
Só pode um dos dois.