O cavalheiro solitário

Novamente venho relatar minha vida
Tão rara e tão destemida
Na qual a raiva protagoniza
E rivaliza com a tristeza,
Que imóvel me deixa…

Cavalheiro solitário
Que caminha as estradas pútridas
Viciado em buscar ser viciado
De problemas está sempre à procura

Em suas viagens acaba em choque
Viu uma cobra dando o bote
Coitado do rato… Não teve sorte
Segue a vida o jovem cavalheiro

Em dias bons ele encontra sombra
Nos dias ruins, faz companhia ao sol
Ou será que o sol, por pena, que lhe faz
Companhia?
Mais parece que os dois andam juntos
Em uma boa sincronia

Com tanto tempo só
O cavalheiro pode pensar sozinho
Ele pensa nas escolhas
E pensa no caminho
Caminho tortuoso e perigoso
Que agora ele anda a contragosto
O remorso na mente
Odiava pensar
Criava problema inexistente

Mas o tempo pode ser bom também
Seus olhos viam de tudo
De monstro à moço de bem
Viveu histórias que nem o diabo
Seria capaz de dizer mais a fundo
Para uns, era um imundo
Para outros, um guerreiro de outro mundo

Para ele, só um cavalheiro

Não se importava com dinheiro
Queria viver o que pudesse viver
Seu sonho era curtir sua andada pela estrada
E pagava o necessário para andar,
Pois ele não queria saber de mais nada.

Cavalheiro solitário
Andava pela estrada apedrejada
Não sabia se eram pedras comuns
Ou se eram pedras raras
Os cristais quebravam em seus pés
E as britas cortavam
O cavalheiro solitário queria novos
Sapatos

Às vezes ele perde a direção
Anda a esmo e se perde no meio do sertão
Calma, cavalheiro, segura a emoção
Perdido também é um lugar
E o sentido também importa
Para não andar em vão

Pode dar medo
Ainda mais quando chega a escuridão
Mas tenha calma, meu cavalheiro
Você é nobre, carinhoso e bom companheiro
O caminho que trilha é o certeiro
Basta confiar nas placas
E em você mesmo.