Eu lembro das noites brilhantes
Do frio na barriga
Da música alta
E o carro pulsante
Eu lembro de toda risada
Lembro daqueles meliantes
Jovens de bem com a vida
Bebendo completamente delirantes
Eu lembro de mim nessa saída
Lembro de sentir aquele enxame
O dedos tremerem na primeira mentira
Lembro de me sentir altivo e importante
Lembro dos amigos comigo
Lembro deles sem objetivo ou destino
Perdidos como passarinhos ainda no ninho
Esperando o momento de voar
Eu lembro de amar
E de pessoas amadas de minha vida
O sofrimento ainda dói como uma ferida
O tempo fez o sangue estancar
E os desacertos lendários
Lembro de brigar com todos eles
Lembro que fui muito otário
Mas tudo esquecido quando as semanas passaram
Eu sinto falta desse fervor na pele
Da sinceridade desajeitada
Sinto falta do medo que não impede
E de uma coragem acovardada
Sinto falta de pensar o futuro distante
Em um mundo longe adiante
Que problemas eram besteiradas
E o tempo não era uma problemática
Mas tudo isso passou num instante
Me sinto parado na estante
Recordando de momentos
Que hoje não valem mais nada
Eu vivi muito com muitos
Andando no claro da madrugada
Garrafa de vodka e a cara deslavada
Lembro dos amores de calçada
De festa, de mato, no escuro
De estrada, becos e muros
Eu não sei lidar
Se minha natureza é o caos
Por que eu quero me consertar?
TDAH é pra jacu
Eu sou eu e mais nenhum
Mas eu quero um caminho comum
Queria que meu problema fosse interesse
Fosse esforço
Fosse uma prece
Fosse
Foi
E não volta