3 – Linha

Meu corpo no limite
Eu estico os braços para apanhar
O que me Permitem tocar, apreciar…
Mas sempre do lado de lá
Nunca posso viver o Shangrilá
Sou demais para poder amar
Ah, na verdade sou de menos
Sou instável, sou fácil
Sou cozinhado pra depois
Assar…

Meu corpo está no limite
Sei que tem pouco que devo provar
Mas lidar com os outros
Impondo o que me atinge
Parece que não me compensará

Minha mente está no limite
Eu tento me esforçar
Dou duro pelos compromissos
Mas mesmo assim não consigo chegar

Minha mente está no limite
Vocês querem que eu vos imite
Mas eu sempre fui quem vos fala
E sei quem quero me tornar

Estou cansado do mundo em volta
Cansado de abaixarem minha bola
Sinto o menosprezo nas atitudes silenciosas
Eu tento muito
Mas não consigo ir embora

Eu estou em meu limite
A linha já não segura o equilibrista
Ele rebola e se assusta com a altura
A platéia ri e o aplaude lá em cima
Ele sabe que, se cair… Não tem cura

A linha foi cortada
Os limites ultrapassados
As mentiras contadas
E o amor…
O amor foi revogado

Eu preciso revogá-lo
Preciso, pois é tudo que me resta
Decido, por não querer um papel nessa peça
Convido, para curtimos a seresta
Converso, o que realmente interessa
Dividido, entre o sentimento, a razão
E a promessa

Promessa de me colocar na frente
Me proteger do perigo eminente
De construir uma casa pra gente
Quando devo seguir meu próprio caminho

Ah, eu me sinto vazio
Uma solidão que não aquece o frio
Que congela o coração palpitante
Que me distancia do que é querido

Consequências de se ter o limite
Traído
E fazer o lamento
Tardio

O cavalheiro solitário

Novamente venho relatar minha vida
Tão rara e tão destemida
Na qual a raiva protagoniza
E rivaliza com a tristeza,
Que imóvel me deixa…

Cavalheiro solitário
Que caminha as estradas pútridas
Viciado em buscar ser viciado
De problemas está sempre à procura

Em suas viagens acaba em choque
Viu uma cobra dando o bote
Coitado do rato… Não teve sorte
Segue a vida o jovem cavalheiro

Em dias bons ele encontra sombra
Nos dias ruins, faz companhia ao sol
Ou será que o sol, por pena, que lhe faz
Companhia?
Mais parece que os dois andam juntos
Em uma boa sincronia

Com tanto tempo só
O cavalheiro pode pensar sozinho
Ele pensa nas escolhas
E pensa no caminho
Caminho tortuoso e perigoso
Que agora ele anda a contragosto
O remorso na mente
Odiava pensar
Criava problema inexistente

Mas o tempo pode ser bom também
Seus olhos viam de tudo
De monstro à moço de bem
Viveu histórias que nem o diabo
Seria capaz de dizer mais a fundo
Para uns, era um imundo
Para outros, um guerreiro de outro mundo

Para ele, só um cavalheiro

Não se importava com dinheiro
Queria viver o que pudesse viver
Seu sonho era curtir sua andada pela estrada
E pagava o necessário para andar,
Pois ele não queria saber de mais nada.

Cavalheiro solitário
Andava pela estrada apedrejada
Não sabia se eram pedras comuns
Ou se eram pedras raras
Os cristais quebravam em seus pés
E as britas cortavam
O cavalheiro solitário queria novos
Sapatos

Às vezes ele perde a direção
Anda a esmo e se perde no meio do sertão
Calma, cavalheiro, segura a emoção
Perdido também é um lugar
E o sentido também importa
Para não andar em vão

Pode dar medo
Ainda mais quando chega a escuridão
Mas tenha calma, meu cavalheiro
Você é nobre, carinhoso e bom companheiro
O caminho que trilha é o certeiro
Basta confiar nas placas
E em você mesmo.