Eu e ele

Lhe passo o receio
Me passa o medo
Lhe passo o anseio
Bom moço

Te toco o espelho
Me toca ao beijo
Te toco a pele
O gosto

Percorro as ladeiras
Atravesso barreiras
As roupas são frouxas
Ao corpo

Te bagunço o cabelo
Vislumbra o desejo
Fecha os olhos e perde
O fôlego

Pede mais o gosto
Pede mais gostoso
O toque está saboroso
Estou numa caça e teu prazer
É o tesouro

O ar é pouco
Me vejo fatigado
Te vejo ainda aprumado
E mergulho no seu colo
De novo

Sou um grande nadador
Você, o mar do amor
Mergulho sempre que consigo
Quero seu perigo
Pelo esforço

Você brilha como a lua
E meio a escuridão
Sanando a sede de um milhão
Deus é misericordioso

Esse mar já afogou mil e um tolos
E eu sou o mil e dois
Caindo entre ilhas
Mil vezes morto

Se me pego
Pensando ao alto
Você me traz pra baixo
Olhando no olho

Eu lhe digo piadas
Tu as desfaz em risadas
E eu me dou de satisfeito
Ganhei o mundo

Tomemos banho primeiro
Você mela meu travesseiro
Eu troco as fronhas
“Tem graça nenhuma”

Fazemos graça no banheiro
Piada até com o chuveiro
Te abraço despido
Me estapeia a bunda

Mando vídeo de madrugada
Ele me manda mensagem de manhã
Respondo pela tarde
Uma bagunça

Mas,
Por mais que espere a mensagem,
Que pensei nele o dia inteiro
Que mande vídeo ou
Que lhe despenteie o cabelo
Nunca lhe disse
Que o amo

O sentimento é forte
Consistente
É um sentimento pertencente
E mútuo

Eu não falo
E ele não fala
E nós não falamos
Juntos

Sentimos e gostamos
Queremos a presença
Falamos e estamos
Sem grande problema
Nem miúdo

*sem nome*

Abraços
Amassos
Beijos e laços
Puxo pra perto
Eu te falo que quero
Cada vez sem espaço
Entre nós
Voz que cala o mundo
Profundo eu mergulho
Em nós
Minha cabeça é em turbo
100m/s
Você faz desacelerar
Me puxa no seu peito
Me aperta
Não me deixa escapar
Acerta em cada toque
Você bate
Eu peço “mais forte”
Eu derreto em aço
E você que me forge
Ou eu te forjo
Nas minas de minha cama
Com o calor de nosso amor
nunca espadas recém lustradas
Lutaram com tanto louvor
A luta de nossas vidas
Umas vindas, umas idas
Espadas libertas, divertidas
Aço contra aço
Suor escorre,
vidro embaçado
Lá fora frio
Aqui ainda está quente
E apertado
Sinto o furor subir do meu lado
Grito baixo,
Te beijo abaixado
Um beijo bem babado
Respiro fundo
E me sinto felizmente
derrotado

Após o beijo babado
Eu te olho
Você me olha
Ficamos abraçados
E eu peço a deus
Peço à deusa
Peço às forças da natureza
Que nunca me tirem desse laço
Que não me tirem de seus braços
Que não te tirem de meus braços
E, por aquele segundo
É infinito.

Confusão dos amores

Me molha o biscoito
Isso, apenas mais um pouco
Deixa o biscoito desmanchar
Me devora olhando no meu olhar
Preenche meu peito nervoso
Angustiado
Tremendo ante o prazer de te sentir tocar
Te sentir chegar perto e me pegar
Quero sentir você feliz
Quero sentir você

Eu já te vi em ação
Tive minutos, horas
Dias em suas mãos
Eu tento abrir uma competição
Disputo o poder
Espero sua reação
Quem olha de fora
Vê batalhando um lobo
E um leão
Claro que no fim eu me rendo
Essa não é uma questão…

A força de uma paixão
Tão simples e inevitável
Tão bonita e tão frágil
Tão doce como melaço
Derretendo na boca
Deixando a loucura mais louca
O impossível ser piada
As estrelas serem abaixadas
Só para que possamos tocar

Mas hoje eu não sinto nada
Eu não vejo as estrelas
E o melaço não parece doce
A loucura me subiu à cabeça
E o impossível?
Virou impossível e acabou-se

Tenho medo de estar negando o amar
De ter considerado a paixão máxima
Como a única forma de celebrar
Mas quando a paixão de doce
Vira ácida
E quando sua função parece secundária

Será que existe amor aí?

Eu odeio me sentir exposto
Vulnerável, aberto, bobo
Mas não me importo com isso
Se o preço de amar requerer certos sacrifícios

Tudo bem, eu consigo
Mas poxa, eu queria ser também preferido
O sexo não me enche com a atenção
Que eu preciso
E, mesmo quando há a ideia de sexo
me faz preterido…?

Que amor é esse em seu peito?
Em seu ouvido?
Que sentimento é esse?
Que eu estou sentindo?

Eu deveria estar recindindo?
Talvez uma distância dê sentido

É… Eu preciso estar sozinho

Tesão e Agonia

Até quando o tesão vai curar
A agonia do meu peito?
Movo montanhas e quadris
Movo pernas pra dar um jeito

Mas a agonia não sai do peito

Eu sinto o prazer em meu corpo
Vibro com ele por inteiro
Seja ele momentâneo, brincadeira
Ou verdadeiro

Eu me faço desejo
Eu o compro, vendo
E alugo à endereço
Mas nunca por dinheiro

E sou feliz sem medo
Me jogo, me revolto
Me tensiono, relaxo e melhoro
No final olho pro espelho
Estou sorrindo,
arfando o peito

Desperto de uma vontade
Inegável
Chego perto para pedir mais
E sentir seu corpo colado

O prazer preenche o ar
Seu cheiro, nosso gozo
Desvio o olhar
Pra você não ver que eu achei gostoso
Divino, delicioso

Feliz antes que a agonia torne tudo oneroso

A agonia do meu peito tem sentido
Tem uma vontade própria
Ela segue um instinto
Eu sou uma vontade risória
Sou um fiapo de destino
Em meio à teia fios

A agonia me remete a problemas
Que cuidar sozinho eu não consigo
Preciso de terapia
De um ombro amigo
Queria que alguém pudesse se ver
Comigo.

Por receio
Eu acho que tenho medo
Eu nunca fui de amar direito
Mas o sexo eu já respeito
Já me conecto
Já sou esperto
Crio as regras e as leio

E essa agonia do peito
Ela faz parte da vida
Ela não tem hora pra chegar
E nem partida
Ela me provoca sobre meus problemas
E também me motiva
E no final eu sempre acho uma saída

O sexo é temporário
A agonia é contínua
Talvez eu me case com ela
E me dê o controle de minha vida

Raio-M

Você me apareceu como pesadelo
Devaneio e pisco os olhos
Não consigo dizer se é verdadeiro

Você me apareceu como pesadelo
E eu luto contra a vontade de fugir
De sair dali
Escondo meu rosto do seu
para que você não possa
Me sorrir

Ah, seu sorriso…

Você me apareceu de novo
E quase que eu me assusto
Mas você agora era outro…
Deixou o pesadelo de lado
Agora era só um rapaz interessado
Bem galante, bem humorado
Bigode brilhante, sorriso lustrado

E a cara que não valia um centavo:
Mas sim, todo o real,
os réis e os cruzados.

Me acertou em cheio
Eu, que te vi como pesadelo
Agora vi a cores, carne e coração
Como um sonho quente de uma noite de verão

Você estende a sua mão
Me faz uma proposta irrecusável
Me pede para beber a água
Eu, um sedento miserável
Me pede para comer o pão
Eu, com uma fome de Erê
Em dia de São Cosme e Damião
Você oferece a luz
A mim, preso há meses na escuridão

Você estende a sua mão
E eu a devoro
Devoro seu braço
Antropofago tudo que cabe
E, se parecer que não cabe,
Eu encaixo

Nos seus olhos
A alegria
Em sua boca
A paz e tranquilidade
Em seu corpo
A agonia
E nós dois juntos
A liberdade

Assim, eu entendo
Que meu fogo lá de dentro
Ainda queima com vontade
Quando te revi aquela tarde
Quando te revi no teatro
Não esqueço de nós naquele quarto

Nem um dia sequer

Você me desejando com tudo que podia
E eu podendo realizar os meus desejos em meio à agonia
Que amor, que toque, que beijo…
Que vida, que me toca ao peito
Que cura ferida

Como fui tolo ao entender “pesadelo”
Minha cabeça quis dizer
“Ame-o por inteiro”

O choque

O choque quando acontece
Algo tão simples
Fatal
E você finalmente entende
Que estava errado o tempo inteiro

Para uma pessoa que namora
E nunca disse um não
Seu namorado não tem noção
Do que você não gosta

Ele vai chegar um belo dia
Querendo sua companhia
Você vai os problemas na mesa
E ele vai embora

Para uma pessoa rodeada de pessoas
Amigos, colegas, família, vizinhos
Talvez eles não tenho ouvido
Quando você impôs o limite querido

Então, pelo costume, que atravessem
Pois eles te conhecem…
Que distorçam suas palavras
Para ser algo que os interesse

E para aquela pessoa sozinha
Na rua
Naquela viela meio suja e escura
Que teve seu afeto cortado
Com uma faca de manteiga

Eles dizem
“Já conheço ela!
Não espere a deixa!
Pode ir com tudo
Com ela nada é absurdo
Mas deixe beber primeiro”.

Que conselho certeiro
Daqueles que ela um dia conheceu
Hoje fantasmas de um passado
Próximo
Desmereceram ela a um nível
Inóspito
Onde vive a ilusão que tem
Propósito

Sem saber que está só
Em frente ao depósito
Ela conversa com fantasmas
Que te dão a mão e fazem graça
Mão vazia de nada
Sem apoio
Só um engano ao próprio olho
Hipnotizando para ser enganada

Há um poder sim
Não tenho como negar
Mas ele está na possibilidade
Do “ter” sem antes “conquistar”
Ah, e ela tem… Ô se tem…
Mas eles não sabem usar

E então
No dia que entende isso
É um dia libertador
Pode ser feliz sem pudor
Pois conhece a si mesmo

Mas é também confuso
No jogo de fala
No jogo de corpo
Quem ganha?
O teatro ou o uso?

Faremos um teste:
Diremos não.
O que será que acontece?

Acontece um agarrão
Acontece o cabelo puxado
A cabeça segurada
Acontece a boca tentando fechar
Acontece a respiração pesada em sua frente
Acontece um turbilhão de sensações em sua mente


E aí ela descobre
Que o poder não está com ela

12 – Violência

Eram quatro da tarde,
Mas poderiam ser da manhã
O sol de Salvador ainda arde
Tirando a paz de qualquer alma

Eu andava pela rua
Sem lenço ou carteira
Na mente um monte de besteira
Querendo ficar todo nu

A oportunidade me sorri de primeira
Viro a esquina de malandro
Sigo a rota já certeira
Vou me banhar naquele antro
Vou entrar guerreira
E sair na canseira
Vai ser um papo bem estranho

Olho ao redor para ver se tem alguém espiando
Tomo cuidado antes de só ir entrando
Pego a chave e me apronto no vestiário
Olho para frente e encontro um novo amado

E outro
E mais outro
Muitas bocas, mas pouco gosto
Devoro com uma fome insaciável
Mas nada de muito gostoso no meu prato
Cansei, preciso de um intervalo
Sentar um pouco, descansar o rosto
Me sentir menos vulnerável

Saio para a parte aberta e encontro pessoas
Dois homens bonitos sentados falando coisas
Eu sento esparramado arfando de cansaço
Eles, que não são bobos, já foram perguntando
Meu estado

A conversar flui como pedras no rio
Tem sua dificuldade, mas acaba cedindo
Um deles me chama bem pertinho
“Tem um quarto ali. Você vem, lindo?”

Eu estava beijando o amigo dele na hora
E não pensei direito em uma boa resposta
Mas estava chegando mais pessoas no lugar
Pessoas que eu já não queria pegar

Na confusão, esse cara tomou a decisão
Segurou forte minha mão e me levou
Eu não estava muito me importando com meu corpo
Mas algumas coisas me chamaram atenção

Ele trancou a porta do quarto e me olhou forte
Falou palavras de controle e me deixou imóvel
Lambeu meu corpo todo e nada fazia muito sentido
O prazer que ele sentia não dava certo comigo

Então eu comecei a falar de ir embora
Ele pediu para que eu ficasse ali
Ele era três vezes meu tamanho
Não sabia o que fazer sozinho

Percebi que só tinha a cabeça dele como arma
Então deixei que me usasse de graça
Os movimentos, jogos e risos não faziam sentido
Eu repetia os movimentos, mas às vezes nem isso

E, quando acabou, eu saí dali
Ele quis pegar o contato, mas eu menti
Pensei em pegar mais alguém,
Mas não tinha ninguém
Que pudesse me servir

Marombas de um lado
Egocêntricos do outro
Eu estava jogado
No meio dos lobos

Saí de lá
Pensando sobre viver
Sobre se eu realmente queria prazer
Ou se é algo que não poderia sentir
Mas sim apenas retribuir

Desfiz minha cabeça para a situação
Neguei que poderia ser uma aflição
Ou violência ou agressão
Neguei para mim mesmo o tempo todo

Mas não pude negar quando cheguei em casa
E fui tomar um banho
E senti meu corpo tocado
Sujo pela mão do outro
Eu limpava, esfregava e chorava sobre o cheiro dele
Um desespero terrível na própria pele

E…
Aos poucos fui apagando
A memória desse total “engano”
Não lembro do rosto do marmanjo
Ainda frequento o clube
Conheci demônios, fofos e anjos
Gente de tudo quanto é jeito
Aprendi a me cuidar e impor respeito

Mas o sentimento que senti no banheiro
De se estar sujo por inteiro
Sem conseguir se limpar
Sem conseguir se salvar daquelas mãos
Daquele sujeito
Eu nunca esqueço

Eu nunca esqueço






Criatura amável

Das sombras eu surjo
Alto, largo, profundo
Desafio o delirante surto
Imprimo meus versos
Afundando no mundo
Já não sei mais o certo
Estou muito confuso
Talvez tenha saído do curso

A verdade é que sinto muito
Sentimento verdadeiro
Incompatível tumulto
Borbulhando no meu peito

A verdade é que sinto muito
Por não poder me dar inteiro
Por me colocar em primeiro
Ter respeito pelo que sinto
Criar em mim um abrigo

E eu mais esmoreço
Quando eu não te vejo
E de tudo eu esqueço
Pois amor não está em varejo

Enlouqueço e me transformo
Perdido, confuso, tristonho
Torno-me algo disforme
Não me verás em teus sonhos

Inimaginável poder que corre
Cálido rosto assustado encara
Antes apenas algum tipo de tara
Roubo hoje o sangue que escorre
Omito os segredos que me envolvem

Golpes e pedras não me tocam
Instinto surge em meu âmago
Livro dele as amarras que aprisionam

E assim, eu me transformo

Sou eterna figura em comando
Das sombras à noite, sopro um véu como pano
Cubro os amores e os enobreço
Saberão que meu amor tem um preço

Louve-me, mas só se puder
Talvez seja bom e me impressione até
Desabroxe num sentimento repartido
Duvido que suporte o calor que tenho
Comigo

Transcendo numa explosão
Poder e emoção em constante expansão
Sobrepujo suas palavras com ação
Desafio os limites da ideia de paixão

Canção que só toca no verão
Hoje aqui jaz o inverno
O frio parece ser eterno
Ainda mantenho meu sermão

Reze por você mesmo para mim
Peça tudo que não vai conseguir
Implore clemência diante de seu tudo
E eu pensarei se proponho algum futuro

Pois eu sou o encanto das palavras certas
Sou o sexo suado da madrugada
Sou a mais pura alma aberta
Sou a carência encarnada

Não me toque jamais
E nem olhe nos meus olhos
Não beije meus lábios
Não me ame como pode

Minha loucura é visceral
Toma meu corpo inteiro
Eu sou completo literal
Não apenas um periódico
Companheiro

28 – Dilacerar

Quando eu te vi
Não acreditei na hora
Você tão lindo ali
Fui falar sem demora

Não sabia se você queria
E eu estava meio tonto
Mas o desejo foi meio guia
E você respondeu no ponto

Queria ficar mais um pouco
Eu me derreti todo contigo
Você falava coisas sem sentido
Me afastei me achando louco

Louco eu fui por não aproveitar
Só olhar pra você não consigo
Seu sorriso, você é tão comedido
Meu objetivo é quebrar seu juízo

Ver seu olhar ao se perder
Deslizando seu corpo no meu
Se divertindo sentindo prazer

Desejo provocar você agora
Como tu me provocas
Porque quando você está em volta
Uma fera de mim se apossa
Não consigo pensar em nada
Além de ver sua carne dilacerada

Não há mais corpos
Apenas linhas e conceitos
A consciência perde o foco
De Ícaro eu me esqueço

Os instintos imperam soberanos
Quero rasgar suas linhas
E mesmo te conhecendo faz dias
Quero você por anos

A vontade é a destruição completa
Você me arrebenta de me fuder
Eu explodo sua cabeça
Tudo que sobra sou eu e você

Babo vendo você andando
Cansado, mas me chamando
E eu vou, meu amor
Vou te dar meu calor

10 – Lambida

A primeira olhada é um engano
A segunda já é atiçando
Você se esforça pra eu ver você
Eu te encaro na vontade de fazer o quê?
E você se move como se me lesse
Disfarçando os planos em mente,
Andamos juntos separados entre eles
Zumbis uniformes andando a esmo
Mal sabem o segredo neles mesmos
Bom, Mas nós sabemos muito bem
Você passa primeiro e eu depois
Chego em você, agora só nós dois
Um lance gostoso, pra além do vai e vem
Eu olho em seus olhos desafiando os meus
E naquele momento não existe mais ninguém

O tempo de uma vida separados
Compensam nos momentos seguintes
Sinto a respiração forte, corpos atados
você segurando minha cintura firme
Nós nos conhecemos a cada pedaço
Orelha, boca, pescoço, peito, braço
Língua parece o instrumento apropriado
Um toque tão singelo e com significado
Que deus olhando ficaria envergonhado
A física me parece um empecilho
Sentimos a gravidade puxando a gente
Cada vez mais perto, o prazer na mente
Aperto mais
O suor na escuridão é o único brilho
Aperto mais
Quero transpassar seus sonhos
Aperto mais
As estrelas já parecem ter donos
Aperto mais
Sinto latejar seu coração perto do meu
Aperto mais
Dentro agora não existem mais dois “eus”
Seu corpo e prazer são nossos
Compartilho a voz e pensamentos
Meu limite não me importo, ultrapasso
Infrinjo o delito de amar só naquele momento
E por um segundo tudo faz sentido
A escuridão, nossos caminhos, o destino
Seus olhos no meu me abrem o paraíso
Pena que em um segundo se quebra o feitiço

A conexão era de internet discada
Talvez aquilo tudo… Não valha nada
Te alcanço com uma conversa furada
“Gostei muito de tudo ali, sabe?”
Você me diz: “É, uma foda boa danada”
Me esforço mais para andar
Quem sabe você se abre
Mas você tem outro lugar,
Uma outra fretada
Não me arrependo disso
Foi uma foda boa retada
Mas olho para o sonho e o feitiço
Deixo minha mente flutuar na mágica