Peça de Baralho

Eu me sinto otário
De novo uma peça no baralho
Não combino nessa mesa
Desamparado, é a tristeza.
Essa sabe o quanto me beija…

Afogado nos sentimentos
Emergi mais uma vez sufocado
Ergui-me sobre meus cacos
Rolo os dados, destino traçado
Todos ali me vendo
Desnudo, desdentado.
Envergonhado de mim mesmo.

Ando molhado por aí
Não confio em amantes
Ou em pessoas ruins.
Só tenho meu coração
Pulsante
E um caminho a seguir.

Meu rosto é desfigurado
Beleza se torna o meu pesadelo
Luto ainda contra os medos passados
Não sei mais se consigo vence-los

Eu ao fim descanso
Numa extenuante dor,
Insignificante.
Não interessa mais aonde me lanço
Logo me vejo como peça
Num baralho gigante.

Dia 20: Rejected

Você pode não acreditar em mim,
Talvez achar que sou louco,
Mas eu juro para você:
Existe um monstro no meu quarto.
Eu o vejo quase sempre,
mas, esperto, ele se esconde.
Quando amanhece, ele vai dormir.
Quando anoitece, ele sai da toca.
Toda noite aterrorizando a mim,
criando terrores e assombrações
minha imaginação não seria capaz.
Ele é esguio, como um espantalho.
Ao vestir as roupas, ele ganha poder.
Seu poder é o maior possível:
Enjaula-me dentro dele.
E, por mais que eu pense,
não acho saídas dali.

Talvez Ícaro esteja perto de mim
Talvez seja agora o monstro a digitar
Não duvidaria de nenhum assim,
Caso alguém fosse me perguntar.

De qualquer forma, sou dramático
O que seria viver sem intensidade?
Mas cá no fundo, não sou enigmático
Nem sempre tenho uma finalidade

Essa história eu criei bem assustado
Porque não consigo mais viver esse medo
Sem avisar quem está ao meu lado

Mas não quero ajuda ou palavras de conforto
Quero cuidar disso comigo mesmo
Quero ser meu próprio porto.