8 – Gaiola/Prisão

A violência está na frente
Só bastava eu falar
Mas eu não sei estou certo
Eu me assusto
E quando decido…
O tempo passou
Já deixei pra lá

A violência dita
A violência marcada
A violência sentida
E eu, calado
Sem mordaça
Só calado
Nem o ar escapa

A paixão está latente
Ela arrepia os pêlos
Devora minha mente
Derretendo com seu calor

Esse calor é corpulento
Uma lava que consome tudo que toca
E me toca te toco por dentro
Te sua me vicia na hora
Me cansa te alcanço do meu jeito
Me perguntando se faço direito

Essa lava, esfria em um momento
Tornando pedra todo esse acontecimento
É lindo, é forte, tem sentimento
Eu te olho, eu me importo
Mas as palavras…
Elas ficam para dentro

Palavras fáceis de escrever
Difíceis de serem ditas
Engasgam na saída
Se perdem do âmago do ser
Não podem ser atingidas

E quando o saber invade
Conhecimento de pura luta
Com pouca vaidade
Palavras que são astutas
E podem levar a alguma dignidade

Conhecimento que liberta
Que torna o engraçado, duvidoso
Que separa os certeiros dos tolos
Os cordeiros de quem faz a festa
Esse saber que te inclui nessa
E não exclui por ser oneroso
Não tem vergonha de se é escandaloso
Conhecimento que desperta

O teste vem bem na sua testa
Vem do alguém que você menos espera
Vem do sacana que você já espera
Você não fica à vontade
Mas também não nega

E a situação se multiplica
Mas pior que tá… Não fica?
Engraçado é relativo a quem?
Se você não gosta daquilo
Por que então que “magicamente” vem?

Hipócrita das mãos escuras
Sangrando das palavras ditas ao sol
Supostamente astutas…
As mãos, ásperas que só
A língua, seca de dar dó
A consciência…
Vazia.

Ninguém te pede defesa
Não existe justiça
Existe a certeza
E existe hipocrisia

Minha cabeça girando com fatores
Com morte, vida, ação, amores
Não quero ser inimigo da diversão
Mas me incomoda nunca dizer um não

Estou numa prisão
Mas o lado de dentro é grande
Ele cabe amigos, amores, amantes
Nele não cabe canções

Se sair, enfrento a solidão de um homem
Se fico, a companhia de idiotas
Se saio, me prendo em outro horizonte
Se fico, se saio…
Acho que não mais importa…

Não escolho, de fato
Não escolho que me olhas
Não escolho minha casa
Não escolho que caminho contornas
Não escolho nada

Se deixo escapar um grito, é um favor
Se corro ou se ando, nada ameniza a dor

Estou dentro de mim
Berrando em plenos pulmões
Eu quero sair daqui
Quero destruir casas
Quero criar imensidões

Mas os olhos abrem
A boca mexe
E os pés sabem o caminho a seguir
Eu observo o mundo de longe
Longe…
Bem dentro de mim

My body is a cage
Tha keeps me from living the life I own
And my mind holds the key