Eu percebi ontem
Enquanto estava no metrô
Carregando uma mochila imensa
Assistindo uns minutos da vida passar
Sem resistência
Que nós não íamos dar certo
Eu vejo sua foto na rede social
Eu encaro seu match no app de relacionamento
Eu lembro de estar deitado em seu peito
Da pizza, da série, do beijo
Noite sensacional
Eu lembro de nossas conversas
Das diferentes estratégias
Para nos vermos mais uma vez
Eu lembro de conversar sobre nossos ex
Lembro de dar carinho em sua gata
De você falar sobre mágica
Mas agora o encanto se desfez
Eu sei que você não vai ler esse texto
Sei que, caso leia
Não saberá que é sobre você
Mas eu sei em meu peito
Que eu queria te ter
O que me confunde a cabeça
Me torce o esqueleto
Chacoalha o mar da incerteza
Quebra de vez o espelho
Acho que eu não quero essa vida
Não sou feito para monogamia
Das vezes que tentei não deram certo
E das vezes que falaram comigo
Eu não entendia todo o mistério…
Não entendo até hoje
O que tem de bom no ter
O que tem de bom na distorção
O que é legal na restrição
Enfim, posse é pra se fuder…
Eu quero amar alguém infinito
Quero amar todos os meus amigos
Quero amar minha familia sempre
Quero que meus afetos sejam presentes
Estejam presentes
Sejam cientes
Que eu quero alcançar o infinito
Eu quero alguém do meu lado
Alguém que me conheça de fato
Que fale comigo o certo
E fale comigo do errado
Que confie em mim em todos os casos
Eu quero amar um homem dedicado
Um homem que tenha desejos máximos
Que corra atrás de seus sonhos
Eu quero um eterno namorado
Romântico e agradável
E você é quase isso tudo, meu caro…
Você é quase isso tudo.
Você é a chance da vida comum
Da normatividade
Da vida fácil e tranquilidade
Dos dois se tornando um
Você é o matrimônio
O sonho de qualquer gay romântico
Você é o constante presente
A certeza de um futuro decente…
E por isso que não damos certo
Eu sou o caos na terra
A fagulha que o sol espera
Para acender seu calor
Eu sou todo seu ardor
Sou o futuro sem medo
Aquele que cospe na cara do direito
Eu sou filho do desejo
Repartido para cada homem da esquina
Eu sou a adrenalina
A bagunça que se organiza sozinha
Sou um, sou dois, sou três, sou todos
Sou seu marido, o amante e o corno
Eu sou o que te tira o chapéu
Te leva para o céu
E te beija o rosto
Sou aquele que te amará até no além
Sou seu corvo
Sou a fofoca quente do fim do dia
Sou a impaciência no meio da padaria
Sou a pichação em meio a rua
Eu chamo atenção, mas a vida continua
Eu digo isso tudo com tristeza
Porque é realmente mais fácil
sua forma de beleza
Mas devo ser franqueza
Onde há sentimentos meus sobre a mesa
Dois mundos
Dois amores
Dois futuros
Dois temores
Te deixo ir
Sempre com um espaço aqui
Para, sei lá, poder voltar
Para sei lá
Te amar
Da minha forma.