4 – Carregador de Tocha

Nada lhe prepara do fardo
Do azar premeditado
Do conhecer sem saber de fato
O que o futuro tem reservado

Nada lhe prepara para o fardo
O amigo aponto e disse “otário”
A mãe querendo estar ao lado
A irmã procurando como ajudá-lo

Nada lhe prepara para o fardo
Você, se sentindo preparado
Fica de joelhos já antecipado
Sua cabeça girando e pensando
“Eu deveria ter remediado”

O fardo é muito pesado
É um peso diferenciado
Que assusta o halterofilista mais bombado
Que deixa o estrategista noites acordado

Mas o fardo precisa ser carregado
Todos os dias um novo ato
Uma nova carne, um novo palhaço
Pronto para atender ao recado
E carregar o fardo por onde tem andado

A tocha do conhecimento
O caminho de quem sabe
Porque já estava por dentro
A tecnologia e o investimento
Unidos para seu divertimento

Um cavalo de Tróia
Corrompendo a mente
Mudando o rumo da história
Deixando o ciente
Inconsciente
Temendo imagens falsas
Desmentidas toda hora

O peso de conhecer a mentira
E ouvir as confusões bem acometidas
Eu tento avisar e aliviar corações apertados
Mas a internet possui laços mais afetados

Imunidade de rebanho
Vira vulnerabilidade de rebanho
A democracia punitiva
E o autoritarismo é regra do dia

Pensei estar quebrando barreiras
Pensando em anarquia
Mas aí eu destruo o Estado
Para melhora a mais-valia?

Exploração da agonia
Dia apos dia em telas
Vendo vídeos que nem interessa a ela
Cansada em sintonia
Não quer pensar que culpa é dela
Da vida fugidia
Dk destino de tabela

A fuga parece ser uma necessidade
Antes feita em conjunto nos bares
Agora é única e bem específica
Não mais sonham com a vida idílica

Sonham com nada
Vivem dia por dia
Fazendo caminhada pro trabalho
Sendo datificados por companhias

A tocha do conhecimento é pesada
Mas ela não traz a solução
Se saber não resolve a situação
A verdade acaba sendo renovada

Conservo meus ideais
E massifico para quem vai ouvir
Eu acredito na vida que lutamos
Eu acredito que você pode existir

Eu não sou muito mais que um garoto
Tentando entender esse mundo de louco
Mas eu sei que precisamos nos juntar
Viver pelos outros, para melhorar

A humanidade não é o erro
Não deveríamos ser extintos
O regime econômico é o erro
E deveríamos ser mais combativos

Pense por você, por favor

Besteira de política

E no silêncio
Eu me faço ser ouvido

Sou a canção da multidão ecoando
Zunindo no ouvido daquele que não ouve
Que prefere que eu passe despercebido
E às vezes eu também prefiro

Se todos somos guerra, então cadê a batalha?
Não há rastros…
Não há fumaça…
Mas há vítimas.
Sim, e mais vítimas do que imaginava

Vitimas cansadas
Vitimas ousadas
Aquelas por muitos esquecidas
Invisíveis, morrendo pelas vistas
Pelas visitas de estrangeiros
Que são vítimas de verdade
Que choram de boa e má vontade

E coitado do povo

O suor do povo mascára
As presas do outro
Que nos eviscera sem pensar nem um pouco
Mais um e mais dois
Vão-se três jovens de uma vez

Da voz de todos, ouço um socorro
Ouço a voz da mãe
Da irmã
E do amigo
Ouço a minha voz tentando falar
Para confortar ou fazer abrigo
Ouço as palavras encherem a sala

Mas não vejo a batalha
Até que ponto tu lutas por todos?
Até quando lutas por mim?
E o que eu farei por mim?

Penso em pompeia
E eu achava absurdo
Como pode toda uma cidade morrer
Achando que nada estava rolando
Vendo tudo se acabar
Se agarrando ao último suspiro

Suspirando até que acabe