Encontro de pessoas
As almas correndo soltas
As vozes ecoando loucas
As caras olhando outras
Nós, julgados à forca,
Rindo de coisas tão bobas
É esse o meu lugar
Onde o frio não pode me alcançar
E o profundo vira lar
Mas às vezes não quero estar
Quero o raso para me molhar
Ver o mar, bem fundo de lá
O futuro que ainda não há
Brincar de nadar sem mergulhar
Mas às vezes me afogo…
Brinco com verdade, fofoca e vaidade
Confundo desconstrução com liberdade
Me acho sem procurar por vontade
É algo natural, de tamanha intensidade
Que não posso sozinho, invoco deidades
Faço pactos, procuro amenidades
No fim, sou eu que controlo a realidade
Que busco pelos meus pares
Que os ama com o fogo da amizade
E os odeia com a fumaça da saudade
Não sei direito como é contigo
É estranho como tenho me sentido
Eu sinto que vivo no paraíso
Caminho outrora perdido
Agora aberto, revelado e reconstruído
O passado arruinado ainda deixa vestígios
Mas já não é mais algo escondido
A arte milenar que persiste neste vadio
Não a poesia, mas o amor descomedido
E eu achei que só existia nos livros
Fugi como pude, hoje eu já não consigo
Me entrego à esse paraíso proibido
E de proibido, agora faço meu abrigo
E de silenciado, agora ouço os gritos
E de choro calado, agora são os risos
E de vazio ignorado, agora eu infinito
Você é um bandido, e eu amo isso
Um lince espreitando um bode da montanha
Não temos tempo para mais uma visão tacanha
Se enfrentarmos o mundo, o mundo apanha
E se corrermos juntos, nada nos alcança
E, quando nasce uma flor de insegurança
Eu destruo das pétalas às raízes,
para que não expanda
Ao invés dessas flores, eu semeio lembranças
Para que, no futuro, esse jardim da esperança
Nos faça vivos, ativos e felizes, como crianças
Quero conhecer você todos os dias
Descobrir suas muitas versões
Ver suas mudanças e confirmar o fato
Que o amor não é algo imaginário
Pois te amo dentro e fora das canções
Te amo quando estou bravo
Te amo quando estou sozinho no quarto
Te amo dentro de multidões
Eu te amo acovardado
E com os riscos dos olhares incomodados
Te amo quando eu erro e sou otário
E também te amo quando perdoo e sou perdoado
Sinto que estou no lugar certo
Sinto você me querendo perto
Sinto saudade até de nós dois quietos
Sinto que te quero de peito aberto
Sinto que te devo um espaço às vezes
Sinto que sinto muito, e exagero no contato
Sinto também que eu sou desastrado
E não sou muito bom com detalhes e deslizes
Sinto que penso muito alto
Pensamentos que não são fatos
Interpretações que não são atos
Mundos entrelaçados e mundos separados
Vejo o caminho que seguimos
E quero continuar andando
Correndo, dirigindo nesse paraíso
Quero as iguarias e os encantos
Quero os problemas e enganos
Quero o amor racional e o leviano
E, por mais que sejamos pessoas diferentes,
Quero te incluir em meus planos
Tag: Poesia
Só sei que…
Talvez você duvide de seu coração
Esteja dividido sobre o que é bem
E o que é bom
Talvez você duvide de você também
Bom, eu não posso falar o que não sei…
Só sei que a resiliência é sua natureza
Como um afresco do século XVI
Feita de barro, areia e óleo de baleias
Você atravessou tudo de uma vez
E continua com vida e belezas
Só sei que você é precioso e sensível
Duro como um diamante
Ainda delicado, cuidadoso e muito querido
O desejo de qualquer amante
Ainda assim, resiste a riscos
Perfurando qualquer pedra adiante
Só sei que seu olhar brilha na luz
Mais claro que o sol da manhã
Extinguindo qualquer ilusão vã
Qualquer um que olhe, se seduz
E eu sou o sortudo
Só sei que sua presença acalenta
O coração de um bom marinheiro
Vivido dos mares e dos banheiros
Até as histórias o querem inteiro
Mas somente por você ele assenta
Só sei que você me quer bem
Me faz acreditar que posso ir além
E me ajuda a me sentir assim
E confronta seus demônios por mim
Só sei que você é um artista de ouro
E seus desenhos são um grande tesouro
Desenha pessoas, desenha rostos
A arte começa aos poucos
Só sei que dói voltar pra casa
Ver você pela janela de fora
Todo sem graça
Olhando a hora
Às vezes eu acho que você não vê
O quão é dedicado
Seja na vida social, seja no trabalho
Ajudando outros sem ser ajudado
Favores que custariam salários
Eu só sei que respeito sua história de vida
Seus sofrimentos de infância
Seus sentimentos e feridas
As vindas das pessoas e as partidas
Cada uma delas com celebração devidas
Só sei que eu vou estar aqui por você
Quando o moinho satanizar contigo
Quando você só precisar se entreter
Quando estiver sozinho
Quando estivermos em multidão
Quando eu tiver na sua mão
Quando eu beijar um estranho folião
Quando estivermos separados por um metro
Ou um milhão (não sei que distância é essa)
Ainda assim, estarei aqui como puder.
Seu e meu
Seu cheiro é meu perfume
Seu toque que me veste
Seu beijo me consome
Sua voz me diverte
Seu olhar me acompanha
Seu peito me aconchega
Seu ouvido me segue
E sua boca que me beija
Seus dedos que me guiam
Seus braços me protegem
Seus pés abrem caminhos
E andam para onde querem
Seu calor me faz suar
Sua carne me alimenta
Seu ardor me sufoca
Me desperta
Me orienta
Suas palavras me acalmam
Suas palavras me abravam
Suas palavras me abraçam
Suas palavras me calam
Sua saliva me derrete
Sou o doce que você precisa
Seus dentes me mastigam
Sua língua me instiga
Seu arrepio me contagia
Seus pêlos me deixam viciado…
Hipnotizado…
Como feitiçaria…
Seus movimentos de dança, meus passos
Suas saídas são meus espaços
Como o sol brilhando para a terra
Como pássaros na atmosfera
Como um descanso depois de um dia árduo
Seus roncos são meus conselhos
E sua tremida é minha piada
E meus sonhos são verdadeiros
E meu acordar é voltar para casa
E nossos agarrões são o meu respiro
Nossos momentos são o meu delírio
Nossas escolhas são o meu destino
E nossos afetos são os meus amigos
Por aí
Respirei no mar
Busquei ajuda
Pedi para me guiar
Pedi que me acuda
Tenho andado calado
Andado assustado
Disfarçando os estragos
Com um gosto amargo
Talvez doce demais
Talvez meu sorriso que me trai
Jaz aqui a liberdade
Com sabor de maldade
Enganos e engasgos banais
E se a felicidade não bater?
E se a tristeza for de doer?
O que eu sou sem a alegria?
Onde está a minha raiva?
A minha fúria?
A minha agonia?
Decidi
Decidi não me punir
Vou sair, me divertir
Arranjar um lado bom
Achar uns beijos por aí
13 – Medo Visceral
Ícaro caiu do céu sorrindo
Pandora viveu com esperança
Perdiz voou grandes distâncias
E Odisseu foi afinal acolhido
Os fungos decompõem a carne
O fim de amizades significa novos amigos
As roupas que não mais cabem
Podem ser doadas e caber em outros
Indivíduos
E o louva-a-deus morto terá filhos
E o mundo, mesmo com plástico
Está em seu giro contínuo
E, mesmo com as eleições no papo
Um dia o mandato acaba
Eu não me assombro com monstros
Com espíritos ou fantasmas
Eu tenho medo de humanos
Medo de algum mal me faça
A morte, que é o medo visceral
Vai chegar algum momento
O universo cresce, imortal
E o declínio vem com o tempo
Decaimento fatal
–
“Não há bem dure para sempre
Nem mal que nunca acabe”
Minha mãe fala em minha mente
E eu lembro como um escape
Claro que tenho meus desesperos
Meus dias vazios
Claro que choro no banheiro
Com a mente a mil
Hoje eu tenho medo do futuro
De como vou construir minha vida
Eu sinto que tenho nada em mãos
Só um passado escuro
Sem sequer ponto de partida
Perdido no céu da noite
Eu ando com a música no máximo
Fugindo dos pensamentos acumulados
Às vezes eu os deixo que me achem…
Já vi rirem de quem se assusta com os próprios pensamentos
Esses não conhecem o que é medo
Só ficam chateados
Por isso têm como entretenimento
Os derrotados
Eu não subestimo medos
Às vezes não podem ser controlados
Eu enfrento quando preciso
Me reinvento, dou meu jeito
Mas às vezes só fico parado
Marinando no próprio cansaço
Falando de nada com ninguém
Cheirando a fracasso
Sozinho me desfaço aquém de quem fui
Aquém do que eu posso e o que eu faço
Hoje o medo venceu
Amanhã eu levanto e retraço os planos
Eu só não consigo mexer meu braço
Será que palavras bonitas me salvarão?
Do fundo do poço que caio há meses
Que caio em êxtase
Que caio em vão?
Eu não sei, não.
Queria ser o Ícaro de antes
Eu acabei só sendo um vacilão.
12 – Acordo/Negociar/Lidar
Dia quente, como sempre
Tesão no tédio de manhã
Encontro você de repente
E a manhã deixa de ser vã
Tocamos mensagens uns dias
Nos outros, nos vimos
Beijamos, conversamos, transamos
Dois desejos, unimos
Com você o mundo é mágico
É compreendido e exato
O mundo é catártico
Baseado em suas construções do fato
Meu mundo não é concreto
Ele é mágico, mas incerto
Construção diária com as mãos nuas
As minhas leis são feitas nas ruas
Precisa-se ser esperto
Bom, eu não fui
Me perdi no meu mundo procurando o seu
Juntei tantos laços que ele bateu
Colidiu diretamente com sua rotina
Me deixou sem saída
Caminhei seu mundo com o meu
E a montagem era esquisita
As pessoas eram alienígenas
Geralmente amigáveis
Raros terroristas
Caminhei seu mundo como meu
Como um bom turista
Perguntei os melhores lugares
As melhores atividades
Você me deu as costas e disse
“Aprecie a vista”
Nervoso e sozinho
Em meio a um mundo hostil
A voz só chegava para agradecer
Amar ou temer? Ou amar ao temer
Eu temia você resolver não querer mais
E quanto mais o tempo sem resolver
Mais o meu mundo colapsava
Eu sempre querendo te ver
Mesmo me sentido uma pessoa
Não-amada
Escrevia poesias sobre o mundo louco
Eu sabia que havia um ponto solto
Mas não conseguia abrir o olho
Fascinado demais neste mundo novo
Bom, o meu mundo explodiu
Minha casa, meu trabalho,
O meu amor doentio
Tudo sumiu
Eu duvidei de tudo ao redor
Duvidei do meu amor
Duvidei até se poderia ser melhor
Até hoje eu não sei
Meu mundo explodiu, sim
E com ele foram as construções
Foram as minhas regras
Explodiram até as canções piegas
minhas memórias de outra época…
Já era…
Meu mundo explodiu, é fato
Mas ainda existem pedaços quebrados
Alguns que criam machucados
Outros lembram dos machucados passados
As responsabilidades não pararam
Mas o mundo não mais existe estável
Meu mundo explodiu, todavia
Há esperança de que nasça mais vida
Criação das mãos nuas minhas
Um novo mundo se aproxima…
E então paramos de nós falar
Um mês, dois, três meses
Eu sem me importar
E então você quer
Se ver no nosso lugar
Conversar o não dito
Eu vou logo acabar com isto
Quero saber o que queres
este bendito
E porque logo comigo
Você quebra o gelo com piadas
Eu o elogio
Você fala seus motivos de distância
O que me estranha
Me confunde e percebo que me engana
Mas sinceramente?
Não impressiona
Eu concordo com as posições
O acordo foi selado
Não teremos relações
Mas com clima amigável
Meses se passaram
Meses sem contato
Uma festa, você canta
Eu fui convidado
Me diverti do meu jeito
Bebi, comi, amei com respeito
Me diverti como podia
Me senti acolhido naquele dia
Até você me beijar
E acabar com minha magia
Sem me consultar
Sem clima, sem fantasia
Acordo o caralho
Você faz o que quer
Eu não confio em você
Eu não sei quem você é
11 – Fé
Eu me toco
Eu me vejo
Sinto meus dedos no espelho
O vento passa pelos meus pêlos
Eu sinto meu corpo
Mas eu não vejo por dentro
Não sei se existe
Não vejo meus sentimentos
Não toco, não vejo
Mas eu sempre me lembro
Lembro do que disse
Palavras voando ao relento…
Não são reais,
Não servem de nada
Preencho minha taça
Líquido viscoso e gasoso
Ele escorre da garrafa bondoso
Me esquenta e me agrada
As sensações marcam a pele
Fica quente, vermelha
Fica fria, fico leve
O álcool me submerge
O que seria eu, além de deus?
Dividido entre a carne e o sentimento
Entre o agora e o adeus
A carne e o pensamento
O engano e o querer
Respostas para o vir a ser
Não sou um ou outro
Sou ambos, para seu desgosto
Sagrado e profano
Dono de um paraíso só meu
Depois da festa, desato os panos
De confete
Para descansar no sorriso de Romeu
E as elucubrações céleres
Que me arrastam do destino certo
Me deixam um pouco inquieto
Fazendo da realidade, hipérbole
E da imaginação, concreto
Pois eu que fiz a luz
Fiz os carros, fiz as terras
E em mim que tudo isso reluz
Ganha sentido, afeto
Vira moderno, se encerra
Sim, eu sou deus
E o mundo não precisa saber meu nome
Já mataram tantos como eu
E os que se gabam… Seus nomes somem
Sim, eu sou cultuado
Sou lembrado por amados
Para uns, o não nomeado
Para outro, um etéreo nunca amargo
Busco essa verdade a anos
Por debaixo do tapete
Por entre os panos
Estava procurando em outros deuses
Procurando alguém para ser meu âmo
Não reconhecia meus poderes
Mas reestruturei os planos
A imaginação existe enquanto eu existir
Ela espelha a minha realidade compartilhada
Eu sou o deus de mim
Deus da verdade ilimitada
E, quando eu tiver em meu fim
Diga a todos que eu morri por nada
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Esse ano eu passei muito dele esperando um deus, querendo assumir alguma fé. Talvez exista uma força espectral que dê um sentido nas estrutura do universo, quanto que nós decalcamos sua inteligência. Mas isso não significa que essa criatura quer nosso bem ou mal. Acho que nós devemos ser por nós. Não existe outra pessoa além de nós mesmos no fim do dia.
E a referência do final foi porque o cristianismo merece acabar ou ao menos ser menos considerado. Como algo importante.
10 – Show de bateria
Acordo cedo com o sol
Mais um dia lindo
Levanto da cama sorrindo
Como um peixe mordendo o azol
Café da manhã é bem rápido
Isso quando dá tempo
Comer uma besteira é mais prático
E entra mais no orçamento
Me arrumo de cima a baixo
Penteio os cabelos
Me encho de cheiros
Esperando ser notado
Contagem de itens na mochila
Faço uma lista
Chaves
Roupa extra
Carteira de motorista
Celular que espelha
E gatilhos à parte
Chego na empresa
Ninguém está à vontade
Todos odeiam de verdade
Mas não há maldade
Só negócios, ataques, defesas
Me sento e vejo o tempo passar
Uma, duas, cinco horas
Tento não desassociar
Espero ir embora
E desato a chorar
O carro se dirige na estrada
Os olhos marejados
A fuga não pode ser planejada
Responsabilidades desafiam tal ato
Frustrado e confuso
Eu aumento o som do carro
Afasto os pensamentos obscuros
E grito as músicas bem alto
Por um momento
Aquele pequeno momento
Eu não sou mais um funcionário
Eu curto minha vida adoidado
Não tem que julgue este coitado
E, se tivesse, não teria me importado
O carro se conduz pela pista
Mudando de música
Freando quando precisa
Sinto no cabelo a brisa
Carro me deixa na esquina
E aceita o plano proposto
Paro no posto
Compro uma bebida
Sigo o caminho
Menos tortuoso
Até que o carro para
Chegou onde precisava
Uns tapas no rosto para tirar a mágoa
E meu único amigo me deixa em casa
Entro, converso, faço até piada
Beijo, abraço, tomo banho
E no banho eu dou uma descansada
“Essa vida não tem ganho
Ou eu me encaixo na palhaçada
Ou eu me torno um nada”
Pensamentos estranhos…
Pensamentos comuns de banho
Quero deitar em minha cama
Dormir e não lembrar do dia
Das pessoas mal humoradas
Do que faço por quem me ama
Da violência apenas assistida
Os olhos fecham no breu da meia-noite
Como um véu
Cobrindo em preto os montes
Eu me deixo flutuar no céu escuro
Encontro a bebida que tanto procuro
A Cicuta brilha no luar eterno do mundo
Acordo cedo com o sol
Mais um dia lindo
Levanto da cama sorrindo
Como um peixe mordendo o anzol
9 – Manga de Camisa
Eu cortei minha manga fora
Um pedaço já estragado
Comer seria insensato
E tenho comida de sobra
Eu cortei minha manga fora
Para começar o trabalho
O gosto na boca amargo
Chego e saio bem na hora
A manga do trabalho duro
Aquela que causa revolta
Tão odioso amargo fruto
Mesma fruta tão desejada
Seu doce derrete na boca
Quem a prova não a prepara
8 – Gaiola/Prisão
A violência está na frente
Só bastava eu falar
Mas eu não sei estou certo
Eu me assusto
E quando decido…
O tempo passou
Já deixei pra lá
A violência dita
A violência marcada
A violência sentida
E eu, calado
Sem mordaça
Só calado
Nem o ar escapa
A paixão está latente
Ela arrepia os pêlos
Devora minha mente
Derretendo com seu calor
Esse calor é corpulento
Uma lava que consome tudo que toca
E me toca te toco por dentro
Te sua me vicia na hora
Me cansa te alcanço do meu jeito
Me perguntando se faço direito
Essa lava, esfria em um momento
Tornando pedra todo esse acontecimento
É lindo, é forte, tem sentimento
Eu te olho, eu me importo
Mas as palavras…
Elas ficam para dentro
Palavras fáceis de escrever
Difíceis de serem ditas
Engasgam na saída
Se perdem do âmago do ser
Não podem ser atingidas
E quando o saber invade
Conhecimento de pura luta
Com pouca vaidade
Palavras que são astutas
E podem levar a alguma dignidade
Conhecimento que liberta
Que torna o engraçado, duvidoso
Que separa os certeiros dos tolos
Os cordeiros de quem faz a festa
Esse saber que te inclui nessa
E não exclui por ser oneroso
Não tem vergonha de se é escandaloso
Conhecimento que desperta
O teste vem bem na sua testa
Vem do alguém que você menos espera
Vem do sacana que você já espera
Você não fica à vontade
Mas também não nega
E a situação se multiplica
Mas pior que tá… Não fica?
Engraçado é relativo a quem?
Se você não gosta daquilo
Por que então que “magicamente” vem?
Hipócrita das mãos escuras
Sangrando das palavras ditas ao sol
Supostamente astutas…
As mãos, ásperas que só
A língua, seca de dar dó
A consciência…
Vazia.
Ninguém te pede defesa
Não existe justiça
Existe a certeza
E existe hipocrisia
Minha cabeça girando com fatores
Com morte, vida, ação, amores
Não quero ser inimigo da diversão
Mas me incomoda nunca dizer um não
Estou numa prisão
Mas o lado de dentro é grande
Ele cabe amigos, amores, amantes
Nele não cabe canções
Se sair, enfrento a solidão de um homem
Se fico, a companhia de idiotas
Se saio, me prendo em outro horizonte
Se fico, se saio…
Acho que não mais importa…
Não escolho, de fato
Não escolho que me olhas
Não escolho minha casa
Não escolho que caminho contornas
Não escolho nada
Se deixo escapar um grito, é um favor
Se corro ou se ando, nada ameniza a dor
Estou dentro de mim
Berrando em plenos pulmões
Eu quero sair daqui
Quero destruir casas
Quero criar imensidões
Mas os olhos abrem
A boca mexe
E os pés sabem o caminho a seguir
Eu observo o mundo de longe
Longe…
Bem dentro de mim
My body is a cage
Tha keeps me from living the life I own
And my mind holds the key