Existe algo por aí
Algo que eles fazem
Eles estão de malandragem
Não querem ver-nos agir
Eles estão dentro dos lares
Estão por toda massa
Estão pelos celulares
Estamos sob tuas asas
Ditam o que podemos falar
O que deve ser pensado
E o que deixar pra lá
Esquecido, abandonado
Eles têm seu sangue
Do tal “teste de grau genético”
Eles têm o seu afeto
Com obras de artes automáticas
Eles estão na big data
E você ainda fazendo taboada
Pra aprender matemática…
Ironia ou piada?
Não me surpreende nada
Que eles são donos da parada
Ricos, famosos, desconhecidos
Pilantras e magnatas
Mas não os deixe saber
Que, dentro da vida cotidiana
Ainda existe o prazer
Existe a calmaria de ser só
Existe o final do dia
Com o pôr do sol
A companhia das pessoas amadas
E a derradeira queda na cachaçada
A dor é real
O sofrimento é sentido
Mas se não dermos motivo
Se não criarmos nosso destino
As funções perdem sentido
Não há batalha
Só tem um escravo…
Seguindo…
E seguindo…
Cada dia criando nós mesmos
Desenvolvendo nossos gostos
Questionamos o que é proposto
E reviramos os planos por inteiro!
Eles podem ditar as regras
Podem nos fazer ir à merda
Mas se eles são uns fudidos
Nós somos mais fudido ainda
Se eles são maus
Nós somos os piores
Se eles são desgraçados
Nós somos os abandonados
Somos a voz que só é ouvida por nós
E projetamos o futuro que vier
Seja o de liberdade
Seja o de mil e um sóis