2 – Obscuro

Um sonho de inquietude
Acordo no escuro da noite
Não lembro do sonho direito
O coração bate a mil no meu peito
Olho para frente e o que vejo?
Um enorme circulo peludo
Sentando sorrindo, moribundo
A duas palmas do meu rosto
O reflexo me pede para afastar
Para correr, não estar no mesmo lugar
Oh, mas não dá para me mover
Paralisado pelo sono ou pelo seu olhar
Aquilo vê meu susto com prazer
O que mais eu posso fazer?
Naquele momento, eu aceito a morte
Inevitável por aquela criatura abominável
Amorfa, inerte, invisível e torpe
E, ao passo que eu relaxo com o pavor
Aceitando meu destino com honra
Percebo, para minha vergonha
Que era apenas o ventilador