Uma fazenda abandonada
Grilos estavam cantando
Não acontecia nada
Se tivessem olhando
Verdade não contada
Não segure espanto
Mas a fazenda pacata
Escondia animais semi-humanos
Atentos aos meandros
Quietos, espertos, malandros
Pisando fofas patas
Criando sua Arcádia
Paraíso dos falantes
Sejam pequenos, grandes
Todos dão entrada
Satisfeitos da jornada
E eles cantando!
E ainda dançando!
Coelhos e vacas
Ratos e cabras
Imitando filmes mexicanos
Atuando o “Super-Pasta”
Mudando algumas falas
Rindo e chorando
Parece besteira falando
Eu não acreditava
Quebrei a cara
Mas fui fotografando
Olha aqui:
Três cavalos fumando
Não, não era engano
E não, eu não estou brincando!
Eram três cavalos fumando!
E um deles estava montado
Era montado por outro cavalo
Sim, eram dois cavalos malhados
E um cavalgando em cima dos outros
Abestalhados
Aonde eu os vi você pergunta?
Foi logo ali
Naquela fazendo maluca
Uma grande espelunca
Mato cobrindo todo lugar
Exceto o curral, celeiros e a casa
Espertos bichos encrenqueiros
Vou acabar com essa farra já!
Pois subo cerca
Invado a propriedade
O controle que me perca
Vou revelar a verdade
Embrenho-me no mato
Arranco plantas como posso
Encontro alguns ossos
Rastejo para passar silencioso
Vou pegá-los no ato
Cada vez mais difícil passar
Dou meu máximo por cá
A primeira vez foi mais fácil
Sinto algo de errado pelo ar
A noite cai ao chão
Escuridão me devora
Uma mísera minhoca me apavora
Sigo na mesma direção
De alguma forma, perdi-me nessa ida
Não consigo achar a passagem
Perdi a entrada e a saída
Sentindo-me Bobo e selvagem
Um cheiro forte de medo
De suor, dor e peito
Cheiro fétido que indica direção
Sigo, já querendo sair da escuridão
Vejo a fazenda
Em um ângulo diferente
Tudo parece maior, e imponente
Domino o lugar
Sigo em frente
E o que estou fazendo?
O que farei?
Estou tanto incomodada
Devo encarar a bicharada
Entro no celeiro
Vejo a turma
De repente, enrubreço
Uma voz: “Continua!”
Música desperta tocando
Todos na balada
Sigo eles balançando
Esqueci da bobajada
Quero mais viver
Sem continuar julgando
Rua é Saber
Ela está chamando