Dia 8: Um murro bem dado

Cala a boca, otário
Porra de falar de sentimento
Não quero saber disso
Não vou ter conhecimento

Olho sério ao meu oponente
Respiro forte para amedrontar
Já sinto o sangue pingar
Pelos meus dentes
Agora somos um par
Só tenho ele em minha mente
Vamos brigar

Boto a base
Grito com toda força
Preparo o ataque
Desfiro antes que ele corra

Mas ele não corre
Mais sangue pinga no chão
Vermelho, espesso, escorre
Um dente perdido na mão

Chegou minha vez
E eu não vou recuar
Ele vai me arrebentar
Pior do que antes já fez

E POW

AI!
DÓI PRA CARALHO!
Caio no chão estirado
O gosto forte metálico
Mas ainda não estou desacordado

Eu ainda tenho energia
Para mais um murro
Se eu conseguir levantar…
É ele que cai duro!

Ouço meu coração bater
O tempo para num segundo
Som alto, claro, eu escuto
Era o que eu precisava
Vou fazer BA-RU-LHO

Eu levanto!
Grito de volta para o mundo
Eles gritam de volta
Mesmo que eu os escute em mudo

Fico de cara-a-cara
Fito o vagabundo
Corpo suado, cara surrada

E um sorriso vermelho imundo

Eu respiro fundo
O silêncio toma conta de mim
Fecho os olhos
E não estou mais ali

“Ícaro! Ícaro!
Diga o que veio fazer a seguir!”

Abro meus olhos
Estava lutando contra a ansiedade
E eu perdi